Lançamento do Raspberry PI
05/03/2012 às 11:59 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentárioTags: computador, Educação, Tecnologia
Há dois valores, 25 e 35 dólares, dependendo da versão. Um ou outro trata-se de uma ‘revolução’. E quando chega aqui no Brasil ?
Ao contrário da maioria dos computadores atuais, o Raspberry Pi tem uma arquitetura aberta, vem com software livre, linguagens de programação, e tem como objetivo ser ‘hackeado’. A idéia é promover o ensino de computação ‘de verdade’ e não apenas “windows”, “word”, “excel” e “powerpoint”, como infelizmente acontece na maioria das escolas.
Raspberry Pi, o computador de US$35, já está à venda
Menor e mais barato computador do mundo começou a ser vendido nesta quarta-feira (29/02) e já teve seu estoque esgotado
O Raspberry Pi, o menor e mais barato computador já produzido, foi colocado à venda nesta quarta-feira (29/02) no Reino Unido por dois fornecedores, a Premier Farnell e a RS Components. O problema é que a Raspberry Pi Foundation, organização responsável pelo produto, diz que o estoque inicial se esgotou, e novos pedidos já estão na lista de espera.
A versão que está à venda por US$35 (ou cerca de R$ 60) é a de 256MB de RAM O modelo fez tanto sucesso que o site da Farnell saiu do ar devido a alta demanda de pedidos, segundo a BBC online. O modelo mais barato, que custa US$25 (cerca de R$45) e tem 128MB de RAM chegará às lojas ainda este ano. Ambas as versões são do tamanho de cartões de crédito e possuem processador ARM de 700MHz e sistema Linux.
A Raspberry já está produzindo milhares de novas unidades do Pi em fabricas da China, uma vez que ambas as distribuidoras dizem que o número de pedidos só tende a aumentar. O Raspberry Pi possui entradas USB para conexão de teclado e mouse, e uma porta HDMI para monitores. O PC tem como objetivo incentivar o uso da informátic para crianças e jovens, principalmente quando o assunto é programação.
No início do mês, conversamos com Eben Upton, co-fundador da Raspberry. Você confere o bate-papo aqui.
FONTE: OLHAR DIGITAL
10 tecnologias revolucionárias que prometem mudar o mundo
04/03/2012 às 3:24 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentárioTags: computador, Tecnologia
As que mais me impressionaram foram a Watson, Robonaut, Humvee convertible, PC com energia solar e Robo Dog.
10 tecnologias revolucionárias que prometem mudar o mundo
Máquinas que reconhecem a linguagem dos humanos e interação com objetos 3D com as mãos são alguns dos projetos que cientistas em todo mundo estão trabalhando.
Quem podia imaginar que há apenas alguns anos todos os cidadãos do mundo estariam conectados por meio da internet? Quem pensava que poderíamos entrar em contato com pessoas que estão a milhares de quilômetros por meio de um pequeno dispositivo chamado smartphone? Com o tempo, essas tecnologias passaram a fazer parte do dia a dia, mas um dia foram propostas revolucionárias que ninguém tinha ideia de que poderiam emplacar.
Hoje, a situação permanece a mesma e novos projetos que prometem mudanças disruptivas na forma como entendemos o mundo surgem, não só no campo tecnológico, como também na sociedade. Abaixo, veja uma lista de dez iniciativas que podem ser desenvolvidas no curto e médio prazos e que o alcance é imprevisível.
HoloDesk
Cientistas da área de pesquisa e desenvolvimento (P&D) da Microsoft, composta por 300 pesquisadores e engenheiros, estão trabalhando em um projeto conhecido como HoloDesk que busca permitir que nossas mãos interajam com objetos virtuais em três dimensões. Para fazer isso, a solução usa uma tela que projeta uma imagem 2D na área de visualização, enquanto as mãos são reconhecidas pelo Kinect, tecnologia já usada no console Xbox 360.
PocketTouch
Outro projeto da Microsoft, nesse caso chamado de PocketTouch, busca permitir que uma pessoa trabalhe com um dispositivo de toque (como smartphone ou tablet) por meio da roupa ou tecidos similares a partir do reconhecimento de gestos do usuário, que é captado por meio de um sensor.
Vermeer
Há um terceiro projeto conduzido pela empresa de Steve Ballmer chamado Vermeer. A proposta gira em torno de uma imagem 3D que responde ao toque, um projeto intimamente relacionado com o HoloDesk. A solução utiliza dois espelhos parabólicos para criar uma imagem em três dimensões sem óculos que pode ser utilizada pelas capacidades, novamente, do Kinect.
Watson
Talvez o Watson seja a iniciativa mais conhecida e com futuro comercial claro no curto prazo. O Watson foi a joia da coroa do mundo de TI em 2011. Passou a ter esses status quando o supercomputador da IBM ganhou de humanos o game show Jeopardy. A tecnologia conta com uma inteligência artificial revolucionária que permite processamento de linguagem natural. A IBM já usa a tecnologia em várias soluções médicas para tratar o câncer e anunciou recentemente que deverá usar as capacidades do Watson em suas soluções de análise em tempo real para grande volume de dados.
Programmable friction
A universidade British Columbia em Vancouver desenvolve o projeto da tecnologia. Trata-se de uma nova forma de resposta da tela de toque, usando pequenos discos mecânicos para vibrar o tablet ou o smartphone de modo que você sente o aparelho de maneira diferente, dependendo do que está fazendo com o dispositivo.
Robonaut
A Nasa e a General Motors estão trabalhando em um robô humanóide para ajudar os astronautas no serviços espacial. Seu nome é Robonaut 2 (R2) e as possibilidades são quase infinitas com ele. Atualmente, o robô está no espaço, maias especificamente na Estação Espacial Internacional.
Humvee convertible
O setor militar não está atrás no desenvolvimento de tecnologias inovadoras. A Defense Advanced Research Projects Agency desenvolve um Humvee [veículo de gurra] capaz de se mover tanto pelo ar, como pela estrada. O veículo tem quatro lugares, permitindo o uso de pequenas armas de fogo e pode rapidamente tornar-se um avião e voar sem o conhecimento específico da aeronáutica.
PC com energia solar
A Intel anunciou em setembro de 2011 que estava trabalhando em um processador de baixo consumo, eficiente o suficiente para ser carregado e executado a partir da energia solar. O projeto recebeu o nome de Claremont, um chip experimental que ainda não tem data de lançamento oficial ou qualquer planejamento para se tornar uma iniciativa comercial.
SuperHD
Os fabricantes Sharp e NHK trabalham em um padrão de alta definição chamada Super Hi-Vision que oferece resolução 16 vezes superior em comparação com o atual HD 1080 polegadas. Sua comercialização não deve acontecer antes de 2020.
Robo Dog
Boston Dymanics e a mesma agência que está desenvolvimento o veículo Humvee estão criando um cachorro robô que deverá ajudar soldados a carregar cargas pesadas em locais remotos, como as montanhas do Afeganistão.
O cão será equipado com um motor de combustão interno com potência suficiente para suportar uso por 24 horas. Ao que tudo indica, a primeira versão desse sistema será apresentada ao longo de 2012.
FONTE: http://computerworld.uol.com.br/negocios/2012/01/13/10-tecnologias-revolucionarias-que-prometem-mudar-o-mundo
A ficção e os processadores
28/02/2012 às 3:30 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentárioTags: computador, Tecnologia
Essa veio da Revista InfoExame ainda de outubro do ano passado. O inusitado é se perguntar o que antropólogo tem a ver com chip de computador. O texto abaixo explica. E veja que se trata da Intel, a maior produtora de chips do mundo.
FICÇÃO E OS PROCESSADORES
Há cinco anos a Intel contratou 100 antropólogos para ajudar a desenvolver produtos. Agora a empresa recorre a escritores de ficção científica para prever o futuro e inovar
Quando Alexin se curvou na cadeira, os sensores reagiram de imediato. O assento inclinou-se levemente para a frente a fim de ajudá-lo a se levantar. Enquanto caminhava pela sala, o calor e os movimentos do seu corpo eram monitorados. Como era noite, as luzes da casa se acendiam e apagavam na medida em que ele entrava e saía de cômodos. As portas se abriam automaticamente. Alexin não precisa perder tempo abrindo as gavetas ou acendendo lâmpadas. Os sensores espalhados por todos os cantos tornam sua vida mais fácil.”
A casa de Alexin ainda não existe. É fruto da imaginação de Markus Heit, autor do conto O Piscar de Um Olho. Heit é um dos quatro autores de ficção científica contratados pela fabricante de processadores Intel para fazer parte do Projeto Amanhã, cujo objetivo é ajudar a criar produtos novos e, mais importante, inovadores. “Uma história de ficção científica é uma boa maneira de discutir o futuro”, disse a INFO Brian Johnson. Seu cargo na Intel? Arquiteto de experiência do consumidor. Apesar de parecer uma ideia estranha, a ini-
ciativa tem uma explicação lógica.
Imaginar como a tecnologia será usada no futuro ajuda a desenhar produtos a serem usados nos dispositivos. E nada melhor do que fazer isso numa língua que os engenheiros entendem. “É uma ideia útil para quem cresceu assistindo Star Trek”, diz J ack Weast. engenheiro da Intel, à revista BusinessWeek.
Os quatro primeiros escritores foram contratados pela fabricante de processadores em meados de 2010. Em uma dessas histórias, um casal viaja para o sul da França em um carro que não precisa de motorista para doar sangue a um familiar.
Durante a viagem, informações sobre a saúde dele aparecem no painel do automóvel. “A ideia é levar o projeto para outros países, inclusive o Brasil”, disse [ohnson. “Quero enten-
der o que está acontecendo no país.”
Essa não é a primeira vez que a Intel recorre a colaboradores com formação pouco comum ao mundo da tecnologia. Em 2006, a empresa anunciou a contratação de mais de 100 antropó-
logos. O objetivo? Entender o que as pessoas esperam de um computador.
Um exemplo disso aconteceu quando, há cinco anos, a Inte1 começou a fazer pesquisa de chips para equipar set-top boxes do Google. A princípio, a fabricante de processadores acreditava que as pessoas queriam passar vídeos por streaming de seus computadores para
a TV. Mas uma pesquisa conduzida por equipes de antropólogos descobriu que elas não queriam apenas assistir ao vídeoporstreaming. Desejavam, sim, usar a televisão para navegar na internet.
Essa informação fez com que a empresa redesenhasse a linha de chips usados nos aparelhos de TV. Mais recentemente, emjaneiro, a Intel contratou o músico Will.i.am para sua área de inovaçãocriativa. E deu mais um passo fora da lógica corporativa tradicional.
(por Eduardo Poloni)
Ecos do Carnaval II (Carnaval de papel)
25/02/2012 às 11:51 | Publicado em Artigos e textos | 1 ComentárioTags: computador, Internet, Tecnologia
Um bom texto sobre os acontecimentos recentes da apuração do Carnaval em São Paulo, a maior cidade da América Latina, e o que tem a ver com tecnologia. Vale a leitura e reflexão. Nosso país, acredito que como outros, não é homogêneo nem no conhecimento nem no uso da tecnologia da informação. (ah, o artigo é do autor mesmo, li em papel !)
CARNAVAL DE PAPEL (Alexandre Hohagen)
É incrível como, na era da tecnologia, a confusão no Carnaval de SP tenha sido gerada devido a um papel
No feriado prolongado desta semana, mais uma vez o Facebook foi a minha principal fonte de informação. Por meio do meu “feed” de notícias, fiquei sabendo onde estavam os meus amigos e o que estava acontecendo no mundo.
A tranquilidade foi interrompida quando na terça-feira começaram a pipocar posts esculhambando o Carnaval, a selvageria das escolas de samba, rogando a inevitável praga de que durante a Copa do Mundo o país sofrerá ainda mais.
Entendi logo depois de alguns minutos que se tratava de uma confusão promovida na apuração do desfile das escolas de samba de São Paulo. Baderna, pancadaria e fogo em carro alegórico certamente não fazem parte dessa festa popular maravilhosa.
O Carnaval chegou ao Brasil em meados do século 17, influenciado pelas festas do gênero que aconteciam na Europa. Apesar de ter caído no gosto popular brasileiro há séculos e de ter incorporado tecnologias para a criação de carros alegóricos e até de fantasias, foi inacreditável saber que toda essa desordem foi gerada por causa de um papel. Realmente inacreditável.
Com toda a confusão, foi inevitável comparar duas imagens gravadas na minha cabeça. Uma, do fim de 2010, na qual remotas tribos indígenas da Amazônia votavam por meio da urna eletrônica, nas últimas eleições. A desta semana, relativa ao baderneiro que rasgou os papéis com as notas da apuração do Carnaval de São Paulo.
Apesar de antagônicos, esses dois momentos representam realidades tão atuais no nosso querido Brasil. De um lado, a festa mais popular e alegre de todo o mundo. Do outro, um país com algumas das tecnologias mais avançadas do planeta. É imensa a distância entre elas.
Nenhum outro lugar do mundo poderia competir com o nosso Carnaval e com o sistema bancário on-line, com a votação eletrônica e com o processo do Imposto de Renda todo baseado em tecnologia.
Imaginem que no Brasil, nas últimas eleições para presidente, 135 milhões de pessoas estiveram aptas a votar. Elas usaram uma das tecnologias mais invejadas no mundo, a da urna eletrônica, utilizada no país desde 1996 e que inspira iniciativas ainda incipientes de outros países.
E o nosso IR? Desde o ano passado, os contribuintes só podem entregar a declaração por disquete, “pen drive” ou pela internet -meio que representa a maioria das declarações. Em 2011, foram entregues 24,3 milhões de documentos. Para este ano são esperados 25 milhões.
Já o nosso sistema bancário é um dos mais modernos do mundo, e as transações chegam a cerca de 60 bilhões de operações por ano. Internet banking já representa mais de 20% do total, segundo dados da pesquisa mais recente da Febraban, divulgada no ano passado.
Um avanço que poderia ser seguido pelos nossos carnavalescos foi a extinção das declarações de bagagem acompanhada que tínhamos de preencher ao chegar de uma viagem ao exterior. Durante décadas, a Receita Federal acumulou toneladas daquelas papeletas de forma muito pouco eficaz.
Desde o começo deste ano, o preenchimento foi extinto para passageiros sem bens a declarar com valor acima de US$ 500 e isso fez com que se economizassem 30% do tempo dos passageiros no desembarque, segundo autoridades.
O avanço não deve parar por aí. Novas tecnologias vêm surgindo a ritmo de bateria campeã. Mas é preciso que haja empenho e vontade política para fazer com que os processos sejam menos burocráticos e baseados em pedaços de papel
-que podem se esvair com a mesma rapidez com que se foram as notas atribuídas às escolas de samba.
E sua empresa, está preparada para reduzir o volume de papel que usa nos processos diários -como simples blocos de anotações ou agendas- e se digitalizar mais?
Na era em que se fala em tablets e em livros digitais, o ganho de produtividade da digitalização pode ser mais do que bem-vindo.
É certo que o papel não vai acabar. Mas, com certeza, há melhores usos do que anotar notas de escolas de samba!
ALEXANDRE HOHAGEN, 44, jornalista e publicitário, é responsável pelas operações do Facebook na América Latina. Em 2005, fundou a operação do Google no Brasil e liderou a empresa por quase seis anos. Escreve às quintas-feiras, a cada quatro semanas, nesta coluna.
www.facebook.com/colunadohohagen
África é terreno propício à Ciência da Computação
04/02/2012 às 3:14 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 ComentárioTags: computador, Educação
Uganda, quem diria, a terra de Idi Amim Dada, o ditador sanguinário, é também o berço de pesquisadores como o Dr. Venansius Baryamureeba. Salve a mãe África, mais uma vez nos ensinando o caminho!
ÁFRICA É TERRENO PROPÍCIO À CIÊNCIA DA COMPUTAÇÃO![]()
Ele poderia ter se contentado apenas em ensinar milhares de universitários de Uganda a usar computadores, criar redes, gerenciá-las e programar softwares básicos. Em um país africano pobre com uma das populações que crescem mais rápido no mundo _ e que faz um uso cada vez maior da Internet _ apenas isso já teria representado uma enorme conquista.
Venansius Baryamureeba, porém, tinha ideias mais ambiciosas. Em 2005, quando voltou para sua terra natal após ter concluído doutorado na Universidade de Bergen, na Noruega, ele era apenas um dos poucos cientistas da computação de Uganda. E teve um timing certo. A economia, predominantemente agrícola, vinha crescendo cerca de 7 por cento ao ano, impulsionando uma enorme expansão da classe média alta, assim como a vontade de estudar ciência e engenharia de ponta que a elite urbana sentia.
Animado com a relativa paz e prosperidade de Uganda, Baryamureeba fundou uma nova faculdade, abrangendo os Departamentos de Ciência da Computação e Engenharia da Computação da antiga Universidade Makerere, na capital de Uganda, Kampala. No alto de uma colina perto da entrada da universidade, com vista para a descuidada escola de Direito, de um lado, e para uma mesquita-escola não menos descuidada, do outro, dois edifícios de vidro resplandecente foram erguidos, aparentemente sem problemas. Não demorou até que multidões de alunos se amontoassem no local _ e o corpo docente passou a oferecer aulas até mesmo à meia-noite para acomodá-los.
Baryamureeba queria mais do que uma escola profissionalizante. Ele criou também um programa de pós-graduação que, segundo ele esperava, formaria dezenas de cientistas e doutores que se tornariam professores universitários e contribuiriam com pesquisas de relevância internacional.
Surpreendentemente, a iniciativa de Baryamureeba está ganhando força na Universidade Makerere. Jovens cientistas da região estão concluindo seus doutorados. Membros do corpo docente estão realizando experimentos de ponta. Uma das pesquisas em curso está desenvolvendo telefones celulares “inteligentes”, implantando neles pequenos softwares estruturados por algoritmos matemáticos, a fim de identificar pragas em plantações ou malária na corrente sanguínea de uma pessoa.
Ernest Mwebaze, aluno de doutorado e professor, disse que sérios obstáculos ainda se impõem ao prosseguimento de tais pesquisas em Uganda, como a existência de uma Internet pouco confiável e falhas elétricas. Entretanto, ele também acredita que o país possui um potencial enorme.
“Uganda oferece vários desafios únicos de pesquisa e problemas cujas soluções podem realmente trazer benefícios mais locais do que, digamos, soluções para os problemas da Europa”, disse ele.
Toda segunda-feira, em um laboratório bem equipado com computadores, Mwebaze dá aulas de Inteligência Artificial a uma pequena turma de 10 alunos de pós-graduação. Esse campo, considerado esotérico por muitos, foi o tema de sua pesquisa de doutorado.
Além disso, o potencial que os africanos formados na África possuem para fazer uma ciência sintonizada com as realidades do continente não se limita à computação. “Há um interesse crescente na pesquisa e na ciência em geral na região”, disse Calestous Juma, professor de Harvard, especializado no estudo da tecnologia e do desenvolvimento.
A rápida disseminação dos telefones celulares tem valorizado os usos práticos da ciência e da tecnologia entre os africanos. E os filhos das elites do continente também estão se dando conta das possibilidades de seguirem carreira em Ciência da Computação e Engenharia, além das tradicionais áreas da Medicina, Direito e Economia ou, ainda, de estudarem para atuar em um setor mais típico do país: a Agronomia.
“A Ciência da Computação tem um apelo junto a uma geração de alunos de áreas urbanas que cresceram cercados por aparelhos digitais”, afirmou Chanda Chisala, da Zambia Online, uma empresa de desenvolvimento de softwares e provedora de Internet baseada em Lusaka, capital da Zâmbia.
A área também pode atrair universidades africanas que têm problemas crônicos de falta de financiamento, porque o ensino da Ciência da Computação é relativamente barato. Não são necessários grandes aceleradores de partículas, diferentemente da Física; nem telescópios gigantes, diferentemente da Astronomia.
