Não basta apenas equipar as escolas

10/05/2013 às 3:57 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Essa entrevista, de Nelson Pretto (UFBA) foi publicada no jornal A TARDE, de Salvador/BA, há dois meses, mas continua atual. Destado a preocupação com o ecossistema pedagógico e não apenas ao uso de equipamentos das novas TIC e, como não podia deixar de ser, a preocupação com o fortalecimento do professor. E ai eu novamente vou ter que criticar um dos maiores educadores que atuam nesta Bela Terra da Bahia de Todos os Santos: por que não ir direto ao ponto, ao âmago da questão ? FORTALECIMENTO = SALÁRIOS DÍGNOS !


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Tecnologia deve estar aliada ao fortalecimento do papel do professor (por Flávia Faria)

O professor Nelson Pretto, da Faculdade de Educação da Ufba, é um dos maiores especialistas no uso de tecnologias na educação. Líder do Grupo de Pesquisa Educação, Comunicação e Tecnologias (GEC), Pretto reforça nesta entrevista a importância de integrar os equipamentos eletrônicos a programas eficientes de fortalecimento do papel do professor.

Em um contexto em que faltam professores e bibliotecas nas escolas, por que é importante falar de tecnologia na educação?

Essas coisas não são separadas. Não se pode trabalhar na perspectiva linear de fazer primeiro uma coisa, depois a outra. Faltar biblioteca, faltar rede, faltar tablet, faltar máquina fotográfica… é tudo um problema. A escola tem que se constituir exatamente no espaço em que todas essas coisas estão presentes.

Neste sentido, qual o perigo de se achar que, dando tablets aos alunos, se resolve o problema da educação no Brasil?

Esse pensamento é totalmente errado. Não existe possibilidade de só levar computador e resolver o problema, da mesma forma que não existe possibilidade de só levar livros e resolver o problema. Você tem que pensar a escola como um ecossistema pedagógico, de informação e comunicação, onde você tem redes, infraestrutura tecnológica, arquitetura, materiais educacionais dos mais diversos. Principalmente, você tem que ter um professor fortalecido. Não adianta ter todas essas coisas sem um professor fortalecido.

No livro Inclusão Digital, do qual o senhor é organizador, afirma-se que as escolas públicas, quando usam computadores, o fazem numa perspectiva instrumental. Da mesma forma, afirma-se que os gestores não compreendem educação e inclusão digital no mesmo plano. O que, então, deve ser feito para contornar essa situação?

Faltam políticas públicas que integrem todas as áreas. Nós temos hoje políticas de educação que não dialogam com políticas públicas de telecomunicações. A articulação é absolutamente fundamental para a transformação da educação. Então, não basta equipar escola com computador sem colocar rede. Quer dizer, você tem que integrar a rede aos processos pedagógicos, pensar o currículo, pensar a formação dos professores, pensar a produção dos materiais educacionais.

Falta, de alguma forma, conteúdo produzido para esse trabalho?

O problema não é conteúdo para ser trabalhado. Nós temos é que nos apropriar do conhecimento já produzido pela humanidade e trazê-lo para dentro da escola. Assim, vamos produzir mais conhecimento, mais cultura, mais ciência e mais tecnologia. O conteúdo não cai de paraqueda para ser construído, mas entra como parte do processo de produção. Faltam formação e políticas que estimulem isso. O livro também fala de proibições de acesso nas escolas públicas.

Que conteúdos são proibidos e quais as consequências disso?

Tudo que é bom e interessante na rede é proibido. Não pode Facebook, Orkut, Skype, Twitter, não se pode fazer nada. O filho das classes ricas fica imerso na cibercultura. Já o filho das famílias menos abastadas esperaria encontrar isso na escola ou nos projetos de inclusão digital. Se tudo isso é proibido lá, você acaba tendo uma perversidade terrível, porque esse menino acha que está incluído nessa sociedade e, na verdade, ele está profundamente excluído. Isso é grave porque, como já dizia Anísio [Teixeira] na década de 50, a gente precisa transformar a escola pública num espaço onde pode ser dado aos filhos dos pobres aquilo que os filhos dos ricos têm em casa.

Dá para ter as redes sociais na sala de aula? Como?

A gente trabalha com todas essas tecnologias como possibilitadoras de uma rede de comunicação e aprendizado, mas não existe um manual de regras. Há uma necessidade de um repensar a escola como um todo, o que significa essencialmente fortalecer o professor, para que ele possa, imerso também nessa cobertura, compreender a escola como um espaço de produção.

Qual a situação de programas como Um Computador por Aluno, Programa Nacional de Tecnologia Educacional (ProInfo), Programa de Inclusão Digital do Estado da Bahia?

O grande problema é que não se considera a integração de todos os elementos. Há uma preocupação excessiva em colocar a pedagogia dentro dos equipamentos enquanto, na verdade, a pedagogia precisa estar nos professores. São políticas pontuais focalizadas em distribuir computadores, tablets e fazer algo muito localizado. Isso tem sido um problema porque, quando chega na escola, há um choque com a questão curricular. São políticas isoladas que no fundo não funcionam.

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