Como é a rede de cabos submarinos que sustenta as comunicações do mundo

20/07/2017 às 3:13 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Muito interessante esse artigo sobre os cabos submarinos. O alerta do final é até óbvio, mas muita gente desconhece.


Como é a rede de cabos submarinos que sustenta as comunicações do mundo

Brasil está construindo oito novos cabos no fundo dos oceanos. No planeta eles já são mais de 300 e remontam ao século 19

Esse texto faz parte da série de republicações do jornal digital Nexo publicada semanalmente às segundas-feiras. O artigo original de José Orenstein pode ser visto na página do jornal, onde você também pode fazer sua assinatura para ter acesso a 100% do conteúdo publicado.

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A tecnologia que nos permite mandar uma mensagem de celular para um parente no Japão, fazer uma reunião via Skype com alguém na Hungria ou falar ao telefone com uma pessoa em Madagascar não se deve majoritariamente a satélites ou à abstração da “nuvem”. Se hoje fotos, emojis e memes viajam quase que instantaneamente pelo planeta, isso se deve a algo bem mais palpável: cabos submarinos — com diâmetro que toma a palma da mão.

À esquerda, cabo submarino usado em águas profundas; À direita, cabo submarino com proteção reforçada, para águas mais rasas.

Os cabos submarinos são responsáveis por 99% das comunicações transoceânicas (entre locais separados por um oceano) feitas no mundo. Deitados sobre o fundo do mar, eles carregam fibras ópticas por onde correm os dados com nossas vozes, imagens e mensagens.

Brasil conectado

Em abril, foi anunciada a construção de mais um cabo submarino no Brasil, desta vez conectado diretamente com a Europa. Com 9.400 quilômetros de extensão, o EllaLink tem inauguração prevista para 2019. A estrutura vai ser financiada em conjunto pela Telebras e pela empresa espanhola Isla Link — num custo total de US$ 206 milhões, ou mais de R$ 670 milhões. Ela parte de Santos (SP), para em Fortaleza (CE), cruza o Atlântico e chega em Sines, no sul de Portugal. Estão previstos ainda “pit-stops” no caminho: extensões para a ilha de Cabo Verde, as ilhas Canárias e a ilha da Madeira.

Rota do EllaLink, cabo submarino que liga Brasil à Europa, com inauguração prevista para 2019.

Há, hoje, no Brasil, sete cabos submarinos em funcionamento responsáveis por praticamente todo o tráfego de dados do país com o mundo. O EllaLink vai ser o segundo a conectar o Brasil com a Europa. O Atlantis-2, inaugurado em 2000, já faz esse trajeto, mas tem baixa capacidade de transmissão. Os outros cinco cabos em funcionamento ligam o Brasil aos Estados Unidos. Um dos motivos para a construção do EllaLink é, justamente, a diminuição da dependência em relação aos americanos.

Além do EllaLink, há mais sete outros cabos submarinos em construção no Brasil. Há, por exemplo, o cabo Monet, financiado entre outros pelo Google, que vai ligar Santos, Fortaleza e Boca Ratón, na Flórida, e deve ser inaugurado no segundo semestre de 2017. Ou o cabo Tannat, conexão entre Santos e Maldonado, no Uruguai, também previsto para 2017. Ou ainda o cabo Sacs, que vai unir Fortaleza e Luanda, capital de Angola, até 2018.

Como funcionam os cabos

A expansão da rede de cabos submarinos brasileiros acompanha a expansão da rede global. Há, no mundo hoje, mais de 360 cabos submarinos em funcionamento, que perfazem mais de 800 mil quilômetros — se juntássemos todos os cabos num só, eles dariam 20 voltas em torno da Terra. Um site, feito pela TeleGeography, empresa de consultoria em telecomunicações, mostra em um mapa interativo toda essa trama de dutos subaquáticos.

Os cabos saem do continente enterrados a até 1.000 metros de profundidade. Então correm pelo fundo do mar, sem outra proteção além do próprio revestimento metálico do duto. Os cabos chegam a passar por profundidades de até 8.000 metros.

Em regiões mais fundas, os cabos são mais finos. Isso porque os riscos de danificá-los — por ataques de tubarões ou barcos de pesca — são menores. A instalação é feita por um navio, ao qual é acoplado um instrumento que vai “arando” o fundo do mar, criando sulcos na terra, onde, na sequência, o cabo vai sendo depositado. Só o trabalho de enrolar o cabo para colocá-lo no navio pode demorar três semanas.

