Médicos cubanos no Brasil ?

21/05/2013 às 11:30 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Sobre esta recente polêmica eu ainda não havia postado nada. Segue agora este artigo de Frei Betto. A caravana da HIstória vai continuar seu caminho, independente do ladrar ou não dos cães ! (os grifos são meus)

Quem dera que, um dia, o Brasil possa expor em suas cidades este outdoor que vi nas ruas de Havana: “A cada ano, 80 mil crianças do mundo morrem de doenças facilmente tratáveis. Nenhuma delas é cubana”.

FreiBetto


Médicos cubanos no Brasil ?

Se não chegam médicos cubanos, o que dizer à população desassistida de nossas periferias e do interior? Que suporte as dores? Que morra de enfermidades facilmente tratáveis? Que peça a Deus o milagre da cura?
Frei Betto – Brasil de Fato – 17/05/2013
O Conselho Federal de Medicina (CFM) está indignado frente ao anúncio da presidente Dilma de que o governo trará 6.000 médicos de Cuba, e outros tantos de Portugal e Espanha, para atuarem em municípios carentes de profissionais da saúde. Por que aqui a grita se restringe aos médicos cubanos? Detalhe: 40% dos médicos do Reino Unido são estrangeiros.

Também em Portugal e Espanha há, como em qualquer país, médicos de nível técnico sofrível. A Espanha dispõe do 7º melhor sistema de saúde do mundo, e Portugal, o 12º. Em terras lusitanas, 10% dos médicos são estrangeiros, inclusive cubanos, importados desde 2009. Submetidos a exames, a maioria obteve aprovação, o que levou o governo português a renovar a parceria em 2012.

Ninguém é contra o CFM submeter médicos cubanos a exames (Revalida), como deve ocorrer com os brasileiros, muitos formados por faculdades particulares que funcionam como verdadeiras máquinas de caça-níqueis.

O CFM reclama da suposta validação automática dos diplomas dos médicos cubanos. Em nenhum momento isso foi defendido pelo governo. O ministro Padilha, da Saúde, deixou claro que pretende seguir critérios de qualidade e responsabilidade profissionais.

A opinião do CFM importa menos que a dos habitantes do interior e das periferias de nosso país que tanto necessitam de cuidados médicos. Estudos do próprio CFM, em parceria com o Conselho Regional de Medicina de São Paulo, sobre a “demografia médica no Brasil”, demonstram que, em 2011, o Brasil dispunha de 1,8 médico para cada 1.000 habitantes.

Temos de esperar até 2021 para que o índice chegue a 2,5/1.000. Segundo projeções, só em 2050 teremos 4,3/1.000. Hoje, Cuba dispõe de 6,4 médicos por cada 1.000 habitantes. Em 2005, a Argentina contava com mais de 3/1.000, índice que o Brasil só alcançará em 2031.

Dos 372 mil médicos registrados no Brasil em 2011, 209 mil se concentravam nas regiões Sul e Sudeste, e pouco mais de 15 mil na região Norte.

O governo federal se empenha em melhorar essa distribuição de profissionais da saúde através do Provab (Programa de Valorização do Profissional de Atenção Básica), oferecendo salário inicial de R$ 8 mil e pontos de progressão na carreira, para incentivá-los a prestar serviços de atenção primária à população de 1.407 municípios brasileiros. Mais de 4 mil médicos já aderiram.

O senador Cristovam Buarque propõe que médicos formados em universidades públicas, pagas com o seu, o meu, o nosso dinheiro, trabalhem dois anos em áreas carentes para que seus registros profissionais sejam reconhecidos.

Se a medicina cubana é de má qualidade, como se explica a saúde daquela população apresentar, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), índices bem melhores que os do Brasil e comparáveis aos dos EUA?

O Brasil, antes de reclamar de medidas que beneficiam a população mais pobre, deveria se olhar no espelho. No ranking da OMS (dados de 2011), o melhor sistema de saúde do mundo é o da França. Os EUA ocupam o 37º lugar. Cuba, o 39º. O Brasil, o 125º lugar!

Se não chegam médicos cubanos, o que dizer à população desassistida de nossas periferias e do interior? Que suporte as dores? Que morra de enfermidades facilmente tratáveis? Que peça a Deus o milagre da cura?

Cuba, especialista em medicina preventiva, exporta médicos para 70 países. Graças a essa solidariedade, a população do Haiti teve amenizado o sofrimento causado pelo terremoto de 2010. Enquanto o Brasil enviou tropas, Cuba remeteu médicos treinados para atuar em condições precárias e situações de emergência.

Médico cubano não virá para o Brasil para emitir laudos de ressonância magnética ou atuar em medicina nuclear. Virá tratar de verminose e malária, diarreia e desidratação, reduzindo as mortalidades infantil e materna, aplicando vacinas, ensinando medidas preventivas, como cuidados de higiene.

