Professor Google ? Pai Google ? Quem cogitaria isso há 24 anos atrás ?
19/05/2012 às 3:56 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentárioTags: Internet, Tecnologia
Hoje é um dia especial para mim porque comemoramos os vinte e quatro anos de minha única filha Rosana, Socióloga pela Complutense de Madrid. Sabemos que a maioria das crianças aqui do Brasil (e da América Latina por extensão) são pobres e certamente nem ouviram falar em Google. Mas os da ‘emergente’ classe C (ou é D ?), e os da classe média e alta estão nessa. Pais e professores já são dispensáveis ? Será o fim do mundo ?
Em vez de perguntar aos pais, crianças preferem consultar o Google
Crianças de 6 a 15 anos agora confiam mais no Google que nos próprios pais quando o assunto é conhecimento. Uma pesquisa realizada pela Birmingham Science City (Reino Unido) revelou que 54% dos jovens preferem consultar o buscador quando têm dúvidas em vez de pais ou professores, de acordo com o portal britânico Daily Mail.
O estudo revelou também que 19% dos entrevistados não sabem o que é um dicionário impresso e 45% nunca usou uma enciclopédia. Em tentativas de adivinhar para que serviria a tal enciclopédia, as crianças disseram que seria uma meio de transporte ou um instrumento cirúrgico.
Apenas 3% dos entrevistados afirmaram que procuram a ajuda dos pais e professores quando têm dúvidas. A pesquisa britânica envolveu 500 crianças, com idades entre 6 e 15 anos, que declararam usar o Google ao menos cinco vezes por dia.
“Isso não é necessariamente uma coisa ruim. Ela mostra o quão comum é a tecnologia digital para as crianças de hoje e como elas estão confortáveis em usá-la”, disse Pam Waddell, Diretor da Birmingham Science City. “As crianças, não importa de qual geração, têm uma natureza questionadora e curiosa, e o fato de que elas podem usar essa nova tecnologia para explorar o conhecimento é um sinal positivo para o futuro.”
Uma outra pesquisa realizada pelo Centro de Estudos sobre as Tecnologias da Informação e da Comunicação (CTIC) do Comitê gestor da Internet revelou que 41% das crianças com idades entre 5 e 9 anos usam a Internet sem a supervisão dos pais. Bloqueadores de conteúdo impróprio, como o Web Filter, podem ajudar, mas como essas extensões podem ser facilmente desabilitadas, a abordagem mais indicada é a conversa entre pais e filhos.
FONTE: IDGNOW
17 de maio, Dia Mundial da Internet
17/05/2012 às 11:04 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentárioTags: Internet, Tecnologia
Nossos números em ralação à grande rede são impressionantes. Quase a metade da população brasileira está na rede e só perdemos para os EUA no Facebook. Onde isso pode nos levar ?
BRASIL ESTÁ ENTRE OS PAÍSES QUE MAIS USAM A INTERNET NO MUNDO
Vivemos em um país que estáentre os cinco mais conectados do mundo. Segundo pesquisas do Ibope NetRatings divulgadas no final do ano passado, 75,9 milhões, de 194,9 milhões de brasileiros, são internautas. O número é significativo. O Brasil também têm presença forte
nas redes sociais como o Facebook, segundo lugar em número de usuários, atrás dos
EUA, segundo estatísticas do Socialbakers.
Hoje, dia 17 de maio, é comemorado o Dia Mundial da Internet, data instituída pela ONU em 2007. Entretanto, fica o questionamento: temos o que comemorar?
Reflexão
Talvez a resposta seja unânime entre os usuários. “Hoje o que está em jogo é uma forma de
construção da imagem própria muito forte, uma atualização constante dos seus percursos no dia a dia. Acho que isso é o que mais atrai as pessoas e explica o fenômeno das redes sociais”, conta André ternos, professor doutor da Faculdade de Comunicação da Ufba.
Para Nelson Pretto, professor e doutor da’ Faculdade de Educação da Ufba, a web tem dois
aspectos positivos fundamentais: ela possibilita rapidez de reação dos usuários e a capacidade de produção de informações. Isso muda a relação do cidadão com a informacão.
“O poder do cidadão é fortalecido no sentido de que ele também pode produzir culturas e conhecimentos”, argumenta.
Entretanto, Lemos destaca o cuidado que se deve ter com a privacidade. As pessoas devem
usar, mas com atenção, sabendo que tudo que elas fazem na web está ali, que a internet não esqueceu, ressalva.
