Uma breve história do mundo

27, Outubro, 2009 at 9:46 am | In Baú de livros | Leave a Comment

Mundo Concluí a leitura de UMA BREVE HISTÓRIA DO MUNDO, recomendo este livro e por esta razão o coloco aqui neste “Baú de livros”.

Em pouco mais de trezentas páginas não se poderia aprofundar na história da humanidade, razão pela qual é até fácil se fazer críticas como as duas que faço abaixo. O livro traz uma panorâmica muito boa e bem escrita da passagem do homem pela Terra, desde os seus primórdios. E aborda sempre, por vezes direta, por vezes indiretamente, o papel das religiões nesse processo.

Cita o livro que a rainha Vitória, da Inglaterra, foi a única monarca a ter um reino que dominou tão vastas terras que o sol nunca se punha em seus domínios, esquecendo-se de Luiz XIV, o chamado “Rei Sol”, francês que viveu antes dela e em cujos domínios o sol estava sempre presente, daí a sua alcunha.

Outra crítica que se deve fazer, e fiquei torcendo até a última página para que o autor (Geoffrey Blainey) se redimisse do esquecimento, é a ausência da Internet. Nenhum livro que trate da história do mundo até os dias de hoje pode prescindir de tratar da ‘grande rede’.

Historia_do_Mundo

Livro impresso – a última novidade

19, Outubro, 2009 at 8:30 am | In Artigos e textos, Baú de livros | 1 Comment

Com a entrada no mercado de equipamentos de leitura de e-books, como o kindle e os vooks (cruzamento de livro com multimídia), já se fala do fim do livro impresso tal qual o conhecemos hoje.

A despeito de todas as inegáveis vantagens que a tenologia de edição nos trouxe, o papel do livro parece persistir, o de fazer a gente pensar, meditar e construir mentalmente idéias e pensamentos, pelo seu próprio substrato e ritmo.

Ao lançar seu mais novo livro hoje em São Paulo, O ALBATROZ AZUL, João Ubaldo nos brindou no último domingo com uma bela crônica sobre este tema, a qual reproduzo abaixo.

AlbatrozAzul


FUTURO TECNOLÓGICO (João Ubaldo Ribeiro)

UbaldoAlbatrozAzul

Olho para o monitor à minha frente e lembro como, faz tão pouco tempo, eu estaria diante de uma pilha de laudas em branco, ajeitando pelo menos duas delas na máquina de escrever, com uma folha de papel-carbono ensanduichada entre elas. Os erros eram apagados com uma sucessão de xis e as emendas feitas laboriosamente a caneta, resultando disso um texto imundo e desfavoravelmente comparável a um papiro deteriorado. Dicionário era na base do levantamento de peso e da lupa de leitura e descobrir se o nome de um sujeito era com q ou com k às vezes demandava até pesquisa telefônica. E, depois de escrever a matéria, ainda se tinha de enfiá-la num malote e rezar para que chegasse a tempo.

Hoje acho que teria dificuldade em encontrar papel-carbono para comprar, a juventude nem sabe o que é máquina de escrever, os dicionários, enciclopédias e até papiros deteriorados estão a um par de cliques de distância e tudo, de textos a ilustrações, se manda por via eletrônica. Claro, ninguém ou quase ninguém tem saudade dos velhos tempos trabalhosos, até porque não adianta e quem não gostar pode descer do bonde. E minha situação não é diferente, mas de vez em quando fico pensando em certos progressos e cá me acorrem algumas dúvidas.

Uma das vantagens atuais em que mais se fala é a possibilidade de trabalhar em casa que agora muita gente tem, em vez de se engravatar, pegar transporte ou se estressar de carro e comparecer a um escritório todos os dias. Há cada vez mais felizardos que trabalham de bermuda, sem camisa e até à beira de uma piscina, almoçam comidinha caseira e econômica, estão na vida que pediram a Deus. Mas acho que, se, em certos casos, isso é verdade, em outros nem tanto, pelo menos a longo prazo. Será que é melhor mesmo não conviver mais com colegas, não participar do bom e do educativamente chato que a convivência diária no trabalho enseja? Será que podemos mesmo dispensar, sem grande prejuízo, as amizades feitas assim, a experiência e o conhecimento que assim nos adviriam? E, se essa prática dá certo no trabalho, por que não dará na escola? Os estudantes teriam aulas pela internet, com diversas vantagens sobre o sistema atual, dispendioso e cheio de riscos, ocasionados até mesmo pela convivência com colegas violentos ou inconvenientes.

