Cartilha do hífen

10/05/2012 às 3:18 | Publicado em Zuniversitas | 1 Comentário
Tags:

O hífen sempre foi um problema para quem usa a língua Portuguesa. E ao que parece com a última reforma ortográfica ficou ainda pior. Passo a dica abaixo (para download) do arquivo “CARTILHA TEM HÍFEN” da Editora FTD. Basta clicar no link e baixar o arquivo (em pdf).

Hifenhttp://www.divshare.com/download/17122469-daa

Vem ai o estatuto da palavra

27/04/2012 às 3:16 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
Tags: ,

Censura de palavras constantes em dicionário ? Endoidou todo mundo ? Vejam essa do Ubaldo, publicada no ATARDE, de Salvador/BA, dia 11 do mês passado.

Eliminar do dicionário uma palavra lexicograficamente legítima não só é uma violência despótica, como uma inutilidade, pois a palavra sobreviverá, se tiver funcionalidade na língua, para que segmento seja.

De resto, a língua é viva e livre e ninguém manda nela, nem mesmo as ditaduras. E não insulta ninguém, depende para isso de seus usuários, que criam o que é considerado ofensa.

ubaldo


VEM AI O ESTATUTO DA PALAVRA (João Ubaldo Ribeiro)

Para mim, é sinal de atraso, mas acho que sou minoria. Estamos atravessando um interessante processo sociopolítico, em que o comportamento pessoal e particular é cada vez mais controlado, com a nobre finalidade de nos proteger, geralmente de nós mesmos. Já imaginei várias possíveis consequências disso, inclusive a criação das figuras da ortocópula e da cacocópula. Não, o Estado não instalará câmeras de tevê nas alcovas, para monitorar a intimidade dos casais. Só creio que isso pudesse acontecer, ainda que muito remotamente, em São Paulo, onde hoje é bem mais fácil ser assaltante do que fumante. Se o assaltante estiver fumando, duvido que assalte qualquer coisa em Congonhas, por exemplo, porque, assim que passar por baixo da marquise, um ou dois policiais o pegarão. Já assalto simples, sem cigarro, é outra coisa.
Não haverá necessidade da monitoração, a não ser por ordem judicial. O Estado definiria uma cópula otimizada, numa escala, vamos dizer, de um a cinco. Nessa faixa, teríamos a ortocópula. Passando de cinco, já se começaria a pisar o arriscado terreno da cacocópula. A iniciativa da ação estatal seria nos mesmos moldes da lei da palmada. O cônjuge atingido poderia denunciar o autor da cacocópula, ou isso poderia caber a quem quer que tivesse condição de levantar suspeitas, tais como vizinhos e parentes. Se o casal vizinho tem uma trilha sonora exuberante durante suas conjunções carnais, aludindo, em voz audível através de um copo na parede, a práticas consideradas inaceitáveis pelos padrões oficiais, o longo braço da lei pode alcançá-lo. Mesmo que tanto ela quanto ele garantam que fazem aquilo somente entre os dois e gostam desse jeito, serão classificados como anormais e levados a tratamento psiquiátrico. Não se obtendo êxito, paciência. Compete ao Estado zelar pelo bem deles e, portanto, o divórcio será obrigatório, podendo ambos inscrever-se no programa governamental “Refaça Sua Vida”, que permitirá novo casamento aos que comprovarem ter abandonado atos sexuais ilícitos. Os filhos estarão bem entregues a parentes e, na falta destes, a alguma das exemplares instituições que o Estado mantém para a guarda e educação de menores desamparados.
Agora há novamente paladinos da sociedade perfeita, o que lá seja isso, que querem censurar dicionários. De vez em quando, aparece um desses. Censurar a lexicografia é uma curiosa inovação. Dicionário é um trabalho lexicográfico, não uma peça normativa. O lexicógrafo não concorda ou discorda do uso de uma palavra ou expressão qualquer. Obedecendo a critérios tão objetivos e neutros quanto possível, constata o uso dessa palavra ou expressão e tem a obrigação de registrá-la. Eliminar do dicionário uma palavra lexicograficamente legítima não só é uma violência despótica, como uma inutilidade, pois a palavra sobreviverá, se tiver funcionalidade na língua, para que segmento seja.
Não se pode legislar o funcionamento da língua. O que se pode, no máximo, é regular a chamada norma culta, que poderia ter qualquer outro nome, porque é destinada apenas a manter um pouco da estabilidade da comunicação necessária à sociedade, desde o convívio interpessoal aos documentos de uso comum, da propaganda às leis. Se não fosse assim, dentro de pouco tempo a comunicação verbal seria quase impossível. De resto, a língua é viva e livre e ninguém manda nela, nem mesmo as ditaduras. E não insulta ninguém, depende para isso de seus usuários, que criam o que é considerado ofensa.
Mas os usuários são renitentes, de forma que, como no caso da cópula, isso tem que ser regulado, não é possível permitir que o dicionário registre termos que poderiam ofender algum indivíduo ou categoria. Acho que tem muita limpeza a ser feita e agora mesmo me ocorrem cretino, imbecil, idiota, boçal e outras palavras muito usadas para insultos, que, ainda por cima, são empregadas erroneamente, pois sabe-se atualmente que o boçal não tem culpa de sua boçalidade. Há muita gente que acha que se trata de um triste problema genético e todo boçal é uma vítima que, assim como o bandido, foi marginalizada (ou excluída, que está mais na moda) e sofreu bullying na infância.
Urge também o banimento de palavras que agravem povos irmãos, mesmo que hoje seus países não existam mais politicamente, como beócios e capadócios. Os já citados cretinos são outro caso deplorável, pois, para grande vergonha nossa, a palavra vem do francês crétin, a qual, por sua vez, vejam como o mundo dá voltas – se originou de chrétien, ou seja, cristão. Patenteia-se aí um claro insulto a toda a cristandade e cretino merece dupla proibição. Baiano burro (aliás, mentalmente prejudicado, para não ofender o burro e incutir nas crianças desprezo por um animal tão útil à humanidade) nasce morto, bem sei, mas não se fazem mais baianos como antigamente e não duvido que surja um grupo na Bahia, empenhado em abolir termos e expressões como “baianada” e “gelo de baiano”. E certamente apoiarão seus irmãos paulistas na justa revolta destes, ao serem informados de que lombo de carne de boi é chamado na Bahia de “paulista” e que muitos baianos, a cada dia, dizem casualmente “hoje eu vou comer um paulista lá em casa”.
Com os dicionários expurgados, não mais compreenderemos livros escritos antes desta era. É um preço pequeno a pagar, para nos livrarmos de uma herança maldita e tornar nossa língua própria para os anjos que em breve seremos. Aguardo agora normas sobre as artes. As artes deverão ser obrigadas à imparcialidade e a conceder espaço igual a todos. Assim, se o vilão de um romance for católico e o mocinho evangélico, será exigida, concomitantemente, uma versão com os papéis invertidos. Se um samba falar que “minha nega me traiu”, vai ter que haver outra versão, com a mesma melodia, cantando “minha loura me chifrou”. E por aí vamos, ainda chegamos ao primeiro mundo.

