TEM MATEMÁTICA NESTE ARTIGO. NÃO ENTENDI NADA. DEVE SER MUITO BOM
23/05/2013 às 3:36 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentárioTags: Educação
Eu já tive oportunidade de escrever sobre essa verdadeira ‘indústria’ de artigos que se vê na Academia, em pós, Mestrado e Doutorado principalmente. Vajam esse artigo publicado na Revista Cálculo nro. 26/2013. Isso depõe contra a própria Academia, fazendo cair no descrédito os doutos que escrevem artigos. E como normalmente é ou vai ser professor, a preocupação é redobrada. Afinal, o que pode ensinar alguém com postura como a exposta abaixo ? (tentei passar o OCR duas vezes e não consegui, vai via imagem mesmo).
TEM MATEMÁTICA NESTE ARTIGO. NÃO ENTENDI NADA. DEVE SER MUITO BOM
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Médicos cubanos no Brasil ?
21/05/2013 às 11:30 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentárioTags: ciência, Educação, sociedade
Sobre esta recente polêmica eu ainda não havia postado nada. Segue agora este artigo de Frei Betto. A caravana da HIstória vai continuar seu caminho, independente do ladrar ou não dos cães ! (os grifos são meus)
Quem dera que, um dia, o Brasil possa expor em suas cidades este outdoor que vi nas ruas de Havana: “A cada ano, 80 mil crianças do mundo morrem de doenças facilmente tratáveis. Nenhuma delas é cubana”.
Médicos cubanos no Brasil ?
Se não chegam médicos cubanos, o que dizer à população desassistida de nossas periferias e do interior? Que suporte as dores? Que morra de enfermidades facilmente tratáveis? Que peça a Deus o milagre da cura?
Frei Betto – Brasil de Fato – 17/05/2013
O Conselho Federal de Medicina (CFM) está indignado frente ao anúncio da presidente Dilma de que o governo trará 6.000 médicos de Cuba, e outros tantos de Portugal e Espanha, para atuarem em municípios carentes de profissionais da saúde. Por que aqui a grita se restringe aos médicos cubanos? Detalhe: 40% dos médicos do Reino Unido são estrangeiros.
Também em Portugal e Espanha há, como em qualquer país, médicos de nível técnico sofrível. A Espanha dispõe do 7º melhor sistema de saúde do mundo, e Portugal, o 12º. Em terras lusitanas, 10% dos médicos são estrangeiros, inclusive cubanos, importados desde 2009. Submetidos a exames, a maioria obteve aprovação, o que levou o governo português a renovar a parceria em 2012.
Ninguém é contra o CFM submeter médicos cubanos a exames (Revalida), como deve ocorrer com os brasileiros, muitos formados por faculdades particulares que funcionam como verdadeiras máquinas de caça-níqueis.
O CFM reclama da suposta validação automática dos diplomas dos médicos cubanos. Em nenhum momento isso foi defendido pelo governo. O ministro Padilha, da Saúde, deixou claro que pretende seguir critérios de qualidade e responsabilidade profissionais.
A opinião do CFM importa menos que a dos habitantes do interior e das periferias de nosso país que tanto necessitam de cuidados médicos. Estudos do próprio CFM, em parceria com o Conselho Regional de Medicina de São Paulo, sobre a “demografia médica no Brasil”, demonstram que, em 2011, o Brasil dispunha de 1,8 médico para cada 1.000 habitantes.
Temos de esperar até 2021 para que o índice chegue a 2,5/1.000. Segundo projeções, só em 2050 teremos 4,3/1.000. Hoje, Cuba dispõe de 6,4 médicos por cada 1.000 habitantes. Em 2005, a Argentina contava com mais de 3/1.000, índice que o Brasil só alcançará em 2031.
Dos 372 mil médicos registrados no Brasil em 2011, 209 mil se concentravam nas regiões Sul e Sudeste, e pouco mais de 15 mil na região Norte.
