Matéria programável (!?)
30, Junho, 2009 at 3:11 pm | In Zuniversitas | Leave a CommentA ficção científica de “O Exterminador do Futuro” chegou, ou está chegando. Ainda quando estudava Engenharia (a Mecânica), e isso já faz um tempão – pelo menos três décadas – a ciência dos materiais já era um campo promissor, o estudo dos semicondutores nascendo em terras de Pindorama, uma tendência anunciada por alguns cientistas.
Pois vejam o que eu li na imprensa e na Internet (OGLOBO) sobre o assunto:
- Primeiro ponto interessantíssimo é a transmissão de energia sem fio e nesse sentido a experiência da Intel é algo notável;
- Segundo a questão da modificação da matéria com experiências e pesquisas no MIT e em Harvard;
- Componentes de hardware dos catoms, os nanorrobôs formam a base da matéria programável, o futuro chegando !
PROGRAMAR UM MATERIAL NÃO SIGNIFICA APENAS MONTAR UM OBJETO REPLICÁVEL. PODE-SE, POR EXEMPLO, MUDAR SUA COR. EM VEZ DE PINTAR OS CABELOS, NANOPARTÍCULAS REAGIRIAM À LUZ E DARIAM A IMPRESSÃO DA COR
Ìntegra da matéria da Internet:
PESQUISADORES ESTUDAM MATERIAIS CAPAZES DE ASSUMIR QUALQUER FORMA
RIO – Pense no Exterminador do Futuro dos filmes: um ciborgue capaz de mimetizar qualquer coisa ou pessoa, inclusive o assoalho de um aposento. Pura ficção científica, dirá você. Nem tanto: pesquisas envolvendo instituições e empresas de peso nos EUA – a mais poderosa delas, a DARPA, braço de pesquisa dos militares e berço da internet – já proclamam o futuro da chamada “matéria programável” (programmable matter, em inglês). A ideia é criar objetos especiais capazes de mudar de forma sob instruções (ou mesmo automaticamente, se autorreprogramando), para executar funções específicas. Seriam, ao mesmo tempo, computadores (em escala nano ou maior) e programas, com um grau de sofisticação ímpar.
As aplicações seriam muitas, da defesa à medicina. O químico Mitchell Zakin, diretor da divisão de materiais programáveis da DARPA (Defense Advanced Research Projects Agency), explicou o conceito numa conferência interna para os cientistas da própria agência:
- Com a matéria programável, poderíamos construir materiais e máquinas inteligentes que se adaptariam ao ambiente que as cerca – disse. – Como uma asa de avião capaz de ajustar as características de sua superfície em resposta às mudanças climáticas. Poderíamos fazer uma chave de fenda acoplável a qualquer tamanho de parafuso em tempo real. Ou uma peça sobressalente que poderia assumir a forma, o tamanho e as especificações para substituir qualquer coisa. E imagine uma roupa que mantivesse nossa temperatura normal no Ártico ou no Saara.
Zakin especula que, no futuro, soldados poderiam carregar em seus veículos de combate uma espécie de lata cheia de partículas de várias formas, tamanhos e funções. Precisando de um martelo, ele enviaria uma mensagem à lata, cujas partículas se rearrumariam para criar a ferramenta. Depois de usá-la, o mesmo soldado precisaria de um alicate. Bastaria depositar o martelo na lata, enviar o comando e voilà, as partículas se rearranjariam, formando o alicate.
Outro centro em que se pesquisa a matéria programável é a Universidade de Carnegie-Mellon. Lá a disciplina é batizada de “claytronics” (algo como “eletrônica da argila”). Partindo do mesmo conceito, a equipe que trabalha na área a define como uma mídia eletrônica capaz de oferecer aos usuários um jeito original de passar informação, integrando tato, visão e audição, numa experiência inédita. “Suponha que a pessoa usando a informação possa interagir fisicamente com ela. Esse é o conceito da barrotrônica, também conhecida como matéria programável”.
