O Brasil pós-pedido de impeachment

03/12/2015 às 18:02 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Quem tem o costume de passar por aqui sabe que o padrão é um post por dia. O objetivo: não cansar ninguém. Mas o período que estamos passando é tão importante que hoje abro uma exceção. Esse é o terceiro do dia. O mais importante ? Não sei, confiram (no link do artigo há uma foto de Cunha, mas para o bem de todos e higiene geral deste espaço, me recuso a publicá-la !):

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(essa senhora acima é a Deusa da Democracia, qualquer monumento ou obra em sua homenagem deve ser sempre inacabado por essência, porque democracia não é algo feito e acabado, é sempre algo em construção e evolução, para frente senhores, nunca para trás !)


O Brasil pós-pedido de impeachment

A melhor palavra para o que Eduardo fez hoje é a seguinte: palhaçada.
Não vai dar em nada. Não pode dar em nada. Mas Cunha conseguiu sujar ainda mais sua folha corrida ao acatar o pedido de impeachment de Dilma em circunstâncias patéticas.
Ele confirmou o que todos já sabiam: que vinha fazendo chantagem com o PT. Em troca da proteção do PT ele seguraria o pedido de impeachment.
O chantagista agiu tão logo se soube que o PT, com formidável atraso, decidira enfim ajudar no esforço de tirar Cunha do caminho.
E agiu a seu melhor estilo: com uma dose descomunal de cinismo. Cunha conseguiu dizer que a decisão do PT de apoiar sua cassação nada tinha a ver com a aprovação do pedido de impeachment.
Coincidência, portanto. É nisso que Cunha quer que os brasileiros acreditem. Que tudo o que aconteceu num espaço de horas – o PT contra ele e sua agressão a Dilma – foi obra do acaso.
Ainda no mesmo dia o Globo publicou uma reportagem que mostra as profundezas da ligação de Cunha com André Esteves, o banqueiro caído em desgraça do BTG Pactual.
Uma repórter do Globo teve acesso a e-mails nos quais Cunha e o BTG discutiam os termos de uma emenda favorável ao banco.
O mesmo BTG, dias antes, aparecera no noticiário em meio a denúncias de que teria dado a Cunha 45 milhões de reais por aquele tipo de serviço: aprovar legislação amiga.
A essas acusações somaram-se várias outras amplamente conhecidas e documentadas, como as contas na Suíça não declaradas. Cunha, numa das cenas mais absurdas do ano, disse que não era dono do dinheiro, mas “usufrutuário”.
É uma prova do estado putrefato da política nacional que Eduardo Cunha, o símbolo supremo da corrupção e do atraso, tenha poder para deflagrar um pedido de impeachment em que 54 milhões de votos estão em jogo.
Mais de dois meses se passaram desde as revelações dos suíços, e Cunha permaneceu intocado. Era como manter uma metralhadora nas mãos de um lunático.
Fica a suspeita de que, se não lhe subtraíram a arma, era para que ele a usasse contra Dilma. Se alguém tiver explicação melhor, que a apresente, por favor.
Mas as rajadas de Eduardo Cunha só poderão atingir o vento, figurativamente. Mesmo num universo político doentio como o brasileiro, Cunha não pode, no final, destruir a democracia.
Porque é disso que se trata: da destruição da democracia. Do retrocesso do Brasil rumo a 1964.
O rosto, a alma, o coração do golpe é Eduardo Cunha.
Quem se associar à tentativa de golpe de Cunha será comparsa num crime de lesa pátria. E todos os congressistas sabem disso.
A motivação dele é a mais baixa, a mais sórdida possível. Ele está consumando uma chantagem suja, uma vingança abjeta.
O Brasil está diante da seguinte encruzilhada: de um lado, Eduardo Cunha. De outro, a democracia.
A democracia vai triunfar.

(Paulo Nogueira)

FONTE: DCM – http://www.diariodocentrodomundo.com.br/o-brasil-pos-pedido-de-impeachment-por-paulo-nogueira/

Crise hegemônica

03/12/2015 às 11:01 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 4 Comentários
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Uma das melhores análises do momento atual. Emir Sader já esteve aqui antes.

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Profunda crise hegemônica no Brasil de hoje EMIR_SADER

A crise hegemônica, segundo Gramsci, é aquele momento em que nenhuma força consegue se impor consensualmente na sociedade. O momento em que “o velho morre e o novo não consegue nascer”. Não viveríamos, da forma mais clara, esse momento no Brasil de hoje?

Senão, vejamos. O consenso estabelecido pelo neoliberalismo de Collor e de FHC entrou em crise com a vitória do Lula em 2002. A desqualificação do Estado em favor do mercado, a prioridade do ajuste fiscal em relação às políticas sociais – eram os elementos da virada no consenso nacional. Lula incorporou, do período anterior, a preocupação com o controle da inflação, mas promoveu a questão social como a fundamental no país mais desigual do continente mais desigual.

