ICAR x CIÊNCIA

14/05/2013 às 3:55 | Publicado em Artigos e textos, Espaço ecumênico | 2 Comentários
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Em abril de 2011 publiquei um post com o título “Diálogos entre ciência e fé”, onde cito o livro “Conversa sobre a fé e a ciência”, Frei Betto dialogando brilhantemente com Marcelo Gleiser. Retorno ao tema hoje com estes dois artigos muito bons e dignos de reflexões: “Igreja Catolica e Ciencia: uma relação complicada” e “Por que a ciência possui credibilidade ?”, o primeiro de César Grossmann e o segundo de Mustafá Ali Kanso (ambos já estiveram aqui neste ZEducando antes).


PAPA

IGREJA CATÓLICA E CIÊNCIA: UMA RELAÇÃO COMPLICADA

A Ciência e a Igreja têm uma história em comum que é longa, e às vezes bastante tumultuada. No conclave do mês de março de 2013, os Cardeais escreveram mais um capítulo nesta história, ao escolher um papa que provavelmente vai continuar a linha tradicionalista da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR).

Muito já foi conquistado em termos de avanços. Desde o tratamento dispensado a Galileu Galilei no século 17, a ICAR agora reconhece uma forma teísta de evolução cósmica e evolução biológica, mas continua se opondo a tópicos importantes como contracepção, aborto e o uso de células-tronco embrionárias.

Segundo a Afiliação Científica Americana, a evolução teísta ou criação evolucionária propõe que o método de criação usado por Deus foi projetar um universo em que tudo iria evoluir naturalmente, “evolução” aí significando Evolução Total – evolução astronômica para formar estrelas, galáxias, evolução geológica, para formar a geologia terrestre, evolução química, para formar o primeiro ser vivo, e evolução biológica, que gerou a diversidade da vida.

A ICAR é chamada por alguns como o maior patrono das ciências na história. De fato, com hospitais, observatório astronômico, e mesmo uma Academia Pontifícia de Ciências, a Igreja poderia ser considerada uma patrocinadora dos estudos científicos, mas uma olhada na história mostra que este não é sempre o caso.

No início dos anos 1600, um certo astrônomo entrou em conflito com a mesma porque apoiava a visão copernicana de que a Terra orbitava o sol.

Católico, Galileu foi julgado por heresia em 1633 pela Inquisição, e forçado a abjurar e passar o resto de seus dias em prisão domiciliar. Só 400 anos depois a ICAR pediu desculpas formais pelo tratamento concedido a ele.

A visão da Igreja sobre a evolução também tem evoluído. Sem ter tomado uma posição oficial nos primeiros cem anos, a ICAR manteve tal posição neutra até o fim dos anos 1950, quando passou a adotar uma “evolução teísta”.

Sobre aspectos da reprodução humana, como a contracepção e o aborto, o Vaticano tem assumido uma posição conservadora, rejeitando qualquer contracepção, inclusive a esterilização.

Em relação à epidemia da AIDS/HIV, a ICAR defende a monogamia e abstinência antes do casamento, condenando o uso de camisinhas. Apesar de ser um líder mundial no cuidado aos pacientes de HIV/AIDS, declarações como a do então Papa Bento XVI, de que as camisinhas pioram a epidemia de AIDS, tem atraído críticas severas dos especialistas.

No campo da pesquisa com células-tronco, a ICAR tem manifestado-se contra o uso de células embrionárias, porque crê que a vida inicia-se na concepção.

Apesar da ICAR sempre mostrar-se aberta a discussão, em certos campos, tal posição retrógrada e conservadora, afirmam cientistas, tem não só prejudicado o desenvolvimento da ciência, mas, como no caso da posição equivocada sobre AIDS e preservativos, colocado a vida das pessoas em perigo. [Live Science]


POPER

POR QUE A CIÊNCIA POSSUI CREDIBILIDADE ?

Como vimos no artigo da semana passada, Karl Popper proporciona através de seu Racionalismo Crítico um dos mais sólidos pilares para solucionar o problema da demarcação em Filosofia da Ciência, ou seja, distinguir o científico do não científico. E a essência dessa distinção está em seu célebre princípio da falseabilidade.

Em síntese, todo o conceito para ser considerado científico deve admitir em seu próprio enunciado a possibilidade de ser refutado.

Com isso a ciência resolveu um dos grandes impasses que é o argumento de autoridade. Por não atender o princípio da falseabilidade todo argumento de autoridade não é considerado científico.

Além disso, Karl Popper propõe uma solução para outra questão em Filosofia da Ciência que é o problema de indução, que procuraremos tratar de forma sucinta nesse artigo,  sem a pretensão de esgotar o tema.

O método indutivo, ou indução empírica, é o raciocínio que, após considerar um número suficiente de casos particulares por meio da observação, conclui uma verdade geral.

Parte da experiência sensível, dos dados particulares para chegar-se à generalização.

Típico das ciências naturais a indução também aparece na Matemática por intermédio da Estatística, na qual as características de alguns componentes de um conjunto são utilizadas para caracterizar todo o conjunto, estabelecendo-se aí maior o menor grau de probabilidade quanto maior for o universo de dados que possam ser utilizados na construção desse modelo. Em outras palavras, já que tantos se comportam de tal forma, é muito provável que todos se comportem assim.

Em função deste “salto” do particular ao geral, existe uma grande possibilidade de erro nos raciocínios indutivos, uma vez que basta encontrarmos uma exceção para invalidar a regra geral.

Por outro lado, é esse mesmo “salto” em direção ao provável que torna possível a descoberta, a inovação, a proposta de novos modos de compreender o mundo, bem como a generalização, tão útil em efetuar previsões de cenários futuros.

Aliás, o ser humano adora generalizações. Por isso o cuidado que se deve ter com a indução.

Vejamos a alguns exemplos:

Exemplo 1 – Amostragem

Retirando uma amostra de uma saca de arroz que foi previamente sacudida e revirada para que ficasse com composição homogênea, observou-se que aproximadamente 95% dos grãos são do tipo extrafino. Conclui-se, então, que a saca de arroz é do tipo extrafino.

Exemplo 2- Pesquisa Eleitoral

Através da amostragem de eleitores realiza-se uma pesquisa, que aponta a tendência de votação, simulando os resultados que se obteria no dia da eleição.

É evidente que a validade dos resultados dependerá da representatividade da amostra e da correta aplicação dos métodos estatísticos.

No primeiro caso poderemos encontrar alguns grãos de arroz que não se encaixam no padrão “arroz extrafino” e a pesquisa em boca de urna poderá prever como ganhador o candidato errado, embora também seja possível retirar muitos quilos de arroz que se encaixem no padrão, bem como acertar os resultados da eleição.

As conclusões obtidas por intermédio do método indutivo correspondem a uma verdade que não está contida nas premissas consideradas como hipóteses, por essa razão chega-se a conclusões que são apenas prováveis, porém muito mais gerais do que o conteúdo das hipóteses iniciais. Isso é bom ou é ruim?

O problema da indução é, portanto, proposto por uma questão filosófica que pode ser assim enunciada:

O raciocínio indutivo, ou seja, a generalização, leva ao conhecimento?

Será que afirmar acerca de todos, aquilo que foi possível observar apenas em alguns não produziria muito mais erros do que acertos?

O problema põe em evidência todas as reivindicações empíricas feitas na vida cotidiana ou por intermédio do método científico.

Assim, Popper, propõe uma solução simples ao problema da indução, que é justamente embutir em toda a afirmação científica o princípio da falseabilidade.

Em outras palavras não aceitar com credulidade qualquer generalização. Deve-se buscar pela observação e/ou experimentação pelo menos um caso que refute a afirmação e evidentemente isso obrigue a reformulação da afirmação ou a busca de novas hipóteses.

Por exemplo, ao assistir um programa do canal de compras encontramos:

“Compre o nosso chá emagrecedor! É um produto natural! Logo não faz mal à saúde!”

É fácil observar a indução: ar, alimentos e água são produtos naturais e fazem bem para saúde.

Consequentemente todos os produtos naturais fazem bem para a saúde!

Agora, aplicando o princípio da falseabilidade de Popper:

Basta encontrarmos apenas um produto natural que faça mal para a saúde que a generalização foi falseada e o problema da indução foi resolvido.

De fato: só no nosso jardim poderemos encontrar algumas plantinhas tóxicas que põe por terra o argumento do chá emagrecedor. Afinal, nem tudo que é natural faz bem para a saúde.

Como vimos anteriormente, esse princípio de falseabilidade proposto por Popper é o principal motor do Racionalismo Crítico e um dos mais sólidos pilares para a demarcação entre ciência e não ciência.

E por que é tão importante essa demarcação?

Por que a ciência possui credibilidade?

E é justamente dessa credibilidade que muitos “vendedores de chás milagrosos” querem se valer, quando procuram revestir com o manto do cientificismo suas artimanhas para explorar a ignorância e a boa fé alheias?

A meu ver, esse não é o principal foco da questão.

Essa demarcação entre ciência e não ciência é fundamental para protegermos a principal conquista histórica que temos contra o obscurantismo e a impostura: que é o pensamento crítico.

Nas palavras de Carl Sagan:

“Queremos buscar a verdade, não importa aonde ela nos leve. Mas para encontrá-la, precisaremos tanto de imaginação quanto de ceticismo. Não teremos medo de fazer especulações, mas teremos o cuidado de distinguir a especulação do fato”.