A universidade trabalha em parceria com a Intel, pesquisando substâncias e possibilidades de programação para criar objetos – e quiçá réplicas de organismos vivos – com tais propriedades. A Intel batizou sua pesquisa como Dynamic Physical Rendering (DPR) – renderização física dinâmica – e, nos documentos referentes a ela, aponta para um futuro não muito diferente do que vemos nos filmes do Exterminador, só que para o lado do bem. “Num hospital em Houston, dois cirurgiões parecem realizar uma difícil operação cardíaca num paciente. Mas só um dos médicos é real: o outro é uma réplica em tamanho real do cirurgião de verdade, que está ajudando o colega… de Tóquio. Essa réplica tem a mesma aparência e movimentos do cirurgião japonês, imitando seus procedimentos à perfeição”. O objetivo da divisão é criar réplicas tão precisas de objetos e seres que todos as tomariam por reais.
É claro que a pesquisa ainda está bem no início, mas a meta da Intel é nos livrar dos equipamentos pesadões de visualização virtual em 3D e ir muitísismo além dos hologramas. “As réplicas imitariam as formas e a aparência de uma pessoa, sendo geradas em renderização física em tempo real, e se moveriam exatamente como suas matrizes. Não seriam hologramas – você poderia interagir com eles e tocá-los, como se as pessoas estivessem na sala.” Não lhes parece uma turbinagem do conceito do Holodeck na nave “Enterprise” do seriado “Jornada nas Estrelas: a nova geração”?
O princípio da matéria programável são os chamados “catoms” (claytronic atoms), que seriam nanorrobôs ou nanocomputadores reconfiguráveis e capazes de se reorganizar, trocar de forma e se comunicar com seus “colegas”.
Por trás desses catoms estão dois conceitos muito loucos. Um é a chamada “infoquímica” – mistura de computação com as propriedades de determinadas substâncias, que visa a construir materiais já com a informação embutida em sua estrutura. Outro é a “mesomatéria” (mesomatter). Para entender melhor esse último conceito, é preciso lembrar que, segundo Zakin, a maioria dos materiais quase não muda suas características. Já a mesomatéria é construída em pequenos blocos especiais, capazes de mudar de forma, tamanho, composição e funções. Já dá para imaginar o que ela faria junto com a programação embutida em sua estrutura química, não?
No Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT), a linha de pesquisa mostra justamente como funcionam essas duas premissas: eles criaram um material autodobrável através de programação, como se fosse um origami (a tradicional arte japonesa de dobrar papel) de última geração. Já a Universidade de Harvard se baseou no nosso conhecido “cubo mágico” (daí nossa ilustração da capa) para criar um material programável capaz de assumir as mais variadas formas.
Outra turma de Harvard levou os estudos ainda mais além, manipulando faixas de DNA através de uma nova linguagem de programação criada especialmente para isso. Com as instruções enviadas ao DNA, os cientistas de Massachusetts estão tentando criar uma espécie de “velcro” no nível molecular, fazendo as sequências da substância aderirem a certas superfícies. Mais um passo em direção a um material extremamente flexível.
- Desde sempre há a ideia de criar uma máquina que seja autoprogramável, replicando um carro, uma impressora e assim por diante. Se isso for possível, do ponto de vista técnico, essa máquina conseguiria replicar, inclusive, a si mesma – diz Tatiana Rappoport, professora adjunta do Departamento de Física dos Sólidos, no Instituto de Física da UFRJ. – A outra vertente nessa história é a combinação de física e química com biologia, buscando usar o próprio DNA para montar estruturas simples. Mas isso ainda está no começo, é bastante rudimentar.
Ela lembra que há materiais novos, não presentes na natureza, que podem ser moldados segundo o objetivo dos pesquisadores. O cristal líquido é um deles, bem como os metamateriais, cuja relação com a luz pode ser modificada.
Esses metamateriais, inclusive, são usados em estudos sobre invisibilidade, já que alguns deles permitiriam ocultar um objeto desviando dele a luz de determinada maneira.
