Missão (quase) impossível: enfrentar o trânsito de Salvador !

15/01/2012 às 18:58 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 2 Comentários
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Apesar de já ter lido alguns bons artigos dela, nunca postei nada de sua autoria aqui neste ZEducando. Como moro há uns 8 anos nesta bela terra da Bahia de Todos os Santos (Salvador, a terceira maior cidade do país) e convivo com isso diariamente, faço então esse post para reflexão dos meus conterrâneos. O baiano é um dos povos mais amigos e camaradas do mundo, mas não pode pegar numa direção que se transforma… em bicho !

Chegada


MISSÃO IMPOSSÍVEL 

No mais novo e divertido filme da série Missão Impossível, Tom Cruise costura, chuleia e prega botão no trânsito de Dubai. Faz ultrapassagens miraculosas, tira finos, quase atropela uma cáfila de camelos, detona com um Jaguar e sai ileso feito o Papa-Léguas. A plateia delira: eis um valente super-herói.  MathaMedeiros
Aí o filme termina, as luzes se acendem e cada um volta pra sua vidinha sem efeito especial, em seu carro meia-boca e sabendo-se longe de ser um ás em qualquer coisa. Somos homens e mulheres comuns, nem tão belos e com uma profissão pouco empolgante. O que poderíamos ter de semelhante com um personagem tão incrivelmente cartunesco? Ora, ora, também podemos ter inimigos! Então, elegemos os outros motoristas como nossos opositores e assim transformamos a vidinha modorrenta num videogame.
Assim perdura nosso complexo de vira-lata. Quanto mais o cara acelera, faz ultrapassagens arriscadas e tem pressa em chegar antes que o motorista de trás, mais ele atesta sua infantilidade, sua inferioridade e seu despreparo para uma vida consciente e adulta. São babacas que possuem uma visão completamente deturpada de si mesmos. Contraditórios, eles se orgulham por beber, por não usar cinto e por dirigir agressivamente, sem se dar conta de que estão demonstrando o quanto são de segunda categoria.
O que importa é conhecer os truques para voar pelas estradas, sair sem um arranhão e ainda seduzir a garota mais bonita – que é outra babaca se aguenta tudo isso quieta.
Nossas estradas não são o bicho, a sinalização é deficiente, mas nada é de pior qualidade que nossos motoristas. São homens (e algumas mulheres também) impotentes para avançar em suas profissões, impotentes para ultrapassar a concorrência com uma ideia mais criativa, impotentes para conquistar o respeito da sua turma, impotentes para educar os filhos com responsabilidade, e por isso recorrem a malabarismos e palhaçadas no asfalto.
Usam o carro como um meio de transporte não de um lugar para o outro, mas de um status para o outro – só que são promovidos a delinquentes, não a agentes secretos.
Para eles, inimigos são os que obedecem às leis, os que têm cautela quando chove, os que reduzem em curvas perigosas e “atrapalham” os velozes. Será missão impossível reajustar esse foco? A guerra no trânsito só terá menos vítimas quando motoristas imaturos tiverem amor próprio suficiente para não precisarem se exibir. Ninguém se torna mais admirável por chegar primeiro, por arriscar a vida e protagonizar cenas dignas de um filme de ação.
Esses continuarão menores que Tom Cruise (que já é pequeno) e sendo meros figurantes de uma viagem que exige bravura, sim, mas de outro tipo. A bravura de proteger sua família, de não enxergar os outros como rivais e de ter habilidade para dirigir a própria vida – que exige bem mais que um volante e um acelerador: exige cérebro.
Meninos de 18 anos, meninos de 42, meninos de 67: dirijam com prudência se forem homens.

Martha Medeiros (A TARDE, domingo, 15/01/2012)

A Internet e os Direitos Humanos

15/01/2012 às 9:04 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Esse vem direto do blog do meu irmão, o MATÉRIAS JURÍDICAS (até a foto veio de lá). Vale a reflexão:

Internet


Um texto instigante do Vice-presidente do Google. Citamos uma frase: “a tecnologia é um meio que possibilita esses direitos, e não um direito em si”. Seria tal tecnologia um direito civil? Cabe classificá-la como um direito humano na acepção da palavra? Reflitam e tirem suas conclusões.