Não tenho tanta certeza dessas vantagens, como acho que pelo menos alguns de vocês também não têm. Sei de gente que dedica todas as suas horas vagas à internet, no sem-número de grupos de que se pode participar. Assim mesmo, não sobra tempo para responder à enxurrada diária de e-mails e mensagens variadas. O contato pessoal direto, já ameaçado pelo medo que temos de sair (embora também tenhamos medo de ficar em casa, a vida é dura), se torna, para a turma mais radical, um risco desnecessário, uma coisa até meio passée, quando dispomos de recursos como os programas de conversa e as webcams. Tudo muito certo, tudo muito bom, mas me incluo no time dos que acham que, nesse passo, vamos nos resignar de vez a viver em tocas e morder, se por acaso toparmos inesperadamente, um semelhante. Esse progresso para mim é retrocesso.

Assim como, do ponto de vista do leitor, tenho certeza de que encontrarei companheiros de ideal, em relação a esse negócio de máquina de ler livros, dos quais aquele em que mais se fala é o já famoso Kindle. Para quem não gosta de livros e apenas os usa porque precisa e não pode evitar, com certeza terá utilidade. Para quem tem necessidade de ler notícias apressadamente, também. E, enfim, quebrará o galho de uma porção de gente, em áreas que nem podem ser bem previstas agora.

Mas, para quem gosta de ler, como eu e vocês (se não gostassem, não estariam lendo isto aqui, achariam coisa melhor para fazer sem muita dificuldade), as trapizongas que estão criando para se ler já chegam causando perplexidade por uma razão elementar, que não pode deixar de ter ocorrido a quem quer que haja pensado um pouquinho sobre o assunto. Antes dessa tremenda invenção, qualquer um podia pegar um livro e lê-lo, tendo como equipamento indispensável, no máximo, uns óculos. De agora em diante, se a moda pegar, isso acabará sendo inviável. Escapa-me à compreensão o progresso contido num livro que requer um aparelho – e não tão baratinho assim – para ser lido, quando hoje não se precisa de nada, basta saber ler.

E já vêm aí os vooks, Deus nos valha. Os vooks são livros que também incluem outros elementos, tais como depoimentos de voz, barulhos, clipes de vídeo, peças musicais e assim por diante. Nesse caso, por que não ir logo ao cinema ou assistir a um DVD? Para que descrever cenas ou relatar episódios, se eles podem ser mostrados com o mínimo de intermediação possível? Por que escrever um livro – indagação, no meu caso pessoal, algo inquietante – e não fazer logo um filme, com todos esses elementos, que a palavra escrita não dá?

Claro, alguma coisa não tem sido bem pensada, nessa história toda. Há quem argumente que, progresso ou não, é a realidade e esta aponta na direção da obsolescência do livro . A fundamentação principal, segundo a qual o livro dá muito trabalho ao leitor, tem como derradeira consequência lógica a de que, no futuro, o que hoje se consegue com a leitura se conseguirá sem esforço, por meio de uma injeçãozinha ou da implantação de um chip no cérebro. Quanto ao trabalho, principalmente mental, que o livro dá ao leitor, pergunta-se: a ideia não era essa? Com certeza não chegarei até lá, mas antevejo o dia em que o livro impresso será apresentado como a última novidade.

Clique a seguir para ler um trecho do novo livro:

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Mais um prodígio, nada menos que monumental !

11, Outubro, 2009 at 5:02 am | In Baú de livros, Zuniversitas | 2 Comments

Garoto_domou_vento

Esta é uma daquelas excentricidades que ocorre na vida. E mais um exemplo de superação, mais um prodígio aqui postado, que vem a se somar aos do brasileiro de 13 anos que faz caricaturas como Henfil e outros grandes cartunistas do país, aos do menino-músico sulcoreano, de 11 anos, que toca magistralmente ao violão canções como as dos Beatles e outros clássicos do rock, e ao menino-engenheiro-de-SW de Cingapura, que aos 9 anos  produz sofwares para i-Phone.

Entretanto o que difere a história de William Kamkwamba é a sua origem pobre e a sua persistência e luta contra todo tipo de adversidade, a principal delas a falta de dinheiro da sua família, no Malaui, país africano pobre, sem condições de lhe dar uma educação digna.