Elídio Alrneida, psicólogo e professo, pondera sobre a necessidade de estabelecer limites
e conciliar o mundo online com o oftline, a fim de evitar futuras patologias causadas pelo excesso, como sedentarismo e isolamento.
É preciso pensar sempre sobre as consequências do uso excessivo da internet no mundo
oftline, mas não ignorarque ela está intensamente presente em nossas vidas na atualidade”.
FONTE: A TARDE, SALVADOR/BA (Thuanne Silva)
Plataformas pessoais de cloud deverão substituir PC
16/05/2012 às 3:14 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentárioTags: computação em nuvem, Internet, Tecnologia
De acordo com o Instituto Gartner, por volta de 2014, portanto em plena Copa do Mundo, a nuvem pessoal vai liderar uma nova era de utilização da computação. E isso combinado com a tendência atual de utilização de dispositivos móveis vai mudar nossas vidas (nesse sentido a figura abaixo carece de ajuste, no final tinha que aparecer um Tablet ou um iPhone). É a núvem computacional e os dispositivos móveis tomando conta do céu nosso de cada-dia. Quem estiver vivo verá !
Plataformas pessoais de cloud deverão substituir PC
O reinado do computador pessoal como elemento principal de acesso à tecnologia parece caminhar mais rapidamente para o seu fim, segundo projeções do Gartner. De acordo com o instituto de pesquisas, o fenômeno da consumerização, a virtualização e o aparecimento de dispositivos móveis deverão condenar o PC tradicional face aos novos ambientes materializados por meio de smartphones e em particular das plataformas de nuvem pessoal.
As cloud pessoais deverão suportar a emergência de um novo nível de flexibilidade associada a dispositivos utilizados para as atividades diárias, com o aproveitamento dos pontos fortes de cada terminal. Em última análise, permitirão novos patamares de satisfação dos usuários e produtividade no local de trabalho, considera o Gartner.
“Principais tendências na computação já colocam em foco o PC e assumem uma perspectiva mais ampla que inclui smartphones, tablets e outros dispositivos de consumo”, diz Steve Kleynhans, vice-presidente de Pesquisa do Gartner. “Os novos serviços pessoais de cloud computing vão tornar-se o elo entre os dispositivos usados pelos consumidores nos diferentes momentos de suas vidas”, completa.
Mas esse não será um processo simples, por várias razões, indica o levantamento. Muitas tendências criaram um novo paradigma que as empresas devem se adaptar e que também vão beneficiar muito os consumidores. Entre as causas, a primeira e mais óbvia, é a consumerização. Os usuários, hoje, conhecem melhor a tecnologia do que as gerações anteriores.
Por outro lado, os consumidores modernos também têm expectativas diferentes, impulsionadas em grande parte pelos meios de comunicação e a internet, as redes sociais e os novos dispositivos móveis. Além disso, a partir da democratização da tecnologia, usuários de todos os tipos agora podem ter ao alcance tecnologias sofisticadas.
O Gartner indica que algumas tecnologias, como virtualização, aprimoraram a flexibilidade e disponibilizaram mais opções às empresas na adoção de ambientes móveis aos clientes internos. A virtualização também fornece uma maneira de mover as aplicações legadas do PC para um novo mundo emergente.
A terceira tendência que favorece o desenvolvimento de nuvens pessoais em relação ao PC tradicional é chamada de “app-fixação”. Nela, os usuários observam atentamente a forma como as aplicações são concebidas, disponibilizadas e consumidas ou usadas.
E isso terá inevitavelmente um impacto drástico sobre todos os outros aspectos do mercado. Essas mudanças, aponta o Gartner, vão mudar a forma como as aplicações são desenhadas e implementadas em ambientes empresariais.
Self service e mobilidade
Serviços em cloud computing abrem um novo mundo de oportunidades. Cada usuário pode agora ter um conjunto expansível e quase infinito de recursos disponíveis. Os impactos sobre a infraestrutura são impressionantes. Mas quando se aplicam às pessoas, trazem algumas vantagens específicas ainda mais surpreendentes. As atividades digitais dos usuários de TI estão mais autodirecionadas do que nunca.
Os usuários procuram tomar suas próprias decisões sobre as aplicações, serviços e conteúdos, com base em uma oferta online quase ilimitada. Isso promove uma cultura self service que os usuários esperam ter em todos os aspectos da sua experiência digital, incluindo o ambiente empresarial.