O sucesso das políticas sociais do governo Lula foi o responsável pela mudança nos consensos nacionais. Assumia-se que o problema fundamental do Brasil é a desigualdade – junto com a pobreza, a miséria, a exclusão social. O Estado recuperou seu prestígio, por levar adiante as políticas socais, por recuperar a capacidade de expansão da economia, por garantir o aumento dos salários acima da inflação e diminuir drasticamente o desemprego.

A crise do mensalão foi uma tentativa de desqualificar esse novo consenso. Acusando o governo e o Estado como fontes da corrupção, ao mesmo tempo em que se tentava deslocar a prioridade do país da questão social para a da corrupção. Apesar do sucesso do processo do mensalão, ele não conseguiu se impor inicialmente. Lula se reelegeu apoiado no sucesso das políticas sociais do governo.

Mas estava colocada a grande disputa de hegemonia, dos consensos nacionais – questão social – que obrigatoriamente tem no Estado um agente fundamental – ou corrupção, que desqualifica o Estado e, por extensão, promove o mercado. A imagem do Lula ao final do seu mandato – mais de 80% de referências negativas na mídia e mais de 90% de apoio – confirmava o novo consenso nacional. Havia maioria política e hegemonia das questões sociais.

Foi ao longo do primeiro mandato da Dilma que se foram gestando as condições da crise atual que, no fundo, é uma crise de hegemonia. Dilma perdeu a eleição onde os formadores de opinião tiveram peso determinante, especialmente nas grandes metrópoles do centro sul do país. Ganhou onde o peso das políticas sociais foi determinante, como todo o Nordeste, sobrepondo-se à ação dos monopólios privados da mídia.

A quase divisão do país ao meio pelo resultado final das eleições esconde um fator fundamental: os grandes formadores de opinião estão todos contra ela. E reconstruíram um consenso negativo contra o governo que, traduzido em força política, bloqueia a capacidade do governo de governar.

Ao mesmo tempo, ao invés de reafirmar as teses que levaram à quarta vitória eleitoral seguida, o governo assumiu um caminho que enfraquece os consensos populares construídos nos anos anteriores e aceita os supostos do consenso opositor, centrando sua ação no corte dos gastos públicos – na contramão da linha vitoriosa do governo diante da irrupção da crise internacional, em 2008.

Ao mesmo tempo, apesar de conseguir reimpor seus consensos – através do terrorismo econômico e do denuncismo sistemático -, a direita não tem os meios de traduzi-los em força política. Perdeu as eleições, não conseguiu derrubar a Dilma e tem que se enfrentar com a possibilidade de ter que se enfrentar de novo com o Lula em 2018, com grandes possibilidades de uma nova derrota, inclusive porque não tem candidatos de apoio popular e teria, de novo, que encarar a comparação do seu governo com os do PT. A batalha da direita hoje é a de tentar incluir nesse consenso um nível de rejeição da imagem do Lula, que dificulte sua eleição em 2018. Apenas isso.

O país se encontra assim paralisado, na inércia, numa situação em que nem o governo, nem a oposição, conseguem se impor. Há uma profunda crise hegemônica, um empate catastrófico, que pesa muito negativamente sobre o país.

Ao apostar no ajuste fiscal, no máximo o governo conseguirá reequilibrar as contas públicas, mas à custa de aprofundar a recessão e, com ela, o desemprego e a perda de poder aquisitivo dos salários. O ajuste, somado à elevadíssima taxa de juros, bloqueia a capacidade de recuperação da economia.

A via de resolução da crise hegemônica aponta em duas direções: a priorização na expansão da economia, conforme a linha utilizada com sucesso no começo da crise internacional, em 2008, acompanhada pela baixa sistemática da taxa de juros; a outra, a formulação do projeto de continuidade da democratização social que o pais vive desde 2003, acompanhada pela democratização do sistema politico e dos meios de comunicação. Em suma, retomar a democratização econômica, projetada nos planos social e política. Para poder criar um consenso nacional não apenas baseada na centralidade da questão social, mas somando a ela a democratização politica e da própria formação da opinião publica.

(Emir Sader)

FONTE: http://www.brasil247.com/pt/blog/emirsader/207668/Profunda-crise-hegem%C3%B4nica-no-Brasil-de-hoje.htm

O ENEM e o atraso dos candidatos

03/12/2015 às 3:01 | Publicado em Fotografias e desenhos | 1 Comentário
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O tema já é até “antigo”, mas a mensagem é atemporal. Veio do blog-irmão jlcarneiro (http://www.jlcarneiro.com/prioridades/)


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