O prestigioso New England Journal of Medicine, na edição de 24 de janeiro deste ano, elogiou a medicina cubana, que alcança as maiores taxas de vacinação do mundo, “porque o sistema não foi projetado para a escolha do consumidor ou iniciativas individuais”. Em outras palavras, não é o mercado que manda, é o direito do cidadão.

Por que o CFM nunca reclamou do excelente serviço prestado no Brasil pela Pastoral da Criança, embora ela disponha de poucos recursos e improvise a formação de mães que atendem à infância? A resposta é simples: é bom para uma medicina cada vez mais mercantilizada, voltada mais ao lucro que à saúde, contar com o trabalho altruísta da Pastoral da Criança. O temor é encarar a competência de médicos estrangeiros.

Quem dera que, um dia, o Brasil possa expor em suas cidades este outdoor que vi nas ruas de Havana: “A cada ano, 80 mil crianças do mundo morrem de doenças facilmente tratáveis. Nenhuma delas é cubana”.

(Frei Betto é escritor, autor de “O que a vida me ensinou”, que a editora Saraiva faz chegar esta semana às livrarias)

O que é Criacionismo ?

21/05/2013 às 3:33 | Publicado em Artigos e textos, Espaço ecumênico | Deixe um comentário
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É tudo, menos Ciência. E a Ciência prevalece sempre ! Confiram neste artigo.

(fonte: World Evolucion)


CRIACIONISMO NÃO É CIÊNCIA

O que é Criacionismo?

Há duas vertentes do criacionismo. O criacionismo clássico, que é a crença de que a criação da vida, do universo e tudo mais ocorreu exatamente como se encontra relatada na Bíblia. Ou seja, o criacionismo clássico consiste em acreditar que o deus cristão, Jeová, criou os animais exatamente da maneira que eles são hoje.

O “neo-criacionismo”, também chamado de “design inteligente”, é a crença de que é impossível explicar certas características dos seres-vivos através do evolucionismo, sendo indubitavelmente necessária a intervenção de uma “causa inteligente” para essa explanação. Ou seja, seus seguidores acreditam que tem “a mão de deus” em todos os processos que culminaram nos seres vivos e no universo tais quais são conhecidos atualmente.

A Escalada Criacionista

O criacionismo está, infelizmente, muito em pauta nos dias atuais, principalmente pela força (lê-se montanhas de dinheiros de fiéis fanáticos) de algumas igrejas evangélicas. O que elas querem? Querem que o criacionismo seja ensinado nas escolas nas aulas de ciências.

Apesar do assunto ser atual, o empenho dos crentes é antigo. Nos Estados Unidos, onde a maioria da população é protestante, sempre houve tentativas de derrubar o ensino da evolução, baseada na obra “A Origem das Espécies” de Charles Darwin, para se ensinar o Criacionismo. Como muitos alunos estavam sendo expostos aos argumentos evolucionistas nas escolas no fim da década de 1910 e início da década de 1920, foi aprovada, no Tennessee, a Lei Butler, que proibia o ensino da evolução humana nas escolas do estado, com medo que a compreensão das pessoas sobre como chegamos a ser o que somos hoje desvirtuasse a crença religiosa cristã. Em 1981 foi aprovada uma lei na Louisiana que garantia o ensino do criacionismo juntamente com o evolucionismo.

O termo “design inteligente” se popularizou com o livro “Of Pandas and People”, que defendia o ensino do criacionismo juntamente com o evolucionismo.

Os criacionistas, até meados do século XIX, não tinham problemas em manter que o que está escrito na Bíblia, em termos do surgimento do homem e das espécies, é a verdade, visto que a ciência ainda não tinha um modelo aceitável sobre o assunto. Com a publicação de “A Origem das Espécies”, em 1859, surgia uma maneira simples e elegante que podia explicar, passo por passo, a evolução de todos os seres vivos. Através de um meticuloso trabalho de décadas, Darwin, pela primeira vez na história da humanidade, demonstra que a existência das espécies, tais quais existem hoje, pode ser explicada cientificamente, sem a necessidade de uma intervenção divina e/ou inteligente.

Cabe aqui a observação de que os criacionistas tentam dissuadir o fato de que o design inteligente é uma adaptação do criacionismo clássico para que esse possa ser ensinado nas aulas de ciência. Eles afirmam que a “força sobrenatural” poderia ser qualquer entidade de qualquer religião, tudo isso para tornar a falácia criacionista cosmopolita e ser mais aceita, tirando seu vínculo a apenas uma religião, o que poderia acarretar em argumentos de que estar-se-ia dando preferência aos cristãos. Apesar dessa negativa de vínculo, o livro “Of Pandas and People”, em seu rascunho, teve a palavra “creationists” sistematicamente substituída pelo termo “design proponents”; essa trama foi revelada através da observação de uma mistura das duas palavras, creationist e design proponents, que saiu como “cdesign proponentsists” (c[reation] proponents[ists]). Ou seja, escreveram o livro inteiro com a palavra “creationists” e só depois tiveram a ideia de desvinculá-la ao criacionismo, foram no word, apertaram Ctrl+U e substituíram, tudo muito simples. Após essa evidência, a farsa da segregação das duas teorias ficou insustentável.

