A PRINCÍPIO
20/05/2012 às 3:54 | Publicado em Canto da poesia | Deixe um comentárioTags: poema, poesia
Será que é de Mário Quintana mesmo ? Sei lá… só sei que a mensagem é bacana, segue pois:
A princípio, bastaria ter saúde, dinheiro e amor,
o que já é um pacote louvável, mas nossos desejos
são ainda mais complexos.
Não basta que a gente esteja sem febre:
queremos, além de saúde,
ser magérrimos, sarados, irresistíveis.
Dinheiro? Não basta termos para pagar o aluguel,
a comida e o cinema: queremos a piscina olímpica
e uma temporada num spa cinco estrelas.
E quanto ao amor?
Ah, o amor… não basta termos alguém com quem
podemos conversar, dividir uma pizza
e fazer sexo de vez em quando.
Isso é pensar pequeno:
queremos AMOR, todinho maiúsculo.
Queremos estar visceralmente apaixonados,
queremos ser surpreendidos por declarações
e presentes inesperados, queremos jantar à luz
de velas de segunda a domingo, queremos sexo selvagem
e diário, queremos ser felizes assim e não de outro jeito.
É o que dá ver tanta televisão.
Simplesmente esquecemos de tentar ser felizes
de uma forma mais realista.
Ter um parceiro constante, pode ou não,
ser sinônimo de felicidade.
Você pode ser feliz solteiro,
feliz com uns romances ocasionais,
feliz com um parceiro, feliz sem nenhum.
Não existe amor minúsculo, principalmente
quando se trata de amor-próprio.
Dinheiro é uma benção.
Quem tem, precisa aproveitá-lo, gastá-lo, usufruí-lo.
Não perder tempo juntando, juntando, juntando.
Apenas o suficiente para se sentir seguro,
mas não aprisionado.
E se a gente tem pouco, é com este pouco que vai tentar segurar
a onda, buscando coisas que saiam de graça, como um pouco
de humor, um pouco de fé e um pouco de criatividade.
Ser feliz de uma forma realista é fazer o possível
e aceitar o improvável.
Fazer exercícios sem almejar passarelas,
trabalhar sem almejar o estrelato,
amar sem almejar o eterno.
Olhe para o relógio: hora de acordar.
É importante pensar-se ao extremo, buscar lá dentro
o que nos mobiliza, instiga e conduz,
mas sem exigir-se desumanamente.
A vida não é um jogo onde só quem testa
seus limites é que leva o prêmio.
Não sejamos vítimas ingênuas desta tal competitividade.
Segundo Pensamento
02/01/2012 às 17:55 | Publicado em Baú de livros, Canto da poesia | Deixe um comentárioTags: Literatura, poesia
Este livro, lançado em Fortaleza/CE recentemente, traz uma poesia de um amigo-irmão, o João Bosco Martins, que já lançou outras obras e já esteve presente aqui neste ZEducando antes (vide Escola do Silêncio – aprofundando a paz interior !). A poesia abaixo encontra-se na página 224 do livro em apreço.
Animal Falante
É homem feito animal,
Vejo-o com respeito,
Humano marginal,
Reflito com um nó no peito,
Segue adiante:
Animal falante!
É espécie humana,
Empurra sua carroça,
Criatura pobre, sem grana,
Olhe para essa gente, ouça,
Segue adiante:
Animal falante!
É coletor de lixo reciclável,
Enche o carrinho com papelão,
Vítima de um desemprego execrável,
Triste situação,
Segue adiante:
Animal falante!
É andante da cidade,
Trilha a avenida movimentada,
Pessoa de toda idade,
Olho-o pela manhã, até madrugada,
Segue adiante:
Animal falante!
É povo animalesco,
Sobe e desce a rua,
Habitante que paga um preço,
Vivencia uma realidade crua,
Segue adiante:
Animal falante!
É pessoal de fibra,
Tem o sol forte no rosto,
Individuo de briga,
Luta com desgosto,
Segue adiante:
Animal falante!
