Sua senha como testamento

02/05/2012 às 3:45 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Ivan Lessa já esteve aqui antes, em dois artigos polêmicos, um sobre a recente reforma ortográfica e outro sobre o caso do prisioneiro Bradley Manning. Retorna agora com outro artigo igualmente polêmico sobre a morte na era da cibercultura. Recebi por email de um amigo, colaborador deste espaço, no qual dizia se tratar de texto da BBC Brasil (segue sem link).


BAIXADO E FORA DE LINHA (Ivan Lessa)

Quem vai herdar seus dados online e do seu computador quando você morrer?

Exatamente. Isso mesmo. Downloaded e off-line. Quer dizer, passou

desta para melhor, bateu as botas, morreu, pegou o boné, bateu com as

dez, se mandou.

Houve um tempo em que o dicionário Houaiss dava tudo issso e mais umas

graçoilas.

Está a se dizer nas palavras que dão título a este texto – baixado e

fora de linha – que, num sentido figurado, alguém deixou afinal de

batucar sua vida nas muitas milhões de páginas da entre-redes

(internet, pois não?).

Foi-se, subiu, pegou uma de “revertere ad locum tuum”, já que me

lembrei de mais três expressões populares para deixar este vale de

lágrimas (oquêi, quatro).

Como um piano de cauda abandonado num terreiro, o computador do

camaradinha em questão fica lá sozinho à espera de algo ou alguém que

vá e desvende seus segredos.

Quem manobrava o aparelho? De que redes sociais participava? Comprava

muita coisa? Seu carteiro eletrônico batia muita perna? E o que tinha

o falecido ou falecida a dizer?

Todo mundo informatizado vai um dia desses, hoje mesmo ou amanhã,

morrer – e vou logo pedindo desculpas por ser brutalmente franco.

Todo mundo informatizado não pode negar que não parou um minutinho ao

menos de googlar, ouvir musiquinha, procurar fotos de gatos jogando

futebol para considerar o que vai acontecer com seu legado histórico

cibernético. Em outras palavras, quem herdará suas vastas galerias, de

súbito vazias, onde até há pouco senhas, dados e muita sacanagem

faziam um tumulto dos diabos?

Estuda-se nos Estados Unidos a possibilidade de mudar as leis

testamentárias a fim de incorporá-las à vida online das pessoas, que,

como todos sabemos, a cada dia aumenta mais, ao contrário do que

acontece no Sudão ou na Somália, no que diz respeito à expectativa do

que, por aquelas bandas, sem ironia, também chamam de “vida”.

Forçoso nestes tempos pensar num destino a ser dado ao patrimônio

digital de Fulano ou Sicrano. É preciso, no entanto, muito cuidado.

Vem aí um Julian Assange ou hacker de publicação dúbia ou governo

totalitário abelhudo e dá todos os seus e meus plás para gente

desconhecida, a quem não tuitaríamos na net nem cumprimentaríamos na

rua.

O véu, ou “nuvem”, como vem sendo chamada, será desfeito e acabaremos

revelados, nus e sem qualquer mistério, onde começamos: na vala comum

do lápis e papel, caderninho de notas ou, com boa vontade, máquina de

escrever. Legislem-nos, pois, senhores, que isso é necessário e está

mais que na hora.

Senão, vejamos: aqui na Grã-Bretanha, os cidadãos têm cerca de £ 2,3

bi em bens digitais (mais de 6 bi de reais), o que inclui 80% da

população. Uma em 4 pessoas revelou em pesquisa recente que por volta

do ano 2020 não mais imprimirá fotos, apenas as guardará em seus

arquivos online. Três em cada 4 pessoas admitiram que suas coleções de

fotos e música digitais são, para elas, de grande valor sentimental.

21% dos britânicos calculam que armazenaram online mais de 200 libras,

ou 560 reais, em música, fotos e vídeos. Três em 10 dizem que

pretendem, por volta também do ano 2020, encaixotar online tudo que

curtem em matéria de música. E 1 em cada 10 pessoas deixará sua senha

em testamento.

