10 TÓPICOS DE REFLEXÃO TARDIA (MILLÔR)

28, Novembro, 2008 at 5:31 am | In Piadas e causos | 3 Comments

Millôr Fernandes já esteve presente neste Zeducando antes, retorna hoje, uma sexta. Na minha opinião os  melhores ‘tópicos para estas reflexões tardias’ são o primeiro e o penúltimo.

Além de poder dar boas risadas e poder refletir sobre o cotidiano, escritores/desenhistas como ele nos permitem aprender sempre mais, como agora que tive que pesquisar o significado da palavra “ecmnésia: evocação alucinatória de ocorrências do passado, com esquecimento de fatos recentes” (alguns psicólogos a consideram como uma psicopatologia da memória e há ainda a ecmnésia histórica utilizada em tratados de pesquisadores) .

Ah, ía esquecendo a fonte, é a revista VEJA deste mês. Sou obrigado a citar, mesmo um dia tendo escrito aquele post Veja ? Não veja esta “Veja”! ou veja ?

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10 TÓPICOS DE REFLEXÃO TARDIA

I- Nove anos de idade. Pois é. Já estão exportando nossos garotos de 9 anos de idade pra jogar futebol na Itália. Daqui a pouco estarão exportando fetos. Mas, olha aqui, pensando bem, ômeus!, vocês não querem importar também um pouquinho de sêmen?

II- Pensando, na falta do Tic-Tac da Pós-Tecnologia.

Olho meu relógio, última palavra da tequinologia. Mas é feito de quartzo – cristal triâmico, com 60 milhões de anos.

P.S.: o quartzo fica entre o terzo e o quintzo.

III- Reflexão à sombra da Crise: já vi, negociando na Bolsa, padres, professores, médicos, juízes, comunistas. Mas nunca vi, na Bolsa, uma operação com fins humanísticos.

IV- Pois é: de repente fico abestalhado por um inesperado pensamento inteligente.

V- Baía dos porcos. Não. Não é em Cuba. É no Rio. Em nenhum lugar do mundo equilíbrio tão perfeito entre beleza e nojo, esplendor natural e ratos podres (no Poder).

VI- O Paraíso, ninguém discorda, é a maravilha maior de toda a criação divina. Mas por que Deus povoou aquilo com seres humanos, e não botou lá, como querem os Verdes, apenas o mico-leão-dourado?

VII- Pra sua proteção contra tsunami, incêndio californiano e vazamento nuclear. Não entre em pânico. Corra velozmente pro primeiro banco que encontrar – pode ser o banco que está ao seu lado ou o banco que nem parece banco – e consiga, com qualquer juro, em qualquer condição, um empréstimo qualquer, digamos, 1 milhão. Depois disso os banqueiros protegerão você de toda radiação. E, claro, a radiação sobre os bancos já foi protegida das roubalheiras lá deles pelo governo lá deles.

VIII- Vejo, como sempre fascinado, o JORNAL NACIONAL: “Ônibus mata dezoito em cima da calçada, crianças da creche assassinam sete enfermeiras assistentes, banqueiro de banco é sócio de banqueiro de bicho, chefe do tráfego tem ligação com o chefe do tráfico, coca vendida na sacristia, sacerdote justifica pedofilia, militares homossexuais promovem suruba no quartel, curso de inglês ensina policiais a roubar turistas, grupos de extermínio vendem órgãos de criancinhas, FIQUE COM A GENTE!”

IX- Última MP do governo, enviada ao Congresso para aprovação urgente-urgentíssima: “Fica proibido qualquer escândalo no que resta de 2008. A agenda do ano já está completa”.

X- Memória. Saudosismo. Ecmnésia.

Ouço, pela milentésima vez, Lili Marlene. Na voz da Dietrich. 

Sapos valentes

25, Novembro, 2008 at 8:48 am | In Artigos e textos | 2 Comments

sapo1O texto que motivou este post foi feito em 26 de maio de 2007, há um ano e meio portanto. Foi publicado no suplemento infantil “A TARDINHA” do jornal “A TARDE” de Salvador/BA.

 

Os mitos indígenas de nossa história têm dupla finalidade: nos divertem e nos ensinam. Este achei particularmente interessante. Trata-se de uma adaptação de Paulo Pedro Costa e Ana Cláudia Almeida de uma história recolhida pelo padre Martinho de Nantes em 1706, publicada no “Relatório de uma missão ao Rio São Francisco entre os índios cariris” (do Nordeste do Brasil).

 

 

“Os seres humanos

dobram o corpo

porque seus avós cariris

caíram do céu quando

caçavam caititus fora

da estação e

quebravam os ossos”

 

 

“Um dia os índios cariris desejaram comer porcos selvagens – caititus – fora de época. Os homens saíam da aldeia e deixavam apenas os filhos menores de dez anos com o grande pai, que chamou os meninos, passou a mão na cabeça deles, e as crianças se transformaram em caitirus.