O governo federal se empenha em melhorar essa distribuição de profissionais da saúde através do Provab (Programa de Valorização do Profissional de Atenção Básica), oferecendo salário inicial de R$ 8 mil e pontos de progressão na carreira, para incentivá-los a prestar serviços de atenção primária à população de 1.407 municípios brasileiros. Mais de 4 mil médicos já aderiram.
O senador Cristovam Buarque propõe que médicos formados em universidades públicas, pagas com o seu, o meu, o nosso dinheiro, trabalhem dois anos em áreas carentes para que seus registros profissionais sejam reconhecidos.
Se a medicina cubana é de má qualidade, como se explica a saúde daquela população apresentar, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), índices bem melhores que os do Brasil e comparáveis aos dos EUA?
O Brasil, antes de reclamar de medidas que beneficiam a população mais pobre, deveria se olhar no espelho. No ranking da OMS (dados de 2011), o melhor sistema de saúde do mundo é o da França. Os EUA ocupam o 37º lugar. Cuba, o 39º. O Brasil, o 125º lugar!
Se não chegam médicos cubanos, o que dizer à população desassistida de nossas periferias e do interior? Que suporte as dores? Que morra de enfermidades facilmente tratáveis? Que peça a Deus o milagre da cura?
Cuba, especialista em medicina preventiva, exporta médicos para 70 países. Graças a essa solidariedade, a população do Haiti teve amenizado o sofrimento causado pelo terremoto de 2010. Enquanto o Brasil enviou tropas, Cuba remeteu médicos treinados para atuar em condições precárias e situações de emergência.
Médico cubano não virá para o Brasil para emitir laudos de ressonância magnética ou atuar em medicina nuclear. Virá tratar de verminose e malária, diarreia e desidratação, reduzindo as mortalidades infantil e materna, aplicando vacinas, ensinando medidas preventivas, como cuidados de higiene.
O prestigioso New England Journal of Medicine, na edição de 24 de janeiro deste ano, elogiou a medicina cubana, que alcança as maiores taxas de vacinação do mundo, “porque o sistema não foi projetado para a escolha do consumidor ou iniciativas individuais”. Em outras palavras, não é o mercado que manda, é o direito do cidadão.
Por que o CFM nunca reclamou do excelente serviço prestado no Brasil pela Pastoral da Criança, embora ela disponha de poucos recursos e improvise a formação de mães que atendem à infância? A resposta é simples: é bom para uma medicina cada vez mais mercantilizada, voltada mais ao lucro que à saúde, contar com o trabalho altruísta da Pastoral da Criança. O temor é encarar a competência de médicos estrangeiros.
Quem dera que, um dia, o Brasil possa expor em suas cidades este outdoor que vi nas ruas de Havana: “A cada ano, 80 mil crianças do mundo morrem de doenças facilmente tratáveis. Nenhuma delas é cubana”.
(Frei Betto é escritor, autor de “O que a vida me ensinou”, que a editora Saraiva faz chegar esta semana às livrarias)
O que é Criacionismo ?
21/05/2013 às 3:33 | Publicado em Artigos e textos, Espaço ecumênico | Deixe um comentárioTags: ciência, religião
É tudo, menos Ciência. E a Ciência prevalece sempre ! Confiram neste artigo.
(fonte: World Evolucion)
O que é Criacionismo?
Há duas vertentes do criacionismo. O criacionismo clássico, que é a crença de que a criação da vida, do universo e tudo mais ocorreu exatamente como se encontra relatada na Bíblia. Ou seja, o criacionismo clássico consiste em acreditar que o deus cristão, Jeová, criou os animais exatamente da maneira que eles são hoje.
O “neo-criacionismo”, também chamado de “design inteligente”, é a crença de que é impossível explicar certas características dos seres-vivos através do evolucionismo, sendo indubitavelmente necessária a intervenção de uma “causa inteligente” para essa explanação. Ou seja, seus seguidores acreditam que tem “a mão de deus” em todos os processos que culminaram nos seres vivos e no universo tais quais são conhecidos atualmente.
A Escalada Criacionista
O criacionismo está, infelizmente, muito em pauta nos dias atuais, principalmente pela força (lê-se montanhas de dinheiros de fiéis fanáticos) de algumas igrejas evangélicas. O que elas querem? Querem que o criacionismo seja ensinado nas escolas nas aulas de ciências.
