TODA POESIA

19/05/2013 às 3:34 | Publicado em Baú de livros, Canto da poesia | Deixe um comentário
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Hoje é um dia especial. Salve Rosaninha. E como ela é neta de poeta, segue esta homenagem via Paulo Leminski, um livro que eu recomendo fortemente. DSC01209

Abaixo algumas pérolas pinçadas do livro:


toda-poesia-leminski


“Minha mãe dizia
- Ferve, água!
- Frita, ovo!
- Pinga, pia!
e tudo obedecia”


“a vida é as vacas

que você põe no rio

para atrair as piranhas

enquanto a boiada passa”


“quero a vitória

do time de várzea

valente

covarde

a derrota

do campeão

5 x 0

em seu próprio chão

circo

dentro

do pão”


“En la lucha de clases
Todas las armas son buenas
Piedras
Noches
Poemas”


“Business man
Make as many business
As you can
You will never know
Who i am
Your mother
Says no
Your father
Says never
You’ ll never know
How the strawberry fields
It will be forever”


“Acaso é esse encontro
Entre o tempo e o espaço
Mais do que um sonho que eu conto
Ou mais um poema que eu faço?”


“O tempo fica
Cada vez
Mais lento
E eu
Lendo
Lendo
Lendo
Vou acabar
Virando lenda”

A outra tese do mensalão e o julgamento de exceção

27/02/2013 às 3:31 | Publicado em Artigos e textos, Canto da poesia, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Relembrando o objetivo deste blog, a ‘provocação do pensamento’ e levando em conta a avalanche totalizante da mídia brasileira dos últimos meses com relação ao malfadado Mensalão, divulgar um livro desses faz parte da missão do ZEducando.

Sabemos que  em política não há bobos nem ingênuos. Imaginarmos Lula e o PT no poder sem fazer acordo com gente como Sarney e o seu PMDB é de uma ingenuidade a toda prova. Entendo também que pensar como os mais radicais que Lula passou para o outro lado (ou nunca saiu de lá e era cria de generais) é muito… Lembro apenas, como um grande amigo sempre enfatiza: o mundo é redondo e quanto mais se vai para a esquerda… se chega na direita !


A outra tese do mensalão e o julgamento de exceção

Desde 2006, a grande mídia conservadora tem disparado que nunca antes na história desse país observamos um esquema como o do chamado “mensalão” (Ação Penal 470), considerado por esta mesma mídia como o “maior escândalo político da história da República”.

Por Joanne Mota*


aoutra

.
Em ‘A Outra Tese do Mensalão’, de autoria de Antônio Carlos Queiroz, Lia Imanishi Rodrigues e Raimundo Rodrigues Pereira, apresenta aos leitores uma revisão do chamado escândalo do mensalão. Ao longo de suas 159 páginas, divididas em quatro artigos, os autores apontam, com fortes depoimentos, como o chamado mensalão foi construído pela mídia e está sendo sacramentado no Supremo Tribunal Federal (STF), no que é chamado de julgamento de exceção.

Com entrevistas realizadas com os principais personagens do caso, o livro esmiúça os pormenores da Ação Penal 470 e demonstra com o então presidente do Partido Trabalhista Brasileiro (PTB), Roberto Jefferson – criador da marca mensalão – articulou suas duas espetaculares entrevistas, em 2005, denotaram todo o esquema. O livro também mostra como, inicialmente, Jefferson tentou incriminar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, mas subitamente muda de ideia e transfere toda a sua fúria para José Dirceu.

Em um dos artigos publicados na obra também observamos como o contraventor Carlos Augusto de Almeida Ramos (Carlinhos Cachoeira) – preso, no início deste ano, durante a Operação Monte Carlo da Polícia Federal – está ligado ao escândalo seja pela gravação dos vídeos que deram origem às investigações, seja pelo envolvimento do contraventor no esquema de publicações que mantinha com o editor da sucursal da revista “Veja” em Brasília.

