Dez possíveis lições após o impeachment

28/09/2016 às 3:04 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Leonardo Boff, excelentes reflexões !


Dez possíveis lições após o impeachment

Agência Senado

Seguramente é cedo ainda para tirar lições do questionável impeachment que inaugurou um nova tipologia de golpe de classe via parlamento. Estas primeiras lições poderão servir ao PT e aliados e aos que amam a democracia e respeitam a soberania popular, expressa por eleições livres. Os que detém o ter, o poder e o saber  que se ocultam atrás dos golpistas se caracterizam por não mostrar  apreço à democracia e por  se lixar pela situação de gritante desigualdade do povo brasileiro.

A primeira lição é alimentar resiliência, vale dizer, resistir, aprender dos erros e derrotas e dar a volta por cima. Isso implica severa autocrítica, nunca feita com rigor pelo PT. Precisa-se ter claro sobre que  projeto de país se quer implementar.

Segunda lição: reafirmar a democracia, aquela que  ganha as ruas e praças, contrariamente da democracia de baixa intensidade, cujos representantes, com exceções, são comprados pelos poderosos para defender seus interesses

Terceira lição: convencer-se de que um presidencialismo de coalizão é um logro, pois desfigura o projeto e induz  à corrupção. A alternativa é uma coalização dos governantes com a rede dos movimentos sociais e a partir deles pressionar os parlamentares.

Quarta lição: convencer-se de que o capitalismo neoliberal, na atual fase de altíssima concentração de riquez, está dilacerando as sociedades centrais e destruindo as nossas. O neoliberalismo atenuado, praticado nos últimos 13 anos pelo PT e aliados permitiu o aumento dos salários, facilidade de crédito, ascensão social e desonerações fiscais, mostrou-se insustentável. Grande erro do PT: nunca ter explicado que aquelas ações sociais eram fruto de uma política de Estado. Por isso criou antes consumidores que cidadãos conscientes. Permitiu adquirirem bens pessoais mas melhorou pouco o capital social: educação, saúde, transporte e segurança. Bem disse frei Betto: gerou-se “um paternalismo populista que teve início quando se trocou o Fome Zero, um programa emancipatório, pelo Bolsa Família compensatório; passou-se a dar o peixe sem ensinar a pescar”. No novo governo pós golpe, a política econômica neoliberal radicalizada de ajustes severos, recessiva e lesiva aos direitos sociais seguramente vai devolver à fome os que dela foram tirados.

Quinta lição: colocar-se corajosamente ao lado das vítimas da voracidade neoliberal, denunciando sua perversidade, desmontando sua lógica excludente, indo para as ruas, apoiando demonstrações e greves dos movimentos sociais e de outros segmentos.

Sexta lição: suspeitar de tudo o que vem de cima, geralmente fruto de políticas de conciliação de classes, feitas de costas e à custa do povo. Estas políticas vem sob o signo  do mais do mesmo. Preferem manter o povo na ignorância para facilitar a dominação e a acumulação e debilitam qualquer espírito critico.

Oitava lição: é urgente a projeção de uma utopia de um outro Brasil, sobre outras bases, a principal delas, a originalidade e a força de nossa cultura, dando centralidade  à vida da natureza, à vida humana e à vida da Mãe Terra, base de uma biocivilização. O desenvolvimento/crescimento é necessário para atender, não os desejos, mas as necessidades humanas; deve estar a serviço  da vida e da salvaguarda de nossa riqueza ecológica. Concomitante a isso urge reformas básicas, da política, da tributação, da burocracia, da reforma do campo e da cidade etc.

Nona lição: para implementar essa utopia faz-se indispensável uma coligação de forças políticas e sociais (movimentos populares, segmentos de partidos, empresários nacionalistas, intelectuais, artistas e igrejas) interessadas em  inaugurar o novo viável, que dê corpo à utopia de outro tipo de Brasil.

Décima lição: esse novo viável tem um nome: a radicalização da democracia que é o socialismo de cunho ecológico, portanto, ecososialismo. Não aquele totalitário da Rússia e o desfigurado da China que, na verdade,  negam a natureza do projeto socialista. Mas o ecosocialismo que visa realizar potencialmente o nobre sonho de cada um  dar o que pode e de receber o que precisa, inserindo a todos,  a natureza incluida.
Esse projeto deve ser implementado já agora. Como expressou a ancestral sabedoria chinesa, repetida por Mao: “se quiser dar mil passos, comece já agora pelo primeiro”. Sem o que jamais se fará uma caminhada rumo ao destino certo. A atual crise nos oferece esta especial oportunidade que não deverá ser desperdiçada. Ela é dada poucas vezes na história.

