Efeitos da crise

28, Fevereiro, 2009 at 6:30 am | In Fotografias e desenhos | 1 Comment

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A Física da Crise e o Desenvolvimento Regional: o papel das Agências de Fomento

19, Fevereiro, 2009 at 1:31 pm | In Artigos e textos, Baú de livros | Leave a Comment

Reproduzo a seguir artigo de Marden Marques Soares, Diretor-Presidente da AFAL – Agência de Fomento de Alagoas, refletindo sobre a atual crise, seus reflexos no desenvolvimento regional e o papel das Agências de Fomentoensaio_cegueira.

Ao final ele coloca uma bela citação do livro “Ensaio Sobre a Cegueira”, de Saramago.

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Só precisamos da teoria da propagação das ondas, aquela que se estuda na física elementar, para entender como a crise que começou com a falta de pagamento de hipotecas – justo lá na terra onde todos acreditavam que todos pagavam – desaguou em terras Tupiniquins. Explico: quando se lança pedra em um lago calmo, tem-se, num primeiro instante, uma vigorosa onda circular que se espalha, de forma inexorável, até chegar à beira, já meio cansada. Com essa onda, veio também a surpresa de sabermos que as propaladas e arrogantes ferramentas prudenciais não faziam jus ao nome. Intrincados instrumentos derivativos foram implementados, sob o olhar complacente dos supervisores americanos que também sucumbiram, como todos nós, aos encantos de semi-deuses multi-bonificados, travestidos de operadores, com pós-doutourados em universidades famosas. O prejuízo assumiu a estratosférica soma de US$ 9 trilhões.

Como era de se esperar, a onda chegou aqui. Mais fraca, mas chegou: primeiro, sumiram as linhas para ACC, com efeito direto sobre nossas exportações; depois, o crédito em geral rareou, principalmente no interbancário, o que levou o BCB a induzir o uso do compulsório para dar liquidez aos bancos de menor porte. Nada como um dia atrás do outro: até recentemente, supervisores do chamado Primeiro Mundo nos olhavam de cara atravessada justamente porque nosso compulsório, um instrumento de política monetária tido como ultrapassado, mantinha-se em níveis muito altos. O efeito mais visível dessa marola, entretanto, é a concentração bancária, fenômeno, de resto, presente em qualquer crise de grandes dimensões como parece ser esta que bate à nossa porta. Essa concentração, já sabemos: com uma mão dá mais segurança ao sistema e com a outra tira desse sistema condições de concorrência. O que não se discute muito são as implicações regionais desta concentração, que, em minha opinião, não deveriam ser deixadas de fora. Tudo leva a crer que concentração bancária cristaliza desigualdades regionais. Isso porque a concentração favorece a transferência de depósitos captados nas regiões menos desenvolvidas para os centros mais avançados, alavancado o potencial de geração de crédito destes últimos, na mesma medida em que limitam o acesso a mecanismos de financiamento das primeiras.

Nesse contexto, o fortalecimento das diversas experiências financeiras com atuação local ou regional, denominadas “Sistemas de Finanças de Proximidade”, das quais se destaca o cooperativismo de crédito, os bancos comunitários (moedas sociais) e entidades de microcrédito, é a resposta mais adequada aos efeitos da crise, a forma mais segura de tornarmos mais fracos os movimentos da onda, sem protecionismos e com profissionalismo. As agências de fomento, nascidas das cinzas dos bancos estaduais, são instituições credenciadas pela própria natureza como instrumentos de viabilização dessas experiências locais, servindo-lhes como canais de acesso a recursos aportados por instituições de apoio nacionais e internacionais, no caminho da sustentabilidade financeira desses sistemas, pela adoção de metodologias inovadoras escolhidas sob medida.

A Agência de Fomento de Alagoas (AFAL), uma esperança em fase de organização, nasce já tendo que enfrentar os efeitos dessa crise internacional, mas consciente de seu papel, de sua importância para o Estado e, especialmente, para aqueles alagoanos que, com crise ou sem crise, vivem o drama da sobrevivência, o fantasma da fome. Como toda crise traz também oportunidades, o projeto AFAL, inserido nesse cenário de extrema desigualdade e pobreza, traz também a oportunidade única de atrair e até mesmo justificar o apoio de várias entidades internacionais e nacionais voltadas para o desenvolvimento, tais como AECID / Pnud, ABDE, BID, BNDES e Sebrae.

Finalizando, ao manifestar minha confiança na concretização do sonho de fazer da Afal uma entidade alicerçada em princípios éticos e que tenha como principais marcas a criatividade, a transparência e a eficiência, sirvo-me da citação abaixo, do mestre Saramago, em “Ensaio Sobre a Cegueira”, para explicar as razões do meu engajamento, de corpo-e-alma, neste e em outros projetos desafiadores do passado.