Os cabos submarinos se mostram mais vantajosos que os satélites por dois motivos:

  • não estão tão sujeitos a intempéries (chuvas fortes ou tufões podem afetar o sinal de comunicação via satélite);
  • percorrem distâncias mais curtas (enquanto um sinal que sai de Tóquio, vai para o satélite na órbita terrestre e depois volta à Terra em Los Angeles vence 72 mil quilômetros, um cabo submarino entre as duas cidades tem apenas 9.000 quilômetros de comprimento).

Além disso, as fibras óticas que atualmente recheiam os cabos submarinos têm capacidade de tráfego de dados até 1.000 vezes maior que os satélites. Cabos submarinos com fibras óticas transmitem alguns terabits de informação por segundo.

É como se, em um segundo, uma fibra ótica apenas pudesse enviar o conteúdo equivalente ao que cabe em 102 DVDs, ao passo que satélites são incapazes de mandar sequer o conteúdo de apenas um DVD em um segundo.

O começo das conexões submarinas

A história dos cabos submarinos é a história do capitalismo moderno. Desde as Grandes Navegações, europeus lançavam-se ao mar para fazer a roda do comércio girar e encurtar distâncias. Mas é em 1858, com o desenvolvimento industrial a pleno vapor, que começa a funcionar o primeiro cabo de comunicação transatlântico. Ele servia à tecnologia em voga à época: o telégrafo.

O cabo foi construído pela companhia Cyrus West Field. Levou quatro anos para ficar pronto e ligava a Irlanda à Ilha Terra Nova, já perto do Canadá. A primeira mensagem oficial que ele transmitiu foram 99 palavras da rainha Vitória, da Grã-Bretanha, para James Buchanan, presidente dos Estados Unidos. A mensagem foi emitida às 10h50 do dia 16 de agosto e chegou às 4h30 do dia 17. Ela cruzou o oceano pelo primeiro cabo submarino da história e chegou a Washington, capital dos Estados Unidos, depois de passar por cabos aéreos no nordeste americano. Foram longas 17 horas e 40 minutos de viagem — ainda assim, muito mais rápida que um navio.

O cabo foi desativado depois de um mês de funcionamento, sobrecarregado pela energia usada para transmitir mensagens. Em 1866 e 1868 foi construído então um novo cabo transatlântico, também pelos britânicos. A partir dos anos 1870, eles começaram a expandir a rede de cabos para o Oriente, chegando à Ìndia, então colônia britânica. Os cabos submarinos usados pelos telégrafos se espalharam pelo mundo.

Nos anos 1940, com o impulso da Segunda Guerra Mundial, os cabos submarinos foram convertidos para serem usados para telefonia. O domínio já não era dos britânicos, mas das empresas americanas. Nos anos 1980, por fim, surge a tecnologia da fibra ótica, que passa a ser usada nos cabos submarinos — muitas vezes seguindo as mesmas rotas traçadas no final do século 19.

Ao longo de todo esse período, os cabos submarinos, construídos por empresas privadas com apoio estratégico dos governos, foram alvo de espionagem e sabotagem. Recentemente, Edward Snowden denunciou que a agência de vigilância dos EUA monitora os cabos submarinos do mundo todo, e, em 2015, americanos mostraram-se preocupados com barcos russos chegando perto demais dos cabos.

FONTE: https://www.papodehomem.com.br/como-e-a-rede-de-cabos-submarinos-que-sustenta-as-comunicacoes-do-mundo

O MOMENTO DA VIRADA

19/07/2017 às 3:31 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Contundente esse artigo de Mauro Santayana !


O MOMENTO DA VIRADA

A condenação de Lula sem provas, por um crime que não cometeu – não recebeu, não usufruiu, nunca teve o tal triplex em seu nome – com a argumentação, como nos filmes de ficção científica, vide “A Nova Lei – Minority Report”, de que tinha a intenção de  eventualmente praticá-lo – a quase dez anos de prisão e a mais de sete de ostracismo político, precisa servir de alerta final, talvez o mais significativo até agora, antes que se proceda à inexorável entrega do país ao fascismo nas eleições do ano que vem.