A INTERNET E OS DIREITOS HUMANOS

Por Vinton G. Cerf em 10/01/2012 na edição nº 676

Reproduzido do New York Times; O Estado de S.Paulo, 6/1/2012; tradução de Anna Capovilla; intertítulo do OI

Das ruas de Túnis à Praça Tahrir e mais além, os protestos desencadeados em todo o mundo, no ano passado, nasceram na internet e nos vários recursos que permitem interagir com ela. Embora as manifestações tenham frutificado porque milhares de pessoas decidiram participar, talvez nunca tivessem ocorrido sem a possibilidade que a internet oferece de comunicação, organização e divulgação instantânea do que quer que seja em todo e qualquer lugar do mundo.

Não surpreende, portanto, que os protestos tenham levantado indagações sobre o acesso à internet como direito humano ou civil. A questão é particularmente delicada em países cujos governos impediram seu acesso na tentativa de abafar os protestos. Em junho, citando os levantes no Oriente Médio e no Norte da África, um documento da ONU chegou a declarar que a internet “se tornou um instrumento indispensável para que grande parte dos direitos humanos seja respeitada”. Nos últimos anos, tribunais e parlamentos em países como França e Estônia declararam o acesso à internet um direito humano.

Mas essa afirmação, apesar da boa intenção, não toca num ponto muito mais abrangente: a tecnologia é um meio que possibilita esses direitos, e não um direito em si. Existe um critério mais elevado para que alguma coisa seja considerada um direito humano. Em sentido amplo, ela deve ser uma daquelas coisas das quais nós, seres humanos, precisamos a fim de poder levar uma vida saudável, dotada de sentido, como uma existência sem tortura ou a liberdade de consciência. É um erro colocar determinada tecnologia nessa categoria, pois ao longo do tempo acabaremos valorizando as coisas erradas. Por exemplo, em certa época, se uma pessoa não tivesse um cavalo, não conseguiria ganhar a vida. Mas o direito fundamental naquele caso era o direito de ganhar a vida, e não o direito de ter um cavalo. Hoje, se tivéssemos o direito de ter um cavalo, não saberíamos onde o colocar.

Aprimorar a condição humana

A melhor maneira de caracterizar os direitos humanos é identificar as consequências que tentamos garantir em razão deles. Entre elas, as liberdades básicas como a de expressão e a de acesso à informação – e estas não estão necessariamente vinculadas a uma determinada tecnologia em qualquer momento histórico. Na realidade, até o relatório da ONU admitia que a internet é valiosa como meio para alcançar um fim e não um fim em si mesma.

E o que dizer da ideia de que o acesso à internet é ou deveria ser um direito civil? O mesmo raciocínio pode ser aplicado – embora eu deva admitir que o argumento de que se trata de um direito civil é mais forte do que afirmar de que se trata de um direito humano. Afinal, os direitos civis são diferentes dos direitos humanos, pois nos são concedidos pela lei, e não são intrínsecos dos seres humanos.

Embora os EUA nunca tenham decretado que toda pessoa tem “direito” a um telefone, a ideia de “serviço universal” chega perto disso – ou seja, a ideia de que o serviço telefônico (e a eletricidade, e agora a internet de banda larga) deve estar disponível até mesmo nas regiões mais remotas do país. Se aceitarmos essa ideia, chegaremos perto do conceito do acesso à internet como direito civil, pois garantir o acesso é uma medida determinada pelo governo. Mas todos esses argumentos filosóficos não se referem a uma questão mais fundamental: a responsabilidade dos criadores de tecnologia de respaldar os direitos humanos e civis.

