Ainda a questão das cotas II

05/08/2015 às 3:32 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Em junho de 2012 fiz um post com o título “Ainda a questão das cotas” onde apresentei algumas perguntas que julgo importantes sobre o polêmico assunto. Volto hoje com este post “dois em um”, onde mostro duas matérias ligadas à questão das cotas.

Diante disso, mais dois questionamentos:

-> qual o limite do absurdo ? (vide o exemplo deste Bacharel em Direito)

-> se até os sulistas têm DNA com “pistas do tráfego negreiro”, como seria a política de cotas se o critério fosse o genótipo e não o fenótipo ?


BACHAREL EM DIREITO MORRE APÓS TENTAR FAZER BRONZEAMENTO PARA PRESTAR CONCURSO COMO NEGRO

Há 13 dias, assim que ficou sabendo de um novo projeto que dava direito aos negros de ingressarem na carreira da magistratura com o auxílio das cotas, uma vez que 20% de todas as vagas serão destinadas aos negros, o bacharel em Direito gaúcho Heriberto Ostado decidiu que ia “mudar de cor”.

O bacharel, filho de holandeses procurou um centro de estética e fechou um pacote com 30 sessões de bronzeamento artificial com um único propósito, conseguir prestar o concurso como “negro”.

Além das sessões de bronzeamento o bacharel também contratou um tratamento capilar para escurecer e enrolar os cabelos.

Contudo, o que parecia um desejo de Heriberto, causou a sua morte precoce.

Apesar dos conselhos da dona do Centro de Estética, o bacharel insistiu que queria iniciar o “tratamento” com uma sessão de 3 horas, quando o indicado são sessões de meia hora.

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Porém, antes de completar duas horas de bronzeamento o bacharel desmaiou e foi levado em estado gravíssimo para o Centro de Tratamento Intensivo da Santa Casa de Porto Alegre, com queimaduras de primeiro e segundo graus em 98% do corpo. Apenas o couro cabeludo escapou, mas não resistiu às queimaduras e morreu no hospital.

A dona da estética, onde foi feito o bronzeamento, disse que insistiu para que Heriberto não realizasse o tratamento tão longo, pois sabia que isso causaria queimaduras.

Ele foi muito arrogante comigo e disse: “minha querida, eu sei dos meus direitos, eu sou um futuro juiz de direito, se você não me deixar fazer o tratamento eu mando fechar esta porcaria de salão”, contou a dona da estética.

Segundo Marla Musa, esposa do bacharel, que tinha o apelido de “Lemão” seu marido estava “possuído” e com a ideia fixa de passar no concurso usando a lei de cotas. Ele me disse que depois de passar 4 anos estudando para a OAB, ia ser fácil passar na magistratura se ele se declarasse negro, pois atualmente a prova da OAB é mais difícil que a da magistratura.

FONTE: http://www.naoentendodireito.com/2015/06/bacharel-em-direito-morre-apos-tentar.html


Brancos do Sul e Sudeste carregam nos genes pistas sobre o tráfico negreiro

Um dos mais completos estudos genéticos já feitos sobre os ancestrais dos brasileiros mostra que, apesar do predomínio do DNA europeu, até os brancos do Sul e do Sudeste carregam em seus genes pistas sobre o tráfico negreiro.

A análise não envolveu gente do Brasil todo –foram estudados voluntários de Salvador (BA), Bambuí (MG) e Pelotas (RS). Mas, com 6.487 participantes e 30 genomas humanos totalmente “lidos”, a pesquisa conseguiu ter uma visão aprofundada dos genomas africanos, indígenas e europeus que se mesclaram para formar a atual população brasileira.

Coordenado por Eduardo TarazonaSantos, da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), o estudo saiu na edição desta segunda (29) da revista científica “PNAS”. Tanto na cidade gaúcha quanto na mineira, mais de três quartos do genoma dos moradores deriva de ancestrais europeus. Só em Salvador a situação é mais equilibrada, com 50,8% de contribuição genética africana e 42,9% europeia (veja infográfico).

