Lamarca e a história oficial
28, Setembro, 2009 at 5:19 am | In Artigos e textos, Zuniversitas | Leave a CommentHá uma máxima já antiga que diz que a História é sempre contada pelos vencedores. Procuro aqui neste espaço dar oportunidade a outras interpretações, como no caso do post que fiz em homenagem à Revolta da Chibata, republicado em 13 de maio deste ano.
Encontrei semana passada um texto que nos faz refletir sobre a ‘outra história’, a não-oficial, deste nosso imenso Brasil. Trata-se de texto da professora Tânia Miranda que aborda com maestria o tema, nos brindando com bons exemplos, como o caso do Capitão Lamarca, herói e exemplo de patriotismo para uns, terrorista e desertor para outros.
Como ‘aperitivo’, duas citações do artigo que segue abaixo na íntegra:
“Os vencedores, ao mesmo tempo em que intervêm nos acontecimentos, criando as condições para a sua própria dominação, contam a história do seu jeito.”
” É preciso reconhecer que a memória social coletiva é princípio fundante para aformação de su jeitos críticos, capazes de ações transformadoras.”
TÂNIA MIRANDA
A memória de Carlos Lamarca, líder da resistência à ditadura militar no Brasil, finalmente, está sendo resgatada pela cidade de Brotas de Macaúbas, interior baiano, local onde, em 1972, foi abatido pelas forças da repressão.
A memória histórica constitui uma das mais fortes e sutis formas de dominacão e de legitimação do poder. Quem escreve a história – a história oficial- são homens e mulheres, daquele presente, que a viveram direta ou indiretamente. A institucionalizacão da memória oficial serve como legítimadora e justificadora do projeto político de dominação. Tradicionalmente, são os porta-vozes de grupos ou classe social hegemônica que impõem a sua visão para perpetuar a memória da dominação, excluindo da história os povos, oficialmente sem história. Os vencedores, ao mesmo tempo em que intervêm nos acontecimentos, criando as condições para a sua própria dominação, contam a história do seu jeito, selecionando o que deve ser dito, os agentes sociais que devem ser lembrados e os que devem ser apagados e esquecidos da memória social. Procuram, com isso, ocultar as permanências e as rupturas, as diferenças e as contradições das relações sociais, aquilo que pode significar ameaça à perpetuação do seu poder ou que possam perturbar o status quo da sua história. O historiador/professor precisa ficar atento a isso e criar as condições que permitam desmontar a trama dessa dominação.
Pautada nessa concepção positivista, a historiografia brasileira tradicional privilegiou a acão dos nomeados heróis nacionais em detrimento de outros sujeitos históricos. Preservam-se as igrejas barrocas, os fortes militares, as casas-grandes e os sobrados coloniais. Esquecem-se das senzalas, dos quilombos, das vilas operárias e dos cortiços, nos diz o historiador Ricardo Oriá. Nessa linha, sugiro ao leitor um breve passeio para conhecer os nomes de ruas e avenidas e uma rápida olhada nos monumentos históricos que decoram as praças de nossas cidades. É a história oficial imortalizando seus heróis e excluindo da história líderes de movimentos de contestação e resistência, roubando do estudante a oportunídade de ouvir a voz de outros heróis.
A partir da década de 1980 – retomada da democracia e marco de mudanças – quando se inaugura uma nova fase para a historiagrafia brasileira, os reflexos não tardam a aparecer, sem, no entanto, se configurar como tendência institucional. São mudanças pontuais, fruto da ação/pressão de setores da sociedade civil. O tombamento da Serra da Barriga, local onde se desenvolveu o maior quilombo da história do Brasil – Palmares – e o tombamento do Arraial de Canudos, onde ocorreu um dos mais importantes movimentos populares da história nacional, são exemplos. Valquíria Afonso Costa, tida como desaparecida política em 1973, após prisão e morte sob tortura nos porões da ditadura militar, recebeu homenagem de uma cidade do interior de Minas Gerais -seu Estado natal- e o seu nome foi dado a uma antiga rua, fruto de projeto de lei aprovado pela Câmara de Vereadores.