Neste contexto, os engenheiros não só têm a obrigação de conferir a capacidade aos usuários de usar a tecnologia, mas também a obrigação de garantir a segurança dos usuários online. Isso significa, por exemplo, proteger os usuários de riscos específicos como vírus que invadem seus computadores. São os engenheiros – e as nossas associações profissionais e organismos reguladores – que criam e mantêm essas novas possibilidades. Enquanto procuramos aprimorar a tecnologia e seu uso na sociedade, devemos ter consciência das nossas responsabilidades civis além da capacidade dos nossos engenheiros.

Aprimorar a internet é apenas um meio, mas importante, pelo qual é possível aprimorar a condição humana. Isso deve ser feito com a valorização dos direitos civis e humanos que devem ser protegidos – sem pretender que o acesso em si à tecnologia seja um direito.

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[Vinton G. Cerf é membro do Institute of Electrical and Electronics Engineers, vice-presidente do Google]

Limpando água

15/01/2012 às 3:38 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Vejam que idéia simples, inteligente e factível.

energia-solar


Brasil desenvolve nova tecnologia que elimina poluentes industriais com energia solar

Pesquisadores da Unicamp (Universidade de Campinas) criaram uma nova tecnologia que utiliza energia solar para destruir os poluentes presentes na água. Para os realizadores do projeto, a alternativa é considerada sustentável, viável economicamente e altamente eficiente, além de representar uma solução adequada para as áreas mais carentes, não apenas do país, mas de todo o mundo.

O equipamento já está sendo patenteado para ser desenvolvido em escala industrial. Para produzi-lo a professora e pesquisadora da Unicamp, Cláudia Longo, e sua equipe, utilizaram energia solar e nanopartículas de dióxido de titânio (TiO2).

Segundo a pesquisadora, os resultados obtidos nos experimentos laboratoriais são promissores e indicam que o sistema pode ser melhorado e utilizado tanto para combater a poluição industrial quanto para dar melhores condições de vida à população.

A tecnologia é ainda considerada adequada para a etapa final do tratamento de efluentes industriais, porém “também poderá ser utilizada para a purificação da água consumida por pessoas que vivem em regiões sem acesso a saneamento básico”, aponta Cláudia.

Outra vantagem do sistema é a utilização de radiação solar, o que o torna autossuficiente do ponto de vista energético. O baixo custo e o fato de não ser poluente, não exigir adição de insumos e não gerar resíduos completam os benefícios da tecnologia.

Como funciona

Os pesquisadores desenvolveram um sistema que consiste na conexão de um eletrodo de TiO2 à células solares, o que resulta na combinação de duas aplicações da conversão da energia solar por meio de semicondutores.

Conforme explica Cláudia, a primeira aplicação resultante é a conversão em energia elétrica. A outra se refere à purificação da água. O diferencial do trabalho é a combinação das duas, o que torna o processo mais eficiente em relação às alternativas já existentes.

Com relação ao tratamento de efluentes disponíveis atualmente, a professora aponta algumas limitações, a exemplo dos custos elevados e o longo período necessário para a descontaminação.

A baixa eficácia para eliminar diversos poluentes orgânicos solúveis, tais como fenol, pesticidas, corantes e medicamentos, também é considerado um fator limitador. Isso porque esses poluentes persistentes permanecem no ambiente por longos períodos, já que não são biodegradáveis.

Segundo Cláudia, os testes em escala laboratorial mostraram resultados animadores com relação à utilização da nova tecnologia na eliminação desse tipo de substância da água. Foi observada a degradação de 78% do fenol após três horas sob irradiação solar, já após seis horas, mais de 90% do poluente foi mineralizado.

Saneamento sustentável

As pesquisas apontam que o novo sistema também possui um grande potencial para desinfecção de água contaminada por bactérias.

Com a possibilidade de ampliação dos testes e aperfeiçoamento do sistema, o trabalho pode ser aplicado na etapa final do tratamento de efluentes. O alvo principal serão as estações de tratamentos de efluentes de indústrias têxteis, de papel e celulose, petroquímicas e de agrotóxicos, como também as companhias de água e esgoto e estações de tratamento de efluentes em shopping.

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