“se antes de cada ato nosso nos puséssemos a prever todas as conseqüências dele, a pensar nelas a sério, primeiro as imediatas, depois as prováveis, depois as possíveis, depois as imagináveis, não chegaríamos sequer a mover-nos de onde o primeiro pensamento nos tivesse feito parar”.

Problemas de vista, ou a invisibilidade humana

13, Fevereiro, 2009 at 10:59 am | In Zuniversitas | 4 Comments

olhos Hoje é sexta, mas vou fazer uma exceção aqui sem colocar piadas, ou fotos, ou vídeos jocosos.

Depois de ler o pequeno, mas profundo, artigo “Vista cansada“, de Otto Lara Rezende, pensei logo naquele post que o José Luis fez no blog dele, o “É gente invisível…” e decidi colocar aqui para reflexão dos meus leitores.

“… Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença. …”

VISTA CANSADA (Otto Lara Resende)

Acho que foi o Hemingway quem disse que olhava cada coisa à sua volta como se a visse pela última vez. Pela última ou pela primeira vez? Pela primeira vez foi outro escritor quem disse. Essa idéia de olhar pela última vez tem algo de deprimente. Olhar de despedida, de quem não crê que a vida continua, não admira que o Hemingway tenha acabado como acabou.
Se eu morrer, morre comigo um certo modo de ver, disse o poeta. Um poeta é só isto: um certo modo de ver. O diabo é que, de tanto ver, a gente banaliza o olhar. Vê não-vendo. Experimente ver pela primeira vez o que você vê todo dia, sem ver. Parece fácil, mas não é. O que nos cerca, o que nos é familiar, já não desperta curiosidade. O campo visual da nossa rotina é como um vazio.
Você sai todo dia, por exemplo, pela mesma porta. Se alguém lhe perguntar o que é que você vê no seu caminho, você não sabe. De tanto ver, você não vê. Sei de um profissional que passou 32 anos a fio pelo mesmo hall do prédio do seu escritório. Lá estava sempre, pontualíssimo, o mesmo porteiro. Dava-lhe bom-dia e às vezes lhe passava um recado ou uma correspondência. Um dia o porteiro cometeu a descortesia de falecer.
Como era ele? Sua cara? Sua voz? Como se vestia? Não fazia a mínima idéia. Em 32 anos, nunca o viu. Para ser notado, o porteiro teve que morrer. Se um dia no seu lugar estivesse uma girafa, cumprindo o rito, pode ser também que ninguém desse por sua ausência. O hábito suja os olhos e lhes baixa a voltagem. Mas há sempre o que ver. Gente, coisas, bichos. E vemos? Não, não vemos.
Uma criança vê o que o adulto não vê. Tem olhos atentos e limpos para o espetáculo do mundo. O poeta é capaz de ver pela primeira vez o que, de fato, ninguém vê. Há pai que nunca viu o próprio filho. Marido que nunca viu a própria mulher, isso existe às pampas. Nossos olhos se gastam no dia-a-dia, opacos. É por aí que se instala no coração o monstro da indiferença.

Texto publicado no jornal “Folha de S. Paulo”, edição de 23 de fevereiro de 1992.

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Novas tecnologias

11, Fevereiro, 2009 at 8:51 am | In Zuniversitas | 2 Comments

Publiquei no primeiro aniversário deste espaço, dia 12/novembro/2008, um artigo sobre computação nas núvens com o título “ESCRITÓRIO VIRTUAL NA WEB: EVOLUÇÃO, ESTADO DA ARTE E A QUESTÃO DICOTÔMICA SEGURANÇA X FACILIDADES“. Como mais um exemplo dessa nova tendência observada na área das TICs, indico hoje o link http://www.pixlr.com/app/?loc=pt-br que na verdade é um editor de imagens online muito bom e útil.

Ainda no sentido de mostrar aos leitores as últimas novidades em tecnologia, encontrei no blog “Ai Foi, Né?” um relógio-celular (ou seria um celular-relógio). Vejam as fotos e confiram detalhes no post “Relógio e Celular ao mesmo tempo: Existe?

Celular_Relogio

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Dignidade não tem preço (por Immanuel Kant)

9, Fevereiro, 2009 at 8:26 am | In Artigos e textos | Leave a Comment

Lembro-me de Kant dos meus tempos de banco de escola no curso de Direito da UnB. Li, mais ou menos obrigado, algumas obras dele, como o “Crítica da Razão Pura“, para mim de difícil entendimento naquela época (e acho que também hoje).

Entretanto, nessas nossas andanças pelas leituras da vida encontrei um pensamento dele que vem a calhar nesses tempos sombrios de falta de dignidade, haja vista o que observamos hoje com o ‘absurdo dos absurdos’ do caso do Deputado brasileiro que é Corregedor da Câmara e possui um Castelo não declarado.

No reino dos fins, tudo tem um preço ou uma dignidade. Quando uma coisa tem um preço, pode pôr-se, em vez dela, qualquer outra coisa como equivalente; mas quando uma coisa está acima de todo o preço e, portanto, não existe equivalente, então ela tem dignidade.

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