O “cuenta cuentos” da América Latina

30, Novembro, 2009 at 5:18 am | In Baú de livros, Canto da poesia | Leave a Comment

EduardoGaleano Depois de ler a entrevista do escritor-cidadão latino-americano Eduardo Galeano na revista CAROS AMIGOS de novembro/2009 (nro. 152), a vondade é de reler “As Veias Abertas da América Latina” e “Nós dizemos NÃO” e correr à primeira livraria para comprar o “Espelhos”.

Inicia a entrevista espetando nossos corações quando diz sobre nossas crianças e jovens: Sinto pena das coitadas das criancinhas que vejo agora, prisioneiras na varanda de casa. Meninos ricos são tratados como se fossem dinheiro, meninos pobres são tratados como se fossem lixo. Muitos, pobres e ricos, viram prisioneiros, atados aos computadores, à televisão ou a alguma outra máquina.“.

E ai quando entra na questão das guerras nos traz dados estarrecedores quando diz: Atualmente os EUA possuem 850 bases militares em quarenta países. A metade do gasto militar mundial corresponde aos gastos de guerras dos EUA. Esse é um país em que o orçamento militar se chama orçamento de defesa por motivos, para mim, misteriosos e inexplicáveis. Porque a última invasão sofrida pelos EUA foi em 1812 e já faz quase dois séculos.“.

Sobre o terrorismo, ainda na sequência da questão anterior, criticando os que defendem ou justificam a guerra pelo seu combate coloca: Sabe quem esteve sessenta anos na lista oficial dos terroristas dos EUA? Nelson Mandela, Prêmio Nobel, presidente da África do Sul. Cada vez que viajava aos EUA, ele precisa de um visto especial do presidente dos Estados Unidos, porque era considerado um terrorista perigoso durante sessenta anos. Até 2008.“.

Passeando pela ecologia, nos recorda os índios e sua sabedoria ao dizer: É a tradição indígina mais velha e mais importante de todas: resgatar a certeza de que somos parte da natureza e todo crime executado contra a natureza se converte em suicídio, porque acaba sendo um tiro no pé da condição e do gênero humano.”.

A política do laissez-faire é igualmente criticado e só uma personalidade como a dele se permite dizer que a Rainha Vitória da Inglaterra era uma ‘narcotraficante’. E desnuda toda a velha teoria ao enfatizar: “… o livre comércio tem uma história horrível e está claríssimo que se os EUA tivessem aplicado o livre comércio logo após sua independência continuariam sendo colônia da Inglaterra. Portanto, essa identificação da liberdade do dinheiro com a liberdade das pessoas é mentirosa e inimiga da liberdade humana.”.

Brindo meus leitores com duas das três poesias publicadas na edição impressa da revista, uma que bem poderia ter o título “Sonhos Perdidos”, mas que o autor preferiu “Objetos Perdidos”, e outra sobre o Rio de Janeiro e sua saga:

OBJETOS PERDIDOS

O século XX, que nasceu anunciando paz e justiça, morreu banhado em

sangue e deixou um mundo muito mais injusto que o que havia encontrado.

O século XXI, que também nasceu anunciando a paz e a justiça, está

seguindo os mesmos passos do século anterior.

Lá na minha infância, eu estava convencido de que tudo o que na terra se

a parar na lua.

No entanto os astronautas não encontraram sonhos perdidos, nem

promessas traídas, nem esperanças rotas.

Se não estão na lua, onde estão ?

Será que na terra não se perderam ?

Será que na terra se esconderam ?

(Eduardo Galeano. Espelhos: uma história quase universal, LPM Editores)

 CRÔNICA DA CIDADE DO RIO DE JANEIRO

No alto da noite do Rio de Janeiro, luminoso, generoso, o Cristo Redentor estende os braços. Debaixo desses braços os netos dos escravos encontro amparo. Uma mulher descalça olha o Cristo, lá de baixo, e, apontando seu fulgor diz, muito tristemente:

- Daqui a pouco já não estará mais aí. Ouvi dizer que vão tirar Ele daí.

- Não se preocupe tranqüiliza uma vizinha – Não de preocupe: Ele volta.

A política mata muitos, e mais ainda mata a economia. Na cidade violenta soam tiros e tambores: os atabaques, ansiosos de consolo e de vingança, chamam os deuses africanos. Cristo sozinho não basta.

(Eduardo Galeano, Livro dos Abraços, LPM Editores)

AsVeiasAbertas           NosDizemosNAO           Espelhos

A seguir trechos da entrevista que pode ser conferida na íntegra na edição impressa.

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Paciência, a Ciência da Paz

26, Abril, 2009 at 5:08 pm | In Canto da poesia | 1 Comment

Aproveito um ensinamento de minha genitora, que insiste sempre em nos dizer para cultivarmos a Paciência, a Ciência da Paz, e volto a postar aqui, em mais um domingo, um  pensamento e uma poesia do livro do amigo João Bosco Martins, EM BUSCA DA PAZ – UM PASSO AO ENCONTRO:

Livro_Bosco1

“A importância da paciência, da sintonização com o ritmo do tempo é fundamental; quando se perde a paciência, aumenta geralmente o risco de se apelar para a violência – física, verbal ou mental. A paciência pode ser vista como a ciência da paz. ´Quem perdeu a paciência perdeu a batalha`, diz uma inscrição num murro em cidade indiana”.

Maurício Andrés Ribeiro, arquiteto, professor e escritor.