Apesar do assunto ser atual, o empenho dos crentes é antigo. Nos Estados Unidos, onde a maioria da população é protestante, sempre houve tentativas de derrubar o ensino da evolução, baseada na obra “A Origem das Espécies” de Charles Darwin, para se ensinar o Criacionismo. Como muitos alunos estavam sendo expostos aos argumentos evolucionistas nas escolas no fim da década de 1910 e início da década de 1920, foi aprovada, no Tennessee, a Lei Butler, que proibia o ensino da evolução humana nas escolas do estado, com medo que a compreensão das pessoas sobre como chegamos a ser o que somos hoje desvirtuasse a crença religiosa cristã. Em 1981 foi aprovada uma lei na Louisiana que garantia o ensino do criacionismo juntamente com o evolucionismo.
O termo “design inteligente” se popularizou com o livro “Of Pandas and People”, que defendia o ensino do criacionismo juntamente com o evolucionismo.
Os criacionistas, até meados do século XIX, não tinham problemas em manter que o que está escrito na Bíblia, em termos do surgimento do homem e das espécies, é a verdade, visto que a ciência ainda não tinha um modelo aceitável sobre o assunto. Com a publicação de “A Origem das Espécies”, em 1859, surgia uma maneira simples e elegante que podia explicar, passo por passo, a evolução de todos os seres vivos. Através de um meticuloso trabalho de décadas, Darwin, pela primeira vez na história da humanidade, demonstra que a existência das espécies, tais quais existem hoje, pode ser explicada cientificamente, sem a necessidade de uma intervenção divina e/ou inteligente.
Cabe aqui a observação de que os criacionistas tentam dissuadir o fato de que o design inteligente é uma adaptação do criacionismo clássico para que esse possa ser ensinado nas aulas de ciência. Eles afirmam que a “força sobrenatural” poderia ser qualquer entidade de qualquer religião, tudo isso para tornar a falácia criacionista cosmopolita e ser mais aceita, tirando seu vínculo a apenas uma religião, o que poderia acarretar em argumentos de que estar-se-ia dando preferência aos cristãos. Apesar dessa negativa de vínculo, o livro “Of Pandas and People”, em seu rascunho, teve a palavra “creationists” sistematicamente substituída pelo termo “design proponents”; essa trama foi revelada através da observação de uma mistura das duas palavras, creationist e design proponents, que saiu como “cdesign proponentsists” (c[reation] proponents[ists]). Ou seja, escreveram o livro inteiro com a palavra “creationists” e só depois tiveram a ideia de desvinculá-la ao criacionismo, foram no word, apertaram Ctrl+U e substituíram, tudo muito simples. Após essa evidência, a farsa da segregação das duas teorias ficou insustentável.
A publicação de Darwin, obviamente, foi polêmica. Com o passar dos anos, estudos e descobertas davam cada vez mais credibilidade ao evolucionismo, o fortificando. Amplamente aceito, o evolucionismo foi sendo ensinado nas escolas, o que foi visto com maus olhos às pessoas mais fundamentalistas cristãs, que temiam que seus filhos parassem de crer em Deus pelo conhecimento da evolução darwinista. Também, como o evolucionismo descreditava uma interpretação literal do texto bíblico, interpretação esta que era (e ainda é) seguida por várias vertentes do protestantismo, buscou-se, de várias maneiras, proibir o ensino evolucionista nas escolas.
Mas com novas descobertas, como o advento da genética e da biologia molecular, o evolucionismo foi sendo progressivamente sedimentado e aceito por toda comunidade científica. Com o evolucionismo consolidado nos dias atuais, sendo, assim, praticamente impossível destituir seu ensino em estados laicos, os criacionistas tiveram que se adaptar, tal como os organismos através da seleção natural, para sobreviver. Assim, o criacionismo surgiu com o “design inteligente”, dizendo que há certas características nos seres vivos que a evolução não explica adequadamente e que a introdução de uma inteligência superior é indispensável para sua elucidação.
