Dois em um e aquele medo

29/08/2015 às 3:37 | Publicado em Artigos e textos, Espaço ecumênico, Zuniversitas | Deixe um comentário
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… de perder mais alguns leitores-viajantes deste ZEducando. Mas resolvi postar porque serve, e muito, para reflexão. Dos dois livros da segunda parte deste post eu li o primeiro, “Deus, um delírio”, e gostei muito.


A fé, se já esteve certa em alguma coisa, esteve apenas por acasosam-harris

Um dos maiores problemas enfrentados por um não crente é o peso que tem sobre seus ombros a ideia do ônus da prova:  “Como você sabe que Deus não existe? Você pode provar isso? Vocês ateus são tão dogmáticos quanto os fundamentalistas que criticam”. Isso é bobagem:  até mesmo o devoto rejeita tacitamente milhares de deuses, juntamente com as doutrinas de várias religiões. Todo cristão pode julgar confidencialmente o Deus de Zoroastro como uma criatura fictícia, sem primeiro buscar no universo evidências de sua ausência. Ausência de evidência é tudo o que é necessário para banir um conhecimento falso. E evidência ruim, proferida com o desejo de impressionar, é inaceitável.

Mas o raciocínio honesto pode levar-nos mais longe no campo da incredulidade, para provarmos que livros como a Bíblia e o Corão não possuem qualquer vestígio de autoria divina. Sabemos muito sobre a história desses textos para aceitar o que eles dizem sobre suas próprias origens. E imagine como seria bom um livro que tivesse sido escrito por um ser onisciente.

No momento em que se vê o conteúdo da escritura sob esta luz, pode-se rejeitar, definitivamente,  as doutrinas do Judaísmo, do Cristianismo e do Islamismo. Os verdadeiros autores da Palavra eterna de Deus nada sabiam sobre as origens da vida, a relação entre a mente e o cérebro, as causas das doenças, ou a melhor forma de criar uma civilização global viável no século 21. Mas isso só deve resolver todos os conflitos entre religião e ciência em favor desta última, até o fim do mundo.

Na verdade, a noção de que qualquer livro antigo poderia ser um guia infalível para viver no presente tem o meu voto para ser a ideia perigosamente mais estúpida da Terra.

O que nos resta descobrir, agora e sempre, são as verdades sobre o nosso mundo que nos permitam sobreviver e florescer plenamente. Para isso, precisamos apenas de investigações honestas e bem-intencionadas –  o amor e a razão. A fé, se já esteve certa em alguma coisa, esteve apenas por acaso.

(Sam Harris – Neurocientista)


“Nós vamos morrer, e isso nos torna afortunados. A maioria das pessoas nunca vai morrer, porque nunca vai nascer. As pessoas potenciais que poderiam estar no meu lugar, mas que jamais verão a luz do dia, são mais numerosas que os grãos de areia do Saara. Certamente esses fantasmas não nascidos incluem poetas maiores que Keats, cientistas maiores que Newton. Sabemos disso porque o conjunto das pessoas permitidas pelo nosso DNA excede em muito o conjunto de pessoas reais. Apesar dessas probabilidades assombrosas, somos eu e você, com toda a nossa banalidade, que aqui estamos…”¹
“Nós, uns poucos privilegiados que ganharam na loteria do nascimento, contrariando todas as probabilidades, como nos atrevemos a choramingar por causa do retorno inevitável àquele estado anterior, do qual a enorme maioria jamais nem saiu?”²

¹ – “Desvendando o arco íris”, Richard Dawkins

² – “Deus, um delírio”, Richard Dawkins

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