O passo dado pelo Juiz Sérgio Moro foi de sutileza paquidérmica, do ponto de vista do desrespeito, desconsideração e desprezo pelo Estado de Direito, e, como já dissemos tantas vezes aqui, já estava sobejamente anunciado.

Tanto quanto o está a condenação de Lula em segunda instância, em prazo eventualmente recorde – como já dá,  espertamente, como favas contadas, certa mídia – se não se estabelecer  prontamente uma estratégia de defesa da democracia, com relação às eleições diretas, ocorram elas em 2018 ou nos próximos meses.

O problema não é partidário.

A grande questão não é o que está ocorrendo com Lula, Dilma e o PT, que, por omissão, excessivas concessões ou falta de planejamento e resposta tática, contribuíram também para que as coisas chegassem onde estão hoje.

O drama do PT e de seus dirigentes é apenas a extremidade exposta do iceberg que pode engolir cada um de nós – do que pode acontecer, “casualmente”, com a eventualidade de um fenômeno meteorológico, com qualquer cidadão brasileiro, a partir de agora.

O Brasil já vive, de fato, uma ditadura, na qual se prende e se condena sem provas, com base no dedurismo generalizado de presos “provisórios-permanentes” que são obrigados a negociar e a delatar enquanto se encontram sob custódia do Estado – e de empresas que, se não fizerem o mesmo, vão à bancarrota – com pesos, medidas e resultados diferentes para cada tipo de delatado.

Desse esquema faz parte a libertação –  para prisão domiciliar – de corruptos comprovados.

E, naturalmente, a condenação de lideranças políticas de certas agremiações – que não receberam dinheiro sujo nem tem conta no exterior – enquanto outras não são detidas, ou servem de distração e de pretexto, na mídia e junto à opinião pública internacional, para justificar o quadro de descalabro jurídico, econômico, estratégico e institucional em que estamos mergulhados.
A defesa da democracia – antes que seja tarde e não se possa mais escapar do arbítrio, das grades e dos porões de um estado jurídico-policial (principalmente policial) que será institucionalizado com sua sagração nas urnas em 2018 – não será alcançada apenas colocando gente na rua ou limitando-se a luta política a uma dimensão partidária e eleitoral.

Até mesmo porque militantes não são coelhos – não se multiplica seu número simplesmente reunindo-os durante certo tempo em algum lugar – e o eleitorado antifascista, principalmente depois do massacre midiático dos últimos anos, vai continuar quantitativamente onde sempre esteve, historicamente, com aproximadamente um terço dos votos nacionais.

A esse terço, matemático, se contrapõe outro, equivalente, em termos numéricos, que se encontra, agora, nas mãos da extrema- direita.
E uma terceira parte,  ignorante,  fisiológica, oportunista do ponto de vista partidário, que  – e é preciso fazer tudo para que isso não ocorra – também tende a pender para direita no segundo turno das próximas eleições.

Na verdade – e há muita gente boa que ainda não entendeu isso – mesmo que Lula seja eleito – caso lhe permitam ser candidato  – sem o convencimento real da maioria da população e uma grande diferença de votos, ele será derrubado, em poucos meses, como aconteceu com Dilma, por uma aliança entre os golpistas de sempre e certa mídia que está fazendo tudo – e tudo fará tudo que puder – para impedir a sua volta ou permanência no Palácio do Planalto.

Como já nos cansamos de alertar aqui e em outros espaços desde 2013, a batalha de quem se preocupa em defender a Constituição, o Estado de Direito e a Democracia, assim como a da própria eleição futura, tem que ser travada não apenas no asfalto, já ocupado e dividido, quase salomonicamente, com a coxinhada, mas nos corações e mentes da população brasileira, com ênfase na parcela que, apesar de sua falta de informação ou conservadorismo, ainda não cerrou fileiras com o fascismo.

Além do processo político “comum” que transcorrerá na superfície, os neofascistas precisam ser combatidos onde tem tido maior sucesso,  comentário a comentário, site a site, página a página, e, principalmente nos grupos do Whatsapp, com argumentos sólidos, contrapondo-se dados concretos ao seu ódio e à sua ferrenha ignorância, a cada vez que se manifestarem nas redes sociais e nos grandes portais nacionais.