Como Noel Rosa, de quem por sinal já downloadei muita coisa na “caixa

de fósqui” de meu box set, não quero choro nem vela, apenas que

marretem meu hard drive e joguem o que sobrar no Canal da Mancha. Se é

para informatizar, informatizo até o fim e debaixo da água.

diferença

I ENCONTRO SOBRE CIBERCULTURA, MOBILIDADE E PRÁTICAS EDUCATIVAS SENAC/BAHIA

20/03/2012 às 11:17 | Publicado em Zuniversitas | Deixe um comentário
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Aos interessados em informações atuais e importantes. Banner e ficha de inscrição para o evento promovido pelo Senac Bahia.

EncontroTI

Para inscrições o candidato deverá preencher o formulário constante no link abaixo, fazendo opção de palestra e/ou oficina, efetuar depósito identificado ou transferência e encaminhar através de fax ou email ficha preenchida, juntamente ao comprovante de pagamento.

FORMULÁRIO: http://www.divshare.com/download/17071814-beb

CONDIÇÃO Até 24/03/2012 De: 25/03/2011
Até: 31/03/2012
Estudantes da pós – Senac Gratuito -100%

60

Professores da Pós – Senac Gratuito -100%

60

Estudantes de outras instituições 30,00 – 50%

60

Professores 30,00 – 50%

60

Outros Profissionais 45,00 – 25%

60

Mal-educada e gagá ? A culpa é da web

01/03/2012 às 3:02 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Não adianta a gente querer se enganar. O que está colocado aqui, com o apoio de Nicolas
Carr (autor de A GRANDE MUDANÇA), é uma realidade. O mundo das novas TIC e da grande rede leva a isso…

cerebro


MAL-EDUCADA E GAGÁ ? A CULPA É DA WEB

A FORMA FRAGMENTADA COMO OBTEMOS INFORMAÇÃO DIMINUI NOSSA MEMÓRIA. E NÃO NOS CONCENTRAMOS NO QUE AS PESSOAS DIZEM

Não há duvidas de que a internet está mudando nossa maneira de pensar e nossa memória. A questão é: para melhor? Alguns dizem que a habilidade de reconhecer padrões ficou
mais avançada. Outros têm uma visão mais pessimista, como Nicholas Carr, autor do livro The Sballotus: What the Internet Is Doing to Our Brains. Ele sugere que a internet está transcodificando o nosso cérebro para uma maneira de pensar fragmentada, resultando em um poder superficial de aprendizagem.

ESTAMOS FICANDO BURROS?

Carr argumenta que, por causa dos hyperlinks, essa maneira fragmentada de pular de informação a informação diminui nossa capacidade de concentração e de aprendizagem. Notei isso há dois anos. Toda vez que pegava um livro mais difícil, lia a mesma página duas vezes. Essa distração não acontece só na hora absorver informação por meio da leitura. Acontece também quando estou escrevendo. Minhas anotações estão divididas entre três
cadernos emeu celular. Quando estou ouvindo uma palestra, tenho pena do palestrante, que tem de competir com a internet, com o Twitter, o Facebook e o e-mail. Conclusão: além de burra, fiquei mal-educada, indelicada, distraída …

Esse comportamento pode ficar pior? Pode. Com a falta de memória. Tudo bem que já estou ficando gagá por causa da idade, mas o problema não é reter pouca informação, é reter quase nenhuma informação: nomes de pessoas, filmes, livros. Nada.

Já estava para aceitar esse coma intelectual quando li um artigo no Tbe Ne’W Tork Times sobre a relação entre a internet e a memória. Segundo o autor, pesquisadores da Universidade de Colúmbia descobriram que as pessoas retêm mais informação se souberem que não há arquivo para guardar os dados aprendidos. E o que é a internet senão um arquivo gigante? Como podemos achar informação com uma simples pesquisa no Google, não nos importamos em reter nada.

Então, pelo menos não estou esquecendo tudo, estou ficando boa em recobrar informação. Mas o que acontece com dados novos que recebo a cada dia? Qual seria a cura para a inundação de dados fragmentados que está acabando com a minha capacidade de reflexão?

O meu antídoto vem em três formas: filtrar, selecionar e relaxar.

