A Mentira de Fátima, ou Fátima SA
13/05/2012 às 11:25 | Publicado em Espaço ecumênico, Midiateca | Deixe um comentárioTags: igreja, religião
Vejam o que esse padre português diz sobre Fátima.
Divina comédia
05/05/2012 às 11:36 | Publicado em Espaço ecumênico, Fotografias e desenhos, Piadas e causos | Deixe um comentárioTags: humor, religião
Hoje é sábado, e o nome do site é UM SÁBADO QUALALQUER…
Dom Casmurro
03/05/2012 às 3:03 | Publicado em Baú de livros, Espaço ecumênico | 1 ComentárioTags: Literatura, religião
Corrigindo mais uma falha ‘histórica’ deste ZEducando, posto um trecho interessantíssimo de Dom Casmurro, obra de Machadinho que quem um dia passou por um banco escolar neste nosso país já deve ter lido. O porquê de eu colocar também no Espaço Ecumênico ? só lendo para ver…
TRECHO DE DOM CASMURRO – MACHADO DE ASSIS ![]()
–A vida é uma ópera e uma grande ópera. O tenor e o barítono lutam pelo soprano, em presença do baixo e dos comprimirás, quando não são o soprano e o contralto que lutam pelo tenor, em presença do mesmo baixo e dos mesmos comprimirás. Há coros a numerosos, muitos bailados, e a orquestração é excelente…
(…)
Deus é o poeta. A música é de Satanás, jovem maestro de muito futuro, que aprendeu no conservatório do céu. Rival de Miguel, Rafael e Gabriel, não tolerava a precedência que eles tinham na distribuição dos prêmios. Pode ser também que a música em demasia doce e mística daqueles outros condiscípulos fosse aborrecível ao seu gênio essencialmente trágico. Tramou uma rebelião que foi descoberta a tempo, e ele expulso do conservatório. Tudo se teria passado sem mais nada, se Deus não houvesse escrito um libreto de ópera do qual abrira mão, por entender que tal gênero de recreio era impróprio da sua eternidade. Satanás levou o manuscrito consigo para o inferno. Com o fim de mostrar que valia mais que os outros, e acaso para reconciliar-se com o céu,–compôs a partitura, e logo que a acabou foi levá-la ao Padre Eterno.
–Senhor, não desaprendi as lições recebidas, disse-lhe. Aqui tendes a partitura, escutai-a emendai-a, fazei-a executar, e se a achardes digna das alturas, admiti-me com ela a vossos pés…
–Não, retorquiu o Senhor, não quero ouvir nada.
–Mas, Senhor…
–Nada! nada!
Satanás suplicou ainda, sem melhor fortuna, até que Deus, cansado e cheio de misericórdia, consentiu em que a ópera fosse executada, mas fora do céu. Criou um teatro especial, este planeta, e inventou uma companhia inteira, com todas as partes, primárias e comprimárias, coros e bailarinos.
–Ouvi agora alguns ensaios!
–Não, não quero saber de ensaios. Basta-me haver composto o libreto; estou pronto a dividir contigo os direitos de autor.
Foi talvez um mal esta recusa; dela resultaram alguns desconcertos que a audiência prévia e a colaboração amiga teriam evitado com efeito, há lugares em que o verso vai para a direita e a música, para a esquerda. Não falta quem diga que nisso mesmo está a além da composição, fugindo à monotonia, e assim explicam o terceto do Aden, a ária de Abel, os coros da guilhotina e da escravidão. Não é raro que os mesmos lances se reproduzam, sem razão suficiente. Certos motivos cansam à força de repetição. Também há obscuridades; o maestro abusa das massas corais, encobrindo muita vez o sentido por um modo confuso. As partes orquestrais são aliás tratadas com grande perícia. Tal é a opinião dos imparciais.
Os amigos do maestro querem que dificilmente se possa achar obra tão bem acabada. Um ou outro admite certas rudezas e tais ou quais lacunas, mas com o andar da ópera é provável que estas sejam preenchidas ou explicadas, e aquelas desapareçam inteiramente, não se negando o maestro a emendar a obra onde achar que não responde de todo ao pensamento sublime do poeta. Já não dizem c mesmo os amigos deste. Juram que o libreto foi sacrificado, que a partitura corrompeu o sentido da letra, e, posto seja bonita em alguns lugares, e trabalhada com arte em outros, é absolutamente diversa e até contrária ao drama. O grotesco, por exemplo, não está no texto do poeta; é uma excrescência para imitar as Mulheres Patuscas de Windsor. Este ponto é contestado pelos satanistas com alguma aparência de razão. Dizem eles que, ao tempo em que o jovem Satanás compôs a grande ópera, nem essa farsa nem Shakespeare eram nascidos. Chegam a afirmar que o poeta inglês não teve outro gênio senão transcrever a letra da ópera, com tal arte e fidelidade, que parece ele próprio o autor da composição; mas, evidentemente, é um plagiário.
