Colégios usam tablets como ferramenta pedagógica

23/04/2012 às 6:22 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 3 Comentários
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Como hoje é o DIA INTERNACIONAL DO LIVRO, republico o post abaixo, de 14/03/2012, para reflexão.


A notícia de que duas escolas particulares de Salvador/BA estava ‘oferecendo’ tablets para seus alunos me foi enviara por um amigo que é Mestre em Educação. Quando se lê a notícia (Jornal ATARDE, caderno Cidades) se constata que não é bem assim… as escolas cobram, é claro, pelos aparelhos.

Não tenho nada contra colégios que adotam tablets e outros equipamentos como ferramentas de trabalho em Educação.
O problema é a leitura.
O Bill (Gates), o mais sabido (US$$$$$$$) de todos, já dizia em livro que ler mais de 6 páginas em computador há dois problemas: cansa a vista e diminui a compreensão em cerca de 30 por cento (tenho um artigo publicado no ZEcuando sobre isso, mas não sei o link…).
Os novos e-books, tablets, kindonS da vida, iped e ipods, i qualquer coisa, dizem que resolvem o primeiro problema, o do cansaço da vista.
Já o outro, para mim até mais importante, ninguém fala, ninguém trata.
Dizem que o livro e o jornal em papel vão acabar, espero sinceramente que eu me acabe primeiro… E acho que isso também é balela. Diziam que o rádio ia acabar quando chegasse a TV, que a TV ia acabar quando chegasse a Internet, etc, etc.
Mas sendo objetivo: se o aluno conseguir ler em qualquer dispositivo acho válido, até em papiro, em pedra, em muro, …. em tablet.
E sinceramente não consigo ver, pelo menos no que tenho acesso, esses links que você mandou inclusos, os colégios incentivarem a leitura.
O que vejo, pelo menos nos ‘pentelhos’ que vivem perto de mim, ou ao meu alcance visual, é um quase-total afastamento dos livros…
E ai, sinceramente, não vejo futuro para nenhum deles.
A comprovação é muito simples: basta ver os que são mais bem sucedidos social e economicamente, todos leram e leem muito!


Colégios usam tablets como ferramenta pedagógica

Davi Lemos

Eduardo Martins / AG. A TARDE

Catarina Blanco e Raquel Paixão, alunas do Vieira com os seus tablets

Catarina Blanco e Raquel Paixão, alunas do Vieira com os seus tablets

Caderno, livros, módulos, caneta, lápis … e tablet? A introdução desta ferramenta em sala de aula é festejada por especialistas em educação, e dois tradicionais colégios de Salvador – o São Paulo, no Itaigara; e o Antônio Vieira, no Garcia – utilizarão a tecnologia nas aulas das turmas de 3º ano do nível médio. O primeiro vende aos alunos os tablets por R$ 825, com subsídio de 50%; já o Antônio Vieira disponibiliza módulos e tablet por R$ 1.107.

A Superintendência de Proteção ao Consumidor (Procon) vê, porém, indícios de venda casada, o que, segundo o Código de Defesa do Consumidor (CDC), significa condicionar o fornecimento de produto ou serviço ao oferecimento de outros. O Procon já alertou os dois colégios sobre as infrações, em atos de constatação. As instituições terão dez dias para defesa.

O Colégio São Paulo, que não utilizará módulos, informou ter comprado junto a um fornecedor, grande quantidade do IPad2, que repassa aos estudantes. “Modernizamos e criamos em PDF o caderno de forma eletrônica. No futuro próximo, no meio da leitura, o estudante tocará no espaço onde há explicação do professor por meio de animações e vídeos”, disse o diretor técnico e pedagógico da mantenedora dos Colégios Anchieta e São Paulo, João Augusto Bamberg Conrado.

Ele ressaltou que os estudantes podem utilizar outros tipos de máquinas ou levar pen drives para copiar os conteúdos e acessá-los de casa. Mas enfatizou: “O aluno, com este material no tablet, terá mais recursos que em outro modelo de computador”.

