Muito além da “Privataria Tucana”

01/01/2012 às 11:27 | Publicado em Baú de livros, Zuniversitas | 5 Comentários
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O livro “A Privataria Tucana” é apenas o pano de fundo deste post, que na verdade é uma reprodução de um post de Eduardo Marinho que saiu no “Observar e Absorver” em 16 de dezembro do ano que se foi, além de um vídeo do Jornal da Record News sobre o livro. PrivatariaTucana

Apesar de já ter recebido muitos textos sobre esta obra, o post do Eduardo é insuperável. Destaco cinco partes abaixo.

Após a música que postei hoje, não vejo nada melhor para se começar um ano que desnudando toda a nossa sociedade, como aliás é uma tônica dos textos e trabalhos deste brilhante artista que é o Eduardo Marinho.


1) … a mídia alternativa constituem vazamentos na blindagem informativa privada e comercial que se faz porta-voz dos interesses empresariais, deformando a realidade e manipulando informações, entorpecendo a população com entretenimentos alienantes e produzindo valores e comportamentos adequados à manutenção da estrutura social concentradora de riquezas e poder para poucos e criadora de ignorância, pobreza, exclusão, miséria e sofrimento para a maioria.

2) Na minha visão, não há exercício de governo que não compactue, em maior ou menor grau, com a ditadura das empresas

3) A corrupção começa no corruptor, não no corrupto, que é a parte menor da corrupção, onde costumam parar as investigações, nas poucas vezes em que são feitas. Os que seguram os fios dos bonecos permanecem no escuro e se passam por “benfeitores da humanidade”, louvados pela mídia privada, sempre, como geradores de empregos e não como exploradores do trabalho e dos bens públicos, a qualquer custo, que é o que realmente são.

4) As revelações do livro são novidades apenas por trazer detalhes, nomes, datas à tona. Esses procedimentos são uma triste tradição no exercício do poder público. A única diferença é essa parte específica – o período desse nefasto governo – ter vindo à tona, provavelmente pelo excesso de descaramento, de cara-de-pau, de confiança na imbecilização programada da mentalidade popular. Na minha visão, não há exercício de governo que não compactue, em maior ou menor grau, com a ditadura das empresas. E a base não está apenas no controle da informação e das instituições públicas. Está, principalmente, no condicionamento das mentes e dos comportamentos, dos valores e objetivos de vida, implantados massiva e diariamente, 24 horas por dia, que nos levam a consentir e colaborar com essa estrutura infeliz de sociedade.

5) Disputamos por qualquer coisa, encaramos os irmãos como adversários, desejamos o ócio e o consumo excessivo, amamos o luxo e o desperdício e admiramos a ostentação e a arrogância. Consumimos marcas como se fossem padrão de qualidade social e pessoal, sem perceber o ridículo de apoiar esses valores artificiais, traiçoeiros e completamente falsos, em essência, embora tristemente reais no cotidiano, quando são estimulados sentimentos de superioridade e inferioridade com base no ter, no parecer, na forma e não no conteúdo, nos sentimentos, no caráter, na integração ao coletivo. Por isso, qualquer trabalho revolucionário precisa começar internamente, dentro de si mesmo, nos condicionamentos impostos a todos, a que ninguém está isento. Quem negar isto está apenas exercendo uma arrogância estúpida ou uma ingenuidade triste.


