Padre Pinto: toda honra e toda glória

18/01/2016 às 11:02 | Publicado em Artigos e textos, Espaço ecumênico | 1 Comentário
Tags: ,

Padre Pinto é para mim uma das personaidades mais carismáticas da Bahia na atualidade, apesar de seu ostracismo forçado dos últimos tempos. O que se tem por aqui em termos de religião há pelo menos cinco séculos ? SINCRETISMO. E foi exatamente o que ele fez, como constata com bom humor Pedro Fernandes no artigo publicado ontem no A TARDE (Salvador-BA). Confiram.

Padre_Pinto


HOUVE UMA VEZ UM VERÃO

Há dez anos, quando o Padre Pinto, pároco da Lapinha, apareceu fulgurante em trajes de Oxum, a rainha das águas doces do candomblé, durante a missa que celebrava o dia de Reis, o Brasil e até a Bahia – acostumada que está em viver o realismo fantástico como cotidiano – não entenderam nada. Faltou a palavra certa para definir o ato revolucionário. Hoje diríamos que o padre lacrou. De tão confusa, uma tia minha, casada por ele muitos anos antes, chegou mesmo a se perguntar se seu casamento estava valendo.

Tudo que aconteceu entre aquele 6 de janeiro e o final de abril de 2006 ficou conhecido como o Verão do padre Pinto. Porque não houve fato que conseguisse suplantar o carisma daquela figura desafiadora de instituições do nosso noticiário. Apareceu em rede nacional diversas vezes, foi ao programa do Jô, beijou Caetano no festival de verão, dançou com go go boys
na Off Club, recebeu jornalistas pelado em seu atelier, fez vernissage, se escondeu em um terreiro na Fazenda Grande do Retiro e lá quis até se iniciar no candomblé. Até que lhe tiraram tudo, porque as instituições não são moleza, não. E assim o verão foi ganhando as tintas melancólicas do outono.

Hoje, dizem, Pinto está recluso no convento da sua ordem, não dá entrevistas e nem comenta o passado. Mas apelo a todos a teimar em não esquecê-Io. Como artista que é não merece o olvido que lhe é imposto. Celebremos os dez anos do verão do homem, que com um vestido amarelo ouro, testou limites entre os gêneros, ao vestir-se de uma figura feminina em uma poderosa instituição patriarcal, entre religiões, denunciando a hipocrisia da nossa suposta tolerância religiosa e por fim – talvez a maior das afrontas e principal ensinamento – entre sanidade e loucura, quando deixou a razão se perder para final-
mente ser quem desejava. Toda honra etoda glória a padre Pinto, agora e para sempre.

(Pedro Fernandes)

Anúncios

1 Comentário »

RSS feed for comments on this post. TrackBack URI

  1. […] Fonte: Padre Pinto: toda honra e toda glória […]


Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

Blog no WordPress.com.
Entries e comentários feeds.

%d blogueiros gostam disto: