Nicolau

30, Janeiro, 2009 at 5:29 am | In Piadas e causos | Leave a Comment

Porque hoje é sexta…

Nicolau

Fórum Social Mundial

27, Janeiro, 2009 at 10:17 am | In Artigos e textos | 3 Comments

Macaco_pomba Este ano o Fórum Social Mundial será sediado em Belém do Pará. Inicialmente surgido como uma espécie de ‘contraponto’ a Davos (Fórum Econômico Mundial), o FSM inaugurado em 2001 na cidade de Porto Alegre (2001) cresceu em importância e visibilidade. Acredito que a ocorrência deste importante evento mundial na Amazônia não é à toa. Os problemas sócio-ambientais do planeta batem à porta de todos nós e, como a própria mensagem do Fórum diz, temos que ter a esperança de que “um outro mundo é possível“.

Como convite a reflexão, posto o artigo “Fórum Social Mundial na Amazônia“, de Oded Grajew, publicado na Folha de São Paulo de ontem.

Fórum Social Mundial na Amazônia (Oded Grajew*)

(janeiro 26, 2009)

Em 2001, o neoliberalismo era glorificado, e a 1ª edição do Fórum Social Mundial era ridicularizada por “analistas” econômicos e políticos

A paertit de amanhã até 1º de fevereiro, a cidade de Belém, no Pará, passa a ser a capital da região pan-amazônica (composta por Brasil, Bolívia, Peru, Colômbia, Venezuela, Equador, Suriname, Guiana e Guiana Francesa) e vai abrigar a nona edição do Fórum Social Mundial. O FSM foi criado para se contrapor ao modelo de desenvolvimento dominante, enaltecido e propagado pelo Fórum Econômico Mundial, de Davos, que sempre combateu qualquer controle e regulação que pudessem inibir a “liberdade” do mercado.

A primeira edição do FSM foi realizada em 2001 em Porto Alegre (RS). Naquele momento, o neoliberalismo era glorificado. O então presidente da Argentina, Carlos Menem, era recebido com tapete vermelho em Davos, e suas políticas eram enfaticamente recomendadas para todos os países “em desenvolvimento”.

Os idealizadores, organizadores, apoiadores e participantes do FSM eram ridicularizados por boa parte dos “analistas” econômicos e políticos. Eram tachados de retrógrados que só sabiam criticar, mas que não tinham nenhuma alternativa a propor. Porém, já na primeira edição, milhares de participantes vindos de dezenas de países se organizaram em mais de 1.500 oficinas, debates, conferências e seminários que denunciavam os problemas e os riscos para as pessoas, a economia, a democracia, o meio ambiente e a paz mundial do modelo de desenvolvimento vigente. Ao mesmo tempo, propunham e apresentavam práticas e políticas que apontavam para a justiça social, a democracia participativa e o desenvolvimento sustentável. Infelizmente, uma parte da mídia tentou desqualificar o evento, dando visibilidade apenas aos protestos e às críticas, sem mostrar as propostas e as alternativas. Procurou folclorizar o FSM, destacando, por exemplo, um rapaz que viajou milhares de quilômetros para tocar violão à beira do rio Guaíba, vendedoras de produtos artesanais, namoros no acampamento da juventude, factóides políticos.

Felizmente, outra parte da mídia tradicional, a mídia alternativa e as ações de comunicação das organizações sociais conseguiram repercutir adequadamente a programação, o conteúdo e o sentido do evento, contribuindo decisivamente para o enorme crescimento qualitativo e quantitativo e para a rápida expansão geográfica do FSM. A mensagem “um outro mundo é possível” ganhou corações e mentes, mudou a agenda política, social e ambiental em muitos países, promoveu um forte questionamento do modelo econômico e civilizatório e da legitimidade das guerras e da violência.

Foi construído um espaço mundial que se desdobra continuamente em processos locais, regionais e temáticos que oferecem aos participantes a oportunidade de debater, visibilizar propostas e práticas e se articular para ganhar a força política e social para viabilizar as decisões tomadas.

A escolha da região pan-amazônica se deve a seu papel estratégico para toda a humanidade, por deter imensas riquezas culturais e ambientais em risco de aniquilação, mas que podem alimentar um novo modelo de civilização. A região abriga a maior biodiversidade do planeta, ameaçada de extinção e essencial ao equilíbrio climático e ambiental mundial. Será a oportunidade de perceber que o atual colapso financeiro, os conflitos armados e a degradação ambiental fazem parte de uma mesma crise de valores decorrente do modelo de desenvolvimento que privilegia a competição, sem limites e a qualquer custo, pelo poder e pelo acúmulo de bens materiais.

Essa luta, em que impera a lei do mais forte, degrada o tecido social, pelo aumento da distância entre ricos e pobres; fomenta crises econômicas, alimentadas pela desconfiança generalizada e pelo clima de salve-se quem puder; corrompe a sociedade e os governantes, que necessitam cada vez mais do poder econômico para se elegerem; arrasa o meio ambiente, aquece o planeta e esgota os recursos naturais, vitais para a sobrevivência das espécies; acirra os conflitos estimulados pelo ambiente competitivo, pelos interesses econômicos e políticos que lucram com as guerras, pela luta cada vez maior pela posse de recursos naturais e de fontes de energia, pela pobreza e desinformação que facilitam a manipulação das massas e degradam a democracia.

O FSM em Belém, uma cidade que carrega um nome tão repleto de simbolismos, poderá ser um marco na renovação e no fortalecimento de nossas esperanças para o nascimento de um mundo solidário, justo, sustentável, democrático e pacífico.

* Oded Grajew, 64, empresário, é um dos integrantes do Movimento Nossa São Paulo e presidente do Conselho Deliberativo do Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social. É idealizador do Fórum Social Mundial e idealizador e ex-presidente da Fundação Abrinq. Foi assessor especial do presidente da República (2003).

Jacare_Jacarezinho

O doce mistério da vida

25, Janeiro, 2009 at 8:59 pm | In Canto da poesia, Midiateca | Leave a Comment

Maria Betânia declamando Fernando Pessoa e cantando logo depois só podia dar nisso. Muito, muito lindo. E quem quiser ver o poema completo e a letra da música é só clicar no final deste post.

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Três Palavras (por Saramago)

23, Janeiro, 2009 at 7:20 am | In Artigos e textos | 3 Comments

Hoje é sexta, mas o ZEducando vai contrariar a “tradição” de piadas e causos deste dia para dar lugar, mais uma vez, ao Saramago. Desta feita é a distinção, e uma certa “graduação” entre três palavras: a caridade, a justiça e a bondade.

Palavras (José Saramago)

Felizmente há palavras para tudo. Felizmente que existem algumas que não seesquecerão de recomendar que quem dá deve dar com as duas mãos para que emnenhuma delas fique o que a outras deveria pertencer. Assim como a bondade não tem por que se envergonhar de ser bondade, também a justiça não deverá esquecer-se de que é, acima de tudo, restituição, restituição de direitos. Todos eles, começando pelo direito elementar de viver dignamente. Se a mim me mandassem dispor por ordem de precedência a caridade, a justiça e a bondade, daria o primeiro lugar à bondade, o segundo à justiça e o terceiro à caridade. Porque a bondade, por si só, já dispensa a justiça e a caridade, porque a justiça justa já contém em si caridade suficiente. A caridade é o que resta quando não há bondade nem justiça.

Saramago1

Reforma ortográfica

21, Janeiro, 2009 at 6:33 am | In Artigos e textos, Zuniversitas | 7 Comments

Reforma_Ortog Dia primeiro deste mês eu (re)publiquei um post sobre a recente reforma ortográfica da língua portuguesa, hoje pubico intrigante artigo sobre o tema e pergunto:

- Para que serve a dita reforma ?Arrepiado1
- Ou, a quem serve (ou aproveita) tal reforma ?


Leiam o texto abaixo e reflitam, é de arrepiar !

Enriqueça com o vocabulário

IvanLessa (Ivan Lessa – Colunista da BBC Brasil)

Não houve erro de digitação ou pensação. É assim mesmo. A reforma ortográfica, mal aprovada nos quartéis do poder brasileiro, já saiu botando a banca de quebrar a banca. Livro que não acaba mais saindo. Um após o outro. Tudo quentinho. Estavam no forno e caprichavam neles apenas esperando o tiro de largada.

