Degradação do Judiciário por Dalmo de Abreu Dallari

06/06/2012 às 3:01 | Publicado em Artigos e textos | 2 Comentários
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Diante de mais esta crise na cúpula do Judiciário, provocada por Gilmar, publico esse excelente texto do jurista Dalmo de Abreu Dallari. Como podem ver, o artigo é antigo, porém atualíssimo !


Degradação do Judiciário  Dalmo

DALMO DE ABREU DALLARI (publicado em 08.05.2002, na Folha de S. Paulo)

Nenhum Estado moderno pode ser considerado democrático e civilizado se não tiver um Poder Judiciário independente e imparcial, que tome por parâmetro máximo a Constituição e que tenha condições efetivas para impedir arbitrariedades e corrupção, assegurando, desse modo, os direitos consagrados nos dispositivos constitucionais.

Sem o respeito aos direitos e aos órgãos e instituições encarregados de protegê-los, o que resta é a lei do mais forte, do mais atrevido, do mais astucioso, do mais oportunista, do mais demagogo, do mais distanciado da ética.

Essas considerações, que apenas reproduzem e sintetizam o que tem sido afirmado e reafirmado por todos os teóricos do Estado democrático de Direito, são necessárias e oportunas em face da notícia de que o presidente da República, com afoiteza e imprudência muito estranhas, encaminhou ao Senado uma indicação para membro do Supremo Tribunal Federal, que pode ser considerada verdadeira declaração de guerra do Poder Executivo federal ao Poder Judiciário, ao Ministério Público, à Ordem dos Advogados do Brasil e a toda a comunidade jurídica.

Se essa indicação vier a ser aprovada pelo Senado, não há exagero em afirmar que estarão correndo sério risco a proteção dos direitos no Brasil, o combate à corrupção e a própria normalidade constitucional. Por isso é necessário chamar a atenção para alguns fatos graves, a fim de que o povo e a imprensa fiquem vigilantes e exijam das autoridades o cumprimento rigoroso e honesto de suas atribuições constitucionais, com a firmeza e transparência indispensáveis num sistema democrático.

Segundo vem sendo divulgado por vários órgãos da imprensa, estaria sendo montada uma grande operação para anular o Supremo Tribunal Federal, tornando-o completamente submisso ao atual chefe do Executivo, mesmo depois do término de seu mandato. Um sinal dessa investida seria a indicação, agora concretizada, do atual advogado-geral da União, Gilmar Mendes, alto funcionário subordinado ao presidente da República, para a próxima vaga na Suprema Corte. Além da estranha afoiteza do presidente — pois a indicação foi noticiada antes que se formalizasse a abertura da vaga –, o nome indicado está longe de preencher os requisitos necessários para que alguém seja membro da mais alta corte do país.

É oportuno lembrar que o STF dá a última palavra sobre a constitucionalidade das leis e dos atos das autoridades públicas e terá papel fundamental na promoção da responsabilidade do presidente da República pela prática de ilegalidades e corrupção.

É importante assinalar que aquele alto funcionário do Executivo especializou-se em “inventar” soluções jurídicas no interesse do governo. Ele foi assessor muito próximo do ex-presidente Collor, que nunca se notabilizou pelo respeito ao direito. Já no governo Fernando Henrique, o mesmo dr. Gilmar Mendes, que pertence ao Ministério Público da União, aparece assessorando o ministro da Justiça Nelson Jobim, na tentativa de anular a demarcação de áreas indígenas.

Alegando inconstitucionalidade, duas vezes negada pelo STF, “inventaram” uma tese jurídica, que serviu de base para um decreto do presidente Fernando Henrique revogando o decreto em que se baseavam as demarcações. Mais recentemente, o advogado-geral da União, derrotado no Judiciário em outro caso, recomendou aos órgãos da administração que não cumprissem decisões judiciais.

Medidas desse tipo, propostas e adotadas por sugestão do advogado-geral da União, muitas vezes eram claramente inconstitucionais e deram fundamento para a concessão de liminares e decisões de juízes e tribunais, contra atos de autoridades federais.

Indignado com essas derrotas judiciais, o dr. Gilmar Mendes fez inúmeros pronunciamentos pela imprensa, agredindo grosseiramente juízes e tribunais, o que culminou com sua afirmação textual de que o sistema judiciário brasileiro é um “manicômio judiciário”.