Afinal, já há campanhas presidenciais que estão se desenvolvendo na internet, a rédea solta, de forma cerrada e contínua, há vários meses, enquanto o campo democrático se debate na divisão e na pauta imposta pela Lava Jato e a constante doutrinação e sabotagem da mídia conservadora.

É preciso dizer aos fascistas – fakes ou reais, não interessa de que tipo – que para cada um deles existe pelo menos um brasileiro que pensa diferente – motivado, convincente, racional, mais bem informado,  coerente, consciente, com paciência – se necessário for – para ser tão repetitivo e insistente quanto eles.

E não adiantam desculpas como perda de tempo ou o fato de que não se tem assinatura deste ou daquele “veículo”.

Quem quer defender a democracia, que assine os grandes jornais e portais, pois não estará investindo mais do que na proteção do que resta das instituições e na sobrevivência futura – dentro da paz possível – em um país minimamente livre, de sua família.

O que não se pode é abandonar a internet – o maior instrumento de comunicação e de doutrinação já criado pelo homem – ao fascismo, como se fez, tola e irresponsavelmente – e não apenas no Brasil – nos últimos anos.

A grande missão de qualquer cidadão digno desse termo, nesta hora, deve ser a defesa e a restauração da verdade, torcida e vilipendiada pela “história oficial” vigente, montada, contada e recontada por uma plutoburocracia parcial e seletiva, totalmente descompromissada, geopolítica e estrategicamente, com o país, movida pela busca de mais poder e por seus interesses – que no mínimo coincidem com os de nossos concorrentes externos – e vaidade.

Debater com competência, números e fatos, com um adversário na internet pode até não mudar a opinião dele.

Mas arrisca a abalar suas certezas.

E impede que o público “neutro” que está acompanhando a discussão, lendo os comentários, venha a se deixar convencer, sem o benefício e a alternativa de uma segunda opinião, pela argumentação, costumeiramente mendaz e odiosa, dele.

Moro só pôde condenar Lula tranquilamente, da forma como o fez, porque o antilulismo, o antipetismo e o antibolivarianismo – filhos diletos e diretos do anticomunismo tosco, anacrônico e distorcido renascido nos neurônios da nação como um fungo  alucinógeno, contaminante e tumoral, nos últimos tempos – tomaram conta, por meio da rede, de uma massa amorfa e mal informada, confundindo-a e manipulando-a sem nenhum tipo de reação – nem de comunicação, nem jurídica – por parte de quem estava sendo atacado – durante quatro longos anos, implantando na cabeça da população um punhado de incontestados – por não terem sido prontamente respondidos – paradigmas.

Os mais simplistas – e logo, mais fáceis de serem desmontados – são aqueles que dizem que o PT quebrou o país, que foi implantado no Brasil um governo comunista nos últimos 15 anos, e que o PT odeia s Forças Armadas, por exemplo.
Isso, apesar de que o PIB e a renda per capita recuaram, segundo o Banco Mundial, em termos nominais, nos oito anos de FHC e de que as  dividas líquida e bruta serem menores hoje, com relação ao PIB, do que eram em 2002.

De o Produto Interno Bruto ter aumentado , nominalmente, pelo menos três vezes em dólares, nos últimos 15 anos, com relação aos 604 bilhões de dólares do último ano de FHC.

E também de que pagou-se a divida com o FMI em 2005 e desde então, nos governos do PT,  multiplicaram-se por onze as reservas internacionais.

De que, longe de ser comunista, nunca o capitalismo no Brasil cresceu tanto, como na última década e meia, com a explosão dos ganhos do sistema financeiro, daqueles derivados da duplicação da produção agrícola, do aumento das exportações e da expansão do crédito e do consumo.