Filtrar

Com acesso a tanta informação, a melhor maneira de aprender é usar ferramentas que filtram dados. Para isso, recomendo: percolate.com, pulse para o iPad, paper.ly e tweetdeck.

Selecionar

Depois de filtrar a informação, o próximo passo é escolher dois ou três artigos mais importantes e formar opinião sobre eles. Se informação é quantidade, opinião é qualidade. Um retuíte de vez em quando é válido. Mas há pessoas que só fazem retuíte e nunca têm opinião sobre nada. O mesmo vai para aqueles que só passam links sem dizer se gostaram ou não do conteúdo.

Relaxar

Li uma vez, não me pergunte onde, tenho de pesquisar no Google, que um jornal de domingo tem mais informação que uma pessoa na idade média teria a vida inteira. Multiplique isso
por cinco outras fontes a cada dia e por 60 anos. É impossível absorver tanta informação. Então, relaxa.

(Alessandra Lariu, INFOEXAME, outubro/2011)

No mundo de hoje nada fica antigo tão rapidamente quanto o futuro

24/10/2011 às 3:11 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Em 12 de fevereiro deste ano publiquei aqui um artigo do Luiz Rossi com uma introdução que fiz sobre os ‘smart dust’. Volto agora com este artigo dele, lido numa revista de bordo, onde faço o seguinte destaque:

Espera-se que em 2015 os computadores tenham a potência do cérebro de um rato, em 2023 do cérebro humano e, em 2045, a de todos os cérebros humanos reunidos


computador_cerebro


O PROGRESSO TECNOLÓGICO É EXPONENCIAL

ORITMO DO CRESCIMENTO TECNOLÓGICO QUE OCORREU NO MUNDO APÓS A SEGUNDA GUERRA MUNDIAL É O MAIOR JÁ EXPERIMENTADO PELA HUMANIDADE. No entanto, a aceleração desse processo tem nos feito pensar até onde podemos chegar. Nos últimos 50 anos o homem produziu a mesma quantidade de conhecimento relativa aos 5 mil anteriores; e esse número duplicará nos próximos 26 meses. Hoje já existem 5 bilhões de dispositivos conectados na web, 600 milhões de pessoas participando das redes sociais, números esses em crescimento avassalador. Velocidade é justamente a questão-chave. O progresso tecnológico cresce a velocidades exponenciais. A humanidade levou 8 mil anos da revolução agrícola até a revolução industrial no século XVIII. Depois foram 120 anos para a invenção
da lâmpada elétrica, 90 anos para chegarmos à Lua, 22 anos para a invenção da Internet e 9 anos para ter o genoma humano sequenciado. Estamos acostumados a entender o mundo à nossa volta como que se movendo numa velocidade linear, não exponencial e por isso talvez seja tão difícil entender o que ela significa. Um smartphone atual possui um milionésimo do tamanho, um milionésimo do preço e 1000 vezes mais potência que um computador de
grande porte de 40 anos atrás. À medida que a Lei de Moore, que define que o número de transistors que se consegue colocar num microchip dobra a cada 2 anos, continua válida e impulsionando o desenvolvimento dos computadores, o que podemos esperar para daqui a 40 anos? Muito mais do que podemos imaginar. Por conta dessa progressão exponencial, a potência dos computadores cresce mais a cada hora do que nos últimos 90 anos, desde
que Charles Babbage criou o primeiro computador mecânico no início do século passado. Espera-se que em 2015 os computadores tenham a potência do cérebro de um rato, em 2023 do cérebro humano e, em 2045, a de todos os cérebros humanos reunidos. Isso significa que uma potência computacional nunca antes imaginada estará a nossa disposição em alguns anos, impactando profundamente o cotidiano. Uma das aplicações mais interessantes na atualidade é o tradutor instantâneo de línguas. Já existem tradutores usados na guerra
do Afeganistão pelos soldados americanos, mas ainda são muito rudimentares. À medida que a potência dos computadores se aproxima à do cérebro humano, será possível desenvolver
tradutores que possam fazer as mesmas associações cognitivas realizadas pelo homem e que são fundamentais para o processo de tradução. Não está longe o dia em que, ao comprarmos uma viagem de férias para a costa da Croácia, receberemos junto com o pacote de férias um “botton” tradutor Português-Croata que, em tempo real, traduzirá todas as conversas, fazendo com que a interação com a população local seja uma experiência única. Essa
tecnologia transformará a indústria turística mundial, a migração no mercado de trabalho internacional e o estudo de línguas estrangeiras nas escolas, ou até mesmo acabe com a primazia do inglês como idioma universal.