Por que o Criacionismo não é Ciência?
Primeiro, temos que caracterizar o que é ciência. Ciência é, basicamente, a aquisição de conhecimento através da utilização do método científico.
O método científico consiste na união de determinados elementos para que se garanta a produção de um novo conhecimento. Para que se produza o conhecimento científico deve-se, então, seguir os seguintes passos, na determinada ordem: observar (definir o problema), recolher dados, propor uma hipótese, realizar uma experiência controlada para testar a validade da hipótese (princípio da falseabilidade), analisar os resultados, interpretar os dados e tirar conclusões, o que serve para a formulação de novas hipóteses.
Toda produção científica deve-se iniciar com a observação do fenômeno e, sucedendo a essa observação, deve-se recolher dados sobre ela para então propor uma hipótese. Depois vem o princípio da falseabilidade, que significa que a hipótese deve poder ser refutada, testada. Por fim deve-se analisar os resultados desse teste/contestação, para se chegar a conclusões através da interpretação dos dados adquiridos.
A hipótese de Darwin é que os animais evoluem através da seleção natural. Isso pode ser testado. Por exemplo: cultive uma grande população de bactérias num meio apropriado e depois aplique um antibiótico fraco, as adaptadas previamente sobreviverão e se multiplicarão, enquanto as outras não. Teremos então uma população inteira de bactérias resistente a determinado antibiótico. A constante seleção desses seres culminará em indivíduos bastante diferentes dos observados inicialmente. Uma característica aparentemente inútil, no início, tornou-se vital.
Não é apenas em organismos microscópicos que se pode constatar a adaptação de um ser vivo através da seleção natural. Animais introduzidos a algum tempo em ambientes diferentes apresentam modificações morfológicas facilmente identificáveis, como é o caso do coelho-selvagem australiano, que foi trazido da Europa, e hoje apresenta diferença quanto ao tamanho corporal, peso e tamanho das orelhas, devido ao clima quente e seco que encontrou. Outros exemplos são o I’iwi, uma ave havaiana que teve seu bico encurtado a partir do momento que sua fonte predileta de néctar começou a desaparecer e ela teve que procurar seu néctar em outros locais; e o Caramujo da Nova Inglaterra, que teve o formato e a espessura de sua casca modificada, provavelmente em resposta à predação pelos caranguejos.
Enquanto o evolucionismo respeita toda sistemática e metodologia científica, o criacionismo não. O “design inteligente” não respeita o princípio da falseabilidade, ele não pode ser testado. A estratégia criacionista para fazer valer sua “teoria” é tentar mostrar que há “falhas” na evolução. Aí fiquemos atentos à perspicácia dos elaboradores, os auto-intitulados (ctrl+U no word agora) “design propentists”. Eles tomam como verdade, sem nenhum argumento científico válido, que há uma dualidade na qual apenas o evolucionismo e o criacionismo são possíveis, sendo que um fator desfavorável a um é definitivamente um fator favorável a outro; em poucas palavras, se não é X é Y. Mas isso está longe de realidade. Eles utilizam essa estratégia simplesmente porque ela é estritamente necessária. Como eu disse anteriormente, o criacionismo não pode ser testado, ele não possui base científica válida, então a única maneira de fazê-lo parecer possível é através destas distorções. Já o evolucionismo tem raízes científicas fortes, ele nasceu da ciência pura, e não do sobrenatural, ele está livre das amarras da ignorância e da malícia para fazer valer seu argumento. Essa situação já mostra a colossal fragilidade do argumento criacionista.
Assim sendo, quaisquer argumentos apresentados pelos criacionistas contra a evolução não podem, de maneira alguma, ser tomados como evidência do “design inteligente”.
E o mais importante: onde estão as evidências de que algo sobrenatural age ou agiu nos seres vivos? Onde estão os fatos que mostram isso? Como podemos identificá-los? Como mostrar que uma inteligência ultraevoluída criou os animais que conhecemos do jeito que eles são? Carl Sagan já dizia, alegações extraordinárias exigem provas extraordinárias. E mais: o fato de algo assim interagindo com todos os seres vivos explicaria qualquer coisa. Qual a diferença de algo que não podemos ver, que não podemos detectar, que não podemos sentir, que não podemos observar, que não podemos identificar sequer o mínimo sinal através de estudos minuciosos (e até moleculares e atômicos) de algo inexistente? O que explica tudo não explica nada.
