Uma coisa é certa: a oposição e sua trilha sonora se merecem

28/12/2015 às 21:18 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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A cada artigo dele na Folha de São Paulo fico mais esperançoso na juventude deste país. Confiram mais esse. Parabéns Duvivier.

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OS IGNORANTES DO LEBLON  gregorio-duvivier188476

Nunca aprendi a rezar o Pai Nosso. Comemorávamos Natal só porque é aniversário da minha mãe. Celebrávamos a Páscoa, mas confesso com bastante vergonha que não faço ideia do que significa. Sim, sei que tem a ver com Jesus. Mas não sei qual era a relação dele com o coelho, e nem por que raios esse coelho põe ovos, e por que diabos são de chocolate.

O mais perto que tinha de religião lá em casa era a música: meus pais só veneravam deuses que soubessem tocar. Ninguém rezava antes de comer, mas minha mãe botava a gente pra dormir religiosamente cantando Noel e acordava cantando Cartola. Meu pai passava o dia no sax tocando Pixinguinha e a noite no piano tocando Nazareth. Música não era um pano de fundo, era o caminho, a verdade, a vida. Tom era o Pai, Chico, o Filho, Caetano, o Espírito Santo.

Podia falar os palavrões que eu quisesse, mas ai de mim se ousasse tocar violão com acordes simplificados. “A pessoa que fez esse arranjo devia ir presa”, dizia minha mãe. Preferiam me ver pichando muros a me ver batucando atravessado.

Quando descobriram que eu fumava maconha, meus pais me disseram que não tinha nada de errado, desde que eu só fumasse em casa. Quando eu comprei um CD do LS Jack, disseram que não tinha nada de errado, desde que eu nunca ouvisse aquilo em casa.

Às vezes organizavam um sarau que parecia missa. “Silêncio, que se vai cantar o fado”, dizia a Luciana Rabello, e daí tocavam choro como quem reza. Todos se calavam como numa igreja. A criança que abrisse o bico tomava logo um tabefe.
Aquilo era sagrado. Pra mim, ainda é.

Herdei deles a devoção (sem herdar, no entanto, o talento para a música). Às vezes queria me importar menos com isso. Quando vejo as agressões ao Chico – e não estou falando do bate-­boca na calçada, mas da campanha difamatória da qual os ignorantes do Leblon são meros leitores –, para mim é como se chutassem uma santa ou rasgassem a Torá. Como sou a favor da liberdade total de expressão, inclusive quando ela fere o sagrado dos outros, limito-­me a torcer para que passem a eternidade ouvindo Lobão e Fábio Jr., intercalados com discursos do Alexandre Frota e Cunha tocando bateria.

Uma coisa é certa: a oposição e sua trilha sonora se merecem.

(Gregório Duvivier é ator, humorista, escritor e roteirista)

FONTE: Folha de São Paulo, 28.12.2015

HACKATRUCK

28/12/2015 às 3:02 | Publicado em Artigos e textos, Midiateca, Zuniversitas | Deixe um comentário
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A primeira vez que vi esse projeto foi num vídeo do site OLHAR DIGITAL. Interessante a ideia, mas como se pode ver não é nada popular, no sentido de se popularizar o conhecimento, o desenvolvimento e a pesquisa. Me pareceu, como se pode desconfiar pelas empresas que o promovem, que o objetivo é outro, bem além da Educação. A forma de seleção dos candidatos para mim também é estranha, apesar de aparentemente democrática.

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HACKATRUCK: sala de aula sobre rodas vai ensinar pessoas a desenvolver apps

As empresas Apple, IBM e Flextronic, bem como o Instituto Eldorado, acabam de anunciar uma parceria que tem como objetivo capacitar vários jovens brasileiros que desejam se tornar desenvolvedores. Para tal, elas criaram o projeto HACKATRUCK, um caminhão cujo container é, na verdade, uma espaçosa sala de aula móvel para os aspirantes a programadores.

O programa tem como objetivo ensinar um total de 500 alunos, ao longo de 10 meses, a utilizarem sistemas de programação para a criação de apps mobile. Uma vez que estamos falando de uma sala de aula sobre rodas, o HACKATRUCK vai estar presente em um total de 11 cidades do Sudeste, Centro-Oeste e Nordeste do Brasil.

Durante as aulas, os instrutores – todos do Instituto Eldorado – vão ter como principal foco o ensino de linguagem SWIFT, o mesmo utilizado nos apps da plataforma iOS. A ideia, com isso, é despertar nos alunos o gosto em desenvolver programas, em cursos com quatro horas diárias de aula por um período de três semanas para até 28 pessoas.

Segundo Claudio Schlesinger, executivo de Parcerias Educacionais da IBM Brasil, os alunos devem trazer uma ideia de projeto, que será então trabalhado durante esse período: “os alunos selecionados deverão propor seus próprios projetos, que serão desenvolvidos ao longo do curso. A metodologia usada é do challenger learning process”, explicou ele ao site CBSI.

2015
  • 16/10 a 18/10: Instituto Eldorado;
  • 19/10 a 6/11: PUC Campinas;
  • 9/11 a 28/11: Mackenzie São Paulo;
  • 30/11 a 18/12: FATEC São José dos Campos.
2016
  • 18/1: PUC Rio de Janeiro;
  • Julho: fim do projeto.

Essas não são as únicas cidades que vão receber o HACKATRUCK, vale notar. Embora ainda sem data oficial, a presença do veículo já está garantida em Salvador, Sorocaba, Recife, Fortaleza, Belo Horizonte, Curitiba e Brasília. Você pode conferir o calendário das aulas e eventos do projeto através do site oficial do HackATruck, é claro.

 

LINK: http://www.hackatruck.com.br/

 

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