 

O grande pai disse aos porquinhos selvagens que fossem passear no céu. Os pais voltaram, não encontraram os filhos, mas nada perguntaram, pois não ousavam questionar o grande pai.

 

Ele lhes disse: ‘Vocês querem caititus, mesmo fora da estação de caça ? Quando as mães estão com seus filhotes ainda mamando ? Vão à caça agora e os encontrarão. Os índios viram uma trilha de caititus que se dirigia ao céu através do grande cipó e a seguiram. No céu, os índios viram muitos caititus e caçaram estes porcos selvagens.

 

Quando o pai grande viu aquela matança exagerada, chamou as formigas e mandou que cortassem o cipó que ligava a terra ao céu. Os sapos, amigos dos índios, compadecidos da situação, entrarem em guerra contra as formigas. Para se livrarem dos sapos, as formigas picaram as costas dos sapos, que, mortos de dor, abandonaram o cipó. É daí que têm até hoje a pele rusga, parecendo empolada nas costas

 

Os cariris quiseram voltar para a terra com os caititus caçados, mas não acharam mais o cipó. Tiveram então a idéia de se prenderem uns nos outros para fazer uma corda para descer. De nada adiantou. Caíram e quebraram os ossos, daí dizem que é por isso que as pessoas têm os ossos dos dedos das mãos e dos pés partidos em pedaços e dobram o corpo em tantos lugares, por causa das fraturas que nossos avós ganharam na queda

 

Os índios ficaram vivos porque o grande pai remendou o corpo deles. Mas ele primeiro explicou aos cariris que ninguém pode atirar flechas em filhotes e fêmeas grávidas.”

 

Por incrível que possa parecer, eu não achei esta história no “São Google”, mas a reproduzi aqui com prazer neste Zeducando a fim de compartilhá-la com meus leitores.

 

Mais histórias em: http://saposaliente.com.sapo.pt/

A Viagem do Elefante (José Saramago)

22, Novembro, 2008 at 5:16 am | In Baú de livros | 5 Comments

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Saramago já esteve presente antes neste blog com uma bela citação, retorna agora com o seu mais novo livro, “A Viagem do Elefante”, com lançamento mundial previsto para o dia 27 deste mês no Brasil.

Único escritor da língua portuguesa a ganhar um Prêmio Nobel de Literatura (1998), saído há pouco de um sério problema de saúde ele disse: “Se me perguntassem sobre a morte, posso responder: eu já a conheço“.

De sua obra li dois livros que me encantaram pela criatividade e me espantaram, de início, pela forma como foram escritos – parágrafos imensos, páginas inteiras de parágrafos: “A Jangada de Pedra” e “O Evangelho Segundo Jesus Cristo”. jangadapedraevangelhosegundojesuscristo

O personagem principal desta sua mais recente obra é Salomão, o elefante. Diz o autor: “A história é sobre este absurdo de levar um elefante a atravessar metade da Europa“. No blog da Fundação José Saramago (blog.josesaramago.org) há um trecho da obra que é também sobre personagens que se tornam “transparentes como uma bolha de sabão” e, de repente, fazem “plof” e somem.

Saramago chama a Internet de “a página infinita” e assim a define: “Essa página não terá que dizer um dia: ‘Estou cheia. Não escreva mais!‘”.

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FONTE: Revista TAM nas Nuvens – http://www.tamnasnuvens.com.br/revista/site/index.html

Microfinanças – O Papel do Banco Central do Brasil e a Importância do Cooperativismo de Crédito

20, Novembro, 2008 at 5:12 am | In Baú de livros | 5 Comments

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Um livro que trata de finanças públicas e microcrédito, contendo poemas de Fernando Pessoa, pela inovalção e importância do tema para nosso país, não poderia deixar de estar presente neste “Baú de livros” do Zeducando.livro_marden21

Um dos autores deste “Microfinanças – O Papel do Banco Central do Brasil e a Importância do Cooperativismo de Crédito” é o meu irmão Marden Marques Soares, o outro é o amigo Abelardo Duarte, ambos funcionários do Banco Central do Brasil.

Como ‘aperitivo’, posto a seguir o melhor dos poemas de Pessoa ali contido, na minha opinião, além do Prefácio e da Apresentação da obra:

Posso ter defeitos, viver ansioso e ficar irritado algumas vezes mas, não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo, e posso evitar que ela vá à falência.

Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise. Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas e se tornar um autor da própria história.

É atravessar desertos fora de si, mas ser capaz de encontrar um oásis no recôndito da sua alma.

É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida. Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos. É saber falar de si mesmo. É ter coragem para ouvir um “não”. É ter segurança para receber uma crítica, mesmo que injusta.

Pedras no caminho?