Por último, a mobilidade é o verdadeiro catalisador desse novo paradigma. Hoje, os dispositivos móveis, combinados com cloud computing, podem realizar a maioria das tarefas de computação. Ao mesmo tempo, proporcionam um grau de conforto e flexibilidade só possíveis com terminais móveis. O aparecimento de mais interfaces fazem com que esses aparelhos sejam mais práticos. Assim, de acordo com o instituto de pesquisas, usuários podem tirar proveito não só de recursos de detecção e leitura de toques, gestos, conhecimento contextual e reconhecimento de fala.
FONTE: http://computerworld.uol.com.br/tecnologia/2012/03/12/plataformas-pessoais-de-cloud-deverao-substituir-pc/
Os piratas e a rede, ou o CONTROL-C + CONTROL-V
08/05/2012 às 3:05 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentárioTags: direito, Internet, Tecnologia
Longe de fazer qualquer propaganda dessa revista, vejam o editorial (Carta ao Leiror), de Katia Militello abaixo, publicada na InfoExame do mês de março/2012. O motivo de publicar aqui é porque entendo que o tema vai além da pirataria e Internet, trata de direitos autorais, um assunto que já tratei aqui em outros posts (A REVOLUÇÃO DAS TIC E A QUESTÃO DA AUTORIA e LIVRO EM PAPEL, AUTORIA, BIBLIOTECA UNIVERSAL) e que precisa ser encarado por todos. Na era da cibercultura esse conceito já mudou, mas tem gente que insiste no passado, principalmente os operadores (???) do Direito.
Um antigo chefe meu já dizia há mais de uma década que o melhor comando jamais criado em computação foi o CONTROL-C + CONTROL-V, mas isso os japoneses já haviam descoberto há um século ! E os chineses, com todo o seu potencial de gente, estão aplicando essa ‘tecnologia’ para dominar o mundo e suplantar o império atual !
Destaco do texto:
1 – A vocação da internet sempre foi a de replicar e distribuir informação e todas as principais formas de arte e comunicação adaptaram-se a isso.
2 – Não há hoje como controlar quem é o dono de todos os arquivos que circulam na rede.
3 – Gravar uma música que é baixada por mil ou por milhões de pessoas custa o mesmo, não há livro esgotado nas lojas virtuais e um
artista desconhecido tem o mesmo espaço no YouTube que uma banda que lota estádios.
O primeiro a usar o termo pirata para descrever os malfeitores que pilhavam navios e cidades costeiras foi Homero, na Grécia antiga, em sua Odisseia. A pirataria foi primeiro praticada por gregos, que roubavam mercadores fenícios e assírios desde 735 a.C. Atualmente, os piratas dos mares agem com mais frequência no Sudeste asiático e no Caribe, com suas lanchas rápidas. No mundo digital e na internet, a definição de pirataria é muito mais abrangente e complexa. Ao contrário de metais e pedras preciosas, o que se baixa são músicas, filmes, textos, softwares, jogos. Mas os internautas que replicam fotos
e vídeos que receberam de amigos devem ser abandonados numa ilha deserta com um naco de pólvora, uma arma velha e uma garrafa de água, como mandava o código de conduta dos piratas do mar pegos com tesouros alheios?
A vocação da internet sempre foi a de replicar e distribuir informação e todas as principais formas de arte e comunicação adaptaram-se a isso. Da música ao cinema, passando pela TV, a literatura, a fotografia. Mas não sem brigas. Do fim do Napster, no início dos anos 2000, ao fechamento do Megaupload, em janeiro, muita coisa mudou, como mostra a reportagem de capa desta edição, apurada pelos editores Juliano Barreto e Maurício Moraes.
Apesar das tentativas de criar leis mais duras de proteção da propriedade intelectual, como as rigidas e rejeitadas Sopa e Pipa, a intemet e a pirataria são inseparáveis. Não há hoje como controlar quem é o dono de todos os arquivos que circulam na rede.
Muitos escritores, cineastas e músicos já perceberam que o “ilegal” está funcionando como um ponto importante de entrada para suas obras e quando as pessoas gostam, tendem a pagar pelo conteúdo. O maior exemplo disso é o escritor Paulo Coelho, que há anos criou o site The Pirate Coelho, que hoje direciona o internauta para seu blog, onde publica com frequência trechos e coloca até livros inteiros para download. Em entrevista a INFO, Coelho diz que a forma de distribuir conteúdo está passando novamente por uma grande mudança. “Ela não vai mais existir como é hoje, o modelo econômico vai mudar”, afirma.