A publicação de Darwin, obviamente, foi polêmica. Com o passar dos anos, estudos e descobertas davam cada vez mais credibilidade ao evolucionismo, o fortificando. Amplamente aceito, o evolucionismo foi sendo ensinado nas escolas, o que foi visto com maus olhos às pessoas mais fundamentalistas cristãs, que temiam que seus filhos parassem de crer em Deus pelo conhecimento da evolução darwinista. Também, como o evolucionismo descreditava uma interpretação literal do texto bíblico, interpretação esta que era (e ainda é) seguida por várias vertentes do protestantismo, buscou-se, de várias maneiras, proibir o ensino evolucionista nas escolas.

Mas com novas descobertas, como o advento da genética e da biologia molecular, o evolucionismo foi sendo progressivamente sedimentado e aceito por toda comunidade científica. Com o evolucionismo consolidado nos dias atuais, sendo, assim, praticamente impossível destituir seu ensino em estados laicos, os criacionistas tiveram que se adaptar, tal como os organismos através da seleção natural, para sobreviver. Assim, o criacionismo surgiu com o “design inteligente”, dizendo que há certas características nos seres vivos que a evolução não explica adequadamente e que a introdução de uma inteligência superior é indispensável para sua elucidação.

Por que o Criacionismo não é Ciência?

Primeiro, temos que caracterizar o que é ciência. Ciência é, basicamente, a aquisição de conhecimento através da utilização do método científico.

O método científico consiste na união de determinados elementos para que se garanta a produção de um novo conhecimento. Para que se produza o conhecimento científico deve-se, então, seguir os seguintes passos, na determinada ordem: observar (definir o problema), recolher dados, propor uma hipótese, realizar uma experiência controlada para testar a validade da hipótese (princípio da falseabilidade), analisar os resultados, interpretar os dados e tirar conclusões, o que serve para a formulação de novas hipóteses.

Toda produção científica deve-se iniciar com a observação do fenômeno e, sucedendo a essa observação, deve-se recolher dados sobre ela para então propor uma hipótese. Depois vem o princípio da falseabilidade, que significa que a hipótese deve poder ser refutada, testada. Por fim deve-se analisar os resultados desse teste/contestação, para se chegar a conclusões através da interpretação dos dados adquiridos.

A hipótese de Darwin é que os animais evoluem através da seleção natural. Isso pode ser testado. Por exemplo: cultive uma grande população de bactérias num meio apropriado e depois aplique um antibiótico fraco, as adaptadas previamente sobreviverão e se multiplicarão, enquanto as outras não. Teremos então uma população inteira de bactérias resistente a determinado antibiótico. A constante seleção desses seres culminará em indivíduos bastante diferentes dos observados inicialmente. Uma característica aparentemente inútil, no início, tornou-se vital.

Não é apenas em organismos microscópicos que se pode constatar a adaptação de um ser vivo através da seleção natural. Animais introduzidos a algum tempo em ambientes diferentes apresentam modificações morfológicas facilmente identificáveis, como é o caso do coelho-selvagem australiano, que foi trazido da Europa, e hoje apresenta diferença quanto ao tamanho corporal, peso e tamanho das orelhas, devido ao clima quente e seco que encontrou. Outros exemplos são o I’iwi, uma ave havaiana que teve seu bico encurtado a partir do momento que sua fonte predileta de néctar começou a desaparecer e ela teve que procurar seu néctar em outros locais; e o Caramujo da Nova Inglaterra, que teve o formato e a espessura de sua casca modificada, provavelmente em resposta à predação pelos caranguejos.

Enquanto o evolucionismo respeita toda sistemática e metodologia científica, o criacionismo não. O “design inteligente” não respeita o princípio da falseabilidade, ele não pode ser testado. A estratégia criacionista para fazer valer sua “teoria” é tentar mostrar que há “falhas” na evolução. Aí fiquemos atentos à perspicácia dos elaboradores, os auto-intitulados (ctrl+U no word agora) “design propentists”. Eles tomam como verdade, sem nenhum argumento científico válido, que há uma dualidade na qual apenas o evolucionismo e o criacionismo são possíveis, sendo que um fator desfavorável a um é definitivamente um fator favorável a outro; em poucas palavras, se não é X é Y. Mas isso está longe de realidade. Eles utilizam essa estratégia simplesmente porque ela é estritamente necessária. Como eu disse anteriormente, o criacionismo não pode ser testado, ele não possui base científica válida, então a única maneira de fazê-lo parecer possível é através destas distorções. Já o evolucionismo tem raízes científicas fortes, ele nasceu da ciência pura, e não do sobrenatural, ele está livre das amarras da ignorância e da malícia para fazer valer seu argumento. Essa situação já mostra a colossal fragilidade do argumento criacionista.

