Piadinha matemática
26/04/2013 às 3:45 | Publicado em Piadas e causos | Deixe um comentárioTags: humor, Matemática
FONTE: Revista Cálculo nro. 24/2013
Exclusiva com o comandante Borges
15/04/2013 às 3:24 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentárioTags: humor, Literatura
Essa é para começar bem a semana e fazer uma homenagem a dois grandes amigos, comandantes aposantados da Marinha. (João Ubaldo em diversos jornais do país ontem, simplesmente impagável !)
O que nós precisamos é de Robespierre! Nada de faxina! Para quem propina, rapina e assassina, o correto é guilhotina! Quero ver isso sair no jornal!
Exclusiva com o comandante Borges
— Comandante, ainda bem que você veio. Ontem me disseram que você não queria mais dar a entrevista.
— É, mas pensei melhor. Se eu prometi, está prometido. Alguém tem que manter a palavra neste país. Mas isso não impede, sem querer ofender ninguém, que eu ache esta entrevista uma palhaçada.
— Não entendi.
— Não vai sair nada do que eu disser, a imprensa está toda no bolso do governo, devendo à Previdência e à Receita e mamando as verbas de publicidade. A imprensa está aí para ajudar no fingimento de que há liberdade, vontade popular, opinião pública e essas besteiras feitas para declamação. Isto mesmo que eu acabo de dizer quero ver sair, não sai. Está gravando?
— Estou.
— Você está perdendo seu tempo, não vai sair nada. Grave aí que eu acho que essa democracia é para as negas deles, o que eles fazem é entrolhar todo mundo e fazer tudo da veneta deles. Você viu a do ensino? Agora é obrigatório botar o filho na escola aos quatro anos! A quem que eles perguntaram? Eles não conseguem dar conta nem de metade dos que já têm direito e inventam mais? Estamos cheios de grandes escolas públicas para todos, todo mundo na escola de barriga cheia desde os quatro anos, que beleza! Eu não sou otário, eu não sou otário! Eu queria que eles compreendessem que eu não sou otário!
— Eu pretendia chegar a assuntos como esse, sei que você tem opiniões muito firmes. Mas minha primeira pergunta ia ser outra, mais pessoal.
— Ah, desculpe, eu às vezes me exalto um pouco. Pode perguntar o que você quiser. Se eu contar coisas pessoais, também não sai, eu não sou pervertido, a imprensa só se interessa quando é a vida pessoal dos pervertidos. Não vai sair nada, mas eu respondo a qualquer pergunta.
— Bem, a pergunta é uma curiosidade minha. Frequentamos este mesmo boteco há não sei quantos anos e nunca vi você chegar dando risada sozinho, como vi hoje, na hora em que você estava descendo da sua famosa bicicleta elétrica. Dá para dizer qual foi a razão?
— Dá, eu não escondo nada. Não era riso de satisfação, nem de felicidade. Era uma risada mórbida que deu para me atacar de uns tempos para cá, uma espécie de humor negro. Eu estava me lembrando de um comercial. Não sei do que era, só me lembro da cena. Era um casal fazendo um piquenique romântico na Lagoa à noite, sentadinho com um pano de mesa estendido, luz de velas, cestinha de comida, parecia uma aquarela campestre. Aí eu fiquei pensando e me deu uma crise desse riso mórbido. E, na hora de minha chegada, não sei por quê, me lembrei de novo. Sempre que eu lembro, rio novamente, é incoercível. Piquenique na Lagoa é demais, não é, não?
— Demais como?
— Você não entendeu? Piquenique na Lagoa, piquenique na Lagoa! Só pode ser Walt Disney, e dos anos cinquenta! Quando o casal tivesse acabado de estender a toalha, já não ia ter mais cestinha, nem garrafinha, nem vela, nem piquenique nenhum! Seja sincero e realista e me responda quantos segundos você daria para um casal começar um piquenique à noite na Lagoa e o piquenique ser todo comido e possivelmente o casal também. Dou noventa segundos, mas ganha quem der um minuto. Aí eu fico pensando no que poderia acontecer a esse casal e o piquenique deles e tenho essas crises de riso, é tudo humor negro mesmo. Uns dois dimenores liquidavam tudo numa boa.
— Você tem uma birra com os menores, não tem?
— Eu não, eu só sou contra o que eu vou lhe figurar. Eu sou João Narigolé, traficante que de vez em quando precisa de outros serviços, notadamente os que envolvem dar cabo de alguém. Aí, quem é que eu chamo para fazer o serviço? Vou ao banco de dados de menores pistoleiros… Deve haver vários bancos de dados desse tipo, é capaz até de já ter no Facebook. Vou lá, escolho um, ofereço uma graninha e ele faz a execução. Se for preso, não pega nada e recebe a grana pelo serviço. Se me dedurar, sabe que eu posso mandar outro dimenor para rechear de azeitonas a cabeça dele e assim por diante, é um esquema perfeito. O dimenor é um grande patrimônio da criminalidade nacional.