O relato que se segue, inclusive a foto, eu vi no site Gizmodo e traduz uma lição de vida, de um menino-sonhador que virou homem em busca da liberdade que a energia podia trazer ao seu povo. Eis a história do construtor de moinhos.

Aos 14 anos, quando muitos da sua idade estavam saindo de fininho das salas de aula, ele estava se matando para conseguir entrar escondido em uma, já que a sua família não podia pagar. Como eventualmente acontece com todos os estudantes, ele foi pego. E expulso da sala. Demonstrando o tipo de homem que se tornaria, William começou a gastar os seus dias na biblioteca. Lá, ele encontrou um livro chamado “Usando Energia”:

Usando Energia descrevia como moinhos de vento poderiam ser usados para gerar eletricidade. Somente 2% dos malauianos têm acesso à energia elétrica, e o serviço é pouco confiável. William decidiu que gostaria de fazer um moinho elétrico. Iluminação na sua casa e nas outras casas da sua vila significava que as pessoas poderiam ler à noite, depois do trabalho. Um moinho para puxar água significaria uma melhora nas plantações e economia do tempo e esforço de ir buscar água. “Um moinho significava mais do que energia”, ele escreveu. “Era liberdade”.

Este livro foi o que mudou a sua vida. E isso não é um exagero. O livro realmente fez uma diferença na vida dele. Graças ao livro, e ao potencial que ele viu nas suas ideias, William começou a construir:

William revirou algumas latas de lixo e ferro-velhos para encontrar partes que pudesse usar para construir seu moinho. Com apenas algumas chaves inglesas à disposição e sem dinheiro nem para comprar parafusos, ele coletava coisas que a maioria das pessoas consideraria lixo (canos velhos de plástico, uma bicicleta quebrada, um ventilador de trator quebrado) e então montou um dínamo com elas. No lugar do ferro de solda, usou pedaço de arame rígido aquecido em fogo.

Imagine isso. Um garoto motivado pelas suas ideias e pela necessidade de construir algo que melhorasse a vida de todos, que encontrou usos para coisas que nenhum de nós veria. Como diz Mark Frauenfelder:

“Para um adulto com estudo em um país desenvolvido, projetar e construir um moinho que gere eletricidade é algo digno de orgulho. Para um garoto mal alimentado, sem estudo, vivendo em um país pobre que sofre de fome, sede, doenças, um governo cruelmente corrupto, superstições limitadoras e pouca expectativa, isso é algo de outro nível. Não é nada menos que monumental.”

Depois de terminar seu primeiro moinho, William “foi instalar quatro lâmpadas e dois rádios, além de interruptores feitos com chinelos de borracha”. Seu projeto chamou a atenção dos moradores da vila desde o início, mas neste ponto ele foi notado pela TED, Technology Entertainment Design, através da qual ele foi apresentado a indivíduos dispostos a contribuir com o seu plano de “energizar, irrigar e educar a sua vila, assim como pagar pelos seus estudos na prestigiada African Leadership Academy em Joanesburgo”.

Ele lançou um livro, “The Foy Who Narnessedd The Wind” e tem um blog, o blog do William: http://williamkamkwamba.typepad.com/ Garoto_domou_vento_Livro

Que lição podemos tirar de mais esta história de vida?

Certamente que há esperança mesmo nas situações mais difíceis, e que estamos certos sobre o poder da educação !

Clique na sequência deste post para ver um depoimento dele que coletei num blog de Moçambique (só a grande rede mesmo para nos permitir isso, essa é a parte boa da globalização das novas TIC), vela a pena dar uma lida e refletir:

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Garoto Linha Dura

18, Setembro, 2009 at 7:42 am | In Baú de livros, Piadas e causos | Leave a Comment

Sérgio Porto, mais conhecido como Stanislaw Ponte Preta, foi uma daquelas figuras inesquecíveis do Brasil – Século XX. Já deveria de muito estar aqui neste Zeducando. Antes tarde do que nunca. O criador de Tia Zulmira, do primo Altamirando e, claro, do FEBEAPA, “festival de besteira que assola o país”. Eis aqui o grande escritor, jornalista e humorista, com seu livro “Garoto Linha Dura“, delicioso. Brindo os leitores deste espaço, nesta sexta-feira, com o capítulo “Science Fiction”. Antes porém, algumas ‘máximas’ do Lalau:

  • “Capitalismo é a exploração do homem pelo homem. O Socialismo é o contrário”.
  • “O melhor da televisão é o botão de desligar”.
  • “Era desses caras que cruzam cabra com periscópio pra ver se conseguem um bode expiatório.”