- Programar um material não significa apenas montar um objeto replicável. Pode significar, por exemplo, mudar sua cor – explica Tatiana. – Certa vez houve uma palestra aqui na UFRJ de uma indústria cosmética. Eles fazem pesquisas com nanopartículas de modo que elas interajam com a luz e modifiquem sua cor. Então, em vez de pintarmos os cabelos de preto ou vermelho, usaríamos substâncias com essas nanopartículas que, programadas para reagir à luz assim ou assado, dariam a impressão de que o cabelo é preto ou vermelho. Trocando em miúdos: vem aí o cabelo “programável”.
Na Intel, a pesquisa sobre os materiais já foi abordada nos Intel Developer Foruns (IDFs). O CTO (diretor de tecnologia) da gigante dos processadores, Justin Rattner, classificou a tecnologia num IDF como a forma definitiva de impressão digital de objetos de qualquer forma imaginável. A estimativa de Rattner é que, se por enquanto a maioria dos protótipos de catoms tem quatro centímetros de diâmetro (como os protótipos mostrados nas páginas anteriores) o desafio de tornar programável o coração da matéria deve levar de uns cinco a dez anos.
E o futuro dos materiais programáveis também depende da transmissão de energia sem fio. Eu disse “de energia”, porque a transmissão de informações já acontece comumente, haja vista a profusão de celulares, smartphones e pontos de acesso WiFi mundo afora. Os materiais autônomos conseguiriam gerar energia suficiente para o processamento em seus circuitos, mas ainda se questiona de quanta energia precisariam para se aproximarem uns dos outros e constituírem as novas formas solicitadas pelas instruções da programação.
Não por acaso, a Intel também está de olho nessa área e criou um protótipo com duas espirais de cobre distantes aproximadamente 60 centímetros uma da outra. Através de um campo eletromagnético, uma espiral transmite de forma wireless a energia elétrica para a outra, em cujo topo há uma lâmpada que se acende. O campo gerado poderia ser usado não só nas pesquisas, mas para carregar notebooks, netbooks, celulares e smartphones. Haja espírito inventivo.
Leia também:
A “Revolução da Palavra” sugerida por Confúcio
25, Junho, 2009 at 9:31 pm | In Artigos e textos | 3 CommentsEste artigo de Aninha Franco, que já visitou este espaço antes, faz uma síntese das principais revoluções da história, chegando até a atual, a tecnológica, a que nos coloca, no dizer dela, maior que nós realmente somos, pela avareza e pela preguiça, e nos sugere perseguir a revolução da palavra pregada por Confúcio: palavra-fato, democracia-povo, honestidade-integridade, transparência-claridade.
TRILHAS DE ANINHA FRANCO (ATARDE, Salvador, 21/06/2009) – aninha.franco@atarde.com.br
As revoluções e a história
O bum das bombas juninas me indagou que revolução nos falta, a nós, primatas, mamíferos, vertebrados, bípedes, capazes de registrar a fala de que todas as espécies se valem, mas que só a humana transforma em memória. E me veio que na Grécia a Memória era a deusa Mnemosine, mas que em países de mentalidade retardada, como o Brasil, ela é mortal e sofre todo tipo de vilipêndio, como o que se vê aqora. E saquei que entre os gregos do século 5 a.c. as invenções eram menos cortejadas que a Memória, talvez porque o homem sapiens fosse mais sapiens que hoje, quando inventa artefatos tecnológicos, mas produz menos filósofos e menos dramaturgos, humanos que pensam humanidades.
E memorei que nesse período os gregos evolucionaram a razão, distanciando o humano do divino, (r)evolução que condenou Sócrates à morte. Pensei,também, que apesar dessa (r)evolução, Hannah Arendt avaliou na segunda metade do século 20 que apenas 6% da espécie humana era racional, quantidade que, se for precisa, clama por uma (r)evolução cerebral. A razão inventou a roda, domesticou o trigo, transformou o fogo em aliado gastronômico, perscrutou o café dentro da semente da fruta, o chocolate no recôndito do cacau, , transformou o cio em amor, guardou conhecimentos, experiências e habilidades para fazer da espécie, frágil, a mais duradoura e predadora de todas que já habitaram o planeta.