É trabalhador necessitado,
Corre atrás do pão de cada dia,
Personalidade que não foge do fardo,
Labuta com energia,
Segue adiante:
Animal falante!
É homem cansado,
Dorme no chão,
Sofredor rejeitado,
Vê a lua dentro da solidão,
Segue adiante:
Animal falante!
É mulher sem cidadania,
Filho dorme ao relento,
Sonha com a moradia,
Carece de sustento,
Segue adiante:
Animal falante!
É menino maltratado,
Procura a salvação,
Sujeito despersonalizado,
Fruto da omissão,
Segue adiante:
Animal falante!
É país desigual,
Sem paz social,
Rico com muito,
Pobre com pouco,
Poucos com muito,
Muitos com pouco,
Segue adiante!
Animal falante!
João Bosco Barbosa Martins
E o mundo velho acabou
04/12/2011 às 3:24 | Publicado em Artigos e textos, Canto da poesia | Deixe um comentárioTags: poesia
É ou não uma poesia em prosa, moderníssima, baianíssima ? Curtam pois Aninha Franco (made in A TARDE de Salvador/BA) que nos binda com sua prosa-poesia !
E O MUNDO VELHO ACABOU
O mundo velho, aquele que se foi de velhice antes de acabar, acorda cedo e tem medo
de morrer. Nós, osque nascemos, criamos, ganhamos, perdemos, fomos felizes ou infelizes nele, cansamos dele e vivemos espantados com o mundo novo que desconhecemos. Ainda. Mundo quese desconfia. Confiável. O mundo velho tem hábitos vergonhosos nas polfticas e dos políticos. O novo tem nojo. O mundo velho burocratiza. O novo pirateia. O mundo velho totalitarizou; o novo libertará. O mundo velho tem estações. O novo terá horários de verão, de inverno, de primavera e de outono. O mundo velho desmata, o novo refloresta.
No mundo velho, lula lá. No novo, Dilma Rousseff. O mundo velho toma chá na academia; o novo feicebuqueia. O rnundo velho conta mortos; o novo reorientará a civilização. O mundo velho guarda dinheiro; o novo gasta. O mundo velho astronômico; o novo gastronômico. O
mundo velho inventou Brasília e a sua umidade do ar; o mundo novo saboreia suas araucárias. O mundo velho fez música; o mundo novo fará teatro. O mundo velho fez rock in Rio; o novo contesta Einstein. O mundo velho convive com a miséria; o novo quer transparência para asfixiá-Ia. O mundo velho cria partidos; o novo derruba ministros. O mundo velho aumenta o IPI dos carros importados; o novo quer metrô. O mundo velho chora a morte dos seus ismos; o novo não vai ao enterro porque sabe que os mortos enterram seus mortos.
O mundo velho é amor e sexo. O novo é sexo e amor. O mundo velho, intuição; o novo,
conhecimento. O mundo velho, gêneros; o novo, eficiências. O mundo velho explorou a Bolívia até ontem, o novo fez do Google mais valioso do que o PIB da Bolívia. O mundo velho e o mundo novo se perguntam sem respostas: e a educação brasileira? O mundo velho é moda, o novo é figurino. O mundo velho era de poucos, o novo é de quem o queira. O mundo velho é analógico, o novo, por enquanto, é digital. O mundo velho sofre nas filas do SUS. O novo passa ketchup no horizonte e simula um juízo final em cada pôr-da-sol.
Cora Coralina
28/11/2011 às 11:58 | Publicado em Canto da poesia | Deixe um comentárioTags: poesia
Desfazendo um erro histórico deste espaço, o de nunca ter publicado uma poesia de Cora Coralina, segue aqui uma mensagem das mais belas, e em seguida um poema dela, telúrico, lindo: “O Cântico da terra”.
CORA CORALINA
Um repórter perguntou à Cora Coralina o que é viver bem.