O ponto-chave do livro é mostrar como a grande mídia conservadora se impõe no debate e pressiona o Supremo Tribunal Federal a deixar de lado o que consta nos autos e ir além dos delitos cometidos. Como os autores bem colocam, “procura-se impor a tese de que foi a compra de votos o que ocorreu e não o delito de caixa dois, mais do que comprovado e confessado pelos réus”. Ao longo do texto, fica claro que os personagens que compõe esse enredo esquecem que “a verdade mora num poço e não é fácil de achá-la”, e neste caso as verdades são construídas a partir de uma corrente única, com partido, ideologia e projeto de nação.

Até a última página do livro, os autores expressam que o sentido do espetáculo, que custou a publicização de 53 sessões do julgamento da Ação Penal 470, é claramente político. Nesse sentido, mais do que nunca é preciso garantir os princípios do Estado Democrático de Direito, e fazer valer um julgamento justo baseado em provas, e não um julgamento de exceção. Por fim, em tempos de discussão pela reforma política e por transparência, nunca foi tão atual pensar e lutar por financiamento público de campanha.

*Joanne Mota é jornalista e pós-graduanda em Globalização e Cultura pela Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (Fesp-SP).

O amigo

19/02/2013 às 9:55 | Publicado em Canto da poesia | 4 Comentários
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Como hoje é um dia especial na vida deste amigo poeta, republico agora este post com a poesia “O Amigo”. Parabéns amigo, saúde e paz !


Compartilho agora com meus leitores uma poesia que me foi enviada pelo amigo Francisco Asclépio que, dentre muitas coisas boas nesta vida já feitas, decidiu ser poeta. E, pelo que conheço de sua genialidade, dos bons !

A poesia, originalmente publicada no domingo passado, sai novamente hoje alterada pelo autor: dois tercetos e um dueto no meio ! Ficou ainda melhor ? Ficou, confiram abaixo.


Asclepio

O Amigo

És distinto, nobre em espírito,
De escassa, rara imaterialidade;
Sôltas, generosas essências…

Parecias até que habitavas,
Nas minhas parcas reminiscências.

Contrastes! tuas cárneas ausências…
A ver-te, vertendo,
Tua graça e verve.

(Ascléppio Ag.)

Faz escuro, mas eu canto

18/02/2013 às 3:03 | Publicado em Artigos e textos, Canto da poesia, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Hoje faço mais um resgate aqui neste ZEducando. Agora é o poeta Thiago de Mello. E vem na pena de uma bela documentarista, Renata Rocha.

Duas ‘licenças poética apenas’:

1) onde, no Artigo 2º, o poeta diz ‘terças-feiras’ proponho que seja mesmo ‘segundas-feiras’;

2) a licença 1 acima me lembra minha saudosa e imensamente sábia e inteligente irmã Mônica que certamente se viva fosse poderia colaborar com um último artigo neste estatuto já que para ela a semana deveria ser invertida: sábado e domingo se trabalharia e os outros cinco dias seriam reservados ao descanso …). – antes de qualquer ilação que possa surgir na cabeça do leitor, esclareço que minha irmã não era baiana, era pernambucana !


THIAGO DE MELLO – UM PROFETA DA ESPERANÇA   RenataRocha

“Ainda que o gesto me doa, não encolho a mão: avanço levando um ramo de sol. Mesmo enrolada em pó dentro da noite mais fria, a vida que vai comigo é fogo“, verso do amazonense Amadeu Thíago de Mello, um dos poetas mais respeitados do Brasil, ícone da literatura, autor de inúmeras obras conhecidas mundialmente, foi tradutor de Pablo Neruda,
grande amigo e colaborador que muito contribuiu com seu trabalho. Suas obras já foram traduzidas para mais de 30 idiomas. Foi um dos intelectuais presos durante a ditadura militar.