Assim sendo, quaisquer argumentos apresentados pelos criacionistas contra a evolução não podem, de maneira alguma, ser tomados como evidência do “design inteligente”.

E o mais importante: onde estão as evidências de que algo sobrenatural age ou agiu nos seres vivos? Onde estão os fatos que mostram isso? Como podemos identificá-los? Como mostrar que uma inteligência ultraevoluída criou os animais que conhecemos do jeito que eles são? Carl Sagan já dizia, alegações extraordinárias exigem provas extraordinárias. E mais: o fato de algo assim interagindo com todos os seres vivos explicaria qualquer coisa. Qual a diferença de algo que não podemos ver, que não podemos detectar, que não podemos sentir, que não podemos observar, que não podemos identificar sequer o mínimo sinal através de estudos minuciosos (e até moleculares e atômicos) de algo inexistente? O que explica tudo não explica nada.

Estratégias dos Criacionistas


Mesmo assim há um esforço colossal por parte dos (ctrl+U no word) “design propentists”, através de distorções de várias ciências, para tentar “enfraquecer” o evolucionismo. Entre os esforços mais notáveis, temos a falácia da “complexidade irredutível” e da “complexidade especificada”, sendo ambos “argumentos” já, há tempos, refutados.

A “complexidade irredutível” diz que há, por exemplo, orgãos tão complexos que seria impossível serem criados aos poucos, pois a remoção de qualquer um dos elementos que o formam o destituiria de sua função básica. Baseada na “complexidade irredutível”, um órgão que se tornou bastante popular é o olho humano. Os criacionistas afirmam que o olho é muito complexo e que, retirando qualquer uma de suas “partes” ele não “funciona”. Portanto, o olho seria impossível de ser criado pela seleção natural, por ser muito complexo, e não poderia ter evoluído aos poucos porque tudo o que o forma é essencial. Mas aí está a distorção, nem todas as funções do olho que nós possuímos foram sempre necessárias. A evolução do olho está bem estabelecida, basta estudar zoologia. Desde o ocelo das planárias, que só são capazes de identificar a presença e a intensidade da luz, passando por outros olhos mais desenvolvidos como dos invertebrados, até chegar nos vertebrados, através dos peixes, répteis etc. Todo esse estudo revela uma lenta adaptabilidade e evolução dos olhos. Não à toa, a “complexidade irredutível” já foi refutada em artigos de pesquisa e rejeitada pela comunidade científica em geral.

A “complexidade especificada” é ainda mais esdrúxula, ela afirma, basicamente, que algo que tem uma complexidade específica tal que seria muito improvável ocorrer ao acaso, ela seria identificada então como intelegente e, assim sendo, seria originada por uma entidade inteligente. Ela dizia que a complexidade das “mensagens” transmitidas pelo DNA eram complexas o suficiente para que fosse comprovadamente originária de um ser inteligente. Ela até define um valor limite de que qualquer coisa com menos de 1 em 10150 chance de ocorrer naturalmente, é proveniente de uma força sobrenatural. Sim, o argumento é esse, é tautologia. O criador do termo, matemático, filósofo, e teólogo William Dembski, apenas escolheu arbitrariamente um número e decidiu que seria assim. É assim porque ele quer e ponto, sem nenhuma base científica. Obviamente, esse termo é totalmente rejeitado pela comunidade científica.

Mais estratégias são utilizadas pelos criacionistas para fazer com que o “design inteligente” seja ensinado nas aulas de ciências. Uma delas é tentar fazer com que a evolução pareça uma teoria em crise, enquanto que, na verdade, como eu já disse e mostrei, ela só vem ganhando mais e mais força e está totalmente consolidada na ciência. Outra é dizer que a evolução é só uma teoria, havendo outras explicações pertinentes; eu já mostrei aqui que o criacionismo não é uma destas explicações, e mais, não é apenas uma teoria, cabe aqui a frase de Dobzhansky de que nada faz sentido em biologia a não ser à luz da evolução: sem a evolução seria impossível explicar o porquê do mundo vivo ser como é.

Outra estratégia que utilizam é de que o ensino deve ser democrático e que, se é ensinada a evolução, deve-se dar a liberdade para que também se ensine o criacionismo. Essa é uma falácia pois, como eu já demonstrei, e como tribunais nos Estados Unidos já julgaram, e como cientistas já rejeitaram, o criacionismo não é ciência, não possui nenhum argumento válido e, assim sendo, não há porque ensiná-lo justamente na aula de ciências. Essa falácia põe o criacionismo no mesmo nível que o evolucionismo, o que é uma mentira.

A Ciência Prevalece

Apesar de todos argumentos contrários, o poder da crença fanática, da ignorância e do dinheiro é forte. Os criacionistas seguem tentando, a todo custo, inserir o ensino do “design inteligente” nas aulas de ciência. Em algumas escolas respeitáveis, como o Mackenzie, isso já é realidade, por incrível que pareça. A esposa do Garotinho tentou instituir o criacionismo nas escolas públicas do Rio de Janeiro quando foi governadora, mas não obteve sucesso. Mesmo assim, o criacionismo, após algumas derrotas recentes, está aparentemente adormecido, mas educadores e cientistas só estão esperando uma nova formulação fantástica para um novo ataque.

