Livro “Perdi um jeito de sorrir que eu tinha”

18/05/2012 às 3:20 | Publicado em Baú de livros | 1 Comentário
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Este livro trata de um tema delicado mas muito atual. Ele me foi presenteado pelo sindicato de minha categoria. Serve para todos os trabalhadores, não só aos servidores públicos. Destaco os trechos abaixo, mas a coincidência é que o autor estuda dois casos, com ênfase no assédio moral, um dos anistiados de uma empresa pública e outro de bancários. Não coloca nomes, claro, mas eu descobri que o primeiro refere-se aos Correios e à demissão praticamente em massa ocorrida no ano de 1987, país tentando se redemocratizar, mas com Sarney no poder e ACM como Ministro das Comunicações. Acompanhei este caso de perto porque estava na ECT na época. Não fiz a greve, mas quem fez, de um dia apenas, foi demitido – por ordem expressa do Ministro. Estupidez que um povo sem memória nem mais se lembra. E aqui na Bahia ainda tem alguns lugares onde não se pode expressar essas sandices que ‘painho’ fez…

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DESTAQUES:

A INSUSTENTÁVEL LEVEZA DO SER NO TRABALHO

Jogar com os sentimentos de insegurança
e os medos resultantes se torna hoje
o principal veículo de dominação política.

Zygmunt Bauman

Duas cenas de filmes servem como referência para o início nosso percurso pelo admirável mundo novo do trabalho.

Cena 1. Filme: O grande ditador. A dança com o globo terrestre. Chaplin encarna o ditador embevecido com o poder de comandar os destinos do planeta. O filme, lançado no ano da
instalação de Auschwitz (1940), satiriza a visão de mundo e os comportamentos da organização social, e as relações sociais de trabalho que instrumentalizaram ambições totalitárias.

O portão principal de Auschwitz tem, até hoje, grafada em letras de ferro a mensagem estampada com solenidade perversa – o trabalho liberta. Símbolo eloquente de uma lógica de dominação articulada ao fazer humano do trabalho. Imagem histórica dos limites da astúcia para justificar situações que resistem à compreensão.

Cena 2. Documentário: The Corporation. Um corretor da Bolsa de Nova Iorque é questionado sobre seu primeiro pensamento ao saber da explosão das torres gêmeas. Nitidamente excitado, responde: o ouro vai subir!

A remissão instantânea às possibilidades de lucro – alheias às proporções e dramaticidade do acontecimento – desvela um pensamento preponderante em nossos dias. Nenhum vacilo em aplicar a fria lógica financeira, seja lá onde for. Nenhuma dúvida em encarar a morte como potencial de investimento, como um resto que não é silêncio, mas o prazeroso tilintar metálico das moedas jorradas do cassino financeiro. Nenhuma dúvida em eufemizar a morte como trabalho, na portentosa inscrição de Auschwitz.

Por que aproximar cenas de filmes de realidades sociais e épocas tão diferentes?

As cenas escolhidas, cada uma à sua maneira, refletem a banalização da indiferença, do sofrimento e do mal. O grande ditador personifica um regime totalitário. a corretor da
bolsa norte-americana representa o sujeitado agente de uma engrenagem central do capitalismo pós-moderno.

As duas cenas traduzem racionalidades produzidas e produtoras de um pensamento único voltado para a dominação. Evidenciam a dinâmica indissociável e autorreforçada da criatura que robustece o criador.

O capitalismo globalizante herda e induz visões restritivas do mundo. Costuma ser avesso à interlocução. Exclui os que não comungam das mesmas convicções.

As propagandas de liberdade, igualdade de direitos e oportunidades constantemente enaltecern a avançada democracia capitalista. Essas oportunidades, no entanto, são mais
franqueadas aos que possuem capacidade de consumo, denominados incluídos.

Diante disso, nos perguntamos: onde estará o ponto de exaustão desse modelo? Para Boaventura de Souza Santos, esse ponto será atingido quando a ansiedade dos excluídos se transformar verdadeiramente na causa da ansiedade dos incluídos.

PATOLOGIAS DA VIDA COTIDIANA DO TRABALHO (ASSÉDIO MORAL)

Quanto ao ambiente, o assédio moral é influenciado pela estrutura organizacional e contexto sociolaboral. As organizações hiper-rígidas (burocratizadas) e hiperfiexíveis (desreguladas, instáveis, precárias, imprevisíveis, carentes de políticas coerentes) induzem às relações competitivas e conílituosas que podem levar ao assédio moral.

