1565 – ENQUANTO O BRASIL NASCIA

19/06/2018 às 3:36 | Publicado em Baú de livros | Deixe um comentário
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Muito bom esse livro. Havia lido do mesmo autor, Pedro Dória, o imperdível 1789. Recomendo mais este !


1565

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Ana Júlia

18/06/2018 às 3:23 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Mais um bom conto do amigo Fabrício Junqueira. Assunto atual, estatística preocupante.

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Ana Júlia

Ana Júlia não era a música, era agora um número, mais um número sem cor, reação ou vida. Não era mais a menina bonita que na infância tinha festinhas da Xuxa e da Moranguinho, também não era a adolescente apaixonada por “New Kids oh the Block “ e que na escola distribuía seu caderno de perguntas aos amigos e principalmente ao paquera da sétima série. Ana Júlia agora é número.
Estudou, brincou, jogava vôlei, juntou muitas economias para comprar seu primeiro telefone móvel, adorava ir a balada nos finais de semana, aprendeu a beber, fumou “Gudan”, pulou carnavais no clube, teve namorados, e adorava comida mexicana…
Até que conheceu alguém, que tocou seu coração. Era de outra cidade, um “moço bom”, diziam suas tias, o “gente boa, amigão”, segundo seu irmão e primos, o “genro dos sonhos, o cara ideal… Não gostava de sair muito, não comia no “mexicano “ e aos poucos foi mostrando que não era apenas seu carro do ano, sua casa na praia ou a conta bancária que era sua, Ana Júlia também.
Então, na primeira discussão veio a primeira ofensa, depois entre outras, um empurrão até um forte tapa no rosto.
Ana Júlia passou a viver um relacionamento abusivo. E não sofria apenas dores físicas. A psicológica era como um mar, que a separava da família, dos amigos, da vida que tanto amava . Era uma mulher aprisionada no medo, não conseguia romper o silêncio que a calava, vivia o terror como se fosse um dia comum. Não foram apenas tapas, os estupros passaram a ser parte de sua vida. Sua única luz era a bebida ou mesmo algum calmante que comprava escondido.
Uma noite acabou perguntando sobre uma amiga que sempre ligava para ele… Acabou sendo espancada mais uma vez, naquela noite, ela contaria sobre sua gravidez, mas não conseguiu, mais uma vez humilhada, em estado de choque, com o coração em frangalhos, escolheu ter uma noite mais longa de sono, e não tomou apenas calmantes…
Após a surra, ele não ficou para dormir em sua casa, ele não estava lá na manhã seguinte, aliás, ele desapareceu por um bom tempo. Ana Júlia dormiu para sempre, virou mais um número, de um país que está matando suas mulheres.
Estatísticas apontam que a cada uma hora e meia, morre uma mulher vítima de feminicídio no Brasil.
Que tenhamos menos números e mais Ana Julias da música…
Não se cale diante da violência contra a mulher.

(Fabrício Junqueira)

FONTE: http://fabriciojunqueira.blogspot.com.br/2018/05/ana-julia.html?m=1

João sem medo

17/06/2018 às 11:05 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Brasil joga logo mais, estreando nesta Copa de 2018. Em homenagem ao treinador que montou o melhor time de todos os tempos, a Seleção de 70, publico agora esse artigo de Jaguar que me fez lembrar de um livro sobre a vida dele que li há alguns anos. Na época fiz um post aqui neste ZEducando. Grande “João sem medo” !

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João sem medo

Eu morava no Leblon, a cem metros do seu apartamento, no meio do caminho do bar Clipper, onde tomava o primeiro chope do dia. Às vezes dava uma meia-trava no seu apartamento para tomarmos um cafezinho, coado por ele. “O pessoal das Escolas de Samba é sortudo: o desfile é na Sapucaí e não na minha rua. Onde iriam achar rima para Almirante Guíllen?”. Vi na TV o documentário de André Iki Siqueira e Beto Macedo sobre ele. Será exibido na Copa da Rússia, em mostra paralela: o Cinefoot – festival brasileiro de cinema de futebol – com mais dois, Democracia em preto e branco, de Pedro Asberg e Geraladinos, de Pedro Asberg e Renato Martins. Se há um cara que viveu intensamente foi João Saldanha. Aprontou poucas e boas, nos anos 1940, nas peladas na areia organizadas pelo lendário Neném Prancha, com a participação do não menos lendário Heleno de Freitas. Numa época em que ainda não havia motéis, os dois dividiam o aluguel de uma garçonière em Copacabana. Detalhe: em cima de uma funerária. Devia ser o único vizinho a não reclamar, já que a dupla gostava de andar armada e de vez em quando dava uns tirinhos. Sempre melhor que as histórias eram os relatos altamente criativos. Como disse Nelson Rodrigues, que inventou o apelido João Sem Medo: “Os fatos divergem das versões do João Saldanha. Pior para os fatos porque a versão dele é sempre muito melhor que o fato”. E Sandro Moreira emendou de primeira: “Se tudo que o João costumava dizer ter vivido fosse verdade, ele, João, deveria ter uns 250 anos de idade”. Nossos caminhos se cruzaram muitas vezes. Tínhamos namoradas que moravam no mesmo prédio na Djalma Ulrich, em Copacabana. Ficávamos esperando por elas na sorveteria de uns argentinos na esquina da Djalma com Aires Saldanha (nenhum parentesco). Quem visse os dois notórios boêmios chupando picolé àquela hora da tarde levaria um susto. E é sempre de lavar a alma lembrar aquele entrevero do João com o Médici. O ditador queria porque queria Dadá Maravilha na seleção das feras do Saldanha. Comunista militante, fã confesso de Prestes, já acho incrível que tenha sido escalado para técnico da seleção de 70,nos chamados anos de chumbo. Aí o Médici meteu o bedelho e mandou convocar o Dadá. A resposta foi na bucha: “Nem eu escalo ministério nem o presidente escala time”. Uma semana depois foi ejetado da seleção e substituído pelo Zagalo, que, com sua cabeça de formiguinha, fez o que o homem mandou. Mas o prato já estava preparado pelo João. Alguém disse que ele foi o machão que Felipão achou que era. Disse-o bem. Na época, eu participava de um programa de entrevistas na TV . Depois fomos para um boteco em frente e ficamos quase até as 3 da manhã. Garçons e a turma da cozinha fizeram rodinha para ouvir as histórias dele. Bebeu todas e fumou todos, só parava para tossir. Embarcou para a Itália 3 horas depois, para cobrir a Copa. Despediu-se com um “Adeus”. Sabíamos que era o último encontro.

(Jaguar)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 16.06.2018

Oro mimá por BantosIguape

17/06/2018 às 3:21 | Publicado em Midiateca | Deixe um comentário
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Domingo com música nesta bela Terra da Bahia de Todos os Santos !


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