Mais um prodígio, nada menos que monumental !
11/10/2009 às 5:02 | Publicado em Baú de livros, Zuniversitas | 2 ComentáriosEsta é uma daquelas excentricidades que ocorre na vida. E mais um exemplo de superação, mais um prodígio aqui postado, que vem a se somar aos do brasileiro de 13 anos que faz caricaturas como Henfil e outros grandes cartunistas do país, aos do menino-músico sulcoreano, de 11 anos, que toca magistralmente ao violão canções como as dos Beatles e outros clássicos do rock, e ao menino-engenheiro-de-SW de Cingapura, que aos 9 anos produz sofwares para i-Phone.
Entretanto o que difere a história de William Kamkwamba é a sua origem pobre e a sua persistência e luta contra todo tipo de adversidade, a principal delas a falta de dinheiro da sua família, no Malaui, país africano pobre, sem condições de lhe dar uma educação digna.
O relato que se segue, inclusive a foto, eu vi no site Gizmodo e traduz uma lição de vida, de um menino-sonhador que virou homem em busca da liberdade que a energia podia trazer ao seu povo. Eis a história do construtor de moinhos.
Aos 14 anos, quando muitos da sua idade estavam saindo de fininho das salas de aula, ele estava se matando para conseguir entrar escondido em uma, já que a sua família não podia pagar. Como eventualmente acontece com todos os estudantes, ele foi pego. E expulso da sala. Demonstrando o tipo de homem que se tornaria, William começou a gastar os seus dias na biblioteca. Lá, ele encontrou um livro chamado “Usando Energia”:
Usando Energia descrevia como moinhos de vento poderiam ser usados para gerar eletricidade. Somente 2% dos malauianos têm acesso à energia elétrica, e o serviço é pouco confiável. William decidiu que gostaria de fazer um moinho elétrico. Iluminação na sua casa e nas outras casas da sua vila significava que as pessoas poderiam ler à noite, depois do trabalho. Um moinho para puxar água significaria uma melhora nas plantações e economia do tempo e esforço de ir buscar água. “Um moinho significava mais do que energia”, ele escreveu. “Era liberdade”.
Este livro foi o que mudou a sua vida. E isso não é um exagero. O livro realmente fez uma diferença na vida dele. Graças ao livro, e ao potencial que ele viu nas suas ideias, William começou a construir:
William revirou algumas latas de lixo e ferro-velhos para encontrar partes que pudesse usar para construir seu moinho. Com apenas algumas chaves inglesas à disposição e sem dinheiro nem para comprar parafusos, ele coletava coisas que a maioria das pessoas consideraria lixo (canos velhos de plástico, uma bicicleta quebrada, um ventilador de trator quebrado) e então montou um dínamo com elas. No lugar do ferro de solda, usou pedaço de arame rígido aquecido em fogo.
Imagine isso. Um garoto motivado pelas suas ideias e pela necessidade de construir algo que melhorasse a vida de todos, que encontrou usos para coisas que nenhum de nós veria. Como diz Mark Frauenfelder:
“Para um adulto com estudo em um país desenvolvido, projetar e construir um moinho que gere eletricidade é algo digno de orgulho. Para um garoto mal alimentado, sem estudo, vivendo em um país pobre que sofre de fome, sede, doenças, um governo cruelmente corrupto, superstições limitadoras e pouca expectativa, isso é algo de outro nível. Não é nada menos que monumental.”
Depois de terminar seu primeiro moinho, William “foi instalar quatro lâmpadas e dois rádios, além de interruptores feitos com chinelos de borracha”. Seu projeto chamou a atenção dos moradores da vila desde o início, mas neste ponto ele foi notado pela TED, Technology Entertainment Design, através da qual ele foi apresentado a indivíduos dispostos a contribuir com o seu plano de “energizar, irrigar e educar a sua vila, assim como pagar pelos seus estudos na prestigiada African Leadership Academy em Joanesburgo”.
Ele lançou um livro, “The Foy Who Narnessedd The Wind” e tem um blog, o blog do William: http://williamkamkwamba.typepad.com/ 
Que lição podemos tirar de mais esta história de vida?
Certamente que há esperança mesmo nas situações mais difíceis, e que estamos certos sobre o poder da educação !
Clique na sequência deste post para ver um depoimento dele que coletei num blog de Moçambique (só a grande rede mesmo para nos permitir isso, essa é a parte boa da globalização das novas TIC), vela a pena dar uma lida e refletir:
O MIÚDO QUE DO VENTO FEZ A LUZ
“Chamo-me William Kamkwamba e tenho 21 anos de idade. Vivo na aldeia de Mastala, que pertence ao distrito de Kasungu, a cerca de duas horas e meia de carro de Lilongwe, a capital do meu país, o Malawi. A minha língua nativa é o Chichewa. A língua oficial do país é o inglês. Tenho uma boa compreensão desta língua, consigo falar e escrever bastante bem.