SergioPorto


GarotoLinhaDura

SCIENCE FICTION

Conde, um município distante de Salvador, BA, foi abalado em seu sossego quando — de repente, não mais que de repente, como diz aquele soneto de Vinícius de Moraes — surgiu boiando em seu céu um estranho objeto. Nos últimos anos, irmãos, objeto no céu não identificado é disco voador. Aliás, minto . . . primeiro é satélite, depois é satélite tripulado por gente que está dentro dele e em terceiro então é que vem disco voador, passando a coisa a se complicar daí por diante.ScienceFiction0

As primeiras notícias chegadas a Salvador diziam que, em Conde, caíra um satélite, o que alvoroçou muito baiano e — acredito — quem não tinha o que fazer deu um puli­nho a Conde, distante quatro horas de automóvel da ca­pital. Os que não foram na primeira leva devem ter ficado arrependidos, porque pouco depois vinham notícias frescas —- no bom sentido, evidentemente — contando que era um satélite tripulado.

Quer dizer: satélite com gente dentro. Daí por diante — se não tivesse ocorrido um pequeno detalhe que deixo para relatar no fim, para não estragar a jocosidade que possa ter este escrito —, daí por diante, repito, os telegra­mas só tendiam a piorar. Povo adora novidade e quem conta um conto aumenta um ponto (esta frase não é de Tia Zulmira mas também é boazinha). Primeira notícia: um satélite. Segunda notícia: um satélite tripulado. Ora, dariam fatalmente a terceira notícia, já de Salvador, para o Rio, explicando que era disco voador de procedência ignorada, que despencara do céu, fazendo vítimas. Principalmente este pedacinho final, para dar dramaticidade: fazendo ví­timas. O telegrama seguinte já seria do Brasil para o mun­do: num pacato lugar do Estado da Bahia (Brasil) um ser estranhíssimo saltara de uma aeronave espacial de estranho formato e tentara entrar em contato com o povo da loca­lidade, desistindo logo de seu intento e voltando para a nave, que subiu e desapareceu no espaço.

Não duvidem, por favor, da possibilidade de, após a expedição desse dramático telegrama, as agencias telegrá­ficas do Brasil começarem a receber mensagens do exterior, perguntando se a imensa frota de discos voadores que descera “em um ponto qualquer do Brasil” tinha causado algum dano. E, de telegrama em telegrama, eu não dava vinte c quatro horas para jornais dos mais distantes luga­res publicarem em manchete: “Marcianos invadem a Ter­ra”. E depois o noticiário: “Desembarcaram na Bahia, Argentina, milhares de marcianos, causando mortes, in­cêndios, desmoronamentos, arrasando enfim com o lugar, desaparecendo em seguida, provavelmente para novos ataques”.

Felizmente, nada disso aconteceu. Havia um sujeito ponderado em Conde, Salvador, BA, que olhou para o objeto e explicou: — Isto aí é um balão de sondagem at­mosférica do Serviço de Meteorologia, extraviado pelo vento.

Bienal do Livro e o MSP50

10, Setembro, 2009 at 9:33 pm | In Baú de livros | 1 Comment

De hoje ao dia 20 deste mês ocorre no Rio de Janeiro a XIV BIENAL DO LIVRO. Neste evento, será lançado o livro ”MSP50 - Mauricio de Sousa por 50 artistas”. Um dos artistas é meu sobrinho Daniel Brandão. Nessa obra, 50 artistas do Brasil inteiro deram as suas versões dos personagens da Turma da Mônica com HQs autorais.

LivroMSP50

LivroMSP50_II

No mosaico, a partir do alto à esquerda: Chico Bento e Rosinha no traço de Lélis; o Astronauta por Jean Okada; Cebolinha e o Louco na versão de Jean; Cascão, Magali, Cebolinha e Mônica homenageando os Beatles por Daniel Brandão; e duas Mônicas diferentes vistas por Fido Nesti e Fernando Gonzalez

Mais informações em: 

http://judao.mtv.uol.com.br/livros-hqs/veja-a-capa-do-especial-que-reinventa-os-personagens-de-mauricio-de-sousa-por-outros-artistas/

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