Bam! Dia 12 entrou, mais ou menos, em vigor, a reforma que patrocinamos e sabe Deus e a Academia Brasileira de Letras (ABL) como conseguimos impor aos sete outros países componentes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), entre os quais destacamos, por pena e simpatia, Cabo Verde, que, ao que parece, irá perder todos seus acentos além dos hífens e do direito à sua Bolsa-Família, ou Bolsa Família.

Primeirão na fila, o Novo Dicionário Houaiss de Sinônimos e Antônimos. Tudo que você queria saber sobre o contrário de amor (ódio) em mais de 20 mil palavras e termos da Língua (dita) Portuguesa em 888 páginas e pela módica quantia de R$ 79,90. Mas para o senhor, talvez façam por R$ 70. Atenção: vitória espetacular dos sinônimos sobre os antônimos. De lavagem! 196 mil sinônimos contra apenas 90 mil antônimos.

Antônimo Houaiss (1915-1999) foi filólogo, diplomata e principal negociador brasileiro do Acordo Ortográfico, firmado em 1990 pela CPLP, e que, agora, 18 anos depois, vê a luz do dia e, em especial, o breu da noite. Houaiss traduziu também para algo parecido ao português o romance Ulisses, de James Joyce. Trata-se de um dos livros mais impagáveis publicados pela Editora Civilização Brasileira nos anos 60. Mais engraçado que filme do Gordo e do Magro.

Tem mais. Muito mais.

Nas livrarias, e alguns camelôs empistolados, sem falar naqueles crioulinhos que vivem de virações nas feiras públicas, o Escrevendo Pela Nova Ortografia, um lançamento do – atenção – Instituto Antônimo Houaiss (IAH). São apenas 136 páginas. Mas que páginas! Todas as dúvidas que o senhor e a senhora podem ter sobre a nova grafia são esclarecidas. Acentuação? Trema? Hífen? Uso do “h”? Nomes próprios estrangeiros? Tá tudo lá. E é dado: apenas R$ 19,90.

Acham que o bom e velho Aurélio ia ficar paradão vendo os Antônimos da vida se locupletarem? Nunquinhas. Já se encontra nas boas livrarias do ramo (e há outro ramo?), o Novo Dicionário Aurélio, edição que vem inclusive com CD-ROM. Há uma promoção no esquema. Mais informações na internet.

E a Academia Brasileira de Letras (ABL), que suou os uniformes e as espadinhas para botar nos ares lusófonos a nova versão do idioma de Camões e Ademar Lyra Tavares? Ia ficar de papo para o ar pensando na morte do Bezerra?

No dia 13, 24 horas após a mudança histórica, já estava nas mesmas livrarias, feiras, camelôs e crioulinhos, o Dicionário Escolar da Língua Portuguesa, editado pela Companhia Editora Nacional, contando com 1.311 páginas e cerca de 33 mil verbetes. Tudo que dele consta será adotado pelo “Vocabulário Ortográfico da Língua Portuguesa” (VOLP).

Essas preciosidades todas serão obrigatórias um dia (isso é Brasil, minha gente) em tudo quanto é colégio e lar. Não se falou ainda no que vai acontecer com toda a livrarada obsoleta (datada é a mãe). Talvez uma imensa fogueira para, num desses invernos mais bravos, aquecer os pobres analfabetos.

Há alguns senões, segundo a Folha de São Paulo em matérias recentes. Certos acentos ficaram no ar. Como o acento em “destróier” (a rigor deveria ficar no mar). O Acordo diz que paroxítonas com ditongos abertos, como “ei” e “oi” perdem o acento. Uma regra específica, especifica a Folha. Mas parece que se esqueceram da nave bélica. Então, entre o específico e a geral, ficaram com a geral, esclarece para o jornal uma Alta Autoridade Acadêmica (AAA).

Confusões também com o hífen. No dicionário da ABL, “co-herdeiro”, que era o combinado, saiu grafado como “coerdeiro”.

A reportagem da Folha de São Paulo informa que tentou falar com a ABL no mesmo dia, mas ninguém foi localizado para comentar o caso.

Atenção: os verbetes considerados corretos e esclarecedores aparecem apenas na segunda edição da obra em questão. A primeira, com 15 mil exemplares, já vendidos, foi publicada com verbetes errados. Nada na capa que diferencie as duas edições. Qualquer reclamação, o jornal dá o telefone da Editora Nacional.

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