Lá em casa somos muitos: o meu pai (Agnes), a minha mãe (Trywell) e quatro das minhas seis irmãs. Sou o segundo de sete filhos. A minha família, como muitas outras no Malawi e em África, é muito pobre. Na nossa aldeia não há electricidade. À noite as velas são as únicas fontes de luz na minha aldeia. Mas elas são muito caras, deitam muito fumo e muitas cheiram mal. Para comprá-las temos que andar mais de oito quilómetros.
Quando acabei a escola primária, passei para o ensino secundário. Mas depois, ao fim de dois semestres, fui obrigado a desistir dos estudos porque a minha família não tinha dinheiro pagá-la. Fiquei a ajudar os meus pais em casa. Estive cinco anos sem ir à escola.
Nessa altura decidi que queria aprender o mais possível. A leitura é a melhor forma de aprender. Por isso, tentei ler tudo o que consegui apanhar. Uma organização chamada Malawian Teacher Training Activity (MTTA), com o apoio da USAID, contribuiu com uma grande quantidade de livros para a biblioteca da escola primária perto de minha casa. Consegui então ler muitos livros. Um deles foi “Using Energy” (Usando Energia), um livro de exercícios do ensino primário que explica como é que resulta a energia.
O livro tinha alguns esquemas de construção de moinhos de vento. Então decidi construir eu próprio um moinho de vento para fornecer energia à minha família.
Agora, e como sempre, o meu grande problema era a falta de dinheiro para comprar as diferentes partes que constituem um moinho. Encontrei materiais que os agricultores haviam rejeitado e comprei algumas coisas com o dinheiro que consegui juntar com pequenos trabalhos: 3,45 USD por dois suportes, 3,45 USD por um dínamo de bicicleta, 2,75 USD por uma correia, e 5,5 USD por um quadro de bicicleta. Foi assim que construi o meu primeiro moinho. Tinha 14 anos. Com este moinho consegui ligar algumas lâmpadas e dar luz à minha família.
Depois, decidi aumentar o moinho e fazer muitas modificações: aumentei as pás de três para quatro providenciando assim mais potência à estrutura que ficou com 12 metros. Agora o moinho abastece de electricidade três divisões da casa e a nossa a varanda. Esta energia faz ainda funcionar dois rádios e carrega vários telemóveis dos vizinhos. Liguei ainda uma bateria de carro para usar nos dias em que não há vento.
Em Novembro de 2006, o Dr. Hartford Mchazime, director da MTTA, ao visitar a biblioteca tomou conhecimento da minha invenção. Quis vir visitar-me para se inteirar do modo como eu havia construído o moinho. Quando chegou fez-me muitas perguntas sobre o moinho. Expliquei-lhe todas as etapas da construção.
Passado alguns dias o Dr. Mchazime trouxe consigo vários jornalistas para verem o moinho, entre eles Sangwani Mwafulirwa, repórter do “The Daily Times”, um dos maiores jornais do país.
A publicidade acerca do meu moinho foi grande e Dr. Mchazime não teve dificuldade em reunir dinheiro suficiente para eu voltar a estudar. E assim voltei para a escola secundária que distava cerca de uma hora da minha casa, no caminho para Lilongwe.
Sem me conhecer, Soyapi Mumba, um engenheiro de computadores de Lilongwe, mostrou ao colega Mike McKay o artigo saído no jornal. Mike colocou-o imediatamente no seu blogue, o Hactivate. Descobri ainda que várias pessoas escreverem também acerca da minha história nos seus blogues.
Fui depois contactado para falar e contar a minha experiência na Conferência de TED, onde conheci muita gente.
Há dois anos, pela primeira vez na vida, comecei a trabalhar com computadores. No motor de busca Google fiz uma pesquisa escrevendo a palavra “moinho” e “energia solar”. É incrível descobrir as entradas que existem sobre estes dois assuntos! Os meus amigos ensinaram-me a criar um endereço de email e já estou no Gmail. Agora, quando tenho acesso a um computador, já sei enviar e receber correio electrónico.”
Agora recebi uma bolsa para estudar na ALA em Joanesburgo e com meu amigo Bryan Mealer vou lançar um livro que se chama “O rapaz captou o vento” (tradução livre).
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Todos aqueles que são assim talentosos, deviam ter direito a acessar as escolas ou quaisquer estabelecimentos de ensino, totalmente gratuitos nestes casos, para poderem desenvolver a sua genialidade. Infelizmente, em vez disso, muitos talentos ficam pelo caminho, num desperdício inconcebível. Ainda bem que William Kamkwamba foi reconhecido.
Comment by Milu— 11/10/2009 #
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