Dia Internacional da Mulher

11/03/2008 às 5:10 | Publicado em Artigos e textos | 7 Comentários

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           Com pelo menos dois dias de atraso, segue minha homenagem, um tanto quanto diferente e inusitada, às mulheres pelo seu dia.

          Os textos, as rosas, as músicas e os vídeos vocês devem tê-los recebidos aos montes, como no post de boa qualidade, feito pelo Zé Luis, que vocês podem conferir em http://www.jlcarneiro.com/2008/03/sexo-fragil/.

          Seguindo a ‘linha’ deste espaço, preferi postar aqui o artigo de Malu Fontes intitulado “O hímen acaba de ser reinventado” que saiu no A TARDE de sábado último, e também no site da Rádio Metrópole de Salvador com o título “A reinvenção do hímen“.

          A autora, que por sinal já frequentou este blog antes, é professora de Comunicação da UFBA e tem uma forma de escrita muito crítica, peculiar e interessante. Vale a pena ler, homem ou mulher, com ou sem hímen.

A REINVENÇÃO DO HÍMEM

A cada oito de março é a mesma celebração em torno das conquistas femininas, todas concentradas basicamente na segunda metade do Século XX, a maioria proporcionada por um evento perverso para a história da humanidade: a Segunda Guerra.

Depois da Guerra, nem a mulher poderia continuar a ser a mesma nem tampouco os países que participaram mais diretamente do conflito poderiam continuar a tratá-la como um apêndice do homem.

De lá para cá, as contendas com o patriarcardo, o machismo e a misoginia foram tantas que metáforas da libertação, como a queima de sutiãs ou a defesa do amor livre após o anticoncepcional, são apenas capítulos mais barulhentos de uma luta sem trégua que toda mulher ainda trava, todos os dias, para assumir as rédeas de sua própria vida e dos seus desejos.

A versão dos pais e maridos passou por uma atualização razoável, o Estado criou mecanismos para protegê-las da discriminação e da violência, mas é inegável o surgimento de uma nova forma de poder exercido sobre as mulheres e seu corpo: o da cultura do consumo que estabelece padrões de beleza, aos quais praticamente todas se submetem voluntariamente, feito cordeiros, mesmo que para isso sofram privações alimentares, dores físicas e coloquem em risco a saúde, seja ingerindo anabolizantes ou insistindo em virar faquir.

Não bastasse a obrigatoriedade de ser eternamente magra, transbordar sensualidade e sexualidade, equilibrar-se em saltos quinze para ir à esquina, torturar-se em sessões espartanas de malhação, manter-se com aparência de 18 anos dos 12 aos 80, inflar seios, glúteos e coxas, caber em manequins de adolescentes e serem eficientes donas de casa e cozinheiras nas horas ‘vagas’, está em cena uma nova tendência entre mulheres endinheiradas que caminham para a enésima relação: passar no cirurgião plástico e entre um botox, um silicone, um lifting e uma lipo, reconstruir o hímen à perfeição, para “dar de presente” e agradar ao homem da vez.

Assim caminha parte da mulherada: ora orgulhando-se da ascensão profissional, ora pagando para reconstruir uma membrana que durante séculos encarnou, como poucas coisas o fizeram, o poder e a propriedade absolutos do homem (tanto de pais quanto de maridos) sobre o corpo e o desejo femininos. A diferença é que, no passado, o hímen era uma exigência cultural de um tempo (ainda é em muitos rincões).

Hoje, é apenas mais um sacrifício comprado por mulheres para agradar homens que, se pudessem, diferentemente delas, mandariam encadernar e distribuir toda a vida sexual pregressa, a mesma que, simbolicamente, a mulher do tempo das plásticas busca apagar numa mesa cirúrgica. 

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7 Comentários »

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  1. […] Para os que desejam uma reflexão, vejam esse ótimo post do zÉducando sobre o Dia Internacional da Mulher. Este trabalho, salvo expressamente indicado, está licenciado sob uma Licença Creative Commons […]

  2. Bom texto! Gostaria de ter tido acesso a ele antes do Dia Internacional da Mulher.
    E obrigado pelo link! 😉

  3. Como disse no post, a intenção foi essa mesma, no ‘mote’ deste espaço: a provocação ao pensamento, mesmo num momento desses, onde todo mundo e todo o mundo homenageia merecidamente a mulher com lindas mensagens, músicas e vídeos.

  4. Oi Zé,
    adorei o texto da Malu Fontes (ela é ótima, né?)
    Até que tento não me render aos padrões, mas alguns são inconscientes…
    Beijos.

  5. Amiga Flaviana,

    Essa questão dos padrões é forte mesmo, não só nas mulheres, mas em todos nós. Romper com isso é que é difícil, a Malu sempre bate firme nesse assunto.

    um bjo.

  6. […] o melhor, disparado, foi o texto “O OVO DE BIANCA”, escrito por Malu Fontes, que de outras oportunidades já frequentou este espaço. Reproduzo abaixo o texto integral retirado do blog […]

  7. […] | In Zuniversitas | Hoje é domingo, 08 de março, Dia Internacional da Mulher. Deveria, como fiz ano passado, homenagear as mulheres, entretanto resolvi postar um PPT mais ou menos ‘ufanista’ […]


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