Código Divino da Vida

11/04/2013 às 3:56 | Publicado em Baú de livros, Espaço ecumênico | Deixe um comentário
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O título completo desta obra é: “CÓDIGO DIVINO DA VIDA – ative seus genes e descubra quem você quer ser!”. Pelo título já dá para imaginar o conteúdo. Quando você pensa que o livro está tratando de ciência ele trata de religião, quando pensa que é religião ele trata de ciência. Acho que o autor, o japonês Kazuo Murakami, PhD e um dos maiores geneticistas do mundo, fez de propósito. Ao ler marquei várias passagens para mim algo absurdas, como não estou com tempo para escanear o livro, já que não consegui o texto na grande rede, segue como recomendação aos meus leitores neste Baú de Livros. Vale a pena, independente do ‘credo’ ou da especialidade científica.

Observação: o autor ganhou prêmios com sua teoria do riso… ele provou que o riso modifica os genes e esses alteram o físico da pessoa, ou algo assim. Para minha pequenez de pensamento, isso é muito doido. É uma espécie de limiar entre a ciência e a religião, pois ele sempre fala em “algo maior” que gerou tudo. Para pensar: se a teoria do riso está correta, por que Fortaleza, populada pelo povo que mais sabe sorrir e fazer sorrir do mundo, é uma das capitais com mais farmácias do país ? E o que dizer doa baianos, que vivem em terra de festas e feriados eternos, e com hospitais também eternamente lotados ? – rapadura, e riso, é doce mas não é mole não…


Codigo_da_Vida

Muçulmanos

06/04/2013 às 3:54 | Publicado em Espaço ecumênico, Midiateca, Zuniversitas | 1 Comentário
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O vídeo é um pouco suspeito. Me pareceu que foi feito por algum setor da igreja católica, mas é interessante, parece que Khadafi tinha razão. E nós latinos somos responsáveis pela continuidade da cultura do atual império (os EUA) ? Triste verdade…

O filme só não explica a base dos números….digo os limites, exemplo: por que 2,11 para manter a cultura, qual a base disso ? Os muçulmanos serão os próximos dominadores ? E eu que pensava que seriam os chineses…


Para pensar !

16/03/2013 às 3:50 | Publicado em Artigos e textos, Espaço ecumênico, Fotografias e desenhos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Esse é um post ‘composto’, o desenho me foi enviado por um amigo, o texto por outro. Juntei os dois e compartilho agora com vocês porque este é o objetivo primeiro do ZEDucando: provocar o pensamento. Apesar de concordar com tudo que está aqui, não há como não me lembrar de minha mãe quando ela dizia: é tudo uma questão de fédeMAIS ou fédeMENOS !

Logica


Há alguns dias atrás, alguém vendo na mídia o ser humano na sua faceta mais deplorável: cometendo atrocidades, olhou e disse-me: “Você pode não acreditar em deus. mas no diabo você tem que acreditar, a pessoa que faz isso só pode estar endemoniada”; eu apenas olhei e fiquei pensando comigo mesmo: ´como pode-se terceirizar tantas responsabilidades, até com o diabo!

Para Pensar!

Os crentes dizem que o demônio é poderosíssimo, senhor do inferno e capaz de grandes maldades. Um ser tão poderoso assim poderia, por exemplo, incorporar em Obama e deflagrar uma guerra mundial, mas prefere ficar azucrinando frequentadores de terreiros de umbanda e brincando de entrar e sair de corpos de pessoas em cultos evangélicos. Porque será?

Cristãos, Judeus e Muçulmanos: qual a diferença entre eles?
Segundo a lenda bíblica, quando abriram a gruta onde Jesus havia sido enterrado o corpo não estava mais lá.
Cristãos são os que acreditam que Jesus ressuscitou.
Judeus são os que acham que os cristãos tiraram o corpo de lá.
Muçulmanos acham que Jesus é apenas mais um profeta e não filho de deus.
E por conta dessa diferença de opinião todos se matam até hoje.

Crentes dizem que a melhor vida é a que vem após a morte, ao lado de deus na paz da eternidade. Mas quando um papa, um cardeal ou alguma pessoa muito especial fica seriamente doente eles logo organizam “correntes de oração”, vigílias, novenas e promessas…para que a tal pessoa se recupere, ao invés de, em júbilo, saudarem a ida da pessoa para o lado de deus. Por que?

Crentes afirmam que o texto da biblia é perfeito e sagrado pois foi inspirado por deus. Mas quando citamos as passagens que mandam apedrejar adulteras, jogar bebês nas pedras ou matar pessoas que trabalham aos sábados, os crentes se calam. Por que?

A melhor maneira de se defe nder de possessões demoníacas é ser ateu. Não há registro na história da humanidade de um único ateu que tenha sido possuído por um demônio. Porque será?

Extraído de: http://www.lineuoateu.blogspot.com.br/2013/01/para-pensar.html

P.S.: Em tempo, pois pode algum incauto deduzir que crente seja uma denominação aos protestestantes, mas no texto, crente é quem crê em deus!

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