E de que, quanto à Marinha, ao Exército e à Aeronáutica, em vez de ser contra as Forças Armadas, o PT foi responsável pelo lançamento do maior programa de rearmamento da defesa nacional nos últimos 500 anos, com medidas como a ordem para a construção – em parceria com a França – do primeiro submarino nuclear brasileiro, da nova família de rifles IA2, dos novos caças Gripen NG BR – por meio de acordo com a Suécia – sem falar de aviões cargueiros como o KC-390, de blindados ligeiros como o Guarani, do novo Satélite Geoestacionário de Defesa e Comunicações Estratégicas, de novos radares e sistemas de artilharia, como o Astros 2020, etc, etc, etc.
Quanto à corrupção, ela existe em qualquer lugar do mundo e deve ser coibida.
Mas só no Brasil é usada como pretexto para a sabotagem de nossas maiores estatais, como a Petrobras, a Eletrobras e o BNDES, a quebra de nossas maiores empresas, de milhares de acionistas e fornecedores, a destruição de nossos mais importantes – e estratégicos – projetos e programas nas áreas de energia, infraestrutura e defesa, e a eliminação de centenas de milhares, senão milhões, de empregos.
Além de servir de biombo para o sequestro de valores muito maiores do orçamento público, em sonegação, pagamento dos juros mais altos do mundo ao sistema financeiro privado, e dívidas em impostos que envolvem quantias dezenas de vezes mais altas do se provou ter sido desviado no contexto em Caixa 2 e doações a partidos e candidatos.

Esses são alguns dos argumentos que deveriam ser passados, democraticamente  à opinião pública que faz uso da internet pelo computador e o celular.

Os links e as informações que os sustentam – se o PT quebrou o país como ainda somos o quarto maior credor externo dos EUA – http://ticdata.treasury.gov/Publish/mfh.txt  ? – que os comprovam encontram-se ao alcance de qualquer um, bastando copiá-los e publicá-los, sempre que possível, no final dos comentários.

Informações de caráter social são importantes, mas opcionais, no caso do público protofascista, já egoísta e excludente por natureza – que é bombardeado, todos os dias, contra as “bolsas” e o “populismo” “esquerdopata”.

O tempo não para – como diria o poeta – e o relógio da História também não se detêm, nem por um átimo.

Segundo a segundo, a cada passo silente, quase imperceptível, do mais fino dos ponteiros, estamos mais perto – e o Brasil mais próximo,  historicamente – da batalha decisiva das novas eleições presidenciais.

A saída de Temer e a eventual ascensão de Rodrigo Maia é pouco mais que irrelevante em termos eleitorais e nada mudará – a não ser para pior – da pauta entreguista e neoliberal em andamento.

O que importa – agora ou no ano que vem – é o próximo pleito.

Basta ler as reações à condenação de Lula na internet para ver onde estão aqueles que podem se levantar contra o autoritarismo.

Trancados, majoritariamente, em seus guetos, expondo, pela enésima vez, uns para os outros, como em um espelho estéril e infinito, sua indignação e perplexidade.
E ninguém apareceu para contestá-lo.

Se essa ira, justa, diríamos, em muitos pontos, se transformar em força e se derramar para a internet como um todo, a partir desta semana, este poderá ser o momento da virada.
Se, no entanto, continuar contida, restrita e ineficaz, em termos de mudança de jogo – ontem, em comentário em artigo do Estadão no UOL, um sujeito afirmou, sem meias palavras, que, diante dos recursos que existem para que Lula escape à sentença de Moro, “para garantir logo, o melhor seria mandar logo este cabra pra debaixo da terra” e ninguém apareceu para contestá-lo até agora – o momento que estamos vivendo se transformará no marco simbólico da capitulação da liberdade e do direito de defesa, da antecipada rendição da resistência democrática, da prévia e definitiva entrega do país a um tipo de fascismo que, uma vez alçado ao poder, dificilmente irá apear-se dele novamente.

(Mauro Santayana)

FONTE: http://www.maurosantayana.com/2017/07/o-momento-da-virada.html?m=1

Com o tempo que você gasta nas redes sociais, poderia ler 200 livros por ano

18/07/2017 às 3:36 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Esse vem de uma das redes sociais mais usadas, o zapzap. Uma “contradição em termos” ? Sei não, de qualquer forma confiram o conteúdo desse texto. E façam como Darcy Ribeiro dizia: leia dois livros simultaneamente, porque assim você descansa de um enquanto lê o outro.


Com o tempo que você gasta nas redes sociais, poderia ler 200 livros por ano

Livros ; lendo no metrô ; (Foto: Reprodução/Facebook)

(FOTO: REPRODUÇÃO/FACEBOOK)

Há três anos, Charles Chu caiu na armadilha de uma má decisão de carreira e se viu desiludido com o cotidiano daquilo que considerava o trabalho ideal. “Algo não estava certo. Eu havia seguido a prescrição: tinha boas notas, liderança, recomendações, faculdade, emprego dos sonhos. Mas as coisas estavam muito ruins.”

