Só existe um segredo: tudo está na cara !

28/08/2013 às 11:27 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
Tags: , , , , ,

Excelente e muto atual esse texto do José Miguel Wisnik, que já esteve aqui antes.

edward_snowden_mgn_online


SNOWDEN NA RÚSSIA

Onde está Snowden? Depois das últimas escaramuças russas, vem agora um certo silêncio, que faz parte tanto do momento de pausa aparente na novela louca que vai ao mundo quanto do jogo surdo que se trava em bastidores recônditos. E é de silêncio que se trata. O funcionário de Estado quebrou a lei de silêncio que cerca o poder, o alcance e a prática da manipulação de informações sobre pessoas e instituições, sobre indivíduos e Estados, organismos e corporações, pelo império norte-americano. Essa é mais uma das encruzilhadas indecidíveis do contemporâneo: a internet é, do ângulo visível, uma centrifugadora espiralada, irradiante, espalhada e espalhafatosa, o que a torna uma arma de liberdade e de corrosão de poderes, ao mesmo tempo em que é a máquina centrípeta, concentracionária, secreta, de controle potencial invisível sobre o total das mensagens em jogo, da parte de quem o detém.

Snowden é um desses que juntam os dois polos desencapados, metendo-se numa encrenca em macroescala: o mais-um, o qualquer um que se torna o inimigo Número Um ao trazer a público aquilo que deve passar em silêncio. Não é à toa que seja tratado como o terrorista da vez, como o foi aliás, explicitamente, o namorado brasileiro do jornalista Glenn Greenwald.

O ciclo de palestras promovido por Adauto Novaes este ano, e que está em andamento, trata justamente do silêncio. Uma das mais instigantes palestras a vir, a de Jean-Pierre Dupuy, cujo texto tive oportunidade de ler, tratará do “silêncio público”, isto é, do fato de as relações compartilhadas, da esfera íntima à esfera pública, se fazerem sempre sobre algo que não pode ser dito, mesmo que os envolvidos o saibam, mesmo que saibam que os outros sabem, sem declará-lo, mesmo que não se saiba se o outro sabe, mesmo que não se saiba o que não sabemos. Segredos semiabertos, administrados com normalidade, mas cuja carga, apenas enunciada, pode ser explosiva, estariam na base de todas as relações humanas. Todos sabemos que uma margem de silêncio é necessária para a preservação dos sistemas interpessoais e sociais, e que a tentativa da transparência total seria muitas vezes apenas destrutiva. Outras vezes, no entanto, cruzar o sinal é provocar transformações decisivas e fecundas.

É a pergunta que cerca o destino de Snowden. Ressoa em mim essa espécie de cara limpa que ele tem, de coruja branca camuflada na neve (já revelo minhas fontes). Parece algum estudante aplicado, que eu conheci ou poderia conhecer em algum momento, não investido da aura sacrificial dos profetas e imolados, louco à sua maneira, mas extremamente cool. Ele me faz lembrar o verso de Paulo Leminski que confirma, pelo avesso poético, as afirmações de Dupuy: “Só existe um segredo: tudo está na cara”.

Eu também tenho meus agentes. Pedi para Vadim Valentinovitch Nikitin, adorado ex-aluno, meu parceiro de canções, tradutor, ensaísta e poeta, todo certo e todo erradio, que me revelasse alguma coisa sobre o silencioso paradeiro de Snowden em Moscou — como se isso fosse possível. Considero Vadim (que nasceu em Moscou e veio para o Brasil aos 4 anos) um “agente” à maneira daqueles a que Clarice Lispector se refere em “O ovo e a galinha” — um agente da pura existência. É ele que se refere a Snowden, em resposta a meu e-mail, como “snowy owl” e “coruja branca camuflada na neve”, definição que serviria também, diria eu, para o próprio Vadim, no seu tugúrio dostoievsquiano da Vila Buarque. É de lá que ele me diz que, se a “falha trágica” de Snowden (estenda-se, a sua escolha desmedida) foi um ato libertário, ele está agora aninhado, por uma ironia tremenda à nossa ilusão de liberdade ocidental, na terra que cerceia violentamente a liberdade, onde a “guerra antigay é apenas a ponta do iceberg de um racismo a céu aberto que vem sendo perpetrado a cada dia”. O mais provável é ele tornar-se uma bolinha de pingue-pongue capturada no jogo político entre russos e americanos. Mas a caça à sua cabeça, diz ainda meu informante poético, “mesmo amortecida pelas diplomacias, bota os impérios a nu”, com sua feição de “Tirésias nerd”, ou de “um Ulisses furador de olhos ciclópicos agora ilhado na datcha de Calipso”.

Vadim me lembra ainda que o soldado Manning, que também revelou segredos de Estado, declara querer viver uma vida de mulher sob o nome de Chelsea, revelando-se uma Diadorim mítico-surreal, a exigir uma conexão cinematográfica urgente dos Irmãos Coen com Almodóvar. A última frase vem de Jean Genet, no “Diário de um ladrão”: “A traição é bela se nos faz cantar”.

(José Miguel Wisnik)

FONTE: O GLOBO de sábado último.

Anúncios

Eletricidade microbiana

28/08/2013 às 3:42 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
Tags: ,

Essa notícia é interssante. De fato, não vai faltar insumo para produção de energia. Nunca imaginei que a mistura de uréia e ácido úrico excretada por todos nós diariamente pudesse gerar energia (essa notícia é do mês passado, como a humanidade está muito veloz ultimamente, pode ser que você já tenha recebido um contato telefônico ou internético propondo um contrato de coleta englobando você, sua família e até os animais domésticos da sua casa…)

Energia_Urina


CIENTISTAS DESCOBREM COMO RECARREGAR O CELULAR USANDO URINA

Equipe de cientistas de instituições britânicas afirma ter conseguido desenvolver um mecanismo que consegue recarregar parcialmente a bateria de um telefone celular usando apenas urina.

Em um artigo publicado pela revista da Real Academia de Química, os cientistas conseguiram produzir energia elétrica suficiente para enviar mensagens de texto, usar a internet e fazer uma rápida ligação telefônica.

De acordo com o artigo, os especialistas agora esperam poder desenvolver a tecnologia das baterias com combustível microbiano que permitam recarregar totalmente um celular.

“Utilizar um produto de dejeto como fonte de eletricidade é notável. Estamos muito entusiasmados porque se trata da primeira vez que se consegue isso”, afirmou o cientista Ioannis Ieropoulos, que participou nos estudos conjuntos entre as Universidades de Bristol e do Oeste da Inglaterra, além do Laboratório de Robótica de Bristol.

“A beleza disso tudo é que não estamos nos apoiando na natureza errática do vento ou do sol: a urina é uma fonte sem fim”, afirmou Ieropoulos, especialista em eletricidade microbiana.

A tecnologia das baterias de combustível microbiano permite produzir eletricidade diretamente através da degradação da matéria orgânica, abrindo assim o caminho para o desenvolvimento combustíveis de muito baixo custo e, inclusive, gratuitos, como a urina.

Neste caso, a urina permite estimular os micróbios que geram eletricidade.

“Fazer uma ligação é a operação que exige mais energia de um telefone celular, mas chegaremos ao ponto em que poderemos carregar a bateria para períodos longos”, afirmou Ieropoulos.

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.
Entries e comentários feeds.

%d blogueiros gostam disto: