SANBONE PAGODE ORQUESTRA

14/04/2013 às 11:16 | Publicado em Midiateca | 2 Comentários
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Ontem, sábado, estava vendo na TV o programa APROVADO, um dos melhores da Bahia, e me foi apresentada a ORQUESTRA DE PAGODE – SANBONE PAGODE ORQUESTRA do maestro Hugo Sam. Nunca havia visto algo assim, a mistura do clássico com o pagode ? Só mesmo na Bahia ! Seguem dois vídeos, confiram:



Espaços de invenção e criação coletiva

19/02/2013 às 3:15 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Educação e Cultura na Bahia, desse jeito onde chegaremos ? Por Nelson Pretto, publicado no jornal A Tarde de 25.12.2012.


Interrogacao

Espaços de invenção e criação coletiva

As férias escolares da meninada podem ser uma boa oportunidade para que pensemos um pouco mais sobre as possibilidades que advêm de um sólido conhecimento científico e tecnológico, construído a partir do envolvimento dos jovens na criação e nas invenções de aparatos técnicos e tecnológicos.

Penso que essa formação tem que se dar na escola, mas também fora dela, em outros espaços que, dialogando intensamente com ela, constituam um ambiente mais amplo, no que denomino de um ecossistema pedagógico público para a educação. Para isso se configurar, necessário se faz que se espalhem país afora espaços formativos prenhes de criatividade, inspirado na política dos Pontos de Cultura, onde a criação nasce de baixo, com apoio financeiro e articulador do poder público. Espaços para a invenção e criação coletiva, envolvendo jovens e adultos, transformando radicalmente a maneira de se ensinar e aprender.

A ideia é a de se ter em todos os bairros, integrando o sistema público de educação, ciência e tecnologia, laboratórios hackers (hackerslab ou hackerspaces), nos moldes do que já vem existindo em diversos países, inclusive no Brasil. Em São Paulo o Garoa Hacker Club (//garoa.net.br) pode ser um exemplo de iniciativa bem sucedida nessa linha. A turma tem feito um importante trabalho de pesquisa e desenvolvimento, com a criação de diversos projetos, entre os quais as impressoras 3D que podem revolucionar a produção industrial. Nos Estados Unidos, proliferam experiências não apenas para a garotada, mas também para jovens profissionais que, articulados em torno de projetos coletivos e colaborativos, ocupam garagens e prédios antigos, instalando laboratórios hackers para desenvolver ciência e tecnologia. Trago aqui apenas dois exemplos no campo da biotecnologia: os movimentos DIYbio (//diybio.org) e Genspace (http://genspace.org), que buscam integrar em rede biólogos, amadores e profissionais, com o objetivo de promover a ciência cidadã. Tudo isso está fortemente calcado no que vêm sendo conhecido como a cultura hacker, que foi responsável pela criação da própria rede internet.

Importante pensar, ainda, na criação e ampliação de museus de ciência e tecnologia com uma concepção que vá além do observar fenômenos e equipamentos. Esses espaços precisam ser também lugares para se fazer ciência. Assim era, mesmo que de forma precária, o Museu de Ciência e Tecnologia, implantado no governo de Roberto Santos (1975/1979), no Parque de Pituaçu (Boca do Rio), criado à mesma época.

Aliás, merece destaque o ocorrido na primeira semana deste mês, quando a UNEB concedeu a Roberto Santos o título de doutor honoris causa. Eu lá estava para prestigiar o colega e ex-reitor da UFBA, professor que tanto insiste no que ele denomina de “ensino prático das ciências”. Os discursos de todas as autoridades da UNEB exaltavam as qualidades e feitos de Roberto Santos, incluindo a criação do Museu de C&T. Todavia, para meu espanto, omitiam solenemente o fato de que aquele museu estar hoje sob os cuidados da própria UNEB mas totalmente abandonado. E esse abandono é resultado de histórica picuinha política dos primeiros governos pós 79, sendo vítima de descaso inclusive do atual governo, que o transferiu solenemente para a própria UNEB. Esta lá instalou a sua Pró-Reitora de Extensão e, desse modo, concluiu o seu desmanche!

A Bahia carece de muito mais nesta área. É incompreensível não termos um planetário que possibilitasse crianças, jovens e adultos se deliciarem com o estudo dos céus; um aquário municipal, a despeito de contarmos com tão rico e extenso litoral; um Museu do Cacau, no sul da Bahia; um Museu do Feijão, na região do semiárido, e outros tantos que fortalecessem culturas tão diversas.