–Esta peça, concluiu o velho tenor, durará enquanto durar o teatro, não se podendo calcular em que tempo será ele demolido por utilidade astronômica. O êxito é crescente. Poeta e músico recebem pontualmente os seus direitos autorais, que não são os mesmos, porque a regra da divisão é aquilo da Escritura: “Muitos são os chamados, poucos os escolhidos”. Deus recebe em ouro, Satanás em papel.
FONTE? um grande amigo, por email (valeu Panta !)
Uma cidade para amar
29/04/2012 às 3:28 | Publicado em Artigos e textos, Espaço ecumênico | Deixe um comentárioTags: história
Esta crônica, de Aninha Franco, tem como foco a ciadde de Salvador/BA, mas valeria se fosse apenas pela evolução que ela traça e pelos efeitos das últimas revoluções que o homem passou tão bem retratados por ela.
Num fim de mundos, Roma trocou o militarismo pela teocracia, proprietária do ícone mais perene já criado, Jesus, atualmente a serviço de milhares de religiões e facções mundo afora. E com ele se alterou a contagem do tempo para antes e depois de Cristo.
UMA CIDADE PARA AMAR (Aninha Franco, A TARDE, 11/03/2012) ![]()
Talvez todo fim de século seja um fim de mundo. E o começo de outro. Em 1494, a Europa descobriu que havia a América, que nessa América viviam milhares de incas, tecas, tupis, tapuias e maias, repletos de ouro, de florestas, de rituais exóticos, o das lágrimas, o da antropofagia, o da morte, idiomas sonoros, complexos e desnudamentos apropriados. Separados pelo oceano, os invasores, ajuizados pela Igreja Católica, pela maldição do pecado e do livre-arbítrio, donos da fala da compaixão, mas usuários da pólvora matadeira, e os humanos livres, nus, ignorantes da sociedade mercantil e da culpa do pecado, hábeis e honestos nas flechas e arcos. E eles se encontraram, se mataram e se mixaram.
Em 1698, a revolução industrial tremulou num motor a vapor e extraiu água de uma mina de carvão, em Staffordshire, na Grã-Bretanha, criado por Thomas Newcomen. Ali, a escravidão perdeu força, e a criatividade humana expandiu-se, multiplicou-se e se reproduziu de tal maneira que a coisa mais difícil, mais esperada, mais desejada e querida nos dias que correm é um artesanato de feitio único. Mas não há retorno para a revolução entregue à terra no “fln-de-siêcle” do século 17, nem para os homens industriais. Num fim de mundos, Roma trocou o militarismo pela teocracia, proprietária do ícone mais perene já criado, Jesus, atualmente a serviço de milhares de religiões e facções mundo afora. E com ele se alterou a contagem do tempo para antes e depois de Cristo.
Quando estudei a Cidade do Salvador nos jornais dos anos 1920, e li as suas inquietações
com as buliçosas descobertas humanas, a televisão, o picolé, os restaurantes fora dos hotéis, ri de uma cidade velha que gostava do futuro, uma anciã festeira e assanhada. E fiquei nessa velha, a mesma velha que habito agora, na passagem da Era Analógica para
a Era Digital, última invenção do planeta, que está sendo utilizada antes que inventassem os freios para ela. Era que tem exposto a espécie humana em sua plenitude e desnecessidade, assim como a beleza, a velhice e a lentidão da Cidade da Baía que nós optamos por ocupar e que precisamos (re)mexer, além de amar.
Ecos da Páscoa – NÃO EXISTEM ATEUS NA BAHIA
22/04/2012 às 3:32 | Publicado em Espaço ecumênico | Deixe um comentárioTags: religião
Domingo, dia de reza e de oração. De pipocas, orixás e outros chás. Compartilho esse bom artigo tratando da religiosidade da Bahia, escrito por uma baiana que se diz ateia.
Um ateu baiano é que nem uma pessoa que crê em Deus: ambos têm diante de si a dura missão de convencer o mundo. O crente é desafiado a provar a vida inteira, inclusive a si, que há um Deus. Já o ateu baiano, nascido numa terra cuja capital, reza (ops) a lenda, possui uma igreja para cada dia do ano – sem contar os inúmeros templos evangélicos e terreiros de candomblé –, carrega a sina de provar que ele próprio existe. Que de fato não crê em nada, mas nada mesmo. Está lançado o desafio. Como um São Tomé do ceticismo, só acredito vendo.
