O Maior Espetáculo da Terra

02/11/2015 às 3:39 | Publicado em Baú de livros, Zuniversitas | 2 Comentários
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O post de hoje é proposital para o dia de finados. Esse é o livro de Richard Dawkins mais recente que li. Ele é um dos maiores evolucionistas-darwinistas dos dias atuais. O livro é um compêndio com as evidências da evolução, mostrando vários exemplos, e lembrando que Charles Darwin não possuía em seu tempo os equipamentos e tecnologias usados atualmente, mas mesmo assim a genialidade do grande cientista nos legou uma teoria válida e clara sobre a vida, sua origem e evolução. Recomendo, para quem for ler, que primeiro leia o Prefácio e o Apêndice (Os negadores da história), para depois ler os capítulos. O Apêndice é especialmente alarmante. Os dados ali colocados não são de nenhum país latino-americano !

Para quem quiser o livro em .pdf, acesse:  O MAIOR ESPETÁCULO DA TERRA


o-maior-espetculo-da-terra-as-evidnciasda-evoluo-richard-dawkins-1-638

 

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Apêndice (Os negadores da história)
A intervalos irregulares mas não muito espaçados,
desde 1982, o Gallup, o mais conhecido instituto
de pesquisa de opinião dos Estados Unidos, fez
uma amostragem da posição dos americanos
sobre a seguinte questão:
Qual das afirmações a seguir mais se aproxima da
sua idéia sobre a origem e o desenvolvimento dos
seres humanos?
1. Os seres humanos desenvolveram-se ao
longo de milhões de anos a partir de formas
de vida menos avançadas, mas Deus
conduziu esse processo. (36%)
2. Os seres humanos desenvolveram-se ao
longo de milhões de anos a partir de formas
de vida menos avançadas, mas Deus não
teve papel nesse processo. (14%)
3. Deus criou os seres humanos praticamente
na forma presente, em algum momento nos
últimos 10 mil anos aproximadamente. (44%)
As porcentagens que inseri são as de 2008. As de
1982, 1993, 1997, 1999, 2001, 2004, 2006 e 2007
são muito semelhantes.
Eu me encontro no grupo que, sem surpresa, vejo
ser uma minoria de 14% que assinala a alternativa
2. É lamentável que os dizeres da proposição 2,
“mas Deus não teve papel nesse processo”,
pareçam ter sido calculados para, gratuitamente,
predispor pessoas religiosas contra ela. Mas a
verdadeira tragédia é o lamentavelmente forte
apoio à proposição 3. Quarenta e quatro por cento
dos americanos negam totalmente a evolução,
conduzida ou não por Deus, e a implicação é que
eles acreditam que o mundo não tenha mais de 10
mil anos de existência. Como já ressaltei, dado
que a verdadeira idade do mundo é 4,6 bilhões de
anos, isso equivale a acreditar que a largura da
América do Norte é inferior a dez metros. Em
nenhum dos nove anos em que foram feitas essas
amostragens o apoio à proposição 3 foi inferior a
40%. Em dois dos anos pesquisados, ela chegou a
47%. Mais de 40% dos americanos negam que os
humanos evoluíram de outros animais, e pensam
que nós — e por implicação todos os seres vivos —
fomos criados por Deus nos últimos 10 mil anos.
Este livro é necessário.
As questões apresentadas pelo Gallup
concentraram-se nos seres humanos, o que,
poderíamos dizer, talvez tenha pesado na balança
emocional e dificultado a aceitação da visão
científica. Em 2008 a organização americana Pew
Forum on Religion & Public Life publicou os
resultados de um levantamento semelhante entre
os americanos, porém sem mencionar
especificamente os humanos na pergunta. Os
resultados foram totalmente compatíveis com os
do Gallup. As proposições apresentadas foram as
descritas a seguir, com suas respectivas
porcentagens:
A vida na Terra…
Existe na forma presente desde o princípio dos
tempos 42%
Evoluiu ao longo do tempo 48%
Evoluiu por seleção natural 26%
Evoluiu guiada por um ser supremo 18%
Evoluiu, mas não sei como 4%
Não sei 10%
As questões da pesquisa do Pew Forum não
mencionam datas, por isso nao sabemos quantos
dos 42% que rejeitam categoricamente a evolução
também pensam que o mundo tem menos de 10
mil anos de idade, como presumivelmente
acreditam 44% dos entrevistados pelo Gallup.
Parece provável que também os 42% do Pew
Forum concordariam com os milhares de anos em
vez dos 4,6 bilhões indicados pela ciência.
Acreditar que a vida na Terra existe na forma
presente, sem mudanças, há 4,6 bilhões de anos
parece no mínimo tão absurdo quanto crer que ela
existiu na forma presente por alguns milhares de
anos, e certamente não é bíblico.
E a Grã-Bretanha, como se compara? Em 2006 a
série Horizon, da BBC, que apresenta
documentários de (relativamente) alta qualidade
sobre ciência, encomendou ao instituto Ipsos MORI
uma pesquisa sobre o público britânico.
Infelizmente, a questão principal não foi bem
formulada. Pediu-se aos entrevistados que
escolhessem uma destas três “teorias ou
explicações sobre a origem e desenvolvimento da
vida na Terra”. A porcentagem dos que
escolheram cada opção está indicada em seguida
à proposição.
a) A “teoria evolucionária” diz que os seres
humanos desenvolveram-se ao longo de milhões
de anos a partir de formas de vida menos
avançadas. Deus não teve papel nesse processo.
(48%)
b) A “teoria do criacionismo” diz que Deus criou os
seres humanos praticamente na forma presente
em algum momento nos últimos 10 mil anos.
(22%)
c) A teoria do “design inteligente” diz que certas
características dos seres vivos são mais bem
explicadas pela intervenção de um ser
sobrenatural, ou seja, Deus. (17%)
d) Não sei. (12%)
Lamentavelmente, essas escolhas podem ter
deixado algumas pessoas sem sua opção
preferida. Não dão margem em (a) para “mas
Deus teve papel nesse processo”. Devido à
inclusão da frase “Deus não teve papel nesse
processo”, não surpreende que a porcentagem
para (a) seja de meros 48%. No entanto, a
porcentagem para (b), 22%, é alarmantemente
alta, sobretudo considerando o absurdo limite de
idade de 10 mil anos. E se somarmos (b) e (c) para
chegar à porcentagem dos que aceitam alguma
forma de criacionismo, teremos 39%. Ainda não é
uma parcela tão grande quanto os mais de 40%