Ela lhe disse:
Eu não tenho medo dos anos e não penso em velhice. E digo pra você, não pense.
Nunca diga estou envelhecendo, estou ficando velha. Eu não digo. Eu não digo que estou velha, e não digo que estou ouvindo pouco.
É claro que quando preciso de ajuda, eu digo que preciso.
Procuro sempre ler e estar atualizada com os fatos e isso me ajuda a vencer as dificuldades da vida. O melhor roteiro é ler e praticar o que lê. O bom é produzir sempre e não dormir de dia.
Também não diga pra você que está ficando esquecida, porque assim você fica mais.
Nunca digo que estou doente, digo sempre: estou ótima. Eu não digo nunca que estou cansada.
Nada de palavra negativa. Quanto mais você diz estar ficando cansada e esquecida, mais esquecida fica.
Você vai se convencendo daquilo e convence os outros. Então silêncio!
Sei que tenho muitos anos. Sei que venho do século passado, e que trago comigo todas as idades, mas não sei se sou velha, não. Você acha que eu sou?
Posso dizer que eu sou a terra e nada mais quero ser. Filha dessa abençoada terra de Goiás.
Convoco os velhos como eu, ou mais velhos que eu, para exercerem seus direitos.
Sei que alguém vai ter que me enterrar, mas eu não vou fazer isso comigo.
Tenho consciência de ser autêntica e procuro superar todos os dias minha própria personalidade, despedaçando dentro de mim tudo que é velho e morto, pois lutar é a palavra vibrante que levanta os fracos e determina os fortes.
O importante é semear, produzir milhões de sorrisos de solidariedade e amizade.
Procuro semear otimismo e plantar sementes de paz e justiça. Digo o que penso, com esperança.
Penso no que faço, com fé. Faço o que devo fazer, com amor. Eu me esforço para ser cada dia melhor, pois bondade também se aprende.
Mesmo quando tudo parece desabar, cabe a mim decidir entre rir ou chorar, ir ou ficar, desistir ou lutar; porque descobri, no caminho incerto da vida, que o mais importante é o decidir.
(Cora Coralina)
Eu sou a terra, eu sou a vida.
Do meu barro primeiro veio o homem.
De mim veio a mulher e veio o amor.
Veio a árvore, veio a fonte.
Vem o fruto e vem a flor.
Eu sou a fonte original de toda vida.
Sou o chão que se prende à tua casa.
Sou a telha da coberta de teu lar.
A mina constante de teu poço.
Sou a espiga generosa de teu gado
e certeza tranqüila ao teu esforço.
Sou a razão de tua vida.
De mim vieste pela mão do Criador,
e a mim tu voltarás no fim da lida.
Só em mim acharás descanso e Paz.
Eu sou a grande Mãe Universal.
Tua filha, tua noiva e desposada.
A mulher e o ventre que fecundas.
Sou a gleba, a gestação, eu sou o amor.
A ti, ó lavrador, tudo quanto é meu.
Teu arado, tua foice, teu machado.
O berço pequenino de teu filho.
O algodão de tua veste
e o pão de tua casa.
E um dia bem distante
a mim tu voltarás.
E no canteiro materno de meu seio
tranqüilo dormirás.
Plantemos a roça.
Lavremos a gleba.
Cuidemos do ninho,
do gado e da tulha.
Fartura teremos
e donos de sítio
felizes seremos.
(Cora Coralina)
Mais um ano
12/11/2011 às 3:11 | Publicado em Midiateca, Zuniversitas | 12 ComentáriosTags: Educação, filosofia, poesia, Tecnologia, ZEducando
Em mais este aniversário do ZEducando, dois videos comemorativos de Miguel Nicolelis: tecnologia, educação, poesia e filosofia em última instância. Agradeço a todos que colaboraram no caminho do blog, via e-mail e comentários.
PROVOCAÇÕES – MIGUEL NICOLELIS
JÔ SOARES ENTREVISTA MIGUEL NICOLELIS
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