A razão só não evitou as guerras, que chegaram a graus inconcebíveis de perversão no século 20, campos de extermínio, bombas atômicas, e a disputa mortal pelo Poder, hábitos pré-históricos. Mas planejou as revoluções por igualdade de condições em 1789, na França, em 1917, na Rússia, em 1776, nos EEUU, em 1798 na Baía, em 1959 em Cuba, a revolução industrial na Inglaterra que extinguiu a escravidão no ocidente, a tecnológica do fim do século 20 que nos tornou maiores do que somos, por avareza e preguiça. Talvez nos falte, agora, apenas a Revolução da Palavra sugerida por Confúcio, que imploda a Ditadura da Demagogia fazendo da palavra dita fato realizado, democracia governo do povo e para o povo, honestidade integridade, transparência claridade.
Educar, verbo transitivo – DIRETO !
22, Junho, 2009 at 5:19 am | In Zuniversitas | 3 CommentsIndago aos leitores deste espaço: qual a ligação entre as duas notícias abaixo ?
(1) A TARDE, Salvador, de 10/06/2009: APENAS 17% DOS BAIANOS CONCLUEM O ENSINO MÉDIO
(2) CORREIO BRAZILIENSE, Brasília, de 19/06/2009: CONCURSO DO TCU OFERECE SALÁRIO DE ATÉ R$ 19,8 MIL
Ainda cito outra, do mesmo Correio Braziliense, do mesmo dia, danto conta de Concurso para Professor da UnB, uma das maiores Universidades deste país, oferecendo salários cujo maior valor não chega a R$ 7.000,00 (e a não ser que muito tenha sido mudado naquela Universidade, onde tive a honra de concluir meu curso de Direito, só se entra como professor se possuir título de Mestre e/ou de Doutor).
“Especialistas” apontam como causas do caos na educação em nosso país as seguintes (e a consequente ‘funilinha’ representada por mim na figura acima = funil + panelinha, a panelinha, claro, fica por conta do acesso aos cursos de Mestrado e Doutorado, aqui, infelizmente, característica não apenas dos cursos particulares, mas também dos oferecidos por nossas Universidades):
- deficiência do transporte escolar;
- conteúdo estudado descontextualizado da realidade do estudante;
- trabalho infantil;
- gravidez na adolescência;
- necessidade de ajudar na renda familiar;
- greve de professores
Entretanto eu tenho mais uma vez que lembrar a questão econômica fundamental: o aporte financeiro destinado à Educação, mais especificamente e de forma mais clara: a remuneração dos professores, para mim a causa primeira de tudo isso ! Enquanto estivermos valorizando mais carreiras como as do TCU, Receita Federal, Polícia Federal, MP, além daquelas do Legislativo e do Judiciário que as do Magistério (em todos os níveis), não há saída para o país.
Quem quiser ler a íntegra dos dois artigos citados, clique abaixo na continuação deste post.
Recomendo ainda a leitura dos seguintes posts, diretamente ligados a esta matéria, colocados no Zeducando respectivamente em 18 de outubro do ano passado, em homenagem ao dia do professor e em 11 de novembro de 2007 lembrando quem foi o maior educador deste país, Darcy Ribeiro.
EM HOMENAGEM AO DIA DO PROFESSOR: http://joserosafilho.wordpress.com/2008/10/18/em-homenagem-ao-dia-do-professor/
SOBRE O ÓBVIO: http://joserosafilho.wordpress.com/2007/11/18/sobre-o-obvio-de-darcy-ribeiro/
Profissão do futuro ?
21, Junho, 2009 at 9:45 am | In Zuniversitas | 2 CommentsTalvez seja o “Engenheiro Eletricista Espacial“. Vejam esta notícia veiculada na seção Mashup da InfoExame de maio deste ano: a Usina Espacial deverá funcionar em 2016 !
A saída é a noosfera ?
12, Junho, 2009 at 1:58 pm | In Artigos e textos | 3 CommentsAo ler este artigo de Leonardo Boff a gente fica com o pensamento mais otimista sobre os destinos da humanidade. Tomara que ele esteja certo e que estejamos no limiar de uma nova era, a noosfera !