Mas tudo indica que haverá ainda uma guerra dê gato e rato. A indústria tradicional tenta bloquear o acesso para fazer as pessoas comprarem legalmente e a distribuição informal vai contra e se mantém ativa. Mas pela primeira vez na história, o valor dos produtos desobedece a velha fórmula da oferta e da procura. Gravar uma música que é baixada por mil ou por milhões de pessoas custa o mesmo, não há livro esgotado nas lojas virtuais e um
artista desconhecido tem o mesmo espaço no YouTube que uma banda que lota estádios. O consumidor está no controle e vai forçar a indústria de entretenimento a usar a rede de forma mais criativa. Boa leitura e até abril!
Um professor pode ser substituído por uma máquina (pode ?)
25/04/2012 às 3:57 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentárioTags: Educação, Internet, Tecnologia
O tema é bastante polêmico. Em janeiro do ano passado fiz um post na mesma direção deste ( “Robô substitui professor em sala de aula na Coreia do Sul“ ). Sou suspeito para opinar porque ministrei aulas presenciais por dezesseis anos, escola pública, em Brasília/DF. A minha experiência diz que não há nada que substitua o Professor. Numa primeira vista pode-se pensar que a proposta é essa, mas no final não é bem assim. Confiram.
“Crianças que não sabiam inglês estavam surfando na web, ensinando umas às outras”
Sugata Mitra
Sugata Mitra: “Um professor pode ser substituído por uma máquina”
Um dos maiores especialistas do mundo em tecnologias educacionais fala ao público da Campus Party 2012, em São Paulo, sobre sua experiência com crianças que aprendem sobre o mundo apenas em computadores, e ensinam umas às outras.
Sugata Mitra, indiano radicado na Inglaterra, veio à Campus Party 2012, no Anhembi Parque, em São Paulo, para falar de um assunto tomado como “chato” por um público de jovens nerds e seus potentes computadores: Educação. O senhor gordinho, de bigode grisalho e algum bom humor acabou lotando as cadeiras de plástico do palco principal da feira para falar de uma experiência cativante com crianças indianas e computadores, e causou impacto ao afirmar que “professores podem ser substituídos por uma máquina”. “E o que pode ser substituído por uma máquina deve ser substituído”, disse, arrancando aplausos do público. A palestra ocorreu no início da noite desta terça-feira, dia 7.
Mitra é pesquisador e professor de Tecnologia Educacional da Newcastle University, na Inglaterra, e professor visitante do Massachusetts Institute of Technology, o prestigiado MIT, no Estados Unidos. Sua principal pesquisa foi o mote da palestra, intitulada “O buraco na parede… e além”. O título se refere à experiência de colocar um computador preso dentro de uma parede, com acesso à internet, em um povoado pobre da Índia, sua terra natal.
“Entre 1999 e 2001, na Índia, havia muitas crianças sem acesso a computadores, e quase nenhum professor para ensinar informática”, disse Mitra. Ele resolveu testar a reação das crianças ao aparelho sem a ajuda de professores, simplesmente colocando um no meio de uma favela indiana. Não havia ninguém para ajudar no uso, mas a máquina tinha monitoramento remoto. Estava equipada com teclado, mouse e o mecanismo de busca na web popular na época, o Altavista.
O resultado dos dados de navegação foi surpreendente. “Crianças que não sabiam inglês estavam surfando na web, ensinando umas às outras”, disse o professor. Ao repetir a mesma experiência em uma comunidade ainda mais isolada, o resultado de dois meses foi uma demanda técnica das crianças. “Eles disseram que precisavam de um processador mais rápido e um mouse melhor”, afirma Sugata Mitra.
Com os resultados impressionantes nas mãos, a equipe de Mitra conseguiu verba do Banco Mundial para prosseguir com a pesquisa, que foi replicada em outras cidades da Índia e da África do Sul. Além de dados, os computadores da nova fase também enviavam fotografias de quem estava usando a máquina e imagens da tela navegada, de dois em dois minutos. Para garantir que apenas crianças navegassem, o teclado e o mouse ficavam em uma caixa de madeira, com um buraco para caber apenas mãos bem pequeninas.
Até 2004, segundo Mitra, 1 milhão de crianças aprenderam sozinhas a usar o computador, em grupo, ensinando umas às outras. E aprenderam o básico de inglês, para poder se comunicar com o mundo. “Em apenas 9 meses, as crianças chegavam no nível de secretárias que trabalham com o computador”, disse.