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Paciência

Ter paciência,

Focalizar a essência,

Sentir a resignação,

Não aceitar a pressão.

Fazer introspecção,

Olhar para dentro do coração,

Mergulhar-se na paz,

Relaxar, acalmar, correr atrás.

Respirar fundo,

Viver profundo,

Contar até dez,

Parar, pensar outra vez.

Não ter pressa,

Paz de espírito interessa,

A vida agradece,

Jogue fora o estresse.

Saber esperar,

Conjugar o verbo amar,

Aprender perdoar,

Alfabetizar-se com o tolerar.

Pátria amada, ensina-me a votar !

12, Abril, 2009 at 5:24 am | In Canto da poesia | 1 Comment

Mais um domingo, e mais uma poesia do livro do amigo João Bosco Martins,  EM BUSCA DA PAZ – UM PASSO AO ENCONTRO DO SER , já frequente neste espaço, aproveitem.

Ó PÁTRIA AMADA livrobosco1

Tem vereador no poder,
Eleito para ser exemplo na política,
Rápido o dinheiro o faz esquecer,
Vira mais um na lista.

Ó pátria amada, idolatrada,
Salve! Salve!
Salve-nos do mau vereador,
Ensina-nos a votar.

Tem prefeito aventureiro,
Eleito para modernizar a cidade,
Rápido beneficia o amigo empreiteiro,
Processado por improbidade.

Terra adorada, entre outras mil,
Salve! Salve!
Salve-nos do mau prefeito,
Ensina-nos a votar.

Tem deputado estadual do interior,
Eleito para fazer revolução,
Rápido abandona o eleitor,
Perderá o mandato por cassação.

Dos filhos deste solo és mãe gentil,
Salve! Salve!
Salve-nos do mau deputado estadual,
Ensina-nos a votar.

Tem deputado federal no congresso,
Eleito para lutar pelo povão,
Rápido defende o empresário de perto,
O representado fica na mão.
Salve, lindo pendão da esperança,
Salve, símbolo augusto da paz!
Salve-nos do mau deputado federal,
Ensina-nos a votar!

Tem senador em Brasília,
Eleito para representar o Estado,
Rápido só lembra da família,
Muda logo de lado.

Tua nobre presença lembrança,
A grandeza da Pátria nos traz,
Salve-nos do mau senador,
Ensina-nos a votar!

Tem governador aventureiro,
Eleito com maioria absoluta,
Rápido da escola desvia o dinheiro,
Do hospital tira a consulta.

Brava gente brasileira!
Longe vá temor servil,
Salve-nos do mau governador!
Ensina-nos a votar!

Tem presidente farsante,
Eleito com muita esperança,
Rápido sofreu impeachment,
Por não ver nada, o povo dança.

Ou ficar a Pátria livre,
Ou morrer pelo Brasil,
Salve-nos do mau presidente!
Ensina-nos a votar!

Crise, sem o “s”

5, Abril, 2009 at 5:08 am | In Canto da poesia | Leave a Comment

Esta poesia, que consta no livro do amigo João Bosco Martins,  EM BUSCA DA PAZ – UM PASSO AO ENCONTRO DO SER , anteriormente noticiado neste espaço, é bastante atual. Publico pois, neste domingo, para reflexão dos meus leitores:

C R I S E livrobosco

Crise é oportunidade

Para se mudar de vida

Para se dar credibilidade,

Para sarar ferida.

 

“Crise” fica “crie” sem o “s”

É tempo de se criar,

É tempo que fortalece,

É tempo de se levantar.

 

Crise fica “crê” sem “i” e “s”,

É hora de se crê,

É hora que se cresce,

É hora de se amadurece.

 

Tire toda força do peito,

Lute com decisão,

Encontre um outro jeito,

A resposta está em sua mão.

 

Tenha paz, fé e esperança,

Um novo dia está por vir.

A vida é cheia de abundância,

Um novo caminho há de surgir.

 

Pense, pondere e leia,

Depois vem a ação,

Na crise, crie e creia,

Breve surgirá a solução.

Linguagem pacifista – cante a paz !

22, Março, 2009 at 5:24 am | In Baú de livros, Canto da poesia | 5 Comments

capabuscadoserPaz_simbolo A poesia que compartilho com meus leitores neste domingo é de autoria do amigo João Bosco Martins e encontra-se na página 101 do livro EM BUSCA DA PAZ – UM PASSO AO ENCONTRO DO SER.

Recentemente li um texto tratando da violência embutida nas antigas cantigas infantis e que a gente nem se dá conta. Vejam que interessante ‘releitura’  das canções que ouvíamos e que cantávamos para nossos filhos:


LINGUAGEM PACIFISTA

Linguagem pacifista

Precisa ser difundida,

Na cantiga infantil,

Violência deve ser esquecida.

“Boi, boi, boi

Boi da cara preta,

Dá uma rosa essa menina

Que gosta da natureza”.

Cante a paz:

“ O cravo brincou com a rosa,

Debaixo de uma sacada,

O cravo saiu contente

E a rosa encantada”

Cante a paz:

“Marcha soldado,

Cabeça de papel

Quem marchar direito,

Vai ser feliz no quartel”.

Cante a paz:

“Samba-lelê ta contente,

Ta com a cabeça enfeitada

Samba-lelê cantava,

Com umas boas risadas”.

Cante a paz:

“Acariciei o rosto do gato to to

Mas o gato to to

Não correu réu reu

Dona Chica cá

Encntou-se se

Com o amor, com o amor que o gato me deu

Miau!”.

João Bosco Martins

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