A alma, o escândalo e a anedota

22/04/2012 às 21:01 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
Tags: ,

Fechando a noite com mais uma bela crônica de Veríssimo:


VIRANDO ANEDOTA  verissimo_baptistao

A oposição entre corpo e alma não existia em tempos bíblicos, ou pelo menos na linguagem bíblica. Mas a versão em latim antigo das Escrituras que Santo Agostinho lia usava “anima” para traduzir “nefesh”, que em hebraico não quer dizer alma mas algo como sopro vital, ser, uma forma exaltada do “eu”. E foi nesse engano que tudo começou.

A alma e o corpo se separaram e nunca mais se encontraram. E nunca mais se pode ler o Velho Testamento a não ser como Agostinho o lia, não como um relato da aventura do corpo humano no mundo como Deus o fez, cheio de som, fúria, sangue e sacanagem, mas como uma alegoria espiritual, em que até os cantares eróticos de Salomão queriam dizer outra coisa: a luta da alma para transcender o corpo, que para Agostinho significava a sexualidade.

Tudo culpa de um mau tradutor.

Freud tentou, de certa maneira, retransformar “anima” em “nefesh”, mas como muito do que ele escreveu em alemão também foi mal traduzido em outras línguas, a confusão só aumentou. No fim a grande danação sob a qual vive a Humanidade não é a da História nem da carne, é a insanável danação de Babel.

Deus disse “que haja muitas línguas, e que cada língua tenha muito dialetos”. E depois, para ter certeza que os homens nunca mais se entenderiam, completou: “E que haja tradutores.”

Um estudo, mesmo superficial como o meu, da etimologia e das transformações que as palavras sofrem através do tempo e das más traduções revela coisas fascinantes.