Guardo todas, um dia vou construir um castelo…

 Fernando Pessoa, em “A Felicidade Exige Valentia”

 

Prefácio

Nos últimos anos, a questão do acesso de populações de baixa renda a serviços financeiros tem sido tema de destacada importância nos meios acadêmicos e no debate sobre políticas públicas. Prova disso é a instituição, pela Organização das Nações Unidas (ONU), do Ano Internacional do Microcrédito 2005 e a escolha do senhor Muhammad Yunus, fundador do Grameen Bank, de Bangladesh, como Nobel da Paz em 2006. Esses e outros acontecimentos fizeram com que a atenção e o foco de governos, de entidades apoiadoras e do público em geral se voltassem para esse segmento da economia, cuja importância está diretamente vinculada ao seu papel como agente mitigador da pobreza e da desigualdade social.

A Diretoria de Normas e Organização do Sistema Financeiro (Dinor) do Banco Central do Brasil dedica-se ao estudo do tema e contribui, dentro de sua esfera de atribuições, para a construção do marco legal e regulamentar, principalmente naquelas iniciativas que, de acordo com as melhores experiências conhecidas nacional e internacionalmente, buscam a auto-sustentabilidade e a diminuição do risco de descontinuidade e, ao mesmo tempo, promovem o desenvolvimento de regiões e públicos que não interessam à banca tradicional.

Na presente obra – na verdade, uma espécie de manual das microfinanças –, ao contar como essa contribuição se desenvolve com base nos três principais pilares das microfinanças dentro do Banco Central (microcrédito, com as Sociedades de Crédito ao Microempreendedor e à Empresa de Pequeno Porte – SCMs; correspondentes no País; e cooperativas de crédito), os autores não se furtam a desmistificar alguns conceitos – microcrédito ou microfinanças? – e a apresentar princípios e opiniões sobre pontos que estavam e estão em discussão dentro e fora do País, como é o caso das razões para a pouca penetração da indústria microfinanceira em alguns países e a dificuldade em se ter um cooperativismo de crédito com maior homogeneidade e grau de profissionalismo.

O livro é uma boa referência para meios acadêmicos, especialistas, participantes do mercado, formuladores de políticas na área de acesso a serviços financeiros e para aqueles que desejam simplesmente conhecer o tema. Os autores, que pertencem à minha equipe, apresentam grande base de dados que ilustram análises e perspectivas para o setor.

Alexandre Antonio Tombini (Diretor)

Apresentação

Em sintonia com o projeto Democratização do Crédito, que começou a ser costurado no início dos anos 90, o presente trabalho tem como principal objetivo mostrar as ações adotadas para aumentar a oferta de serviços financeiros à população de baixa renda, tanto no âmbito internacional quanto no nacional, neste caso, fruto dos esforços do governo federal e do Banco Central do Brasil (BCB), notadamente da equipe da Diretoria de Normas e Organização do Sistema Financeiro (Dinor).

Nesta segunda edição, com data-base em dezembro de 2007 e, no caso do cooperativismo de crédito, com dados também de junho de 2008, continuo contando com a inestimável ajuda e com a lúcida escrita do colega e amigo Abelardo Duarte, que de forma entusiasmada se atrelou ao projeto, muito contribuindo com seu conhecimento sobre cooperativismo de crédito e sobre sistema financeiro para dar mais consistência às minhas burocráticas palavras.

Como costuma acontecer em trabalhos de pesquisa como este, vários dados coletados e apresentados na edição anterior foram agora aperfeiçoados e substituídos por valores mais depurados, diante da descoberta de novas fontes e do uso de outras metodologias, tudo com o propósito de trazer a melhor informação possível.

É importante ressaltar que opiniões e juízos de valor aqui expressos são de inteira responsabilidade dos autores e não representam, necessariamente, a posição oficial do BCB.

Espero que esta obra possa contribuir para reflexões que levem ao desenvolvimento de modelos de atuação adequados, sustentáveis e permanentes, que favoreçam e estimulem o acesso a serviços financeiros, importante ferramenta de mitigação da desigualdade social, que, a despeito das várias ações que aqui serão descritas, se mantém em proporções inaceitáveis em nosso País.

Marden Marques Soares

Navegando entre o Microcosmo e o Macrocosmo

19, Novembro, 2008 at 5:02 am | In Zuniversitas | Leave a Comment

Certa feita quando ministrava aulas de CFB (Ciências Físicas e Biológicas) para o primeiro grau, altas horas da noite, fiz uma provocação aos meus alunos. Disse a eles que, ao saírem da escola, contemplassem o firmamento e escolhessem uma estrela. Perguntei então se eles já imaginaram a possibilidade de estarem vendo o passado (?!), pois aquela estrela que estavam vendo já poderia estar morta há algum tempo…

O arquivo power point que publico agora nos remete á questão do Macrocosmo, tão em voga na Ciência dos séculos que nos precederam e á do Microcosmo, tão atual com o advento da Nanotecnologia.

E serve para pensar sobre a pequenez humana diante da vastidão do universo.

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