Foi quando encontrou uma frase do famoso investidor Warren Buffett. Questionado sobre o segredo do sucesso, Buffett apontou para uma pilha de livros e disse: “Leia 500 páginas por dia. É assim que o conhecimento funciona. Ele se acumula, como juros compostos. Todos vocês podem fazer isso, mas garanto que não são muitos que farão”.

Charles Chu (Foto: Reprodução/Twitter)

CHARLES CHU (FOTO: REPRODUÇÃO/TWITTER)

Perdido e sem inspiração, Chu decidiu fazer parte da minoria e leu 400 livros ao longo de dois anos, uma empreitada que se tornou uma das decisões mais importantes de sua vida.

“Os livros me deram coragem para viajar, a convicção para me demitir, me deram modelos e heróis e significado em um mundo em que eu não tinha nenhum”, escreveu ele em seu site, Better Humans.

Como Buffett tinha antecipado, não é preciso ter talento extraordinário para ler em grandes quantidades. Metas e planejamento, por outro lado, podem sim ajudar. Assim, Chu criou quatro passos que qualquer um pode seguir para angariar mais conhecimentos por meio da leitura:

1. Não desista antes de começar
Antes de se desesperar e criar desculpas, Chu sugere uma avaliação direta da realidade: é realmente impossível ler 200 livros ao longo de 365 dias num ano? Não. “É como Buffett diz: qualquer um pode fazê-lo, mas a maioria das pessoas não vai fazer.”

2. Faça uma conta simples
Estatisticamente, explica Chu, americanos leem entre 200 e 400 palavras por minutos. Um livro de não ficção tem, em média, 50 mil palavras. Multiplique isso por duzentos e elas serão 10 milhões de palavras.

Em seguida, ele divide 10 milhões por 400, sua capacidade de leitura por minuto, e pronto: serão necessários 25 mil minutos, ou 417 horas. Mas como é possível ler por 417 horas?

3. Encontre tempo para leitura
Parece muito, é verdade, mas uma nova perspectiva pode ajudar. Novamente, Chu usa como exemplo o americano médio, que passa 608 horas envolvido com mídias sociais e 1642 horas vendo televisão anualmente.

“São 2250 horas por ano gastas com lixo”, enfatiza. “Se fossem gastas lendo, você poderia ler mais de mil livros por ano!”. O vício nesse tipo de entretenimento deixa essa transferência difícil, é verdade, mas não impossível. É hora de investir na execução.

4. Execute
Aqui, Chu é realista: todo mundo sabe que é mais produtivo ler um livro que ficar no feed do Instagram ou dando likes em uma página de Facebook. O problema é fazer isso de fato.

Para tanto, ele criou algumas táticas individuais, mas que podem ser utilizadas por outras pessoas ou mesmo adaptadas de acordo com os hábitos de cada um. A ideia principal aqui é criar um ambiente que inspire a leitura e deixe essa transição tão fácil quanto for possível. Confira a estratégia de Chu:

I. Use design de ambientes
“A mídia é pensada para ser viciante”, escreve. “E as mudanças com melhores custos benefícios são ambientais.” Para ler mais, remova as distrações do ambiente e deixe seus livros facilmente acessíveis, tanto em forma física quanto em aplicativos em celulares e tablets. (Experimente o Kindle, da Amazon. Para quem não quer investir no aparelho, é possível baixar o aplicativo em qualquer smartphone: é de graça e há muitos livros igualmente gratuitos na internet.)

II. Construa hábitos
“A força de vontade falha quando você mais precisa dela, então, ao invés de depender dela, construa uma fortaleza de hábitos – isso que o deixará resiliente em tempos difíceis”, recomenda Chu.

Os livros sobre esse assunto são vários, como o bestseller O Poder do Hábito, de Charles Duhigg, e o favorito de Chu, Superhuman by Habit, escrito por Tynan.

III. Use mais de um meio
Se quiser ler muito, aproveite as múltiplas opções que existem hoje em dia e não fique restrito a um jeito específico de ler, como antes de dormir ou durante o almoço.

Qualquer livro vale – de papel, audiobook, em celulares ou tablets – e em qualquer lugar que você possa. “Torne sua leitura oportunista. Quando tiver uma chance, aproveite. Se não tiver uma chance, encontre uma.”

