A “Revolução da Palavra” sugerida por Confúcio
25, Junho, 2009 at 9:31 pm | In Artigos e textos | 3 CommentsEste artigo de Aninha Franco, que já visitou este espaço antes, faz uma síntese das principais revoluções da história, chegando até a atual, a tecnológica, a que nos coloca, no dizer dela, maior que nós realmente somos, pela avareza e pela preguiça, e nos sugere perseguir a revolução da palavra pregada por Confúcio: palavra-fato, democracia-povo, honestidade-integridade, transparência-claridade.
TRILHAS DE ANINHA FRANCO (ATARDE, Salvador, 21/06/2009) – aninha.franco@atarde.com.br
As revoluções e a história
O bum das bombas juninas me indagou que revolução nos falta, a nós, primatas, mamíferos, vertebrados, bípedes, capazes de registrar a fala de que todas as espécies se valem, mas que só a humana transforma em memória. E me veio que na Grécia a Memória era a deusa Mnemosine, mas que em países de mentalidade retardada, como o Brasil, ela é mortal e sofre todo tipo de vilipêndio, como o que se vê aqora. E saquei que entre os gregos do século 5 a.c. as invenções eram menos cortejadas que a Memória, talvez porque o homem sapiens fosse mais sapiens que hoje, quando inventa artefatos tecnológicos, mas produz menos filósofos e menos dramaturgos, humanos que pensam humanidades.
E memorei que nesse período os gregos evolucionaram a razão, distanciando o humano do divino, (r)evolução que condenou Sócrates à morte. Pensei,também, que apesar dessa (r)evolução, Hannah Arendt avaliou na segunda metade do século 20 que apenas 6% da espécie humana era racional, quantidade que, se for precisa, clama por uma (r)evolução cerebral. A razão inventou a roda, domesticou o trigo, transformou o fogo em aliado gastronômico, perscrutou o café dentro da semente da fruta, o chocolate no recôndito do cacau, , transformou o cio em amor, guardou conhecimentos, experiências e habilidades para fazer da espécie, frágil, a mais duradoura e predadora de todas que já habitaram o planeta.
A razão só não evitou as guerras, que chegaram a graus inconcebíveis de perversão no século 20, campos de extermínio, bombas atômicas, e a disputa mortal pelo Poder, hábitos pré-históricos. Mas planejou as revoluções por igualdade de condições em 1789, na França, em 1917, na Rússia, em 1776, nos EEUU, em 1798 na Baía, em 1959 em Cuba, a revolução industrial na Inglaterra que extinguiu a escravidão no ocidente, a tecnológica do fim do século 20 que nos tornou maiores do que somos, por avareza e preguiça. Talvez nos falte, agora, apenas a Revolução da Palavra sugerida por Confúcio, que imploda a Ditadura da Demagogia fazendo da palavra dita fato realizado, democracia governo do povo e para o povo, honestidade integridade, transparência claridade.
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