“Escândalo” — uma palavra que nos diz muito respeito — está indiretamente ligado, na sua origem, aos pés. Sua raiz indo-europeia é “skand”, pular ou subir, de onde também vem escalada. Quem pula ou sobe precisa cuidar onde põe os pés e o grego “skandalon” significa um obstáculo ou uma armadilha.

“Scandalum“ em latim tanto pode significar tentação como armadilha. No francês antigo “scandal“ era um comportamentro antirreligioso que agredia a Igreja todo-poderosa e, da mesma origem, existia a palavra “sclaudre”, de onde vem o inglês “slander”, ou difamação.

Alguns escândalos não investigados, como acontece muito no Brasil, acabam virando anedotas. “Anedota” vem, através do francês “anecdote”, do grego “anekdotos”, história não publicada, presumivelmente tanto no sentido de inédita quanto no sentido de versão não oficial, secreta, clandestina, enfim, tipo “em Brasília não se fala em outra coisa”.

Em francês queria dizer pequeno relato ilustrativo à margem de um relato maior. No seu sentido brasileiro continua sendo uma história marginal, só que engraçada, ou se esforçando para ser.

Sobrevive, na anedota, a tradição homérica da literatura oral, passada de geração a geração sem necessidade de escrita. Se for escrita, deixa de ser anedota. Muitos contadores anotam o fim da anedota para não esquecê-la, mas se sentiriam heréticos se a escrevessem toda. E assim correm o risco de esquecerem o resto e ficarem com uma coleção de últimas frases sem sentido.

Sem leitura não há salvação

07/04/2012 às 3:33 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
Tags: ,

Esse post é para reflexão sobre a leitura, sobretudo por parte dos jovens de hoje. Destado o texto do Professor Deonísio da Silva (o artigo foi publicado no jornal A TARDE, do dia 23 de fevereiro último e escaneado pelo autor deste blog):

“Não é estranha a coincidência: no ensino fundamental, quanto menos leitura de textos, já não se digam clássicos, mas ao menos consolidados na literatura brasileira, pior o nível dos alunos para dominar a norma culta de nossa língua portuguesa. De repente, não se sabe bem por quais razões a escola abandonou o autor nacíonal.”


SEM LEITURA NÃO HÁ SALVAÇÃO (Ruy Espinheira Filho) RuiEsp

O título deste artigo é uma frase que sempre repeti para os meus alunos da Ufba, tanto em jornalismo como em letras. Não fez muito efeito, reconheço, mas uns poucos a apreenderam e, mesmo sem a necessária base de leitura, que deve vir da infância, passaram a ler e se desenvolveram bem mais do que os demais. Alguns chegaram a escrever excelentes dis-
sertações e teses e outros até passaram a fazer parte, com real merecimento, do
mundo dos autores literários.

Escrevo estas coisas por ter acabado, de ler um texto de Deonísio da Silva, vice-reitor de
Cultura e Extensão da Universidade Estácio de Sá, do Rio de Janeiro. Inicia ele desta forma: “Não é estranha a coincidência: no ensino fundamental, quanto menos leitura de textos, já não se digam clássicos, mas ao menos consolidados na literatura brasileira, pior o nível dos alunos para dominar a norma culta de nossa língua portuguesa. De repente, não se sabe bem por quais razões a escola abandonou o autor nacíonal.”

E ele prossegue, lembrando como os alunos, nos tinham textos para ler, de prosa e poesia, e a cada dia enriqueciam sua cultura e, em particular, o vocabulário, o conhecimento da língua. E eu acrescento: a aprendizagem também era feita em voz alta – os alunos liam textos para os professores e colegas. É claro que, assim, a leitura era mais submetida à crítica e muitos erros e limitações eram corrigidos. Hoje, nas escolas e nas universidades – mesmo nas academias de letras -,coisa dificílima é achar alguém que seja capaz de ler em voz alta sem atropelar o ritmo e assassinar, digamos, a entonação dó texto.

No mais, quando há texto para ler, as escolhas são equivocadas, quando não simplesmente estúpidas. São indicados livros que exigiriam mais maturidade, por exemplo, como certas obras de Machado de Assis, o que leva o aluno a achar a leitura uma obrigação chatíssima, querendo apenas se livrar da tediosa tarefa, tendendo a nunca mais ler nada. Por que ler, se é tão chato? Sim, esta má impressão poderá permanecer por toda a vida. Bem, é assunto importante, voltarei a ele.