Ganhou reconhecimento mundial como um ativista engajado na luta pelos Direitos Humanos. Exilado, fixou moradia na Argentina, Chile, Portugal, França e na Alemanha. Quando o regime militar chegou ao fim, o poeta retomou à sua cidade natal, Barreirinha no Amazonas, onde vive até hoje em contato com os povos originais da floresta em sua casa em harmonia com a natureza. A primeira obra que tive contato foi “Estatutos do Homem”, um clássico humanizador, fio condutor de uma esperança que virá e que ecoa do âmago de um homem que ainda acredita no homem e recria novos homens com suas palavras sábias, amorosas, iluminadas e cheias de ternura para aquecer nossos corações e aflorar nossa reflexão sobre um novo mundo que está por vir.

Acredito que seja quase impossível não se transformar diante da obra do profeta do saber … podem ate me chamar de utópica, pois bem – assim sou ! E que acredito no
amor incondicional, acredito na luz da verdade, acredito na justiça, acredito no novo
homem que virá, acredito que a vida tem sentido porque se não fosse assim não faria
sentido viver e acredito no Artigo 2 do Estatuto onde “fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm o direito a converte-se em manhãs de domingo”. É por isso que escrevo para vocês na prímeíra pessoa, é que a vida pode ser doce conosco, estou tentando compartílhar urn pouco de ternura com vocês leitores. Parafraseando o poeta “Faz escuro, mas eu canto”.

(Renata Rocha,  A TARDE, Salvador/BA, 05/10/2012)


Os Estatutos do Homem   thiago de mello


Artigo I

Fica decretado que agora vale a verdade. Agora vale a vida, e de mãos dadas, marcharemos todos pela vida verdadeira.

Artigo II

Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo.

  Artigo III 

Fica decretado que, a partir deste instante, haverá girassóis em todas as janelas, que os girassóis terão direito a abrir-se dentro da sombra; e que as janelas devem permanecer, o dia inteiro, abertas para o verde onde cresce a esperança.

Artigo IV  

Fica decretado que o homem não precisará nunca mais duvidar do homem. Que o homem confiará no homem como a palmeira confia no vento, como o vento confia no ar, como o ar confia no campo azul do céu.

Parágrafo único: O homem, confiará no homem como um menino confia em outro menino.

Artigo V 

Fica decretado que os homens estão livres do jugo da mentira. Nunca mais será preciso usar a couraça do silêncio nem a armadura de palavras. O homem se sentará à mesa com seu olhar limpo porque a verdade passará a ser servida antes da sobremesa.

Artigo VI 

Fica estabelecida, durante dez séculos, a prática sonhada pelo profeta Isaías, e o lobo e o cordeiro pastarão juntos e a comida de ambos terá o mesmo gosto de aurora.

Artigo VII

Por decreto irrevogável fica estabelecido o reinado permanente da justiça e da claridade, e a alegria será uma bandeira generosa para sempre desfraldada na alma do povo.

Artigo VIII

Fica decretado que a maior dor sempre foi e será sempre não poder dar-se amor a quem se ama e saber que é a água que dá à planta o milagre da flor.

Artigo IX

Fica permitido que o pão de cada dia tenha no homem o sinal de seu suor. Mas que sobretudo tenha sempre o quente sabor da ternura.

Artigo X

Fica permitido a qualquer  pessoa, qualquer hora da vida, uso do traje branco.

Artigo XI

Fica decretado, por definição, que o homem é um animal que ama e que por isso é belo, muito mais belo que a estrela da manhã.

Artigo XII

Decreta-se que nada será obrigado nem proibido, tudo será permitido, inclusive brincar com os rinocerontes e caminhar pelas tardes com uma imensa begônia na lapela.

Parágrafo único: Só uma coisa fica proibida: amar sem amor.

Artigo XIII

Fica decretado que o dinheiro não poderá nunca mais comprar o sol das manhãs vindouras. Expulso do grande baú do medo, o dinheiro se transformará em uma espada fraternal

para defender o direito de cantar e a festa do dia que chegou.

Artigo Final.

Fica proibido o uso da palavra liberdade, a qual será suprimida dos dicionários e do pântano enganoso das bocas. A partir deste instante a liberdade será algo vivo e transparente como um fogo ou um rio, e a sua morada será sempre o coração do homem.

Thiago de Mello

Santiago do Chile,  abril de 1964

THIAGO DE MELL

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