nos Estados Unidos, especialmente levando-se em
conta que a porcentagem americana refere-se a
criacionistas que crêem em uma Terra jovem,
enquanto os 30% britânicos presumivelmente
incluem em (c) os criacionistas que acreditam em
uma Terra velha.
Na pesquisa do instituto MORI foi feita mais uma
pergunta para a amostra britânica, agora sobre
educação. Considerando as três teorias acima,
perguntou-se aos entrevistados se elas deveriam
ou não ser ensinadas nas aulas de ciência.
Preocupantemente, apenas 69% afirmaram sem
hesitar que a evolução deveria ser ensinada nas
aulas de ciência, fosse ou não junto com alguma
forma de teoria da criação ou design inteligente.
Uma pesquisa mais ambiciosa feita na Grã-
Bretanha mas não nos Estados Unidos foi realizada
em 2005 pelo Eurobarometer, o instituto de
pesquisa de opinião da União Europeia. Fez-se um
levantamento por amostragem das opiniões e
crenças sobre questões científicas em 32 países
europeus (inclusive a Turquia, o único país
substancialmente islâmico que aspira a ingressar
na União Européia). A Tabela 1 mostra as
porcentagens, para vários países, dos que
concordam com a proposição “Os seres humanos,
como hoje os conhecemos, desenvolveram-se a
partir de espécies de animais mais antigas”.
Repare que essa é uma afirmação mais modesta
do que a da alternativa (a) da pesquisa do instituto
MORI, pois não exclui a possibilidade de que Deus
tenha tido algum papel no processo evolucionário.
Ordenei os países segundo a porcentagem dos que
concordam com a proposição, ou seja, a
porcentagem dos que escolheram a resposta que a
ciência moderna aponta como correta. Na amostra
da Islândia, 85% das pessoas pensam, como os
cientistas, que os humanos evoluíram de outras
espécies. Parcos 27% da população da Turquia
têm essa visão. A Turquia é o único país na tabela
onde parece haver uma maioria que julga que a
evolução é falsa. A Grã-Bretanha ficou em quinto
lugar, com 13% negando ativamente a evolução.
Os Estados Unidos não entraram na pesquisa
europeia, mas o deplorável fato de que os
americanos ficam só um pouco à frente da Turquia
em tais questões ganhou grande publicidade
ultimamente.
Mais estranhos são os resultados mostrados na
Tabela 2, que indica as porcentagens equivalentes
para a proposição “Os primeiros humanos viveram
na mesma época que os dinossauros”. Também
neste caso ordenei os países segundo a
porcentagem dos que assinalaram a resposta
correta, “falso”. Novamente a Turquia fica em
último lugar, com nada menos que 42% dos
entrevistados pensando que os primeiros humanos
coexistiram com os dinossauros e apenas 30%
dispostos a negar a proposição, em contraste com
87% dos suecos. A Grã-Bretanha, sinto dizer,
classifica-se na metade inferior: 28% de nós, pelo
visto, adquiriram seus conhecimentos científicos e
históricos assistindo a Os Flintstones em vez de
recebê-los de alguma fonte educacional.
Como educador da área de biologia, consolo-me
pateticamente com outro resultado do
levantamento do Eurobarometer, segundo o qual
uma grande parcela das pessoas (19% na Grã-
Bretanha) acredita que a Terra leva um mês para
dar a volta em torno do Sol. Na Irlanda, Áustria,
Espanha e Dinamarca as porcentagens são
superiores a 20%. Eu me pergunto: o que essas
pessoas pensam que é um ano? Por que as
estações do ano vêm e vão com regularidade? Não
sentem pelo menos alguma curiosidade sobre as
razões de uma característica tão notável de seu
mundo? É claro que essas porcentagens
impressionantes não devem ser consoladoras
coisa nenhuma. Minha ênfase foi em
“pateticamente”. Eu quis dizer que, pelo visto,
estamos lidando com uma ignorância geral da
ciência — o que é péssimo, mas ao menos é
melhor do que um preconceito decidido contra
uma ciência específica, a ciência evolucionária,
preconceito este que parece estar presente na
Turquia (e, é inevitável supor, em boa parte do
mundo islâmico). E também, inegavelmente, nos
Estados Unidos da América, como vimos nas
pesquisas do Gallup e do Pew.
Em outubro de 2008, um grupo de
aproximadamente sessenta professores do ensino
médio americano reuniu-se no Centro para a
Educação em Ciência da Universidade Emory, em
Atlanta. Algumas das histórias de horror que eles
relataram merecem ampla atenção. Um professor
mencionou que alunos “desataram a chorar”
quando souberam que iriam estudar a evolução.
Outro professor contou que alunos gritavam
repetidamente “Não!” quando ele começava a
falar sobre evolução em aula. Outro disse que os
alunos perguntaram por que, afinal, tinham de
aprender sobre a evolução, já que se trata “apenas
de uma teoria”. Outro ainda declarou que “igrejas
treinam estudantes para levarem à escola
questões específicas e sabotar as minhas aulas”. O
Museu da Criação, em Kentucky, é uma instituição
generosamente financiada, dedicada
integralmente à negação da história nessa escala
avançada. Lá as crianças podem cavalgar em um
modelo de dinossauro equipado com sela, e não se
trata apenas de diversão: a mensagem, explícita e
inequívoca, é que os dinossauros viveram
recentemente e coexistiram com humanos. O
museu é dirigido pela Answers in Gênesis, uma
organização isenta de impostos. O contribuinte,
neste caso o contribuinte americano, está
subsidiando falsidade científica, deseducação em
grande escala.
Tais experiências são corriqueiras em todo o
território americano, mas lambem, detesto ter de
admitir, estão se tornando comuns na Grã-
Bretanha. Hm fevereiro de 2006 o Guardian
noticiou: “Alunos de medicina muçulmanos em
Londres distribuíram panfletos que descartam
como falsas as teorias de Darwin. Estudantes
cristãos evangélicos também refutam com
veemência crescente a idéia da evolução”. Os
panfletos muçulmanos foram produzidos pelo Al-
Nasr Trust, uma associação beneficente
registrada, isenta de impostos. Portanto, também
o contribuinte britânico está subsidiando a
distribuição sistemática de crassas e graves
falsidades científicas a instituições educacionais
britânicas.
Em 2006 o jornal Independent citou o professor
Steve Jones, do University College em Londres:

É uma verdadeira mudança social. Há anos
sensibilizo-me com o problema dos meus colegas
americanos, obrigados a limpar o criacionismo da
mente de seus alunos nas primeiras conferências
de biologia que proferem. Na Grã-Bretanha não
tínhamos de enfrentar isso. Agora alunos
muçulmanos vêm me dizer que são obrigados a
crer no criacionismo porque faz parte de sua
identidade islâmica. Mas o que mais me
surpreende são os outros jovens britânicos que
veem o criacionismo como uma alternativa viável
à evolução. Isso é inquietante. Mostra o quanto a
idéia é contagiosa.
As pesquisas, portanto, indicam que no mínimo
40% dos americanos são criacionistas —
criacionistas ferrenhos, inflexíveis, antievolução, e
não do tipo dos que acreditam na evolução “mas
com uma ajudazinha de Deus” (também há uma
profusão desses). As porcentagens respectivas na
Grã-Bretanha, assim como em boa parte da
Europa, são um pouco menos extremas, porém
não muito mais alentadoras. Ainda não temos
razões para nos despreocupar.

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2 Comentários »

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  1. Caro Zé Rosa,
    Acabei de ler “A GRANDE HISTÓRIA DA EVOLUÇÃO – Na trilha dos nossos ancestrais”. O próximo da fila é este aqui.
    Abraços
    Panta

  2. Amigo Panta,
    Sei que vai gostar desse.
    abs,
    José Rosa


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