O diretor afirma que o aluno não é obrigado a comprar os tablets adquiridos pelo colégio. Já o Procon apontou o contrário. “Temos o documento que é dirigido aos pais no qual o colégio afirma que apenas os tablets serão utilizados”, disse a diretora de fiscalização do Procon, Isabela Barreto. Bamberg sustenta que a carta não menciona tal condição e que buscará provar não haver venda casada.

Já no Colégio Antônio Vieira, os alunos terão tablets e módulos. Os tablets são fornecidos pela Editora Saraiva, que utiliza o “Sistema ético”; os alunos podem ter acesso ao conteúdo também por meio de portal da editora. “Mas o conteúdo só pode ser acessado pelo tablet da Saraiva e isto configura venda casada”, disse a diretora do Procon,  Isabela Barreto. O Antônio Vieira, por meio da assessoria, informou que buscará solucionar o problema.

A gerente educacional do Antônio Vieira, Mariângela Risério, afirmou que o uso do  tablet é complemento aos módulos e fruto da evolução tecnológica. É o que pensam as estudantes do Antônio Vieira, Maria Catarina Blanco e Raquel Paixão, ambas com 17 anos. “Com o tablet, podemos nos aprofundar mais nos estudos”, disse Raquel.

“É bom para interagir e compartilhar conhecimento”, afirma Catarina. Os pais de Raquel, Maria Rosa e Rômulo Paixão, entendem que inserir o tablet em sala de aula pode ampliar o uso do computador pelos alunos, não somente em redes sociais. “E não ficou absurdo adquirir os módulos e o tablet por R$ 1.107”, disse Rômulo.

Críticas - A superintendente do Procon, Cristiana Santos, criticou o que considera uma  imposição dos colégio. “Com a venda do tablet financiado, fica claro que há um interesse do colégio, o que configura a infração”, disse. Ela sustenta que o tablet não pode ser visto como material didático a ser imposto ao aluno. “Isto pode ser problemático para estudantes mais pobres”. Cristiana diz que os conteúdos poderiam ser disponibilizados em portal no Colégio São Paulo.

A TARDE pesquisou em alguns colégios de Salvador o valor gasto por estudantes de nível médio com módulos. Uma aluna do Sartre-COC, que este ano cursará o terceiro ano, disse que, no ano anterior, desembolsou cerca de R$ 1,2 mil. O Sartre tem projeto piloto, em Salvador, com utilização dos tablets nos 6º e 7º anos do nível fundamental. Os equipamentos são fornecidos pelo colégio.

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3 Comentários »

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  1. Gostei do texto, Zé, bem polêmico!

    Ao contrário da reportagem, penso como você, focando mais na questão da leitura (em qualquer que seja a mídia) do que na possível venda casada. Não menosprezando o direito do consumidor, acho que estamos perdendo o foco da questão: o povo atual lê menos, sim senhor.

    Eles têm ferramentas que nem imaginávamos em nossa época escolar (p. ex. Wikipédia, o buscador Google, o utilíssimo Google Translate e o prático prof. Youtube) e não usam isso para aumentarem seu conhecimento.

    Sejamos justos, não sei se usaríamos essas ferramentas para aumentar nosso conhecimento se fôssemos nós. Entretanto, o problema é que, apesar das ferramentas mais avançadas e, diga-se de passagem, de uma maior carga horária de aulas, eles estão aprendendo menos! Talvez até vejam mais assuntos do que víamos, mas aprendem menos: têm menos segurança e menor grau de retenção (observações empíricas usando os jovens com que convivo).

    Então, sendo igualmente práticos, por que mais uma ferramenta se a cada acréscimo o resultado é menor? Pior ainda com tablets que não permitem apenas a leitura, mas também os jogos e navegação na internet, fugindo do assunto estudado?

  2. ZeLuis,
    Concordo plenamente com você. E a causa disso não seria a ‘sociedade líquida’ em que vivemos, vide: CAPITALISMO PARASITÁRIO – http://joserosafilho.wordpress.com/2011/12/08/capitalismo-parasitrio/

    ABS

  3. […] Nelson Pretto (UFBA) foi publicada no jornal A TARDE, de Salvador/BA, há dois meses, mas continua atual. Destado a preocupação com o ecossistema pedagógico e não apenas ao uso de equipamentos das […]


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