Obviamente isso ofendeu gravemente a todos os juízes brasileiros ciosos de sua dignidade, o que ficou claramente expresso em artigo publicado no “Informe”, veículo de divulgação do Tribunal Regional Federal da 1ª Região (edição 107, dezembro de 2001). Num texto sereno e objetivo, significativamente intitulado “Manicômio Judiciário” e assinado pelo presidente daquele tribunal, observa-se que “não são decisões injustas que causam a irritação, a iracúndia, a irritabilidade do advogado-geral da União, mas as decisões contrárias às medidas do Poder Executivo”.

E não faltaram injúrias aos advogados, pois, na opinião do dr. Gilmar Mendes, toda liminar concedida contra ato do governo federal é produto de conluio corrupto entre advogados e juízes, sócios na “indústria de liminares”.

A par desse desrespeito pelas instituições jurídicas, existe mais um problema ético. Revelou a revista “Época” (22/4/ 02, pág. 40) que a chefia da Advocacia Geral da União, isso é, o dr. Gilmar Mendes, pagou R$ 32.400 ao Instituto Brasiliense de Direito Público — do qual o mesmo dr. Gilmar Mendes é um dos proprietários — para que seus subordinados lá fizessem cursos. Isso é contrário à ética e à probidade administrativa, estando muito longe de se enquadrar na “reputação ilibada”, exigida pelo artigo 101 da Constituição, para que alguém integre o Supremo.

A comunidade jurídica sabe quem é o indicado e não pode assistir calada e submissa à consumação dessa escolha notoriamente inadequada, contribuindo, com sua omissão, para que a arguição pública do candidato pelo Senado, prevista no artigo 52 da Constituição, seja apenas uma simulação ou “ação entre amigos”. É assim que se degradam as instituições e se corrompem os fundamentos da ordem constitucional democrática.

Dalmo de Abreu Dallari, 70, advogado, é professor da Faculdade de Direito da USP. Foi secretário de Negócios do município de São Paulo (administração Luiza Erundina).

DSM

18/04/2012 às 14:34 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Este é um post simples, apenas para questionar quem diagnostica, prescreve e principalmente quem toma remédios ‘para a cabeça’, o que não é o meu caso, mas o de muitos conhecidos, colegas, amigos e gente da família.

Na madrugada de ontem, no meio das minhas insônias, vi um trecho de reportagem na Record News onde uma profissional de saúde (não consegui saber se era uma psicóloga ou psiquiatra) questionava o DSM (Diagnostic and Statistical Manual of Mental Disorders (DSM)). Eu nem sabia o que era isso, confesso. Para quem não sabe, é um documento gerado periodicamente nos EUA (vide link !) que lista o que eles consideram doença mental e, infelizmente, isso é usado aqui no Brasil e acredito em outras colônias. Mas vamos às críticas (da profissional, não são minhas, apenas as ouvi na TV) ao último DSM, o de número 5:

1) Agora temos um total de 500 diagnósticos de doenças mentais, pasmem, 500 ! Uma delas, a depressão, talvez a mais comum, consta no documento que se uma pessoa perdeu alguem da família e ficou triste e chorando por 14 dias (exatos 14 !), no décimo quinto é diagnosticada a depressão ! (haja lexotan e outros tans !)

2) Da equipe que elabora esse DSM, 30 % está ligado à indústria farmacêutica (haja lexotan e outros tans !)

Permacultura, a Ética do Cuidado

20/02/2012 às 3:27 | Publicado em Artigos e textos, Midiateca, Zuniversitas | 1 Comentário
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Os principais preceitos ou princípios filosóficos da Permacultura (permanent agriculture) são:

  • Cuidar do planeta
  • Cuidar das pessoas
  • Cuidar da distribuição dos excedentes

Entende que as quatro principais necessidades humanas são:

  1. Produção alimentar
  2. Oferta, utilização e tratamento de água
  3. Geração de energia
  4. Construção de edificações e habitações

Os dois vídeos abaixo dão uma boa idéia do que vem a ser esta filosofia na prática. Algo simples, eficiente e profundamente ecológico e humano no que de melhor estes termos têm.

Para se aprofundar no tema, sugiro:

- visita ao site SETELOMBAS, onde se encontram mais informações, inclusive dados sobre Bill Mollison, fundador da Permacultura: http://www.setelombas.com.br/

- livro “Permacultura e as Tecnologias de Convivência”, de Eduardo Antônio Bonzatto.


Permacultura, 01/02

Permacultura, 02/02

Ética e Moral

29/01/2012 às 3:41 | Publicado em Midiateca | Deixe um comentário
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Boa aula sobre o tema:


Boa aula !
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