* Reportagem publicada originalmente no site parceiro Na Prática

FONTE: http://epocanegocios.globo.com/Vida/noticia/2017/04/com-o-tempo-que-voce-gasta-nas-redes-sociais-poderia-ler-200-livros-por-ano.html?utm_source=facebook&utm_medium=social&utm_campaign=compartilharMobile

“Conheça oito palavras que moldaram nosso modo de pensar”

17/07/2017 às 3:01 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Esse vem do blog “O Bem Viver”. Confiram a origem dessas oito palavras.


“Conheça oito palavras que moldaram nosso modo de pensar”

Homem e cérebro

 

Cada palavra carrega uma história, um segredo. Atrás das sílabas que usamos todos os dias se escondem várias narrativas esquecidas.

“Se você sabe a origem de uma palavra”, insistia o acadêmico do século 6 Isidore de Sevilha, “tudo pode ser compreendido mais claramente”. Enquanto a maioria das palavras entra em uso discretamente e sem deixar rastro de suas jornadas, há uma “elite” de invenções verbais cuja origem foi cuidadosamente registrada.

Algumas dessas palavras são criações únicas de pessoas esquecidas pela história. Outras são invenções de pioneiros culturais que deliberadamente queriam determinar como gerações futuras pensariam e falariam.

Em cada caso, investigar a biografia da palavra nos ajuda a conhecer a trajetória da pessoa que a criou, além da época em que ele ou ela viveu. A seguir, oito criações que mudaram a forma como pensamos, ouvimos, descobrimos e existimos no mundo:

Twitter

Geoffrey Chaucer

As redes sociais certamente seriam um lugar menos animado sem o logotipo do Twitter: aquele perfil azul de um pássaro voando.

Mas quem teve a imaginação para criar uma onomatopeia que combina a linguagem dos homens com a dos pássaros?

‘Twitter’ (ou ‘twiterith’, como era o termo original na metade do século 14), tirado da pena de Geoffrey Chaucer em sua tradução do livro A Consolação da Filosofia, do filósofo do século 6 Boethius, significa “gorjear” em inglês.

Ao lado de “chilrar”, “twitter” é uma das mais de 2,2 mil palavras que o poeta medieval leva o crédito por ter criado. É o mesmo autor que escreveu o poema O Parlamento das Aves, o que parece muito apropriado.

Serendipidade

Conto de fadas persa

Antes de 1754, se alguém quisesse expressar “a descoberta fortuita de algo por acaso”, ele ou ela teriam que se esforçar para dar vida a um sentimento tão complexo.

Até que, ao escrever uma carta em uma terça-feira de janeiro, o escritor inglês Horace Walpole presenteou o mundo com a animada união de sílabas “serendipity”.

Walpole disse que criou sua invenção lírica inspirado no conto de fadas persa As Três Princesas de Serendip, cujas protagonistas “estavam sempre fazendo descobertas, por acidente e sagacidade”, disse ele.

Pouca importa o fato de Walpole ter lembrado incorretamente da verdadeira essência do conto – na verdade, as princesas não conseguem encontrar o que procuram, apesar de dolorosas tentativas. “Serendipidade” veio para ficar.

E não é a única criação de Walpole. “Betweenity” (“entremeio”), uma palavra mais charmosa do que seu sinônimo mais conhecido, “intermédio”, merece a mesma afeição que sua irmã “serendipidade” recebe.

Panorama

Panorama

Algumas palavras parecem vibrar com o mesmo espírito que seu significado denota. “Panorama” é uma delas – seu ritmo próprio parece estar em harmonia com vistas amplas de topos de montanhas e horizontes infinitos.

Parece apropriado, portanto, que a palavra que literalmente significa “vista total” tenha entrado no léxico mundial em 1789, um ano lembrado pela queda da Bastilha em Paris.

Que irônico, então, descobrir que a palavra inicialmente estava ligada a uma experiência de confinamento: uma pintura cilíndrica que prende sua audiência, um mecanismo visual criado pelo artista irlandês Robert Barker.

Visualizar

Samuel Taylor Coleridge

É difícil acreditar que ninguém jamais havia “visualizado” algo antes de 1817, mas esse foi o ano em que o poeta romântico e crítico Samuel Taylor Coleridge criou a palavra em sua confissão filosófica Biographia Literaria – um século depois que a palavra “envision” (“vislumbrar”) foi criada.