O assédio moral é sintoma de grave disfunção da orgação do trabalho. Para Dejours é um instrumento a serviço do agir estratégico, utilizado para desarticular o coletivo do trabalho.

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  1. Do amigo Marcelo Marcio de Oliveira da Receita Federal :

    ================================================

    Compartilho com o nobre e esclarecido colega alguns pensamentos.

    ——————————————————————–

    NOVA ADUANA: UMA CRISE NO HORIZONTE.

    O ideograma japonês para a palavra crise é uma fusão dos ideogramas que representam as palavras risco e oportunidade.
    Assim como todo problema carrega em si o germe de sua solução, a sabedoria nipônica compreendeu que uma crise é fruto do sincretismo dos riscos e oportunidades que uma questão apresenta.
    Uma crise exige uma decisão.
    Ponderar qual a melhor alternativa diante dos fatos e escolher qual a atitude a tomar.

    Uma nova aduana, desmembrada da Receita Federal, nos moldes existentes em países como Estados Unidos e França, representa uma mudança de paradigmas com inúmeras repercussões.
    O modelo atual é do tempo em que as relações econômicas internacionais tinha peso menor na gestão macro-econômica do país.
    Uma verdadeira Aduana possui atribuições muito mais regulatórias do que arrecadatórias. E neste contexto faz todo sentido tornar-se independente da Receita Federal.
    Os mesmos argumentos de economicidade favoráveis à fusão das Receitas Federal e Previdenciária justificam a cisão da Receita Federal e da Aduana.

    Para nós, Analistas-Tributários a questão que se impõe é de outra ordem. Quais riscos e oportunidades esta crise nos apresenta ? E quais decisões queremos tomar ?

    Para mim está claro !
    Ao longo de quase 20 anos de trabalhos prestados à instituição me vejo refletindo sobre os desafios que enfrentamos e as conquistas que ensejamos. E o resultado desta reflexão é que mesmo nos momentos em que o Órgão nos tratou melhor, ainda assim nos tratou mal.
    Me lembro que não foram poucas as manhãs que fui atropelado por iniciativas mesquinhas que pareciam brotar como ervas daninhas em mentes perturbadas com o único propósito de nos abater o ânimo, nos tolher a vontade e nos furtar as conquistas.
    E ainda hoje somos assaltados por boatos, suspeitas e fatos que se prestam tão somente a nos prejudicar.

    Ainda criança aprendi com minha mãe que para estar em paz é preciso cultivar a paz. Que gestos bons atraem coisas boas. E que para que um lar seja feliz é preciso que as pessoas vivam em harmonia.
    E nestes anos todos habitamos juntos uma casa em que não há paz. Onde intrigas, discussões e conflitos permanentemente nos tiram o foco do trabalho, do progresso e do sucesso.
    Muitos querem esta luta. Precisam dela para viver suas vidas mesquinhas e realizar seus sonhos medíocres.
    Mas tenho a certeza de que a maioria está cansada e, assim como um migrante, anseia por uma nova terra de oportunidades.

    Oportunidade !
    Uma nova Aduana talvez seja a oportunidade para aqueles que estão cansados desta luta insólita e querem um novo começo.
    Um novo órgão com uma única carreira.
    Um único cargo com atribuições claramente definidas, ausência de conflitos de competência.
    Oportunidade para todos que desejam trabalhar em paz e harmonia.

    Riscos ?
    São tantos que sequer consigo enumerar.

    Mas o simples fato de poder dormir sabendo que ao acordar o trabalho me espera e que me esperam para o trabalho, já faz tudo valer a pena.
    Poder olhar para o colega e demonstrar respeito pelo seu trabalho e sentir o mesmo.
    Saber que o órgão trabalha por TODOS e espera o melhor de nós SEM DISTINÇÃO.

    Enfim, sentir que faço parte da instituição, que faço parte DO grupo, que fazemos parte DO MESMO GRUPO.

    O símbolo da Aduana é uma estrela dentro de um círculo.
    Uma fonte de luz, um brilho de esperança para todos aqueles que estão unidos em torno dela.

    Pense nisso!

    Marcelo Marcio de Oliveira
    Analista-Tributário

    http://www.sindireceita.org.br/2012/05/08/mudancas-na-aduana-sim-criacao-de-um-novo-orgao-nao/


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