— Então você é a favor da diminuição da maioridade penal.
— Eu não! Não distorça minhas palavras! A favor da diminuição geral, não, cada caso é um caso! Eu só tenho propostas sérias e eficazes, esse negócio de fixar idades com base em invencionices psicológicas não resolve nada. Eu sou a favor de uma coisa muito simples: teve idade para apontar a arma e dar o tiro, tem idade para ir em cana. Não é simples? É a coisa mais óbvia para qualquer um e somente os intelectuais é que não concordam, porque as soluções simples dão desemprego para eles, tudo aqui é em função do emprego.
— Você não acha que a responsabilidade penal do menor…
— Ninguém mais é responsável por nada! Isso era antigamente, agora todo mundo é vítima e qualquer sacanagem que apronte recebe um nome artístico, dado pelos psiquiatras! Um nome artístico e uma bolinha e está tudo resolvido, a culpa não é de ninguém, é da síndrome! A culpa não é dele, é das condições socioeconômicas! A culpa não é dela, é dos traumas de infância! Ninguém tem mais culpa de nada, ninguém fica preso, ninguém paga do próprio bolso as multas às empresas, ninguém é responsável por nenhum desastre, todo mundo rouba e mata, há muito tempo que isto é uma esculhambação! O que nós precisamos é de Robespierre! Nada de faxina! Para quem propina, rapina e assassina, o correto é guilhotina! Quero ver isso sair no jornal!
Saúde
07/04/2013 às 17:56 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentárioTags: humor, Literatura
Terminando este domingo, mais uma de João Ubaldo e do povo da ilha de Itaparica, tudo em homenagem ao DIA DA SAÚDE (!???) e lembrando que está correndo o tempo para a declaração anual de imposto de renda…
Saúde! – (JOÃO UBALDO RIBEIRO, A TARDE, 07/04/2013) ![]()
Hoje, cativante leitora, airoso leitor, é o Dia Mundial da Saúde. Eu não sabia, descobri enquanto estava na cozinha, esperando a água do café esquentar e, por falta do que fazer, lendo uma folhinha de padaria pendurada atrás da porta. Imagino que, pelo país afora, devem estar sendo realizados inúmeros eventos oficiais para dar serventia à data, conforme é costumeiro em nossa diligente administração pública. Tomada da pressão arterial na pracinha, fornecimento gratuito de camisinhas à juventude, palestras sobre alimentação sadia e exercícios físicos, caminhadas coletivas em parques públicos, farta distribuição de escovas de dente e lenços de papel e o que mais ocorrer à renomada criatividade nacional, principalmente se render uma propagandazinha comercial, uns votinhos ou um desviozinho de verba maneiro.
Não me informei sobre se certas iniciativas de natureza sanitária, algumas envoltas em controvérsias acaloradas, foram ou serão retomadas este ano. Falha minha, porque bem que eu podia ter dado uns telefonemas investigativos para Itaparica, onde pelo menos dois exemplos são notórios. O primeiro é a questão da vacinação para idosos.
Oculta-se entre segredos e cochichos a origem da postura hoje majoritária na ilha, segundo a qual o terceiro-idadista de juízo não toma essa vacina oficial nem que lhe confisquem a dentadura ou acabem de destroncar-lhe o joelho reumático, visto tratar-se tal vacinação de escabrosíssimo plano governamental para eliminar os aposentados e assim aliviar as contas da Previdência e sobrar mais para quem está no poder e precisa se fazer. Há quem sustente que os velhos assim inoculados começam logo a padecer de abestalhamento galopante e, nos meses seguintes, perecem aos magotes, entre risadas dementes, babação caudalosa, tremeliques, caganeiras, águas soltas, ventos soltos e outras aflições deploráveis.
Tenho uma certa justificativa para não haver telefonado para me inteirar da situação desse problema no momento. Não apenas creio que ela pouco terá mudado, como ninguém quer complicações com o governo, de maneira que as perguntas sobre o assunto causam algum constrangimento, que achei melhor evitar. Mais ou menos o mesmo pode ser dito do segundo problema, qual seja o do sempre debatido exame da dedada. As lembranças do último exame coletivo da dedada, em Itaparica, até hoje fazem parte de cicatrizes traumáticas, ou mesmo feridas da alma que talvez jamais se curem. Acho que, na ocasião, tive a oportunidade de reportar aqui os dramas vividos pelos que se enfileiraram para o exame, notadamente Magno do Siri-boia, a quem o destino traiçoeiro reservou um digitador de fiofó, como são lá conhecidos os profissionais da dedada, dos mais temidos em todo o Recôncavo, com um dedo futucador de dimensões comparáveis às de um salame. Até hoje, Magno empalidece e dá a impressão de que pode correr a qualquer momento, quando lhe lembram o doloroso transe. É, como se vê, um tema muito malvisto na ilha e não vale a pena mexer em sentimentos tão doridos.