Em retrospectiva, parece oportuno que um escritor cuja mente foi assombrada por visões fantasmagóricas como o navio fantasma de seu poema A Balada do Velho Marinheiro e pelos “olhos brilhantes” e “cabelo flutuante” que marcam o final de sua poesia lírica profética Kubla Khan, tenha dado o nome à ação de ver algo que não se vê.

Torturado ao longo de sua vida por substâncias materiais e imateriais, Coleridge é responsável por introduzir ao inglês outras palavras para descrever aspectos mais sombrios da experiência humana, como “psicossomático” e “pessimismo”.

Intelectualizar

Coleridge

Coleridge frequentemente ganha o crédito por ter concebido um verbo relacionado: “intelectualise” (“intelectualizar” em português), que significa transformar um objeto físico em uma propriedade da mente.

Enquanto ele certamente merece o crédito por criar um verbo que sugere justamente o contrário – o “thingify” (“coisificar”, em tradução livre”), que significa transformar um pensamento em um objeto.

Na verdade, “intelectualizar” provavelmente pertence a um poeta contemporâneo que serviu de inspiração ao poeta romântico: um viajante misterioso do século 18 conhecido pelo curioso apelido de “Stewart ambulante” por ter perambulado por boa parte do que se conhecia do mundo até então.

Em décadas viajando por Índia, África e Europa, Stewart desenvolveu uma filosofia excêntrica centrada na ideia de que corpo e mente estavam em fluxo constante entre um mundo que é o tempo todo intelectualizado e um espírito eternamente “coisificado”.

Burocracia

Mão segurando uma pena

O narrador da música Big Rock Candy Mountain, de 1928 e de autoria do cantor americano Harry McClintock, sonha com um paraíso sem preocupações onde “eles enforcam o desgraçado que inventou o trabalho”.

Enquanto a história não menciona o nome do “desgraçado” em questão, conhecemos a identidade do economista francês que inventou o nome de algo quase tão cansativo quanto: “burocracia”.

Em 1818, Jean Claude Marie Vincent de Gournay uniu a palavra francesa para mesa (bureau) ao sufixo grego que significa “o poder de” (cracia) e deu um nome àquilo que começava a sufocar a sociedade.

Por ter criado a palavra para processos governamentais que impõem regras entediantes no comportamento das pessoas, Gournay pode parecer a última pessoa que teria dado o nome ao termo que significa “deixe as pessoas fazerem o que acham melhor”: laissez-faire.

Fotografia

Sir John Herschel

É estranho pensar que um dos nomes aparentemente mais estáveis que damos aos objetos em nossa volta foram adotados gradualmente e em um processo de eliminação.

O inventor e astrônomo inglês Sir John Herschel propôs a palavra “fotografia” em 1839 e enfrentou uma competição intensa até que seu termo fosse adotado permanentemente no vocabulário mundial.

Se a história tivesse acontecido de outra maneira, sua avó poderia estar cobrando as suas “impressões de sol” ou “fotógenos”. Um termo rival, heliográfico, que competiu com “fotografia” por uma geração inteira, urgiu Herschel a ir atrás de seu dinheiro.

Trouxa

J K Rowling

Não é preciso dizer que os homens, como um gênero, não são os únicos bem-sucedidos na criação de palavras atraentes, apesar da pouca celebração de neologistas mulheres.

Com suas contribuições à cultura frequentemente marginalizadas, não é surpresa que o dicionário Oxford atribua a escritoras o primeiro uso da palavra “outsider” (“excluído”, em tradução livre), pela britânica Jane Austen em 1800, e “angst” (“raiva”) pela alemã George Eliot em 1849.

Na nossa época, mais uma vez foi uma escritora que definiu aqueles que se admiram com os poderes dos iniciados e ficam na vontade como se por feitiçaria.

A britânica J. K. Rowling criou a palavra “muggle” (“trouxa”, em português”) em seu livro Harry Potter e a Pedra Filosofal em 1997 para descrever os mortais que não têm um dom sobrenatural, o que nos lembra da magia perene das palavras: alguns as têm, outros não.

(Kelly Grovier)

FONTE: https://obemviver.blog.br/2017/06/30/conheca-oito-palavras-que-moldaram-nosso-modo-de-pensar/

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