A partir de 2004, a pesquisa seguiu rumos ambiciosos. A demanda por pessoas que falam língua inglesa nos empregos indianos – principalmente em call centers – era, e é, grande na Índia. A ideia de Mitra foi introduzir no computador de uma turma específica um programa que transforma em texto as palavras ditas em inglês. “No começo, elas falavam e o computador não entendia. Disse que elas teriam que fazer com que o computador entendesse”, afirmou. “Voltei 2 meses depois e cumprimentei uma criança: ‘How are you?’ (‘Como está você?’). Ela respondeu ‘Fantastic’ (‘Fantástico’)”, disse. Segundo Mitra, os estudantes tinham baixado uma versão online do Dicionário Oxford. Assim, buscavam a palavra, ouviam a pronúncia e repetiam para o programa instalado pelo pesquisador, que reproduzia a mesma palavra na tela. Era só conferir. “Um professor faria isso. Mas o professor (ele mesmo) foi embora, e só voltou dois meses depois”.
Outra evolução da pesquisa foi um teste arriscado, e o resultado, segundo Mitra, era analisar o fracasso. O ‘problema’ é que não houve fracasso. A proposta: Será que crianças na pré-adolescência entenderiam um texto que explica a biotecnologia na reprodução do DNA? No primeiro teste sobre o assunto, todos tiraram zero, como era de se esperar. Dois meses depois, a mesma coisa. O interessante é que ninguém, segundo Mitra, deixava de se interessar em tentar. Mais dois meses se passaram e o nível de acerto em um novo teste foi de 30%. Sugata Mitra queria 50%, o mesmo nível obtido por crianças das melhores escolas particulares de Nova Deli, capital da Índia.
A estratégia para alcançar esse objetivo foi simples: Escolher uma aluna simplesmente para incentivar as crianças, dizendo coisas como “Fantástico! Na minha idade eu faria muito menos”, mesmo que o resultado do ‘aluno’ em questão não fosse satisfatório. No terceiro teste, as crianças acertaram metade das questões, afirma Mitra.
Atualmente, as pesquisas com crianças e computadores são aplicadas por Mitra em vários países, inclusive no Brasil. Na manhã antes da palestra, no dia 7 de fevereiro, o pesquisador visitou a Casa do Zezinho, um projeto social de educação para crianças de favelas da Zona Sul de São Paulo. A nova configuração do experimento é apresentar grandes questões às crianças e esperar pelo resultado das buscas em grupo.
A questão apresentada às crianças de São Paulo foi “Por que nós sonhamos?”. Com apenas um dia de pesquisas, a resposta foi simples, mas surpreendente: “Sonhos são causados pela mente, e Sigmund Freud desvendou seus significados. Mas estudos recentes contestam as conclusões dele”, disse Mitra, reproduzindo a resposta dos alunos.
Na polêmica teoria de Sugata Mitra, “o futuro da educação está na auto-educação”, e o papel do professor do futuro seria o de apresentar questões que instigam a curiosidade das crianças, principalmente crianças com menos de 13 anos, mais abertas ao conhecimento e menos ligadas a questões como classes sociais. “A reação de crianças abaixo dos treze anos é exatamente igual em qualquer lugar do mundo”, afirma o pesquisador. “O emprego dos professores não seria ameaçado. Seria diferente”, afirmou.
Como exemplo do sucesso de formular questões interessantes às crianças, ele usou uma pergunta feita para um grupo da Itália: “Como um iPad (tablet da Apple) sabe onde ele está?”. O resultado da pesquisa dos alunos foi simples: três satélites localizam o iPad, e assim é possível identificar seu lugar no espaço. Segundo Mitra, ensinar as bases da trigonometria, que explicam de outra forma a questão do iPad, não instiga a curiosidade infantil. “Estudar os ângulos de um triângulo dá sono”, diz.
Como um modelo de ensino tão polêmico teria lugar nas escolas? Segundo Mitra, a mudança precisa vir de baixo para cima. “Basta procurar as empresas de tecnologia e investir na banda larga nas escolas, e tudo vai acontecer naturalmente”, diz Mitra, que já procurou o governo da Inglaterra para testar seu modelo, sempre sem sucesso.
saiba mais: Começa a Campus Party 2012, maior feira de inovação tecnológica do país
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