(Leonardo Boff)

FONTE: http://cartamaior.com.br/?/Editoria/Politica/Leonardo-Boff-Dez-possiveis-licoes-apos-o-impeachment/4/36879

Apertadores de parafusos do capital

27/09/2016 às 16:00 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Eu também tive oportunidade de estudar numa escola (Colégio Marista de Fortaleza-CE) onde se vivenciava Artes, Filosofia e Sociologia, como foi o caso do Professor Jorge Portugal. Muito oportuna essa sua crônica-depoimento em tempos de MP241, confiram !

Sem Artes, Filosofia, Sociologia teremos apenas “apertadores de parafusos” do capital. Que tal?

41262_Foto - Jorge Portugal

 

 

 

Charge


ARTES DO GOLPE 

Já escrevi neste espaço que A TARDE me concede que fiz o curso ginasial (olha o indicador de idade aíl) em Santo Amaro, no Centro Educacional Teodoro Sampaio, dirigido por  Luzuárea Pinto e, ainda de quebra, Jorge Montalvão e Édio Souza como vice-diretores. Esplêndido! Na cartilha de Tia Lu – assim a chamávamos – Matemática valia tanto quanto Teatro; Ciências, tanto quanto Música, ou seja, Artes e conteúdos tradicionais se equivaliam. Lembro-me de um dia em que ela, Tia Lu, estava prestes a lançar no Teodoro Sampaio a Selibasa – semana do livro baiano em Santo Amaro. Estava eu assistindo à aula de História com o Prof. Mário Valladares, quando veio a convocação para comparecer à diretoria. Fui apreensivo e um tanto trêmulo achando que tinha “aprontado” algo de que já não me lembrava. Ao chegar, ela incisiva: “seu Antônio Jorge, chamei-o aqui porque vamos lançar a Selibasa e quero que o senhor componha o hino. Agora! Argumentei que estava perdendo a aula de História, e ela imperturbável: “não se incomode; pedirei ao professor para repor pra você”. Entregou-me um violão conseguido não sei como, e eu compus ali mesmo o hino que, quase 50 anos depois, muitos ainda recordam. No Teodoro tínhamos aulas de Teatro, Canto Coral, Festivais de Música e a Semana do Livro com concursos de contos, poemas e recitais;]

Outro mestre de lá, Prof. Adroaldo Ribeiro Costa (alô, Vadinha Moural), já em Salvador, criou a consagrada “Hora da Criança”, conhecida por todos. Na visão de Adroaldo, uma criança ou jovem que houvesse passado por Teatro, Dança ou Música, necessariamente não viria a ser um grande artista do palco ou do cinema. Mas seria um adulto bem melhor. Um
médico mais humano, um advogado mais sensível e ético, e assim por diante.

Lembro essas histórias ante a recente MP 241, do governo Temer. Já houve recuo, recuo do recuo, mas a ideia não recuou, certamente, da cabeça deles. Sem Artes, Filosofia, Sociologia teremos apenas “apertadores de parafusos” do capital. Que tal?

(Jorge Portugal)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, hoje

Canção Mínima – Cecília Meireles

27/09/2016 às 3:54 | Publicado em Canto da poesia | Deixe um comentário
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“Poeta é um ente que lambe as palavras e depois se alucina” (Manoel de Barros)

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Canção Mínima

No mistério do sem-fim
equilibra-se um planeta.

E, no planeta, um jardim,
e, no jardim, um canteiro;
no canteiro uma violeta,
e, sobre ela, o dia inteiro,

entre o planeta e o sem-fim,
a asa de uma borboleta

(Cecília Meireles)

PAPO FURADO

26/09/2016 às 11:10 | Publicado em Midiateca, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Música antiga, mas atualíssima !


PAPO FURADO

Se você pensa que com as suas palavras
Você já ganhou meu voto,
Simplesmente se enganou
Olha que eu não como nada disso,
Você não tem compromisso,
Sai daqui seu traidor

Eu não me iludo
Eu não me iludo
Eu não me iludo esse sistema é imundo

Falei, falei, falei
Eu não me iludo
Eu não me iludo
Eu não me iludo esse sistema é imundo

Você foi na favela
Contando mil balelas
Provou da minha panela
Pensando em se eleger
Depois dos quatro anos
De pernas pro ar ficar
Estando aposentado
De mim não vai se lembrar

Falei, falei, falei
Eu não me iludo
Eu não me iludo
Eu não me iludo esse sistema é imundo

Você me enganou
E quer me enganar
Se pisou na bola, não vai mais pisar.

(Olodum)

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