Cinco anos sem Saramago: autor é homenageado no Brasil

24/06/2015 às 3:55 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 3 Comentários
Tags: ,

Justíssima homenagem a um dos maiores escritores da língua portuguesa !

Viva SARAMAGO !

Saramago_Pilar


Cinco anos sem Saramago: autor é homenageado no Brasil

Há cinco anos o mundo dizia adeus a um dos escritores mais marcantes da literatura em língua portuguesa, o Nobel José Saramago. A originalidade do autor causou polêmica, seja pelo formato dos textos, pela acidez com que escrevia sobre as mazelas sociais ou pela bastante discutida ligação com comunistas. O fato é que Saramago suscitou debate e se preocupou com questoes reais, embora usasse a imaginação para apresentá-Ias.

Em Portugal, a Fundação José Saramago preparou programação extensa para homenagear o autor de Ensaio sobre a crgueira, O evangelho segundo Jesus Cristo e As intermitências da morte. A instituição abre as portas para o público assistir à estreia do documentário Um
humanista por acaso escritor, de Leandro Lopes, que terá exibição simultânea na Bahia, Pernambuco e Minas Gerais.

Seguindo os vestígios do escritor, mas também do homem, o documentário revela José Saramago como escritor, marido, avô e humanista, e percorre a trilha de Saramago por meio de depoimentos e memórias de escritores, amigos e parentes, como Pilar DeI Rio – viúva e presidente da Fundação José Saramago -, que ajudam a reconstituir a trajetória de um autor
que se preocupava não apenas com a literatura, mas também com a humanidade.

Sobre publicações de textos inéditos, Pilar informa ao Correio que, depois de Alabardas alabardas espingardas espingardas, publicado em setembro do ano passado, haverá reedições. Ela contou, também, que passou a ver a morte de maneira diferente, depois que Saramago se foi. “Talvez tenha passado a desejá -la mais. E que seja tão natural e tranquila
como a que ele teve”, disse.

Considerado um dos grandes nomes da literatura em língua portuguesa, Saramago é lembrado por amigos também por momentos em que se mostrou solidário diante de situações trágicas, como as inundações que deixaram famílias desabrigadas em Mmoçambique, em 2000. Ao Correio o escritor moçambicano Mia Couto escreveu sobre a lembrança mais aguda que tem de Saramago diante desse episódio:

“As inundações de 2000 no de Moçambique foram as piores nos últimos cem anos. Impotente, perante o drama que vivíamos, redigi um apelo para que as vítimas das cheias recebessem apoio internacional. Saramago respondeu-me no mesmo dia perguntando ao telefone, no seu habitual tom seco: ‘Diz-me apenas o que tenho que fazer.’ No instante seguinte, tinha transferido mais de 25 mil dólares para um conta que passaria a ser auditada por uma agência financeira internacional.

Solidariedade

Outros escritores seguiram o exemplo. No final, havia dinheiro para erguer um centro de saúde em Chivonguene, às margens do Rio Limpopo. Já em Maputo, meses depois, Saramago foi recebido pelo ministro da Agricultura. O governante pretendia expressar a Saramago a gratidão dos moçambicanos. O ministro era poeta. Organizou o encontro com um carinho que superava as obrigações protocolares. Escapou-lhe, por isso, a secura do escritor português durante todo o encontro ontro. Ao lado de Saramago, adivinhou-lhe a pressa: queria fugir aos agradecimentos. Para o português, havia um dever de solidariedade que se explicaria melhor junto dos camponeses que beneficiaram do seu apoio.

Já no final, em plenas despedidas, Saramago perguntou: “E ue nome deram ao centro de saúde?”. Imitando o tom seco do visitante, o ministro respondeu, quase displicente: “Cha-
ma-se Levantado do chão”. Saramago parou, fulminado pela emoção. Levantado do chão era
o título de um dos seus mais importantes livros. Saramago gaguejou, baralhando letras e palavras. Por fim, confessa, em suspiro: “Caramba, homem, você comoveu-me!”

(Vanessa Aquino, Correio Braziliense, junho-2015)


Mia Couto lê “Levantado do Chão” de José Saramago

Anúncios

3 Comentários »

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

  1. […] um belo livro de Saramago que acabo de ler. Recomendo fortemente. Saramago é bom de ser ler em qualquer momento. Mas […]

  2. […] forte estão presentes em mais esta obra que estou lendo do único Nobel da nossa líbgua. Salve Saramago […]

  3. Em 2008, Saramago foi sabatinado pelo jornal Folha de S.Paulo e declarou o seguinte sobre a “pergunta inevitável”:
    “Como é que depois da queda da União Soviética, do derrubamento do muro de Berlim, dos processos de Moscou, da invasão da Hungria, como você continua a ser comunista? Eu poderia responder perguntando: ‘Você é católica? Como é que continua católica após a Inquisição?’ Mas disse: eu sou aquilo que se podia chamar ‘um comunista hormonal’. O que isso quer dizer? Da mesma maneira que tenho no corpo um hormônio que me faz crescer a barba, há outro hormônio que me obriga, mesmo que eu não quisesse, por uma espécie de fatalidade biológica, a ser comunista. é muito simples. Mais tarde, comecei a dizer que ser comunista é um estado de espírito. E é. Pode-se ler Marx, as obras mais importantes que Lenin escreveu, mas no fundo, no fundo, é um estado de espírito. (…) Marx nunca teve tanta razão como agora.”


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Crie um website ou blog gratuito no WordPress.com.
Entries e comentários feeds.

%d blogueiros gostam disto: