Quem chegou até aqui, faça um favor a você mesmo e leia os dois trechos abaixo do livro Permacultura e as Tecnologias de Convivência, de Eduardo Antônio Bonzatto (basta clicar na continuação deste post, certamente terá uma surpresa !). Como não achei o livro na Internet resolvi escanear essas duas partes, para mim fundamentais. Podem ver que são muitas páginas, assim segue da forma que escaneei, sem revisão – primazia do conteúdo em relação à forma ! um lema meu de vida que uso há muito tempo, no trabalho idem.
Havia feito um post sobre o tema, dia 20 de fevereiro deste ano, onde coloquei dois vídeos. Soluções simples para um novo rumo de vida.
SOBRE A MERDA
A merda humana quarda um potencial ainda pouco percebido para nós. Vejamos suas potencialidades
“Merda de Artista. Contém 30 gramas”, dizia o rótulo das 90
latinhas nas quais o dadaísta Piero Manzoni embalou o próprio
cocô em 1961. Quatro décadas depois, as latas estão expostas em
alguns dos mais importantes museus do mundo – da Tate Modern,
de Londres, ao Centro Georges Pompidou, em Paris – e são disputa-
das nos leilões da Sothersby’s por lances de até 124 mil euros – R$
10 mil o grama. Mas não precisa ser de artista para o cocô humano
valer dinheiro.
De toda a comida do mundo, 10% são produzidos pelos 200
milhões de camponeses que usam esgoto cru para irrigar e fertilizar
suas plantações, principalmente na Ásia, segundo estudo do Instituto
Internacional de Gerenciamento de Água (IWMI, na sigla em inglês).
Não fosse pelo esgoto, o preço de vegetais em países pobres
aumentaria tremendamente. Cada tonelada de fezes humanas tem
até 6 quilos de nitrogênio, 2,5 quilos de fósforo e 4,2 quilos de
potássio, e cada 1000 litros de urina, até 70 quilos de nitrogênio, 9
quilos de potássio e 400 gramas de fósforo. “Com essa constituição,
fica claro o valor fertilizante dos dejetos humanos tanto para uso em
pequena como em grande escala”, diz o engenheiro agrícola Antonio
Teixeira de Matos, da Universidade Federal de Viçosa.
Claro que nem ele nem ninguém defende que comer um legume
cultivado nas fezes de desconhecidos é uma boa ideia. Um grama
de cocô é uma bomba de 10 milhões de vírus, 1 milhão de bactérias,
1000 cistos de parasitas e 100 ovos de vermes. É a água contami-
nada por esses organismos que causa 80% das doenças relacionadas
à diarreia, que matam uma criança a cada 15 segundos. Ou seja,
comer desses cultivos é quase tão perigoso quanto não comer nada.
O potencial de verdade, então, está no esgoto tratado contra
micro-organismos nocivos. “A tecnologia para limpá-Io (como tanques
de estabilização de dejetos e outras técnicas de baixo custo) já é
bem pesquisada e documentada. A questão é apenas aplicá-Ia onde
for necessário”, diz a engenheira ambiental Liqa Raschid, do IWMI.
Os países desenvolvidos já fazem isso, inclusive. Eles processam
grande parte dos dejetos, produzindo de um lado água potável e,
de outro, o lodo do esgoto – tratado contra bactérias e parasitas.
E esse lodo é a base de muitos cultivos. No Reino Unido, por exem-
plo, 70% do lodo vai para a agricultura, e, nos EUA, só a empresa
Synagro fatura US$ 320 milhões coletando lodo de esgoto para
vendar a fazendeiros do país todo. Só não dá para substituir todo o
fertilizante artificial por cocô porque não o produzimos o suficiente.
O tratamento é fundamental para usar esgoto como adubo, mas
não é tão necessário se os dejetos forem aplicados em culturas não
comestíveis, como fibras, madeira e combustíveis, segundo Matos.
“Se a aplicação for feita em doses adequadas, para não contaminar
o solo nem as águas subterrâneas, o risco é mínimo. E o aproveita-
mento deve ser incentivado”, conclui. Resultado: o produto interno
bruto do seu intestino vai direto para o do país! Você estará contri-
buindo para o crescimento econômico cada vez que sentar no trono.
Mas isso é só o começo.
Outro fim economicamente interessante pode ser dado ao cocô:
produzir energia. Afinal, as fezes têm gás combustível de montão.
Some a criação de animais domésticos do mundo – 1,34 bilhão de
vacas, 1,8 bilhão de cabras e ovelhas, 941 milhões de porcos e 18
bilhões de galinhas. Se você pegar só a metade do que essa bicha-
rada solta em um ano, poderá produzir em gás o equivalente a
2,28 bilhões de barris de petróleo por ano, ou 8% do que o mundo
consome. Juntando isso à produção intestinal de 2,28 bilhões de
seres humanos … bem, as chances energéticas parecem ilimitadas.
Ainda assim, a produção de gás de origem biológica (o biogás)
está engatinhando. É que um biodigestor comum precisa de em
média 30 litros de matéria orgânica por dia para se tornar viável,
enquanto uma pessoa faz cerca de 250 gramas de cocô e 1 litro de
urina nesse período. Não dá grande coisa em biogás. Para manter
acesa uma única lâmpada de 100 W, por exemplo, só com a produ-
ção diária de 10 pessoas.
Mas com uma forcinha dos animais a coisa funciona. Uma vaca
produz 30 quilos de estrume por dia. Juntando isso com a porção
humana, já dá para conversar. Tanto que, hoje, 15 milhões de lares
na China rural conectam suas privadas a um biodigestor -‘e, poucas
horas depois de terem dado a descarga, podem acender o fogão
e cozinhar o almoço. Com 1,6 bilhão de pessoas, o país conseguiu
então estampar mais um título autoatribuído de grandeza: o de
país que aproveita mais energia do cocô. Num vilarejo-modelo na
província de Shaanxi, todo cocô, humano ou animal, é aproveitado
para produzir energia. A índia segue o mesmo caminho, com seus
283 milhões de vacas. Mas é o Nepal o país com mais biodigestores
per capita. Com 83% da população no campo e constante falta de
combustível, 4% dos nepaleses usam o biodigestor a cocô de vaca.
O Brasil vai devagar, mas São Paulo e Mato Grosso já têm fazendas
com biodigestores de fezes de porcos.
Esse tipo de iniciativa pode fazer toda a diferença para o bolso
dos criadores de animais. E para o seu. Por exemplo, se todas as cria-
ções de frango aproveitassem a quantidade rnastodôntica de titica
que produzem, a carne poderia ficar 4% mais barata no supermer-
cado, segundo um estudo de Júlio Cesar Palhares, pesquisador da
Embrapa. Isso corresponde ao custo do aquecimento elétrico, uma
necessidade dos criadouros. E a energia da titica, sozinha, daria
conta de eliminá-Io.
Mas nem sempre é necessário cria animais para que os biodiges-
tores sejam viáveis. Em lugares de população grande e concentrada
o sistema pode vingar. Foi o que aconteceu nas prisões de Ruanda.
O genocídio de 1994 inflou a população carcerária do país, bom-
bando tanto os gastos com lenha para cozinha quanto a produção
de fezes que acabava nos rios. O cocô dos presos tinha virado um
problema nacional! A solução? Cozinhar a comida deles com biogás
feito de suas próprias fezes. Pronto. Desde então, esse combustível
humano permite uma economia de 60% nos gastos com lenha –
gastos que chegariam a US$ 1 milhão por ano.
Os europeus também já podem entrar no banheiro e sair com a
consciência ambiental mais limpa. A Alemanha transforma 60% de
suas fezes em energia, e a Inglaterra deve fechar 2010 passando a
marca de 75%. Na Suécia já há carros funcionando, indiretamente,
à base de cocô. A cidade de Linkõping transforma todo o esgoto de
seus habitantes (e mais o cocô de porcos e bois) no biogás usado
nos 64 ônibus do lugar e no primeiro trem movido a cocô do mundo,
que tem autonomia para percorrer 600 quilômetros. Enquanto isso,
12 postos abastecem os carros locais, economizando 5,5 milhões
de litros de gasolina. Com isso, 9 toneladas de CO2 deixam de ser
lançadas no ar por ano.
Mesmo assim, ainda existe um pré-sal de cocô a ser explorado.
Simplesmente porque quase todo ano ele é desperdiçado por falta
de saneamento básico. No mundo, 2,5 bilhões de pessoas não
contam com esse luxo. Não é que não tenham acesso ao esgoto.
Eles não possuem sequer uma fossa: vão para campos abertos de
defecação, linhas de trem, florestas … E em algumas favelas, par-
tem para o toalete-helicóptero: fazem num saquinho e jogam no
telhado do vizinho.
Inspirador, não? Bom, para o empresário sueco Andrés Wihel-
mson foi. Primeiro ele viu saquinhos de cocô voando em favelas
do Quênia. Depois, constatou que esses lugares tinham bastante
espaço livre que poderia ser usado para plantar. Aí ele juntou as
duas coisas numa ideia só: fazer saquinhos-privada biodegradáveis
e com produtos químicos que matam os germes do cocô. Depois
de se aliviar, você enterra a caca e ela vira adubo. Andrés já testou
a coisa na África e deve começar a produção neste ano. A intenção
não é fazer caridade, mas vender os saquinhos pelo equivalente a
R$ 0,05. Com lucro. Pois é: com cocô não se brinca 17.
Efetivamente, nosso organismo é um vasto território simbi-
ôntico. Mais de 40% de todo nosso peso é constituído de colô-
nias de bactérias, parasitas e outros organismos. Só da boca, se
extirpássemos todas as bactérias, morreríamos em poucas horas.
Necessitamos desses parceiros para nossa sobrevivência.
Ao ver televisão, temos a impressão de vivermos acuados
sob um risco total, cercados por todos os lados de micróbios
sedentos de seres humanos, sedentos de seres humanos escu-
dados contra a infecção e a morte graças unicamente a uma tec-
nologia química que nos permite continuar a matá-Ios antes que
nos invadam. Somos convencidos a pulverizar desinfetantes por
toda parte. (. .. ) Aplicamos antibióticos potentes em arranhões
leves e os vedamos com tirinhas de plástico. O plástico é o novo
protetor; embrulhamos os copos já de plásticos dos hotéis, em
mais plástico e selamos os assentos dos sanitários como se fos-
sem segredo de estado, depois de esparzi-Ios com luz ultravioleta.
Vivemos num mundo em que os micróbios estão tentando sempre
nos atingir, despedaçar-nos célula por célula, e só continuamos
vivos às custas da diligência e do medo.
Esse artigo ainda é tímido sobre a utilização desse resíduo,
pois restringe aos poderes públicos a determinação política dessa
mudança. Contudo, quando buscamos artifícios que nos levem à
autonomia, ou seja, a um modo de vida que prescinda dos orga-
nismos de poder, a solução possível que passa pela utilização da
merda como alternativa é fundamental.
TEMPO DE COMPREENSÃO
Ainda hoje, mais de 50% de todas as habitações do planeta
são feitas de barro. No Brasil, até o final do século XIX, a técnica
construtiva de todas as habitações era a taipa.
Os taiperos eram abundantes e dominavam o seu ofício.
No entanto, hoje restam poucos nomes desses oficiais. Robert
Slenes, em seu livro Senhores e subalternos no Oeste Peulista>,
registra Gurgel Mascarenhas e Pedro Mascarenhas, pai e filho que
exerciam a profissão de taipeiros em Campinas nos anos de 1820.
Há também o Janjão, construtor de casas de taipa no Vale
do Paraíba e que aparece no livro de Antonio Dias de Andrade,
Arquitetura Rural e Institucional, exemplos de fazendas, volume 2
e no livro Panorama geral do Vale do Paraíba, detalhes constru–
tivos, volume 1.
Os feitos desses artífices, contudo, são mais perenes. O casa-
rão do Chá de Mogi das Cruzes, algumas casas de Indaiatuba,
todas as igrejas coloniais de cidades como Ouro Preto, Porto
Seguro e Paraty, além de outras inúmeras construções ainda de
pé, tem muito mais que 300 anos e atestam a resistência, a ade-
quação ao clima e ao jeito de habitar tropical e a durabilidade
dessa técnica, consistindo em excelente isolante térmico e sonoro.
A fundação era de pedra e tinha entre 50 e 70 cm de largo,
sobre a qual subiam as paredes, na mesma medida. A mistura
consistia em socar argila misturada com estrume, óleo de baleia,
conchas e capim, afixadas em caixas que impediam o espalha-
mento do material, pilado até o ponto de endurecimento máximo.
Essa, aliás, era a estrutura da habitação. Não havia necessidade
de colunas de ferro e outros invenções que só vieram depois.
Contudo, ao final do século XIX e início do XX, com a
república e a ideia de progresso e de similaridade com as modas
europeias, a construção de taipa foi proibida e seus artífices foram
perseguidos até o seu completo desaparecimento.
Em seu lugar vieram os engenheiros e as construções de
alvenaria com estruturas calculadas por meios técnicos. Esse saber
milenar simplesmente desapareceu para que quem quisesse cons-
truir tivesse que” comprar” não somente a mão de obra, mas
principalmente os materiais que passaram a ser vendidos em
casas de construções.
As hortas foram igualmente erradicadas nos anos 1970 de
quase todas as casas com a chegada dos supermercados; casas
que já não admitem piso de terra e impermeabilizam todos os
espaços, menos os esgotos, sejam as fossas negras ou os coleto-
res que são cotidianamente despejados nos rios.
Os alimentos que consumimos estão tão soterrados de
venenos e conservantes químicos que nos condenam a todos,
quase com certeza, a uma morte por câncer, se escaparmos dos
tiros e dos acidentes de trânsito com seus índices de fatalidade.
As pessoas vêm sendo sistematicamente apartadas da terra.
Aqueles que nasceram depois dos anos 1970 não conhecem o
sentimento arrebatador de tocar a terra com os pés no chão.
As mulheres jogam toneladas de água sobre seus impermeáveis
quintais de cerâmica e os jardins suspensos são cada vez mais
comuns. As plantas habitam vasos e a agricultura se fechou numa
redoma de plástico e de venenos e fertilizantes químicos.
A terra virou sinônimo de sujeira, de atraso, de falta de
desenvolvimento, enquanto o asfalto e o cimento parecem muito
mais adequados à soberania do automóvel.
Só a merda parece não encontrar obstáculos em seu cami-
nho para a terra. Há alguns anos acompanhei um grupo de estu-
dantes num protesto até a Secretaria Estadual de Recursos Hídri-
cos contra os moradores de um bairro de alto nível em 8arueri.
Os cultos e ricos moradores de Alphaville despejavam, e talvez
ainda despejem seus esgotos num riozinho que abastece o lago
do Parque Ecológico do Tietê com claros sintomas de morte lenta,
porém determinada, mas pouco importa, pois se não jogam
mais ali, jogam com certeza no rio Tietê. Embora não vejam, sua
merda polui tanto quanto a merda dos pobres, onde o esgoto
corre a céu aberto.
O resgate desses saberes, portanto, é muito mais que um
mero gesto econômico ou estético. É um gesto político que se
abre para a autonomia e a independência, sem abrir mão de
conforto e beleza e de uma qualidade de vida que só tinham
nossos ancestrais.
Não devemos dar muito crédito ao sistema que nos domina
atualmente. Ele é relativamente muito mais recente do que
imaginamos:
Muitas vezes ouvimos o argumento de que o capitalismo existe
há 5.000 anos e que, portanto, é tolice queixar-se da existência do
McDonald’s ou Starbrick’s ou outras óbvias emanações do capita-
lismo. Se você definir o capitalismo como, digamos, “pessoas ricas
usando seu dinheiro para ganhar mais dinheiro”, então certamente
pode afirmar que ele existe há muito tempo. Mas nesse caso, você
também teria de admitir que o capitalismo conseguiu existir por pelo
menos 4.950 anos sem criar algo remotamente parecido com uma
franquia de lanchonetes.
Usar esse argumento para considerar esse fato como inevitável
parece muito estranho. Mesmo fazer uma versão mais sofisticada
desse argumento – digamos, definir o capitalismo como um sistema
mundial em que a economia global é dominada por financistas e
industriais privados movidos pela necessidade de continuamente
expandir suas operações e conquistar lucros sempre maiores – e
dizer que, portanto o capitalismo existe desde 1492, ou talvez 1750,
também significaria que uma economia mundial capitalista ainda
pode encontrar espaço para fenômenos como o Império Otomano, a
União Soviética ou as elaboradas redes de troca de porcos na Papua
Nova Guiné. Em outras palavras, quase qualquer coisa. Ainda há
espaço para experiências sociais.
Alternativamente, se definirmos o capitalismo como uma vasta
máquina movida por enormes corporações e consumo de massa
determinado a abraçar todo o globo, então estaremos lidando com
uma criatura que existe em uma parcela minúscula, quase infinite-
simal, da história mundial. Honestamente, qual é a probabilidade
de que um sistema que existe há apenas algumas décadas dure
pelo resto da história humana? Realmente acreditamos que, se a
China, por exemplo, tornar-se a hegemonia global no final do século,
o mundo será conduzido exatamente da mesma maneira? Qual a
probabilidade de que daqui a 50 ou cem anos o mundo seja dirigido
por corporações maciças empregando trabalhadores assalariados,
vendendo seus produtos por meio de redes de consumo e envolvidas
numa expansão interminável em busca de lucros?
Colocada nesses termos, a pergunta torna-se óbvia. A questão
não é se o capitalismo em sua forma atual será substituído. A questão
é pelo quê: uma forma diferente de capitalismo? Um sistema total-
mente novo? Um conjunto heterogêneo de sistemas econômicos?
E, é claro, alguma coisa que substitua o capitalismo será melhor
ou ainda mais catastrófica para a maioria da população mundial?
Ao insistir que o capitalismo em sua forma atual é o fim da história,
estamos efetivamente nos excluindo do que provavelmente será uma
das mais importantes conversas na história humana”:
Uma casa que você fez, uma casa autônoma, capacitada
e reutilizar a água que se coleta das chuvas e que irriga as hor-
tas e frutas e o plantio de cereais, instalada com mais de um
coletor natural de energia, transformando seu esgoto em pro-
dutos que podem ser reutilizados no mesmo ambiente ou em
gás de cozinha, seria capaz, sem muito exagero, de superar um
sistema como esse.
Senão, já seria maravilhoso só por vivermos sem as apor-
rinhações do trânsito, dos bancos, dos impostos, dos médicos,
dos professores, dos patrões e dos empregados.
Então, essa é uma das possibilidades de mudar o mundo
sem tomar o poder.
Mas devemos ansiar mais que isso, ou menos, dependendo
da perspectiva. Espera-se que esses equipamentos, mediações
que congregam um grupo de pessoas, promovam o surgimento
de uma egrégora.
Egrégora (do grego egrêgorein, velar, vigiar), é como se denomina
a entidade criada a partir do coletivo pertencente a uma assembleia.
Segundo as doutrinas que aceitam a existência de egrégoros,
estes estão presentes em todas as coletividades, sejam nas mais
simples associações, ou mesmo nas assembleias religiosas, gerado
pelo somatório de energias físicas, emocionais e mentais de duas ou
mais pessoas, quando se reúnem com qualquer finalidade.
Assim, todos os agrupamentos humanos possuem seus egrégoros
característicos: as empresas, clubes, igrejas, famílias, partidos etc.,
onde as energias dos indivíduos se unem formando uma entidade
(espírito) autônoma e mais poderosa (o egrégoro), capaz de realizar
no mundo visível as suas aspirações transmitidas ao mundo invisí-
vel pela coletividade geradora. Em miúdos, um egrégoro participa
ativamente de qualquer meio, físico ou abstrato.
Quando a energia é deliberadamente gerada, ela forma um
padrão, ou seja, tem a tendência de se manter como está e de
influenciar o meio ao seu redor. No mais, os egrégoros são esferas
(concentrações) de energia comum. Quando várias pessoas têm
um mesmo objetivo comum, sua energia se agrupa e se “arranja”
num egrégoro. Esse é um conceito místico-filosófico com vínculos
muito próximos à ·teoria das formas-pensamento, onde todo pen-
samento e energia gerada têm existência, podendo circular livre-
mente pelo cosmo.
Podemos exemplificar o egrégoro analisando um hospital. O prin-
cipal objetivo dos que ali estão é promover a cura (independente de
um êxito ou não) ou serem curados; portanto, um hospital carrega
consigo um “egrégoro” que busca a cura. Onde está esse egrégoro?
No chão, nas paredes, no nome, recebendo e influenciando o espí–
rito dos frequentadores do hospital, dos funcionários, dos pacientes
e visitantes. Muitas mentes voltadas para um único objetivo, eis a
concentração de energia!
Da mesma maneira, uma missa, um encontro de algumas pes-
soas (ou muitas) voltadas para promover um mesmo fim (a cura de
alguém, o fim de um problema e a superação de uma perda) tem
um grande poder de formação de egrégoros. (Wikipédia)
E essa ambição nutre muitas vidas.