Estratégias dos Criacionistas
Mesmo assim há um esforço colossal por parte dos (ctrl+U no word) “design propentists”, através de distorções de várias ciências, para tentar “enfraquecer” o evolucionismo. Entre os esforços mais notáveis, temos a falácia da “complexidade irredutível” e da “complexidade especificada”, sendo ambos “argumentos” já, há tempos, refutados.
A “complexidade irredutível” diz que há, por exemplo, orgãos tão complexos que seria impossível serem criados aos poucos, pois a remoção de qualquer um dos elementos que o formam o destituiria de sua função básica. Baseada na “complexidade irredutível”, um órgão que se tornou bastante popular é o olho humano. Os criacionistas afirmam que o olho é muito complexo e que, retirando qualquer uma de suas “partes” ele não “funciona”. Portanto, o olho seria impossível de ser criado pela seleção natural, por ser muito complexo, e não poderia ter evoluído aos poucos porque tudo o que o forma é essencial. Mas aí está a distorção, nem todas as funções do olho que nós possuímos foram sempre necessárias. A evolução do olho está bem estabelecida, basta estudar zoologia. Desde o ocelo das planárias, que só são capazes de identificar a presença e a intensidade da luz, passando por outros olhos mais desenvolvidos como dos invertebrados, até chegar nos vertebrados, através dos peixes, répteis etc. Todo esse estudo revela uma lenta adaptabilidade e evolução dos olhos. Não à toa, a “complexidade irredutível” já foi refutada em artigos de pesquisa e rejeitada pela comunidade científica em geral.
A “complexidade especificada” é ainda mais esdrúxula, ela afirma, basicamente, que algo que tem uma complexidade específica tal que seria muito improvável ocorrer ao acaso, ela seria identificada então como intelegente e, assim sendo, seria originada por uma entidade inteligente. Ela dizia que a complexidade das “mensagens” transmitidas pelo DNA eram complexas o suficiente para que fosse comprovadamente originária de um ser inteligente. Ela até define um valor limite de que qualquer coisa com menos de 1 em 10150 chance de ocorrer naturalmente, é proveniente de uma força sobrenatural. Sim, o argumento é esse, é tautologia. O criador do termo, matemático, filósofo, e teólogo William Dembski, apenas escolheu arbitrariamente um número e decidiu que seria assim. É assim porque ele quer e ponto, sem nenhuma base científica. Obviamente, esse termo é totalmente rejeitado pela comunidade científica.
Mais estratégias são utilizadas pelos criacionistas para fazer com que o “design inteligente” seja ensinado nas aulas de ciências. Uma delas é tentar fazer com que a evolução pareça uma teoria em crise, enquanto que, na verdade, como eu já disse e mostrei, ela só vem ganhando mais e mais força e está totalmente consolidada na ciência. Outra é dizer que a evolução é só uma teoria, havendo outras explicações pertinentes; eu já mostrei aqui que o criacionismo não é uma destas explicações, e mais, não é apenas uma teoria, cabe aqui a frase de Dobzhansky de que nada faz sentido em biologia a não ser à luz da evolução: sem a evolução seria impossível explicar o porquê do mundo vivo ser como é.
Outra estratégia que utilizam é de que o ensino deve ser democrático e que, se é ensinada a evolução, deve-se dar a liberdade para que também se ensine o criacionismo. Essa é uma falácia pois, como eu já demonstrei, e como tribunais nos Estados Unidos já julgaram, e como cientistas já rejeitaram, o criacionismo não é ciência, não possui nenhum argumento válido e, assim sendo, não há porque ensiná-lo justamente na aula de ciências. Essa falácia põe o criacionismo no mesmo nível que o evolucionismo, o que é uma mentira.