O criacionismo já não é científico desde o início: ele parte já da “certeza”, já parte da ideia de que há uma inteligência que “guia”. O criacionismo é uma ânsia de pessoas desesperadas que possuem uma crença tão fraca em seu deus a ponto de poder ser destruída através de constatações verídicas que se faz na natureza. O criacionista  tem uma crença tão frágil que precisa modificar, sabotar e distorcer fatos provados para que ele possa manter seu mundo. O deus do criacionista é tão impotente que o fato de existir processos pelos quais os seres vivos evoluíram o condena a inexistência.

Como escreveu Darwin, “enorme é o poder da distorção constante; porém, a história da ciência mostra que, felizmente, este poder não resiste muito tempo”. E a ciência prevalece.

ICAR x CIÊNCIA

14/05/2013 às 3:55 | Publicado em Artigos e textos, Espaço ecumênico | 2 Comentários
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Em abril de 2011 publiquei um post com o título “Diálogos entre ciência e fé”, onde cito o livro “Conversa sobre a fé e a ciência”, Frei Betto dialogando brilhantemente com Marcelo Gleiser. Retorno ao tema hoje com estes dois artigos muito bons e dignos de reflexões: “Igreja Catolica e Ciencia: uma relação complicada” e “Por que a ciência possui credibilidade ?”, o primeiro de César Grossmann e o segundo de Mustafá Ali Kanso (ambos já estiveram aqui neste ZEducando antes).


PAPA

IGREJA CATÓLICA E CIÊNCIA: UMA RELAÇÃO COMPLICADA

A Ciência e a Igreja têm uma história em comum que é longa, e às vezes bastante tumultuada. No conclave do mês de março de 2013, os Cardeais escreveram mais um capítulo nesta história, ao escolher um papa que provavelmente vai continuar a linha tradicionalista da Igreja Católica Apostólica Romana (ICAR).

Muito já foi conquistado em termos de avanços. Desde o tratamento dispensado a Galileu Galilei no século 17, a ICAR agora reconhece uma forma teísta de evolução cósmica e evolução biológica, mas continua se opondo a tópicos importantes como contracepção, aborto e o uso de células-tronco embrionárias.

Segundo a Afiliação Científica Americana, a evolução teísta ou criação evolucionária propõe que o método de criação usado por Deus foi projetar um universo em que tudo iria evoluir naturalmente, “evolução” aí significando Evolução Total – evolução astronômica para formar estrelas, galáxias, evolução geológica, para formar a geologia terrestre, evolução química, para formar o primeiro ser vivo, e evolução biológica, que gerou a diversidade da vida.

A ICAR é chamada por alguns como o maior patrono das ciências na história. De fato, com hospitais, observatório astronômico, e mesmo uma Academia Pontifícia de Ciências, a Igreja poderia ser considerada uma patrocinadora dos estudos científicos, mas uma olhada na história mostra que este não é sempre o caso.

No início dos anos 1600, um certo astrônomo entrou em conflito com a mesma porque apoiava a visão copernicana de que a Terra orbitava o sol.

Católico, Galileu foi julgado por heresia em 1633 pela Inquisição, e forçado a abjurar e passar o resto de seus dias em prisão domiciliar. Só 400 anos depois a ICAR pediu desculpas formais pelo tratamento concedido a ele.

A visão da Igreja sobre a evolução também tem evoluído. Sem ter tomado uma posição oficial nos primeiros cem anos, a ICAR manteve tal posição neutra até o fim dos anos 1950, quando passou a adotar uma “evolução teísta”.

Sobre aspectos da reprodução humana, como a contracepção e o aborto, o Vaticano tem assumido uma posição conservadora, rejeitando qualquer contracepção, inclusive a esterilização.

Em relação à epidemia da AIDS/HIV, a ICAR defende a monogamia e abstinência antes do casamento, condenando o uso de camisinhas. Apesar de ser um líder mundial no cuidado aos pacientes de HIV/AIDS, declarações como a do então Papa Bento XVI, de que as camisinhas pioram a epidemia de AIDS, tem atraído críticas severas dos especialistas.

No campo da pesquisa com células-tronco, a ICAR tem manifestado-se contra o uso de células embrionárias, porque crê que a vida inicia-se na concepção.

Apesar da ICAR sempre mostrar-se aberta a discussão, em certos campos, tal posição retrógrada e conservadora, afirmam cientistas, tem não só prejudicado o desenvolvimento da ciência, mas, como no caso da posição equivocada sobre AIDS e preservativos, colocado a vida das pessoas em perigo. [Live Science]


POPER

POR QUE A CIÊNCIA POSSUI CREDIBILIDADE ?