A PRIVATARIA TUCANA

Livro “A Privataria Tucana” se impõe sobre o silêncio da mídia

O livro do Amaury tinha tudo pra não aparecer, boicotado pelo silêncio da mídia, ignorado por seus comentaristas literários, políticos, econômicos e policiais – áreas ligadas ao tema dos crimes de lesa-pátria no governo Fernando Henrique Cardoso. Mas os tempos são outros e a internet, as redes sociais e a mídia alternativa constituem vazamentos na blindagem informativa privada e comercial que se faz porta-voz dos interesses empresariais, deformando a realidade e manipulando informações, entorpecendo a população com entretenimentos alienantes e produzindo valores e comportamentos adequados à manutenção da estrutura social concentradora de riquezas e poder para poucos e criadora de ignorância, pobreza, exclusão, miséria e sofrimento para a maioria.
A divulgação, ainda que pífia, aconteceu pelos meios alternativos e a primeira edição, de 30 mil exemplares, foi esgotada em poucos dias, a ponto do autor ser chamado à direção da editora, no exterior, para explicar tal fenômeno, enquanto se prepara a segunda edição, de 50 mil. Nos primeiros dias, o livro foi solenemente ignorado pela mídia. Com a repercussão, entretanto, surgiram algumas menções entre jornalistas midiáticos.
O livro está servindo de base para a instalação da CPI da privataria, proposta pelo deputado Protógenes Queirós, o mesmo que prendeu o banqueiro Daniel Dantas, por sua intermediação entre o Citibank e o governo Fernando Henrique, com a compra escandalosa do congresso brasileiro e do governo FHC pelo Citygroup (denunciada no mensalão, embora apenas em parte, suficiente para abalar a popularidade do governo Lula e presente no “capítulo brasileiro” do livro A Melhor Democracia Que o Dinheiro Pode Comprar, de Greg Palast, a partir da segunda edição), por lavagem de dinheiro, evasão de divisas e outras cositas más. A interrupção das investigações, o desmantelamento da operação Satyagraha (apego à verdade) e o afastamento do delegado Protógenes o levou ao trabalho parlamentar, eleito por São Paulo, apesar de ser de Niterói, pela projeção nacional resultante da repercussão inicial dos resultados das investigações – interrompida e desmantelada com pretextos jurídicos para proteger envolvidos “superiores” ao próprio Daniel Dantas, ex-sócio do Citibank e dono do Oportunity, banco brasileiro sediado no paraíso fiscal das ilhas Cayman. O cara manteve sua linha, agora sem poder ser afastado ou processado pelos poderes constituídos dentro e acima da administração pública, os financiadores de campanhas eleitorais, mega-empresários que fazem uso costumeiro dos bens e dinheiros públicos, como se fosse direito adquirido, e atacam ferozmente qualquer tentativa de mudança desse quadro de barbárie social, pela mídia, pela justiça ou pela bandidagem contratada. Como parlamentar, Protógenes tem agora a oportunidade de investigar novamente os crimes de lesa-pátria, com todo o conhecimento adquirido no trabalho de delegado da polícia federal – e já relatado em detalhes, sem que a mídia tomasse conhecimento, apenas desqualificando a investigação, em defesa dos sujos interesses das elites dominantes contra o público geral.
Durante todo o governo FHC assisti, entre estarrecido e revoltado, a entrega do patrimônio público brasileiro a empresas e conglomerados de empresas, praticamente de graça, com as mentiras de sempre, pra “melhorar” a educação pública (como se existisse além de um simulacro nocivo e safado), a saúde (que acabou entregue a laboratórios, planos de saúde e indústria da medicina), etc. Pudemos observar, com o tempo, todas essas mentiras ladronescas, enquanto a mídia produzia freneticamente narcóticos conscienciais para entorpecer a opinião pública, distorcia a realidade e produzia informações dispersivas, para que não se percebesse o latrocínio coletivo (considerando os mortos pela segurança pública e pela ineficiência do que deveria ser a “saúde pública”, fora suicídios produzidos pelo desespero e os assassinatos devidos à estrutura social produtora de miséria e desejos compulsivos de consumos impossíveis à maioria). Fernando Henrique é o supra sumo da vaidade acadêmica, totalmente entregue e defensor dos  poderes empresariais sobre a sociedade e os bens públicos, emanando desprezo pela população sabotada, na velha postura europeísta do egoísmo e da dominação sobre as coletividades. O próprio lesa-pátria, que deveria estar em cana, ao invés de ser louvado pelas academias mundiais e vender palestras por centenas de milhares de reais ou dólares.