Certamente, Roberto Santos – e todos nós! – sairia muito mais cheio de júbilo das homenagens que lhe foram prestadas se as autoridades presentes houvessem anunciado a decisão política de imediata recuperação do Museu de Ciência e Tecnologia da Boca do Rio.

Publicado no jornal A Tarde de 25.12.2012, pag. 2

“O fiasco de todas as profecias” e “Feliz ano novo”

06/01/2013 às 11:47 | Publicado em Artigos e textos | 1 Comentário
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Neste primeiro domingo do ano, faço este post ‘dois em um’ com crônicas do Luiz Mott (29/12/2012) e de João Ubaldo (30/12/2012), ambas publicadas no jornal A TARDE, de Salvador-BA, em papel.

o fim do mundo maia e todas as profecias não passam de ilusão!


O FIASCO DAS PROFESSIAS (LUIZ MOTT*)  LuisMott

Para dizer a verdade, não me importava se o mundo tivesse acabado no último dia 21 de dezembro de 2012, conforme previsto pelas fracassadas profecias do calendário maia. Se todos tivéssemos morrido no mesmo instante, ninguém ia sentir saudades dos demais, sem choradeira nem gastos com funeral. Nós, os incrédulos e pessoas que dão primazia à razão e não à mistificação, “profetizamos” o fiasco da profecia maia, confirmando assim, empiricamente, que nenhum dogma, divindade ou sacerdotisa tem o poder de prever o futuro.

Quem profetiza abusa da boa-fé de crentes acríticos, os mesmos que acreditam no poder da vaca sagrada, na reencarnação, na força dos feitiços ou nos segredos de Fátima.

Que o fracasso da mais badalada profecia da atualidade sirva de lição a todos que acreditam que “a fé não costuma falhar”: crer é sempre um passo no escuro! E onde falta luz, é mais fácil armar fraudes e enganações como o fajuto ectoplasma e os lençóis voadores de Itaparica. Por mais elaborada teologicamente que seja a revelação ou a profecia, todos os vaticínios e previsões do futuro são mentirosos, baseiam-se em mitologias. Toda profecia, adivinhação, jogo de búzios, numerologia, tarô, horóscopo, astrologia são quimeras: produto da imaginação, sem consistência ou fundamento real, ficção, ilusão.

Ah! dirão os mais piedosos: deixai que os crentes sejam felizes com suas ilusões, pois tranquilizam a alma, e na hora da morte ou do desespero, ter fé é tão reconfortante…  Embora tenhamos de reconhecer que, para algumas pessoas e mesmo famílias inteiras, a prática religiosa funciona como muleta, vitamina, sedativo, até placebo de remédio de tarja preta, compete ao cientista investigar e revelar a verdade dos fatos, sem ilusionismo, sem curvar-se ao dogma imposto pelos espertalhões que pretendem ser intermediários privilegiados ou únicos de uma pretensa mensagem divina.

“E conhecereis a verdade, e a verdade vos libertará”: o fim do mundo maia e todas as profecias não passam de ilusão!

*Professor titular de antropologia da Ufba


FELIZ ANO NOVO (JOÃO UBALDO RIBEIRO)  Joao-Ubaldo-Ribeiro-no-Paiol__0179

Como acho que já contei aqui, meu primeiro emprego, aos dezessete anos, foi em jornal, na época em que não havia escola de comunicação e a gente tinha de aprender no tapa, ouvindo esbregues dos superiores (ou seja, todo mundo na redação, porque o status do foca equivalia ao de um recruta dos Fuzileiros Navais) e imitando os veteranos que mais admirávamos ou invejávamos.

Fui um repórter esforçado mas bisonho, e desconfio que, nos primeiros tempos, só não me demitiram porque eu falava inglês e quebrava o galho da cobertura local, entrevistando os gringos que se hospedavam no velho Hotel da Bahia, então o único de nível internacional em Salvador.

Sobrevivi a esses duros tempos e cheguei a exercer, um par de vezes, uma função que não existia nos organogramas, mas era comum, a de redator de tudo. Ou redator de qualquer coisa, como se preferir.

Não tenho grandes saudades dessa condição, que me levou a escrever horóscopos, reclamações de leitores contra a prefeitura, resenhas de livros, explicações sobre como votar nas próximas eleições, discursos (do patrão, é claro) para o Rotary Club, notas para inserir na coluna social, obituários, editoriais e o que mais fosse enviado a minha mesa.

Mas sou obrigado a admitir que, para quem vive de escrever, como eu, foi um treinamento precioso, que já me possibilitou enfrentar vacas magras aceitando encomendas para escrever o que lá fosse — e hoje creio que só não redigi bula de remédio, sinto até falta de uma, em meu currículo.