A Ciência Prevalece
Apesar de todos argumentos contrários, o poder da crença fanática, da ignorância e do dinheiro é forte. Os criacionistas seguem tentando, a todo custo, inserir o ensino do “design inteligente” nas aulas de ciência. Em algumas escolas respeitáveis, como o Mackenzie, isso já é realidade, por incrível que pareça. A esposa do Garotinho tentou instituir o criacionismo nas escolas públicas do Rio de Janeiro quando foi governadora, mas não obteve sucesso. Mesmo assim, o criacionismo, após algumas derrotas recentes, está aparentemente adormecido, mas educadores e cientistas só estão esperando uma nova formulação fantástica para um novo ataque.
O criacionismo já não é científico desde o início: ele parte já da “certeza”, já parte da ideia de que há uma inteligência que “guia”. O criacionismo é uma ânsia de pessoas desesperadas que possuem uma crença tão fraca em seu deus a ponto de poder ser destruída através de constatações verídicas que se faz na natureza. O criacionista tem uma crença tão frágil que precisa modificar, sabotar e distorcer fatos provados para que ele possa manter seu mundo. O deus do criacionista é tão impotente que o fato de existir processos pelos quais os seres vivos evoluíram o condena a inexistência.
Como escreveu Darwin, “enorme é o poder da distorção constante; porém, a história da ciência mostra que, felizmente, este poder não resiste muito tempo”. E a ciência prevalece.
O tempo passa lento na Bahia
20/05/2013 às 11:39 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentárioTags: história
A baianidade, na pena de Aninha Franco, via jornal A TARDE de ontem, em papel !
O TEMPO PASSA LENTO NA BAHIA
Cultura é a capacidade de criar, e repetir, hábitos que a natureza não lhe deu. Eramos mamíferos quadrúpedes, sem asas, e nos tornamos bípedes alados movidos a roda. A capacidade de repetir hábitos, incessantemente, nos faz nesse ou naquele tempo. Baianos são criadores. Péssimos repetidores. Por isso, otempo passa lento na Cidade da Baía. Às vezes, há guerrilhas de mentalidades, porque as mentalidades que repetem hábitos de meta-
de do século 20 são prioritárias em todos os setores. Na Bahia e no Brasil. Em São Paulo, o final do século 20, início do 21, predomina. E há poucos repeti dores de hábitos do século 19.
Quem nos freia temporalmente? Quem nos obriga à lerdeza de agir? Quem nos arma da destreza de destruir o criado para criar outra coisa, prometida melhor, e jamais realizada? Tupis, tupinambás, tapuias ete. repetiam hábitos da idade da pedra no século 16, mas evitavam o abate se movendo rápido. Os portugueses chegaram “civilizados”, da Idade da Pólvora, mas sem os hábitos africanos não extrairiam uma grama de ouro das Minas Gerais, uma grama de açúcar dos engenhos.
Os portugueses eram da Idade da Inquisição. No século 20, já, Fernando Pessoa morreu semi-inédito. Se publicasse, sob o fascismo de Salazar, como Ricardo Reis, Álvaro de Campos e o Alberto Caeiro que o habitavam, iria à fogueira. A Idade da inquisição está sempre em algum tempo e lugar do Brasil português. Deve ser ela que fomentou Marco Feliciano e o pastor Marcos Pereira, o estuprador. São personagens de Moliére (1622-1673): “Quem tem R$100 senta na primeira fila. Quem tem R$ 50 senta na segunda fila. Quem tem R$ 20 senta no fundo. Mas quem não tem dinheiro senta com o Diabo” (pastor Marcos).
O Brasil está salpicado de humanos que repetem hábitos que nem existem mais. Digital
aqui. Medieval colado. Gangorra de tempos. No planeta, há bolhas, como o sequestro de Connecticut. O Brasil é a bolha. E a maioria dos segmentos tenta manter o tempo estacionado. Porque Ihes é difícil viver os novos hábitos. As guerras de mentalidades se multiplicam, mas aquele jovem que esteve deitado, eternamente, em berço esplêndido, acordou! E precisa equacionar seus hábitos.
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