O NOVO PATAMAR DA MUNDIALIZAÇÃO: A NOOSFERA
A atual crise econômica está colocando a humanidade diante de uma terrível bifurcação: ou segue o G-20 que teima em revitalizar um moribundo – o modelo vigente do capitalismo globalizado – que provocou a atual crise mundial e que, a continuar, poderá levar a uma tragédia ecológica e humanitária ou então tenta um novo paradigma que coloca a Terra, a vida e a Humanidade no centro e a economia a seu serviço e então fará nascer um novo patamar de civilização que garantirá mais equidade e humanidade em todas as relações a começar pelas produtivas.
A sensação que temos, é que estamos seguindo um vôo cego e tudo poderá acontecer.
De um ponto de vista reflexivo, duas interpretações básicas da crise se apresentam: ou se trata de estertores de um moribundo ou de dores de parto de um novo ser.
Alinho-me na segunda alternativa, a do parto. Recuso-me a aceitar que depois de alguns milhões de anos de evolução sobre este planeta, sejamos expulsos dele nas próximas gerações. Se olharmos para trás, para o processo antropogênico, constamos indubitavelmente que temos caminhado na direção de formas mais altas de complexidade e de ordens cada vez mais interdependentes. O cenário não seria de morte mas de crise que nos fará sofrer muito mas que nos purificará para um novo ensaio civilizatório.
Não se pode negar que a globalização, mesmo em sua atual idade de ferro, criou as condições materiais para todo o tipo de relações entre os povos. Surgiu de fato uma consciência planetária. É como se o cérebro começasse a crescer fora da caixa craniana e pelas novas tecnologias penetrasse mais profundamente nos mistérios da natureza.
O ser humano está hominizando toda a realidade planetária. Se a Amazônia permanece em pé ou é derrubada, se as espécies continuam ou são dizimadas, se os solos e o ar são mantidos puros ou poluídos depende de decisões humanas. Terra e Humanidade estão formando uma única entidade global. O sistema nervoso central é constituído pelos cérebros humanos cada vez mais em sinapse e tomados pelo sentimento de pertença e de responsabilidade coletiva. Buscamos centros multidimensionais de observação, de análise, de pensamento e de governança.
Outrora, a partir da geosfera surgiu a litosfera (rochas), depois a hidrosfera (água), em seguida a atmosfera (ar), posteriormente a biosfera (vida) e por fim a antroposfera (ser humano). Agora a história madurou para uma etapa mais avançada do processo evolucionário, a da noosfera. Noosfera como a palavra diz (nous em grego significa mente e inteligência) expressa a convergência de mentes e corações, originando uma unidade mais alta e mais complexa. É o começo de uma nova história, a história da Terra unida com a Humanidade (expressão consciente e inteligente da Terra).
A história avança através de tentativas, acertos e erros. Nos dias atuais estamos assistindo à fase nascente da noosfera, que não consegue ainda ganhar a hegemonia por causa da força de um tipo de globalização excludente e pouco cooperativa, agora vastamente fragilizada por causa da crise sistêmica.
Mas estamos convencidos de que para a esta nova etapa – a da noosfera – conspiram as forças do universo que estão sempre produzindo novas emergências. É em função desta convergência na diversidade que está marchando nossa galáxia e, quem sabe, o próprio universo. No planeta Terra, minúsculo ponto azul-branco, perdido numa galáxia irrisória, num sistema solar marginal (a 27 mil anos luz do centro da galáxia), cristalizou-se para nós a noosfera. Ela é ainda frágil mas carrega o novo sentido da evolução. E não se exclui a possibilidade de outros mundos paralelos.
A atual crise torna necessária uma saída salvadora e esta é noosfera. Então vigorará a comunhão de mentes e corações, dos seres humanos entre si, com a Terra, com o inteiro universo e com o Atrator de todas as coisas.
* Leonardo Boff é autor de A nova era: a civilização planetaria, Record 2008.
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