Como vimos no artigo da semana passada, Karl Popper proporciona através de seu Racionalismo Crítico um dos mais sólidos pilares para solucionar o problema da demarcação em Filosofia da Ciência, ou seja, distinguir o científico do não científico. E a essência dessa distinção está em seu célebre princípio da falseabilidade.

Em síntese, todo o conceito para ser considerado científico deve admitir em seu próprio enunciado a possibilidade de ser refutado.

Com isso a ciência resolveu um dos grandes impasses que é o argumento de autoridade. Por não atender o princípio da falseabilidade todo argumento de autoridade não é considerado científico.

Além disso, Karl Popper propõe uma solução para outra questão em Filosofia da Ciência que é o problema de indução, que procuraremos tratar de forma sucinta nesse artigo,  sem a pretensão de esgotar o tema.

O método indutivo, ou indução empírica, é o raciocínio que, após considerar um número suficiente de casos particulares por meio da observação, conclui uma verdade geral.

Parte da experiência sensível, dos dados particulares para chegar-se à generalização.

Típico das ciências naturais a indução também aparece na Matemática por intermédio da Estatística, na qual as características de alguns componentes de um conjunto são utilizadas para caracterizar todo o conjunto, estabelecendo-se aí maior o menor grau de probabilidade quanto maior for o universo de dados que possam ser utilizados na construção desse modelo. Em outras palavras, já que tantos se comportam de tal forma, é muito provável que todos se comportem assim.

Em função deste “salto” do particular ao geral, existe uma grande possibilidade de erro nos raciocínios indutivos, uma vez que basta encontrarmos uma exceção para invalidar a regra geral.

Por outro lado, é esse mesmo “salto” em direção ao provável que torna possível a descoberta, a inovação, a proposta de novos modos de compreender o mundo, bem como a generalização, tão útil em efetuar previsões de cenários futuros.

Aliás, o ser humano adora generalizações. Por isso o cuidado que se deve ter com a indução.

Vejamos a alguns exemplos:

Exemplo 1 – Amostragem

Retirando uma amostra de uma saca de arroz que foi previamente sacudida e revirada para que ficasse com composição homogênea, observou-se que aproximadamente 95% dos grãos são do tipo extrafino. Conclui-se, então, que a saca de arroz é do tipo extrafino.

Exemplo 2- Pesquisa Eleitoral

Através da amostragem de eleitores realiza-se uma pesquisa, que aponta a tendência de votação, simulando os resultados que se obteria no dia da eleição.

É evidente que a validade dos resultados dependerá da representatividade da amostra e da correta aplicação dos métodos estatísticos.

No primeiro caso poderemos encontrar alguns grãos de arroz que não se encaixam no padrão “arroz extrafino” e a pesquisa em boca de urna poderá prever como ganhador o candidato errado, embora também seja possível retirar muitos quilos de arroz que se encaixem no padrão, bem como acertar os resultados da eleição.

As conclusões obtidas por intermédio do método indutivo correspondem a uma verdade que não está contida nas premissas consideradas como hipóteses, por essa razão chega-se a conclusões que são apenas prováveis, porém muito mais gerais do que o conteúdo das hipóteses iniciais. Isso é bom ou é ruim?

O problema da indução é, portanto, proposto por uma questão filosófica que pode ser assim enunciada:

O raciocínio indutivo, ou seja, a generalização, leva ao conhecimento?

Será que afirmar acerca de todos, aquilo que foi possível observar apenas em alguns não produziria muito mais erros do que acertos?

O problema põe em evidência todas as reivindicações empíricas feitas na vida cotidiana ou por intermédio do método científico.

Assim, Popper, propõe uma solução simples ao problema da indução, que é justamente embutir em toda a afirmação científica o princípio da falseabilidade.

Em outras palavras não aceitar com credulidade qualquer generalização. Deve-se buscar pela observação e/ou experimentação pelo menos um caso que refute a afirmação e evidentemente isso obrigue a reformulação da afirmação ou a busca de novas hipóteses.

Por exemplo, ao assistir um programa do canal de compras encontramos:

“Compre o nosso chá emagrecedor! É um produto natural! Logo não faz mal à saúde!”

É fácil observar a indução: ar, alimentos e água são produtos naturais e fazem bem para saúde.

Consequentemente todos os produtos naturais fazem bem para a saúde!

Agora, aplicando o princípio da falseabilidade de Popper:

Basta encontrarmos apenas um produto natural que faça mal para a saúde que a generalização foi falseada e o problema da indução foi resolvido.

De fato: só no nosso jardim poderemos encontrar algumas plantinhas tóxicas que põe por terra o argumento do chá emagrecedor. Afinal, nem tudo que é natural faz bem para a saúde.

Como vimos anteriormente, esse princípio de falseabilidade proposto por Popper é o principal motor do Racionalismo Crítico e um dos mais sólidos pilares para a demarcação entre ciência e não ciência.

E por que é tão importante essa demarcação?

Por que a ciência possui credibilidade?