Escalas exponenciais não são naturais para o ser humano, mas é bom começarmos a nos reinventar porque assim será o nosso planeta. No mundo de hoje nada fica antigo tão rapidamente quanto o futuro.

(José Luiz Rossi)

Discernimento.com

23/10/2011 às 3:44 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Um texto de 16 de agosto que eu li numa revista de bordo da Avianca, excelente. O autor é pessimista ? Ou será que é realista ? Destaques:

falta de credibilidade da maioria das informações e opiniões dadas em blogs e enciclopédias virtuais.

… dificuldade de foco de uma geração que só dá valor ao imediato e ao interativo, em prejuízo do passado e da independência.

… “armadilha” das redes sociais, em que a informação vem fora de contexto e os contatos tomam o lugar dos convívios.

escolas mal participam desse mundo, lentas e lineares; a mídia só sabe reforçar os estigmas da aparência e do consumo; e o sonho das crianças, alimentado pelos pais, é terem fama e jamais serem contrariadas.


DISCERNIMENTO.COM (Daniel Piza)

O fenômeno da internet e da explosão de informações tem motivado cada vez mais reflexões, em especial de jornalistas e ensaístas. Em O Culto do Amador Andrew Keen mostrou a falta de credibilidade da maioria das informações e opiniões dadas em blogs e enciclopédias virtuais. Em Blur, ainda não lançado no Brasil, Bill Kovach e Tom Rosenstiel falam sobre a dificuldade de foco de uma geração que só dá valor ao imediato e ao interativo, em prejuízo do passado e da independência. Também recentemente, no jornal The New York Times, Bill Keller escreveu sobre a “armadilha” das redes sociais, em que a informação vem fora de contexto e os contatos tomam o lugar dos convívios.

Kovach e Rosenstiel dizem que “em três anos se produz no século XXI mais informações do que nos últimos 300 mil anos”, sem explicar direito os critérios da conta. O fato é que um rapaz de 14 anos hoje pode ter acesso a uma massa de informações a que nem mesmo um Bertrand Russell podia ter acesso havia cerca de cem anos. Mas, dizem os autores, os leitores atuais não têm aquilo que Russell tinha de sobra: habilidades analíticas. Não têm nem sequer aquelas necessárias para absorver dados e notícias de modo crítico, cético, sem o deslumbramento e o modismo que parecem cada vez mais dar o tom, como se vê na cultura de celebridades.

“O maior hiato de informação no século XXI não é entre quem tem internet e quem não tem”, escreve a veterana dupla de jornalistas americanos. “É entre aqueles capazes de criar conhecimento e aqueles que só reafirmam preconceitos, sem desenvolvimento e aprendizado.” As pesquisas mais recentes sobre as atividades na rede mundial de computadores comprovam que mais de 90% delas se referem à troca de mensagens em redes sociais, emails e interação; menos de 10% são compartilhamento de conteúdo, ou seja, o uso dessa maravilhosa ferramenta de pesquisa e conhecimento. Ser conectado não é ser mais bem informado, muito menos bem formado.

Isso não significa pintar um apocalipse cultural. Keen, Kovach, Rosenstiel e Keller são usuários vorazes da Web, escrevem em blogs e twitters, interagem com os leitores e sabem que sua vida se divide em a.G. e d.G., antes do Google e depois do Google. Mas, por isso mesmo, estão preocupados com os usuários de amanhã, que talvez não tenham a mesma capacidade de discernimento para encontrar figuras e relevos na mancha informativa. As escolas mal participam desse mundo, lentas e lineares; a mídia só sabe reforçar os estigmas da aparência e do consumo; e o sonho das crianças, alimentado pelos pais, é terem fama e jamais serem contrariadas. Grandes transformações sempre trazem grandes desafios

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