O resto eu fiz, de receitas de cozinha (“Receitas do Giuseppe” era o título da coluna; e o Giuseppe, vergonha mate-me, era eu) a manuais do usuário.

Devo ter escrito dúzias de artigos, crônicas, editoriais e assemelhados (sim, esqueci de mencionar que também escrevi mensagens de Natal e Boas Festas para cartões de empresas e para uma folhinha de padaria), a respeito do Natal e do fim do ano, ou começo do novo.

Pensando bem, devem ser grosas e não dúzias, porque, mal a gente saía do “… que este Natal seja um verdadeiro momento de concórdia, entre homens de boa vontade” e já tinha de tascar o “… que este ano que se inicia traga com ele a paz que a Humanidade não tem conseguido alcançar”.

Um dos poucos competidores das categorias Natal e Ano Novo eram o “Evoé, Momo” e sua sequela “Cinzas”, em que, respectivamente, concitávamos os cidadãos a uma folia sadia e sem excessos ou violência e meditávamos na quarta-feira sobre a fugaz condição humana, sem deixar de deplorar, en passant, os miasmas de xixi evaporado que se evolavam das ruas centrais de Salvador após o tríduo momesco, lastimável consequência de falta de espírito cívico e do desaparelhamento sanitário da cidade.

Este ano, tivemos a onda que fizeram com o fim do mundo de acordo com os maias. Também não há nenhuma novidade nisso, a não ser para os muito jovens.

Não lembro se já escrevi algum editorial sobre o fim do mundo, no que espero haver manifestado opinião contrária. Talvez tenha escrito, sim, no tempo da Guerra Fria, quando se temia que a Terra fosse pulverizada, até mesmo por algum governante louco ter apertado os botões errados.

E, de tempos em tempos, aparece alguém anunciando o fim do mundo e, juntamente com o papa-figo, foi até um dos primeiros medos de minha infância, infundido pelas histórias de dona Antônia, quando eu morava em Aracaju.

Dona Antônia era uma senhora de Muribeca, interior de Sergipe, que veio pedir uma ajuda a meu pai, se instalou numa das casinholas do quintal e ficou agregada durante uns três ou quatro anos, até minha família voltar para a Bahia.

— O primeiro fim do mundo foi ainda quando os bichos falavam e todo dia caía maná do céu, bastava rezar — explicava ela a sua mesmerizada plateia infantil. — Mas aí o povo foi ficando cada dia mais pecador, se fartava de maná e não queria mais nem ter o trabalho de rezar, só pecando, só pecando, só pecando, até que um dia Deus se aborreceu muitíssimo com essa situação, cortou o maná para sempre e chamou São Noé para conversar, numa grande montanha perto do Céu. Me compreenda uma coisa, disse Deus a São Noé, estou muito aperreado com tanta pecação e resolvi tomar uma atitude, de maneira que vou acabar o mundo, só me dá desgosto. Me faça uma grande arca de navegação, bote um casal de cada bicho dentro, embarque com a família, tranque tudo e espere, que não vai mais chover maná, vai chover é água mesmo, até encharcar e afogar tudo.

Acontecia, porém, que esse primeiro fim do mundo não havia sido suficiente para que os homens parassem de pecar e aperrear Deus. Pelo contrário, era pecado em cima de pecado, uma coisa demasiada mesmo, de maneira que se sabia que, mais cedo ou mais tarde, viria novo fim de mundo, desta feita pelo fogo e não pela água.

Segundo dona Antônia, será o fim do mundo de São Pedro, até hoje não sei por quê, talvez por causa das fogueiras do dia do santo. Menino, naquela época, era muito mais besta que atualmente e continuei com certo medo de o mundo pegar fogo até a adolescência.

Hoje o medo passou, até porque não adianta, e me resta consolo na crença geral de que, quando o mundo acabar, lá em Itaparica só vamos saber uns cinco dias depois. E é claro que o início do ano não passa de uma convenção arbitrária que nem mesmo se tornou universal, pois outros povos usam datas diferentes da nossa.

Mas não vamos pretender filosofar sobre essas coisas, já bastam os slides em Powerpoint que nos mandam pela internet, com textos cujos autores mereciam uma condenação às galés.

Este ano, me distraí e não desejei feliz Natal aos pacientes leitores. Então desejo um feliz ano novo e, orgulhosamente, chamo a atenção para o fato de que enrolei, enrolei, fiz uma finta ali e acolá e acabei produzindo mais uma crônica de feliz ano novo.

No Woman, No Cry

06/01/2013 às 3:24 | Publicado em Midiateca | Deixe um comentário
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