E é justamente dessa credibilidade que muitos “vendedores de chás milagrosos” querem se valer, quando procuram revestir com o manto do cientificismo suas artimanhas para explorar a ignorância e a boa fé alheias?

A meu ver, esse não é o principal foco da questão.

Essa demarcação entre ciência e não ciência é fundamental para protegermos a principal conquista histórica que temos contra o obscurantismo e a impostura: que é o pensamento crítico.

Nas palavras de Carl Sagan:

“Queremos buscar a verdade, não importa aonde ela nos leve. Mas para encontrá-la, precisaremos tanto de imaginação quanto de ceticismo. Não teremos medo de fazer especulações, mas teremos o cuidado de distinguir a especulação do fato”.

O Método Científico, ou “Qual o pior inimigo da verdade ?”

11/05/2013 às 3:11 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Excelente artigo sobre um dos itens mais importantes do Método Científico, a hipótese. E sobre a filosofia que deve estar por trás da ciência: o ceticismo obrigatório !


Portrait_of_Friedrich_Nietzsche

Um pouco mais sobre ceticismo científico

Como vimos no artigo da semana passada refutabilidade ou falseabilidade, proposto por Karl Popper nos anos 1930, é o conceito chave por trás do ceticismo científico e fundamenta-se na necessidade de que toda a hipótese científica quando formulada tenha embutida em seu enunciado um “mecanismo de previsão de erros”, ou seja, que ela ofereça a possibilidade de ser refutada ou falseada.

Se for considerada hipótese científica, deve admitir logicamente duas possibilidades: a de ser verdadeira ou a de ser falsa.

Repito: isso deve ser previsto em seu enunciado.

Por exemplo, quando formulamos depois de detidas observações da natureza a seguinte proposição:

“Todo o animal que possui bico é uma ave”.

Como hipótese científica deve admitir duas possibilidades: verdadeira ou falsa.

O cientista pode ter observado milhares de animais com bico e todas foram classificadas como ave, por isso considerou inicialmente verdadeira sua hipótese.

Porém, ela possibilita em seu enunciado a refutação. Pois basta aparecer um animal que tenha bico e que não seja ave que a hipótese será refutada.

Por essa razão tal assertiva é científica (embora não seja verdadeira, pois o ornitorrinco, por exemplo, possui bico e não é ave).

Agora, se a proposição de trabalho fosse essa:

“O tomate é vermelho ou não é vermelho”.

Mesmo sendo uma verdade, tal proposição não é considerada como científica, posto que em qualquer cenário ela nunca será falseada.

Para ser considerada científica, a proposição deve embutir em seu enunciado a possibilidade de ser refutada. E nesse caso não é oferecida tal possibilidade.

Vamos a outro exemplo:

“O íbis é um animal sagrado.”

Não existe nessa premissa possibilidade de falseá-la, pois não há experimento laboratorial ou mental que se possa imaginar para contestar o conceito de sagrado do íbis. Além do mais, esse é um argumento de autoridade(aquele que não pode ser refutado) pois um deus de nome Thot deixou escrito que íbis é um animal sagrado (e de acordo com essa sociedade não há autoridade maior que a de um deus). Logo, essa não é uma premissa científica, pois não pode ser falseada ou refutada.

De fato é uma premissa religiosa proveniente do Antigo Egito.

Em tempo:

Quero deixar claro que não estou questionando aqui a veracidade da premissa se o íbis – é ou não é – um animal sagrado. Estou apenas apontando o fato de que tal premissa não é científica, pois não atende ao princípio da falseabilidade.

Mais um exemplo:

Lavoisier, depois de um meticuloso estudo científico, afirmou que cada molécula de água é constituída por dois átomos de hidrogênio e um átomo de oxigênio.

Tal afirmativa pode ser testada em laboratório e consequentemente pode ser refutada se os resultados não forem os previstos.

Logo, essa é uma premissa científica.

Karl Popper ao enunciar esse princípio, quis preservar a ciência de que premissas tidas como científicas perpetuassem erros seculares geralmente criados por argumento de autoridade (que não admite contestação) ou pelo problema da indução (questão um tanto mais delicada que detalharemos nos próximos artigos).

Evidentemente tudo depende do entendimento correto do que é uma hipótese científica.

Hipótese Científica

O termo hipótese pode ser conceituado como sendo uma proposição a partir do qual se pode deduzir, pelas regras da lógica, um conjunto secundário de proposições, que têm por objetivo elucidar o mecanismo associado às evidências e dados experimentais a se explicar.

E é claro se a hipótese foi formulada corretamente, dentro do método científico, ela pode ser confirmada ou refutada por meio de experimentos, inferências lógico-matemáticas, confrontações com dados colhidos de observações, etc.

Literalmente pode ser compreendida como uma suposição ou proposição na forma de pergunta ou questionamento, uma conjetura que objetive orientar uma investigação, seja por antecipar características prováveis do investigado, seja pela confirmação ou não por meio de deduções lógicas dessas características.