A desigualdade fica ainda mais clara quando se considera a proporção relativamente baixa de ancestrais indígenas em todos os lugares. “A gente estima que essa contribuição dos índios aconteceu imediatamente após a conquista, e não gradualmente”, conta TarazonaSantos.

Outro exemplo dessa assimetria é o fato de que, quando se olha apenas os genes passados pelo lado materno, do DNA mitocondrial (presentes nas mitocôndrias, usinas de energia das células), o legado das mulheres indígenas e negras é muito mais acentuado. Ou seja, homens europeus frequentemente se casavam com elas, mas mulheres europeias raramente tinham parceiros negros ou indígenas.

As análises de DNA mostram ainda que, apesar da mestiçagem, o que predominou ao longo dos séculos foram as uniões entre pessoas com ancestralidade parecida. “O Brasil nunca teve segregação como os Estados Unidos, mas nem por isso a mistura foi totalmente harmônica aqui”, resume o pesquisador da UFMG.

SALVADOR, CAPITAL DO ALABAMA

Para o coordenador do estudo, um dos resultados mais interessantes da análise é a possibilidade de enxergar com clareza a diferença entre as pessoas de origem africana do Nordeste, de um lado, e as do Sul e do Sudeste, de outro. Desse ponto de vista, é quase como se Salvador fosse a capital do Alabama.

Isso porque, na metrópole baiana, cerca de 80% da contribuição genômica negra teria vindo da África Ocidental, proporção que é muito parecida com a vista entre negros dos EUA. Por outro lado, as amostras mineira e gaúcha indicam que cerca de 40% dos genes africanos teriam sido legados por gente de Moçambique e áreas vizinhas da África Oriental, do outro lado do continente.

Além disso, como são relativamente raros os estudos genéticos com as populações do leste da África, avaliar o DNA dos brasileiros do Sul e Sudeste, mesmo o dos brancos com algum grau de mestiçagem, traz pistas sobre os grupos africanos.

“Os americanos são loucos para estudar Moçambique, mas um jeito mais simples de chegar a essas populações é analisar o pessoal do sul do Brasil”, diz ele.

Não se trata, porém, de mera curiosidade histórica. TarazonaSantos explica que, entre as variantes genéticas estudadas, algumas estão ligadas a doenças como esclerose múltipla e doença de Crohn (uma inflamação do sistema digestivo) e são diferentes dependendo da região de origem na África.

“Isso significa que, até no caso da susceptibilidade a doenças complexas, um negro do Nordeste e outro do Sul do Brasil podem ser bem diferentes”, diz ele.

O estudo dessas variantes também indica que, apesar do preconceito ainda associado à origem africana no Brasil, carregar genes exclusivamente europeus pode ter desvantagens para a saúde. É que, ao que parece, a concentração de mutações potencialmente nocivas no DNA é mais comum entre gente de origem não africana.

Isso provavelmente acontece porque, quando os primeiros seres humanos modernos deixaram a África, eles eram poucos, com apenas uma parcela da diversidade genética existente no continente africano. Reproduziramse, então, a partir desse pequeno grupo, como se fossem uma família na qual primos se casam entre si, o que tende a concentrar as mutações “ruins”. A análise do DNA dos brasileiros confirmou essa tendência.

(Reinaldo José Lopes)

FONTE: http://www1.folha.uol.com.br/ciencia/2015/06/1649328-brancos-do-sul-e-sudeste-carregam-nos-genes-pistas-sobre-o-trafico-negreiro.shtml

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1 Comentário »

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  1. Zé, eu sou totalmente contra essas “cotas”. O Brasil precisa recuperar seus erros dando melhores condições na educação de todas crianças independentes de cor, condições financeiras ou sociais.
    COTAS = reativação de racismo.


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