O Serra, personagem central no livro, não passa de um menino de recados eficiente, que leva as gordas gorjetas dos seus patrões, satisfeitos em suas ambições desumanas. Não li o livro ainda (e não devo lê-lo tão cedo, por não ser fundamental pra mim – sensação de ‘eu sabia’, embora sem documentação, pois a realidade já diz claramente o que acontece -, e por falta de grana, mesmo. Lerei, assim que puder), mas nada do que se falou a respeito das suas revelações me parece surpresa. Por que não me surpreendo? É a pergunta que faço, ironicamente, quando se revelam essas barbaridades. A resposta é simples: porque é o que a realidade nos diz, a todo o momento e de inúmeras formas. A força revelada desse “menino de recados”, aparentemente avassaladora, apenas anuncia a força descomunal dos interesses que ele atende, protege e defende, sempre contra o povo. Espero que o livro não pare nos fantoches, as marionetes do “teatro” político e midiático. A corrupção começa no corruptor, não no corrupto, que é a parte menor da corrupção, onde costumam parar as investigações, nas poucas vezes em que são feitas. Os que seguram os fios dos bonecos permanecem no escuro e se passam por “benfeitores da humanidade”, louvados pela mídia privada, sempre, como geradores de empregos e não como exploradores do trabalho e dos bens públicos, a qualquer custo, que é o que realmente são.
As revelações do livro são novidades apenas por trazer detalhes, nomes, datas à tona. Esses procedimentos são uma triste tradição no exercício do poder público. A única diferença é essa parte específica – o período desse nefasto governo – ter vindo à tona, provavelmente pelo excesso de descaramento, de cara-de-pau, de confiança na imbecilização programada da mentalidade popular. Na minha visão, não há exercício de governo que não compactue, em maior ou menor grau, com a ditadura das empresas. E a base não está apenas no controle da informação e das instituições públicas. Está, principalmente, no condicionamento das mentes e dos comportamentos, dos valores e objetivos de vida, implantados massiva e diariamente, 24 horas por dia, que nos levam a consentir e colaborar com essa estrutura infeliz de sociedade.
Disputamos por qualquer coisa, encaramos os irmãos como adversários, desejamos o ócio e o consumo excessivo, amamos o luxo e o desperdício e admiramos a ostentação e a arrogância. Consumimos marcas como se fossem padrão de qualidade social e pessoal, sem perceber o ridículo de apoiar esses valores artificiais, traiçoeiros e completamente falsos, em essência, embora tristemente reais no cotidiano, quando são estimulados sentimentos de superioridade e inferioridade com base no ter, no parecer, na forma e não no conteúdo, nos sentimentos, no caráter, na integração ao coletivo. Por isso, qualquer trabalho revolucionário precisa começar internamente, dentro de si mesmo, nos condicionamentos impostos a todos, a que ninguém está isento. Quem negar isto está apenas exercendo uma arrogância estúpida ou uma ingenuidade triste.
Precioso livro pra começar a enxergar como as coisas funcionam em nossa sociedade. Recomendo também o “Confissões de um Assassino Econômico”, de John Perkins, além do já mencionado “A Melhor Democracia Que o Dinheiro Pode Comprar”, como seqüência de “Confissões…”
Abaixo, alguns trechos da reportagem de Carta Maior a respeito.

(EDUARDO MARINHO)

Resoluções de ano novo

01/01/2012 às 8:44 | Publicado em Midiateca | Deixe um comentário
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Ano novo

Para vivir

01/01/2012 às 1:01 | Publicado em Midiateca | Deixe um comentário
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Para iniciar bem o ano, “Para vivir”, uma das músicas mais lindas que já ouvi. E os filmes ? Como diz os ‘créditos’ do Youtube: “Los fragmentos de Peliculas son: Casablanca, Dr Zhivago, El Principe de las Mareas, El Secreto de sus Ojos, El hijo de la novia.-“


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