Suassuna: eu gosto é de gente doida !

22/08/2019 às 3:51 | Publicado em Midiateca | 1 Comentário
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Eu também !


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QUE VIVAM OS ESTUDANTES

21/08/2019 às 3:46 | Publicado em Midiateca, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Será que ainda sou o herói dos meus filhos ?

20/08/2019 às 2:34 | Publicado em Artigos e textos | 1 Comentário
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Dedico esse post com muito carinho a Rosana e a Camilla. Jânio Ferreira mais uma vez escrevendo poesia em prosa.

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Será que ainda sou o herói dos meus filhos ? JanioFerreira

Apesar de soar meio cliché. nunca liguei para datas que o calendário define como apropriadas para exaltar nascimentos, mortes, mães, pais e que tais, embora não tenha nada contra quem adora celebrá-las. Só que, aqui pra nós, qual o sentido de levar alguém para almoçar somente quando a folhinha diz que aquele é o seu dia? De que adianta acender uma vela para alguém que partiu, apenas no último dos 365 sóis que cruzam sua lápide? Qual o propósito de se desejar uma nova era só em 31 de dezembro, se um novo ciclo se inicia todo dia?

Pois muito bem, domingo passado foi a vez dos pais. E, como tal, fui alvo de várias mensagens de lojas onde comprei, de empresas aéreas em que voei, de operadoras de cartões que ainda não paguei, e até de estabelecimentos onde nunca pisei. Na sequência, recebi alguns telefonemas das queridas tias que me restam, e respondi aos “eu te amo” dos meus filhos, com um: “eu também”.

Mas, na boa, agora que eles estão com a idade que eu tinha quando os tive — e que eu já estou com mais do dobro de quando os ninei o que me interessa saber de verdade é se continuo fazendo jus às mensagens que os três, ainda crianças, me escreviam — e que até hoje estão coladas no meu armário —, do tipo: “pai, você é o meu herói!”.

E aí, diante do espelho, miro minhas rugas e me pergunto se, hoje, no lugar da exclamação escrita com o hidrocor do orgulho. não estaria uma seca virgula da decepção antecipando um “mas.„”, cujas reticências abrigariam mágoas que prefiro desconhecê-las.

Claro que, amáveis como são, eles continuarão dizendo que ainda sou o mesmo Super-Homem que transformava um simples lençol de lã numa poderosa capa que os protegia das trovoadas de dezembro, embora eu saiba que estou mais para o velhinho do desenho UP — Altas Aventuras já que a qualquer momento posso sair voando na minha cadeira de balanço. levado por coloridos balões.

Mudando de assunto, semana passada meu amigo Rogério Xavier, cordelista de primeira, esteve na Flipelô e filmou um papo com minha querida Mabel Velloso. E ai, quando ele disse que era de Paulo Afonso, ela se declarou minha leitora e completou dizendo que até recortou um dos meus textos (O Menino Que Libertava Pipas) para um trabalho com seus alunos. No final, falou: “não sei se ele vai se lembrar de mim”.

Poxa, dona Mabel, como eu poderia me esquecer de uma pessoa que transborda a doçura das primeiras águas do Subaé (onde sua Cano se banhou) e do São Francisco (onde minha Cecília nadou)? A propósito, guardo uma linda mensagem que você me mandou quando escrevi, em 2007, um texto sobre nossas duas rainhas e suas coroas em forma de coque, que foi fundamental para que eu botasse fé na leveza de meus dedos. Um grande e carinhoso beijo.

(Jânio Ferreira Soares)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 17.08.2019

Saló e a “revolução conservadora” de Bolsonaro 

19/08/2019 às 2:07 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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A que ponto chegamos…em tão pouco tempo !

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Saló e a “revolução conservadora” de Bolsonaro  carelos-zacarias_thumb

Ironias mal feitas e escatologias à parte, sete meses de bolsonarismo no governo parecem ser suficientes para qualquer pessoa ter uma avaliação mais ou menos precisa do que é a atual governança. Tudo bem que ninguém devia alegar o direito de dizer-se ignorante sobre quem era Bolsonaro. Politico do baixo clero, deputado irrelevante sobre quem posavam os holofotes apenas quando gerava polémicas, o atual presidente do Brasil, por sete mandatos e passando por nove partidos, havia se notabilizado por não liderar nenhum projeto e por exaltar a ditadura. entre outras bizarrices. Eleito, deu sequência ao histrionismo que parece surpreender a muitos, embora investido de imenso poder conferido a si para dirigir os destinos do País, não o das pessoas.

Bolsonaro presidente não é mais do que o deputado. Obcecado por temas comportamentais relativos à sexualidade, agora devidamente complementado pela escatologia, o presidente cultiva uma pulsão de morte que só se viu nos aterrorizantes regimes fascistas ou protofascistas europeus. José Millan Astray, um dos generais mais importantes do franquismo, por exemplo, costumava gritar “viva Ia muerte, muera Ia inteligencia” ao mesmo tempo em que oferecia aos recrutas que se uniam à Legião uma nova vida que deviam pagar com a morte. Neste quesito, o apreço do ex-capitão pelo coronel torturador Brilhante Ustra, sempre exaltado como herói, diz muito do que é este governo.

O bolsonarismo, que por um lado tem aliados que entoam um discurso ultraneoliberal que promete tirar o Estado do “cangote do cidadão”, por outro conforma uma prática totalitária que põe o governo a tentar interferir em todos os setores da vida de qualquer brasileiro. Quando tenta desregulamentar aquilo que se constitui nos mínimos marcos civilizatórios do Brasil, Bolsonaro mostra sua face mais perversa. Inclui•se o desprezo pela floresta amazónica e pelo destino dos povos originários, a alteração das normas que regem o trânsito, com direito a supressão da obrigatoriedade das cadeiras de bebé e dos radares, o ataque ao conhecimento e as ciências, com baixas e vilipêndio continuo sobre as universidades e órgãos prestigiosos como o IBGE, a Fiocruz, o ICMBio e o INPE. Não há setor que esteja isento da intervenção governamental e é esse o motivo que a ironia feita com excrementos também denuncia as obsessões do bolsonarismo.

Avança a “revolução conservadora”, prometendo varrer o comunismo do Pais, como Bolsonaro voltou a repetir esta semana, quem sabe sonhando em exibir cabeças de adversários e inimigos como troféus. como fizeram Franco e Millán Astray em suas campanhas no norte da África, ou então obrigando seus adversários a comerem seus próprios excrementos, como fizeram os fascistas retratados na clássica obra Saló ou os 120 dias de Sodoma, de Pier Paolo Pasolini.

(Carlos Zacarias de Sena Júnior)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 16.08.2019

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