Muitas vezes o confronto com os resultados obtidos, confirma ou refuta a hipótese inicial e aponta novos caminhos de investigação que podem então gerar novas hipóteses e novos experimentos, e assim por diante.

Geralmente essa cadeia de eventos desde uma hipótese inicial até o desenvolvimento de um novo paradigma (que muitas vezes geram aplicações práticas, ou seja, tecnologia) segue outro atributo medular da ciência, que é o do acúmulo histórico do conhecimento científico, no qual um pesquisador apoia-se no conhecimento conquistado por seus antecessores, ao mesmo tempo, que testa esse conhecimento exaustivamente procurando brechas e inverdades que possam estar inclusas em seus enunciados.

Veja o exemplo que segue.

Uma breve história da Aspirina

  • Textos médicos assírios (Século VIII a.C) descreviam que o pó ácido da casca do salgueiro aliviava dores (propriedade analgésica) e diminuía a febre (propriedade antipirética).
  • Hipócrates (Século V a.C) confirmou em seus escritos essas propriedades analgésicas e antipiréticas da casca do salgueiro como resultado de sua prática e de seus discípulos.
  • Edmundo Stone (1763) confirmou o proposto por Hipócrates e produziu extratos onde isolou o princípio ativo: ácido salicílico (experimentos em laboratório e práticas de campo).
  • Henri Leroux, e Raffaele Piria (1828) Confirmaram o princípio ativo da casca de salgueiro descoberto por Edmundo Stone (ácido salicílico) e o isolaram na forma cristalina (experimentos em laboratório).
  • Felix Hoffmann e/ou Arthur Eichengrun (1897) Confirmaram o princípio ativo que foi isolado em 1828 e produziram um derivado menos agressivo ao sistema digestório: o ácido acetil-salicílico (experimentos em laboratório).
  • Laboratórios Baeyer (1899) – produziram e comercializaram o ácido acetil-salicílico com o nome fantasia “aspirina” (experimentos em laboratório e testes e práticas de campo).
  • John Vane (1971) – elucidou o mecanismo de ação do ácido salicílico o que lhe valeu o prêmio Nobel de Medicina de 1982 (experimentos em laboratório e testes e práticas de campo).

Peço ao leitor fã de História da Ciência que me perdoe por esse sobrevoo histórico tão superficial, porém o objetivo aqui é o de ilustrar o conceito de hipótese e falseabilidade.

Assim temos:

  1. Hipótese inicial: extratos ácidos da casca do salgueiro possuem princípios analgésicos e antipiréticos – cânones assírios, provavelmente fundamentados na tradição oral e práticas médicas rudimentares dos povos mesopotâmios.
  2. Hipótese confirmada por Hipócrates e Edmundo Stone por experimentos de campo.
  3. Nova hipótese: o princípio ativo é o ácido salicílico – Edmundo Stone (experimentos em laboratório e testes de campo)
  4. Hipótese confirmada por Hoffman (laboratórios Baeyer) e Eichengrun (segundo alguns peritos).
  5. Nova hipótese criada por Hoffman e Eichengrun: o ácido acetil-salicílico oferece melhores resultados que o salicílico (experimentos em laboratório).
  6. E assim por diante.

Em cada um dos momentos históricos, novos paradigmas foram apresentados, caracterizando aí a invenção de um medicamento sintético que custou para a humanidade a bagatela estimada em dez mil anos de sua história!

E é assim na maioria das conquistas científicas que originam tecnologia. Muitas vezes custa o esforço de toda uma geração, ou de centenas.

Lembre-se disso quando tomar um analgésico!

Mentira x Convicção

Porém, muitos detratores da ciência continuarão em sua ingenuidade achando que o tal princípio da falseabilidade e o ceticismo científico que dele advém é na maioria das vezes inócuo, pois existem muitos campos da ciência moderna (cuja comprovação é muito complicada ou talvez impossível) que obrigam que as pessoas acreditem nos argumentos dos cientistas assim como acreditam em algum tipo de guru. Simples assim.

Aí é que se encontra a confusão.

O funcionamento da ciência e da tecnologia não depende da fé nos cientistas.

Pelo contrário!

É duvidando deles que a ciência evolui e se torna paulatinamente mais confiável.

Pois o cientista (como ser humano que é) pode errar e também pode mentir e enganar.

O cientista pode usar de seu conhecimento para abusar da boa fé do semelhante, extorquir-lhe dinheiro, e transformá-lo em um fantoche – por exemplo – exatamente como poderia fazer e faz qualquer outro ser humano que não siga preceitos éticos que visem o bem comum. Seja ele um cientista ou não.

Porém a ciência como algo que se arroga de historicamente responsável procura prevenir-se contra esses heterogêneos, investindo no ceticismo de todos os seus praticantes, com o principal objetivo de não permitir que se perpetuem inverdades seja elas intencionais ou não.

Por isso, se não existir possibilidade de duvidar – não é ciência!

Para concluir, algumas palavras de Nietzsche:

A convicção é a inimiga mais perigosa da verdade do que a mentira!

Será?

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