Zecamunista até que apareceu com a conversa de que a Organização Mundial da Saúde havia declarado desaconselhável o exame periódico da dedada, a não ser para quem está com os baixios mostrando sintomas ou se comportando de maneira inconveniente. E, digam dele o que disserem – de raposa do carteado a flagelo dos maridos, de subversivo insidioso a agitador de massas inocentes -, ninguém nega que Zeca é homem de grande conhecimento e elevada estatura intelectual, dificilmente derrotável em qualquer debate. Mas a reputação de demolidor da ordem leva a que suas ponderações sejam ouvidas com alguma cautela, de forma que Toinho Sabacu, homem austero em cujo testemunho todos confiam, foi encarregado de ouvir um respeitado urologista em Salvador.
- Infelizmente você não tem razão – disse Sabacu a Zeca, depois de cumprida a missão, sob grande interesse dos circunstantes. – Perguntei a um grande urologista na Bahia e ele garantiu que o exame anual de toque é indispensável para todo homem depois dos cinquentinha. Tem que tomar a dedada, porque, se não tomar, está sujeito a encarar a catraca antes do que gostaria.
- E pra isso você foi à cidade falar com um urologista? – desdenhou Zeca, girando na cabeça seu novo boné do Exército Vermelho. – Podia ter poupado essa viagem, a resposta dele eu mesmo podia lhe dar. Me compreenda uma coisa, você está me desconhecendo a medicina capitalista? A quinhentos contos a dedada, era pra ele responder o quê?
- Então você acha que não é para ninguém fazer o exame da dedada.
- Eu não, quem acha é a Organização Mundial da Saúde. Mas sou um defensor da liberdade, faz quem quer, quem gosta ou quem pode. E, além disso, a oportunidade política não pode ser perdida, tem que ter visão política.
- Não percebi. – Claro que não percebeu, você é um alienado. A dedada, principalmente quando é ministrada pelo SUS e recebe o nome jocoso de carcada, é uma esplêndida metáfora do que os governantes fazem com os governados, acho que qualquer um concorda, você não?
- É, é muito usada.
- E então, a oportunidade política é clara.
Vou superar Pavlov, vou criar um reflexo condicionado em todos os homens que tomarem a dedada. Eu vou fazer um panfleto ilustrado, inclusive com versão para smartphone, para ser lido ou visto exatamente na hora da carcada. Acho que o primeiro vai ser sobre os impostos. Sentiu o impacto? A lembrança dos impostos e a carcada impiedosa. Ninguém vai mais aguentar, a revolução fiscal vai começar!
Francisco, Feliciano e o metrô
31/03/2013 às 8:35 | Publicado em Artigos e textos | 1 ComentárioTags: humor, religião
Jânio Ferreira, mais uma vez imperdível. Do A TARDE de ontem, sábado de aleluia.
Francisco, Feliciano e o metrô (ou “Sugestão no Sábado de Aleluia para uma peregrinação de descarrego nos trilhos do metrô de Salvador!”) ![]()
Além da mesma letra inicial, os nomes do papa e do deputado pastor também possuem nove caracteres o que, na boa, não significa absolutamente nada, embora seja uma excelente oportunidade para algum gaiato soltar uma dessas profecias cheias de metáforas atribuídas a Nostradamus que fazem o maior sucesso entre os fãs de Mãe Diná (algo do tipo: “quando a multidão na praça com nome de um santo muito festejado no Nordeste aplaudir a um homem da terra da milonga que terá o apelido de um rio que vai bater no meio do mar, e um pastor homofóbico de sobrancelhas depiladas e sobrenome de um cantor cego porto-riquenho provocar protestos na terra onde um nordestino sem um mindinho é rei, prepare-se, pois o mundo ouvirá o trombetear das cornetas celestiais e elas não soarão com a suavidade da voz da repórter de cabelos lisos que vive na cidade da loba como se fora a própria Pietá”).
Mas como hoje é Sábado Santo, mais conhecido como Sábado de Aleluia, sugiro ao secretário de transportes de Salvador (cujo nome certamente foi inspirado no louvor a Deus Javé) que aproveite a ocasião e convide as autoridades baianas para uma espécie de peregrinação de descarrego pelos caminhos do metrô.
Vestidos como penitentes, ele e Rui Costa seguiriam na frente tocando suas matracas e rezando para exumar os fantasmas que vivem sob os dormentes, enquanto os principais responsáveis pelo projeto se autoflagelariam com chicotes de nove tiras derramando sobre os trilhos enferrujados seus sangues tipo P, de pilantragem e M, de malandragem.
Uma velha lembrança da Semana Santa. Cine Tupy lotado para mais uma sessão de A Paixão de Cristo quando, bem na hora em que Jesus estava sendo crucificado, o operador cochilou e o projetor rodou a fita ao contrário.
E o resultado foi que Cristo desceu de ré o Monte Calvário numa velocidade tal que, não fossem os risos da meninada e os gritos desesperados das beatas, ou ele terminaria na manjedoura ou no ventre de Maria.
Com bacalhau ou merluza, chalise ou chablis, Feliz Páscoa a todos.
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