(Ruy Espinheira Filho é escritor)

Dicas aos blogueiros

29/03/2012 às 2:02 | Publicado em Artigos e textos | 2 Comentários
Tags: ,

Esse post é dedicado a todos os blogueiros e em especial aos blogues-irmãos: Matérias Jurídicas, JLCarneiro, CabrestoSemNó, BlogDoGarocha e Cidadania e Tributos. Boas dicas da Professora Dad Squarisi publicadas no Correio Braziliense do dia 08 de fevereiro.


Mídias convergentes? Que bicho é esse? (2)  dad

Você escreve pra internet? Tem blogue, site, portal? Ou participa de redes sociais? Ou navega palpitando aqui e ali? Num ou noutros casos, tenha uma certeza. Mesmo assinado, o texto não é seu. Ele cria asas e pousa em destinos diferentes do imaginado. Com o escrito, pois, todo o cuidado é pouco. Seu recado se torna seu cartão de visita.

Se você for profissional, terá de mudar a cabeça. Guarde isto: você e o internauta são colaboradores. Comentários viram pauta, notícia, ampliação de conteúdo. Fotos encaminhadas por desconhecidos ilustram matérias, ganham chamadas ou entram em podcasts. Vídeos e áudios têm destino similar. É um admirável mundo novo. Como lidar com ele? Observe:

1. Português correto. Não caia na esparrela de que a pressa justifica tropeços de ortografia, flexões, concordâncias e regências. Erros pegam mal. Desacreditam o conteúdo, o escritor, o blogue, o portal.

2. Textos curtos. A notícia não deve ultrapassar o tamanho da tela. Links aprofundam o conteúdo.

3. Sentenças declarativas com apenas uma ideia. Compare: O senador chegou ao plenário por volta das 14h30 na expectativa de que faria o pronunciamento meia hora depois, mas frustrou-se porque até as 17h não tinha sido chamado. (O período tem três ideias.) Melhor desmembrá-las: O senador chegou ao plenário por volta das 14h30 na expectativa de fazer o pronunciamento meia hora depois. Frustrou-se. Até as 17h não tinha sido chamado.

4. Frases curtas e, sempre que possível, bem-humoradas. Cace e casse sem piedade gerúndios, quês e palavras cuja função é enfeitar. Curso em nível de pós-graduação? É curso de pós-graduação. Caixa contendo 20 bombons? É caixa com 20 bombons. Doença de natureza hereditária? É doença hereditária.

5. Verbos fortes de preferência na voz ativa. Com eles, você escreve textos vivos, arejados e alegres. Em fez de fazer o trajeto, prefira percorrer o trajeto. Em lugar de pôr o dinheiro no banco, que tal depositar o dinheiro? Não diga o segredo. Revele o segredo.

6. Declarações diretas. Entre logo no assunto. Ninguém merece começar a leitura com enrolação como esta: Como todo mundo sabe, o processo eleitoral brasileiro é o mais moderno do mundo. (Ora, se todo mundo sabe, pra que dizer? Não encha linguiça: O processo eleitoral brasileiro é o mais moderno do mundo.)

7. Enunciados concretos. Palavras abstratas e genéricas são pragas que tornam o enunciado longo, obscuro e difícil de ler. Compare: O processo empregado na busca dos melhores profissionais encontrados no mercado constitui tarefa árdua que exige muito tempo. Melhor: A seleção dos melhores profissionais exige tempo e esforço.

8. Facilidade de leitura. Pesquisas provam que 80% das pessoas acessam a internet sobretudo em busca de informação. Quem lhes satisfaz a expectativa ganha ponto. Conquista-as. Siga a dica: menor é melhor. Se fácil, juntam-se tamanho e rapidez. Oba!

9. Foco nas necessidades e hábito dos visitantes. O internauta, vimos na coluna anterior, tem marcas registradas. Ele é infiel, inconstante, apressado, arisco, crítico, exigente, multimídia, proativo.

10. Respeito ao leitor. Não o subestime. Ele percebe quando encontra uma página incompleta ou feita nas coxas.

11. Narrativa sedutora. Se os fornecedores de conteúdo são os mesmos, como oferecer algo mais para cativar o visitante? A saída: trabalhar bem a informação, explorar ao máximo os recursos da hipermídia. Além do texto, recorrer a áudios, gráficos, vídeos, links. Ou à combinação de todos.

Próxima Página »

Blog no WordPress.com. | Tema: Pool até Borja Fernandez.
Entradas e comentários feeds.

Seguir

Obtenha todo post novo entregue na sua caixa de entrada.