Até o mais célebre ateu baiano, o comunista Jorge Amado, cujo centenário se comemora este ano, tinha sua queda pelos orixás. Todo mundo lá sabe disso: era o ateu que “simpatizava” com o candomblé. Estive no velório do escritor, em 2001. Havia uma cruz atrás do caixão. E uma senhora da Irmandade da Boa Morte, confraria afro-católica do recôncavo, que entoava cânticos, me disse: “Sabemos que ele era ateu, mas também que era do culto afro”. Não é por acaso que o título do famoso romance de sua mulher, Zélia, é “Anarquistas, Graças a Deus”. O casal Amado pertencia a um tipo bastante comum na Bahia: o “ateu-de-todos-os-santos”.
Jorge Amado chegou a exercer o posto de Obá de Xangô no Ilê Axé Opô Afonjá, o respeitadíssimo terreiro de mãe Stella de Oxóssi, no bairro do Cabula. Ser Obá, um cargo honorífico, significa ser amigo e protetor do terreiro. Ainda moço, o escritor tinha recebido do pai-de-santo Procópio seu primeiro título no candomblé, Ogã, o “guardião das chaves da casa”. Bem a propósito, uma das frases mais belas sobre a fé que conheço, de Caetano Veloso, dizem que foi inspirada em Jorge Amado: “Quem é ateu e viu milagres como eu/ Sabe que os deuses sem Deus/ Não cessam de brotar,/ Nem cansam de esperar”. Ateus baianos enxergam milagres…
Quando era adolescente, em Salvador, cismei de ser atéia, embora só tenha parado de rezar o “Santo Anjo” antes de dormir já perto dos 30. Vocês não imaginam o tanto de gozação que sofri da família: “Ih, ela agora inventou de não acreditar em Deus”, e dá-lhe risadaria. Logo eu, que era a primeira a entrar na fila dos netos que iam tomar banho de folha no sofá da sala de estar dos avós… Meu pai ainda hoje fala assim: “Sei que você não acredita em nada, mas… Aliás, como uma pessoa consegue viver sem fé nenhuma?”
Na faculdade, um professor contou a história de um amigo superateu baiano que na hora da morte se agarrou num crucifixo e começou a gritar: “Meu Deus, não me deixa morrer, eu acredito! Eu acredito!” Nestes momentos, meu ateísmo sofria sérios abalos, assim como minha fé na existência de ateus baianos. Com o tempo, fui me tornando cada vez menos atéia e a simpatizar cada vez mais com os santos, católicos e do candomblé. Como Jorge Amado, sou sincrética pacas. Não dou a mínima para Deus, mas adoro São Francisco. E Iemanjá é praticamente uma pessoa da família. Vovó costuma dizer: “Gosto muito dela!”
Me arrisco a dizer que existe uma fé ou talvez uma dúvida nata no baiano. No máximo, há baianos agnósticos. Na Bahia, mesmo o ateu que se diz ferrenho tem seu quarto dos santos no fundo da casa, carrega consigo uma medalhinha ou um patuá, toma banho de pipoca no dia de São Lázaro, “só de farra”, ou diz para a avó “a bença, vó” – “só por costume”. Como diria outro baiano, Gilberto Gil, “mesmo a quem não tem fé/ a fé costuma acompanhar/ pelo sim, pelo não…”. De onde virá isso, de nossa África ancestral? Não saberia dizer. Mistério.
Um livro que me impressionou e influenciou profundamente na vida foi uma pequena grande obra de Miguel de Unamuno, São Manuel Bueno, Mártir. É a história de um padre que esconde um segredo: não possui fé. E o martírio que se coloca é fingir aos fiéis, transmitir a eles a existência de Deus sem acreditar nela. O ateu baiano é uma espécie de São Manuel Bueno, Mártir da não-religiosidade. Todos os dias, o ateu nascido na Bahia professa sua não-fé em coisa alguma, mas dentro dele uma fagulha de crença no imaterial, no sobrenatural, no que não está ao alcance dos olhos – chame a isso sorte, acaso ou destino –, insiste em permanecer acesa.
P.S.: Como boa baiana, Semana Santa para mim é sinônimo de caruru, vatapá, moqueca, fritada de bacalhau. Tudo comida de santo! Boa Páscoa a todos.
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