Ainda assim, o desenvolvimento da Ciência da Computação na África ainda enfrenta a noção de que é preferível estudar e trabalhar na Europa ou nos Estados Unidos, mesmo que isso signifique deixar a África em definitivo. Essa mentalidade precisa mudar para que a Ciência da Computação floresça na região. Em um estudo realizado no Instituto de Tecnologia da Geórgia, um grupo de pesquisadores recomendou que os educadores africanos concentrem o currículo do ensino de Ciência da Computação no atendimento das “necessidades locais”.
A falta de professores qualificados também continua sendo um problema. Os principais departamentos de Ciência da Computação do continente _ segundo pesquisas _ estão todos na África do Sul. No entanto, mesmo lá, o número de professores de nível universitário é limitado. “Os nossos departamentos de Ciência da Computação são muito menores do que seus congêneres nos Estados Unidos”, disse Bill Tucker, americano que trabalha como professor catedrático da Universidade do Cabo Ocidental.
Além disso, as diferenças de práticas éticas entre as instituições acadêmicas da África e dos Estados Unidos complicam as coisas. Quando V.S. Subrahmanian, cientista da computação da Universidade de Maryland, decidiu firmar uma parceria de pesquisa com professores da Nigéria no ano passado, foi recebido com entusiasmo. Mas quando ofereceu dados compilados pela Universidade de Maryland ao centro de computação da Nigéria, o centro começou a vendê-los. Subrahmanian, que acredita que os dados deveriam ter sido disponibilizados gratuitamente para pesquisadores, considerou o ocorrido “muito preocupante”.
A iniciativa de Baryamureeba ajudou a Universidade Makerere a superar tais obstáculos. Ele agora está à frente de toda a universidade, garantindo que a Ciência da Computação e a Engenharia tenham um alto nível de apoio. Parcerias com universidades da Noruega e dos Países Baixos também se mostraram cruciais. Estudantes de graduação de Uganda puderam estudar tanto no país como no exterior. E as universidades europeias se comprometem a exigir que os alunos voltem a Uganda para terminar seu doutorado.
É também possível perceber a existência de um sentimento, entre os jovens acadêmicos, de que a África é um lugar bacana _ e que as melhorias das universidades do continente podem ajudar a dar vazão às ambições de pesquisa dos cientistas ocidentais.
Tomemos como exemplo o escocês John Quinn. Ele estudou na Universidade de Cambridge e concluiu doutorado em Ciência da Computação na Universidade de Edimburgo. Com vistas à realização de uma pesquisa fora do comum, ele contatou a Universidade Makerere bem na época em que Baryamureeba estava à procura de professores estrangeiros para reforçar seu corpo docente. Quinn aceitou se unir à equipe e não se arrependeu. Formou um grupo de pesquisas dedicado à Inteligência Artificial que recebeu financiamento da Microsoft e do Google. Um de seus projetos consiste em desenvolver um código que transforma um celular em um sofisticado microscópio. Ele apresentou sua pesquisa, sobre a possibilidade de diagnosticar a malária com o uso do celular, durante uma conferência internacional realizada em São Francisco em agosto.
“As pessoas estão cada vez mais cientes da necessidade de se concentrar em uma área, de se especializar e de competir em âmbito internacional”, contou Quinn a respeito de si mesmo e de seus colegas.
Em parte, o interesse de empresas do setor de computação na pesquisa de Quinn se justifica porque a iniciativa do escocês pode trazer benefícios práticos e potencialmente lucrativos: transformar telefones celulares em microscópios e dispositivos de reconhecimento de padrões de baixo custo pode ajudar as pessoas em países desenvolvidos a economizar, oferecendo diagnósticos imediatos de problemas de saúde simples.
Até o momento, o trabalho em Uganda apenas colaborou com a reputação de Quinn, e ele está ganhando um salário decente. Os valores pagos mensalmente a pós-doutorandos em Ciência da Computação na Europa não são muito diferentes dos cerca de 3 mil dólares que Quinn recebe na Universidade Makerere. Ele acredita que ainda vai ficar em Kampala durante algum tempo. Inicialmente, tinha planejado residir no país por dois anos, mas já está há quatro na universidade africana e vê inúmeras possibilidades de desenvolver a Ciência da Computação no local, de modo a trazer benefícios para si mesmo e para a África.
(De Kampala, em Uganda, Josh Kron contribuiu com a reportagem).
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