Em 1975, a ditadura militar fez uma limpeza na área da Guerrilha do Araguaia com o objetivo de apagar os vestígios de que algum dia um conflito ali ocorrera. Ou seja, tentou-se excluir o fato da nossa história. Em 2005, na entrada da cidade Xambioá (TO), foi destruído um jardim de 30 metros quadrados. Nele estavam espalhadas as cinzas de João Amazonas, um dos principais dirigentes comunistas, falecido em 2002 e que participou da Guerrilha do Araguaia. Para muitos, essa guerrilha é o maior símbolo da luta contra a ditadura militar. Esse ato, que nada tem de puro vandalismo, revela que seus autores estavam imbuídos do espírito de manter no anonimato a memória não-oficial da nossa história. Com Lamarca reconhecido e inserido na história da Bahia e do Brasil, comemoramos. Mas é preciso continuar desafiando a lei do silêncio imposto pelos opressores, persistir na luta para tirar do anonimato atores sociais, dando voz à memória coletiva, problematizando a vivência dos diferentes grupos, confrontando, suas propostas, fazendo emergir suas contradições. É preciso reconhecer que a memória social coletiva é princípio fundante para aformação de sujeitos críticos, capazes de ações transformadoras.
A caçada ao voto do eleitor
27, Setembro, 2009 at 5:08 am | In Artigos e textos, Zuniversitas | Leave a CommentAninha franco, em artigo com uma semana de atraso, porém atualíssimo (o artigo foi publicado domingo passado no ATARDE de Salvador), chega a este blog novamente com o excelente “A caçada ao voto do eleitor” abaixo. Sempre com o senso crítico constante nos ‘estatutos’ deste espaço, mas com a esperança de todo bom brasileiro, baiano em especial: “…o tempo passa lento, movido pela esperança, aquela que não morre, mas muda de endereço de quatro em quatro anos, em busca de dias melhores que, se não vieram, um dia virão. “
E as eleições estão ai, batendo à nossa porta. De uns tempos para cá sempre estão… melhor assim, melhor que antes, para quem tem memória !
A CAÇADA AO VOTO DO ELEITOR
A campanha está no ar. No pré-sal, com extração a partirde 2015, se o planeta não acabar em 2012. Nos discursos de quem ainda os tem. Nos ex-cursos de quem os teve. Porque é hora de os políticos necessitarem desesperadamente de nós, eleitores! donos dos cargos que ocupam no Executivo e Legislativo, dos privilégios e prestígios desfrutados nos últimos anos, para ratificar, ou não, suas permanências. Nossa situação de eleitores é tão difícil quanto, porque os politicos brasileiros, com raras exceções, parecem roupas falsas que já não servem ao corpo da nação. Ou do planeta.
Em pleno século XXI, da internet, Twitter, Facebook, Google, YouTube e quase absoluta liberdade de expressão, ainda mentem, roubam, fazem o que pensam mesmo quando não sabem o que fazer e malversam o dinheiro público com políticas velhas e desvios nada políticos. Despreparados, ignoram que ficou complicado sobreviver politicamente, dispor de cargo, jetton, carro, dezenas de assessores e purpurina, trabalhando pouco, provocando escândalos e apoiando colegas escandalizados.
Não se ligam que as palavras ética, honestidade e compromisso, que corriam soltas, de boca em boca, pescando eleitores desavisados, estão sendo cotejadas com imagens e discursos conflitantes na televisão, só para citar um veículo básico, que todo mundo tem, em casa, em todos os lugares do País, e que o cotejamento embola no pavilhão auditivo de quem vota, resultando em desprezo e riso. E que acabou o papo furado do século XX de prometer e não cumprir.
Quatro anos são 48 meses, quase 1.500 dias, mais de 34 mil minutos e um carrilhão de segundos. Deve passar rápido do lado de lá, onde portas se abrem sem que se vejam os porteiros, mas cá, onde os porteiros, os artistas, os comerciantes, os empresários e operários precisam sobreviver e, para isso, apostaram numa gestão eficiente e honesta, o tempo passa lento, movido pela esperança, aquela que não morre, mas muda de endereço de quatro em quatro anos, em busca de dias melhores que, se não vieram, um dia virão …
Pressão tecnológica
25, Setembro, 2009 at 5:37 am | In Artigos e textos, Piadas e causos | 1 CommentQuem nunca desejou se deletar diante do atual tsunami tecnológico de tanta coisa ao mesmo tempo, de celular a controle remoto, de notebooks a palmtops, de twitter a RSS ?
Nesta sexta brindo meus leitores com este hilariante texto de João Ubaldo, publicado no último domingo, dia 20/09, nos principais jornais do país. Clique abaixo para conferir !
Sobrevivendo no inferno
22, Setembro, 2009 at 9:57 pm | In Midiateca, Zuniversitas | 1 CommentSobrevivendo no inferno, violentamente pacífico !
Gostei muito desse Mc Leo Carlos, sem nem saber direito quem ele é, mas com certeza é baiano e citou o Bairro da Paz, favela de Salvador/BA, antigamente chamada de Malvinas. Um lugar onde fui recentemente para assumir uma disciplina numa escola pública (???) como professor concursado. E de onde fugi com medo, puro medo de morrer.
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