Os protestos do 7 de setembro e o problema do Anonymous

07/09/2013 às 11:23 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Às vezes fico sem entender o que ocorre em nosso país. A nossa Constituição Federal de 1988, dita cidadã, proíbe expressamente o anonimato. Será que ninguém sabe disso ? E o porquê ? A razão remonta ao tempo do nazismo. Para quem não sabe, em tempos ‘hitlerescos’ essa prática era incentivada pelo próprio estado nazista. E os famosos ‘dedos-duros’ se escondiam sob o manto do anonimato em suas denúncias diárias.

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Os protestos do 7 de setembro e o problema do Anonymous

Mudar o mundo é sempre uma boa, mas na maioria das vezes o autor da ideia era conhecido

Os Anonymous estão planejando manifestações em 140 cidades brasileiras no dia 7 de setembro. É o que eles mesmos chamam de “o maior protesto na história do Brasil”. A primeira reivindicação é a prisão dos mensaleiros. Também exigem a renúncia de Renan Calheiros e o fim do voto obrigatório.

E também a volta do regime militar. E o aborto. E a pena de morte. E a redução da maioridade penal. E o enquadramento da corrupção como crime hediondo. E o voto distrital. Etc.

O que querem os Anonymous, afinal?

Esse é o problema do “movimento”. Se não há liderança, se é tudo “horizontal”, se todo mundo é Anonymous, como conhecer a pauta realmente?

Há pelo menos 50 páginas brasileiras dos Anonymous no Facebook. Tem, como diz aquele odioso clichê das reportagens de turismo, para todos os gostos e bolsos. Em comum, elas exibem aqueles vídeos pretensiosos, com locução do Google Tradutor sobre uma música ruim de filme de ação. Todas elas exibem orgulhosamente  links das matérias que os mencionaram na grande mídia inimiga da causa —  afinal, apesar de anônimos, eles são famosos (tu-dum).

Não dá para ninguém ser membro, não dá para reclamar com o chefe, não dá para elogiar. E há outra questão: se ninguém, ou todo mundo, faz parte do, vá lá, grupo, como saber se o fulano que está sendo entrevistado num protesto é realmente do Anonymous e não simplesmente alguém que resolveu sair com uma máscara do Guy Fawkes porque ficou sem Internet em casa?

Anonymous virou disfarce para tudo. Qual é a conta que vale? A que prega o ataque aos “símbolos do poder” ou a que fala em protestos pacíficos? A dos gaúchos ou a dos mineiros? O tuite do Anonymous que diz que a conta de Alckmin foi invadida deve ser levado a sério? Ou pode ser, digamos, o Serra na calada da noite, enquanto o Frontal não faz efeito?

Em última análise, você não pode acreditar em nada que venha do Anonymous, posto que jamais poderá verificar a fonte verdadeira. A ideia de “mudar o mundo” é muito boa e circula há bastante tempo. Mas, na maioria das vezes, tinha a assinatura do autor.

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Kiko Nogueira. Diretor-adjunto do Diário do Centro do Mundo. Jornalista e músico. Foi fundador e diretor de redação da Revista Alfa; editor da Veja São Paulo; diretor de redação da Viagem e Turismo e do Guia Quatro Rodas.

FONTE: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/os-protestos-do-7-de-setembro-e-o-problema-do-anonymous/

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  1. […] post vem no mesmo ‘rumo da prosa’ daquele de ontem: “Os protestos do 7 de setembro e o problema do Anonymous”. O autor, Hélio Pólvora, é escritor baiano dos bons e já esteve aqui antes. Para ilustrar, […]


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