Brizola, Herói da Pátria

27/01/2016 às 3:30 | Publicado em Artigos e textos, Midiateca, Zuniversitas | 2 Comentários
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Por princípio, não gosto de nenhuma comemoração, medalha, comenda, diploma, ou algo do gênero, mesmo instituído por lei, como é esse caso. Há tantos e tantos herois muito pouco lembrados formalmente como Prestes, Mariguela, Lamarca, aquele outro velhinho comunista (Apolônio), além de outros tantos iguais ou melhores que esses, os desconhecidos formiguinhas do dia-a-dia. Brizola

Entretanto, faço esse resgate histórico aqui registrando dois artigos de Fernando Brito sobre um dos maiores políticos do país. Quem quiser saber mais sobre Leonel Brizola pode ir na Wikipedia (https://pt.wikipedia.org/wiki/Leonel_Brizola), mas mesmo lá não se encontra tudo. Na minha opinião faltou dar ênfase aos CIEPS, talvez o maior projeto educacional brasileiro e nem se menciona aquele episódio no Rio em que ele como Governador, demonstrando muita coragem, cassou a concessão das empresas de ônibus que estavam fazendo cartel.

O vídeo no final é de arrepiar, confiram !


A história é feita pelos homens e fica, mesmo que os ratinhos a tentem roer

bombas1

Optei por não publicar diretamente o instigante relato pessoal de Nilson Lage sobre a tentativa de golpe de estado abortada pela posição corajosa de Leonel Brizola – e seguida por outros, lembra Lage, como o então governador de Goiás, Mauro Borges.

Fiz assim porque quero assumir a responsabilidade pessoal de registrar a exploração barata da Folha ao dizer que “Dilma altera lei para tornar Brizola, seu inspirador político, ‘herói da pátria’; regra anterior previa que homenagem seria somente 50 anos após morte“.

Ao sabujismo da Folha que fez isso, quero informar – se o seu problema é de ignorância e não de caráter, concedo – que Presidente da República não “altera lei”. Porque quem faz lei é o Congresso, exceto as medidas provisórias, que têm valor legal temporário, embora caduquem se o Legislativo não as transformar em lei.

Presidente (ou Presidenta) propõe lei, sanciona lei aprovada no Congresso ou, por razões de inconstitucionalidade, oportunidade ou conveniência as veta, justificadamente, ainda assim podendo o veto ser derrubado pelos parlamentares.

A lei que mudou prazos e inscreveu o nome de Leonel Brizola no livro dos herói da Pátria foi originária da Câmara, apresentada em 2013 e aprovada em junho de 2014. Depois, passou um ano no Senado e foi aprovado a 9 deste mês, a partir de parecer da Senador Ana Amélia, que é do PP, foi casada com um Senador da Arena (Otávio Omar Cardoso), mas teve a dignidade de reconhecer que até ela, com uma bolsa de estudos, foi beneficiária dos programas de educação do então governador gaúcho. Dilma, apenas, a sancionou, sem vetos, que não teriam sentido algum.

Mas o melhor castigo para esta pequenez é o relato de um jornalista que viveu aqueles dias impensáveis,  para sempre um professor de jornalismo, o que muita gente confunde com ser ratinho da História.

Estava em Brasília.

Viajei para lá, saindo do Rio de Janeiro, convocado por Carlos Castello Branco, secretário de imprensa de Jânio Quadros, para informar o presidente sobre uma licitação fraudada para compra de trens da Central do Brasil – falcatrua comum no Brasil – de que eu tinha conhecimento.

Já na escala do C-47 da FAB em Belo Horizonte, o agente do Conselho de Segurança Nacional que me acompanhava notou que algo estranho acontecia: jatos que deveriam estar em Santos pousavam ali, a caminho da capital.

Fui dos primeiros a saber da renúncia de Jânio. O repórter do Jornal do Brasil que cobria o Palácio do Planalto ouviu, na manhã do mesmo dia 24 de agosto, numa extensão, por acaso, Laudo Natel dar a notícia, pelo telefone, e me disse, em primeira mão. Eu estava na casa do chefe da sucursal, Raimundo Brito, e, também por acaso, atendi o telefonema.
Foram dias tensos. Não tinha como sair de Brasília. No roteiro de sua habitual paranoia, oficiais operativos invadiam com contingentes militares as casas onde funcionavam sucursais de jornais, na Avenida W3, procurando imaginárias estações de rádio amador.

No aeroporto fechado e às escuras, metralhadoras apontavam para supostos aviões que trariam do Oriente o vice-presidente João Goulart. Eu estava lá quando um piloto da Cruzeiro do Sul, que tentara inutilmente pousar em aeroportos alternativos, ameaçou pelo rádio lançar-se, com os passageiros, contra os prédios da Praça dos Três Poderes, aproveitando o pouco combustível que sobrava nos tanques. As luzes se acenderam e foi engraçado ver de longe a invasão do avião pelos soldados que esperavam prender Jango.
Dias sem dormir, com a mesma roupa, subi à sobreloja da sucursal e deitei-me em um sofá. Estava tenso, não dormia. Liguei o rádio e zapeei fugindo da animada música candangueira. Encontrei uma estação que tocava melodias suaves entre ruídos de estática, e cochilei.

De repente, o som elevou-se. Aumentaram a potência dos transmissores. E o locutor: “Rádio Brasil Central, emissora do governo do Estado de Goiás, passa a transmitir, nesse momento, em cadeia com a Rede da Legalidade, liderada pela Rádio Guaíba, de Porto Alegre”. Soaram os primeiros acordes do hino de Pereio. O Governador Mauro Borges convocava reservistas goianos para que se apresentassem nos quartéis ada Polícia Militar.

Nos dias seguintes, ouvi muito falar de Brizola, o agora herói da Pátria.”

PS. Quem acha que estas histórias têm exageros, leia o relato, publicado em 2011, do suboficial Caetano Angelo Vasto, publicado pelo jornalista Juremir Machado, onde ele conta em detalhes como se impediu o bombardeio do Palácio Piratini, inclusive a cena em que comunica que os aviões não decolarão armados ao Comandante da Base Aérea de Canoas e é ameaçado com um metralhadora no rosto. E não recua. Estes são, com Brizola, os heróis da Pátria.  Figuras que a história – cujos momentos de coragem não contam aos brasileiros –  fez grandes e  que ratinho algum irá roer.

(Fernando Brito)

FONTE: http://tijolaco.com.br/blog/a-historia-e-feita-pelos-homens-e-fica-mesmo-roida-pelos-ratinhos/


Veja porque Brizola merece ser um herói da pátria

legalidade

Dilma Rousseff sancionou hoje a lei que inclui Leonel de Moura Brizola no Livro dos Heróis da Pátria.

A lei, proposta pelo então deputado Vieira da Cunha em 2013, foi aprovada pelo Senado este mês.

Coincidência ou não, tem um significado nestes dias em que o golpismo trama contra a democracia.

De tudo o que fez, há algo em que Brizola é único.

Governar três vezes dois Estados diferentes, ter um terço dos votos de todos os cariocas como candidato a deputado no Rio de Janeiro, recém chegado aqui, em 1962, outros podem alcançar.

Sair  da roça, de pés descalços e tornar-se um dos políticos mais importantes do país, Lula provou que é possível e até mais além do que permitiram a Brizola ir.

Amar as crianças e a educação, ainda bem, tem na mesma linha Darcy Ribeiro, Paulo Freire, Anísio Teixeira, tantos…

Mas ter se erguido com a solidão e a coragem contra a ousadia de todos os ministros militares, a covardia dos políticos e a cumplicidade da mídia para evitar – ao menos por três anos – um golpe e uma ditadura, perdoem-me só ele.

Leonel Brizola é, agora com as formalidades, um herói da pátria.

Porque não há pátria sem povo, não há povo sem liberdade e a liberdade tem seus heróis tanto em quem a conquista como em quem a defende à custa de sua própria vida.

Há 15 anos, contra a vontade de Brizola, que achava que não tínhamos meios, fiz um vídeo sobre os instantes heroicos de 1961, com imensa pobreza de recursos e talento, mas com uma imensidão de desejo de dar – no final de sua vida – ao meu comandante por 20 anos a emoção que aqueles acontecimentos haviam lhe dado 40 anos antes.

Sem saber, eu começava ali as despedidas de alguém que, para mim, nunca se foi. Só quase três anos depois, na véspera de sua morte, ele apertaria tão forte a minha mão.

Divido com vocês o privilégio de ter podido reconstituir os dias de herói do agora e sempre Herói da Pátria Leonel Brizola.

(Fernando Brito)

FONTE: http://tijolaco.com.br/blog/33027-2/


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  1. […] Médico tem-se que estudar Medicina… e passar por Escolas e vários Professores ! O depoimento do Fernando Brito já é muito bom, mas o testemunho da Professora Elika Takimoto é algo que todos deveriam ler e […]

  2. Geneton: grande sujeito, grande repórter e as bombas de que Brizola escapou

    Por Fernando Brito · 23/08/2016

    Geneton Moraes Neto se foi, aos 60, pelas complicações de um aneurisma.

    Não fui seu amigo pessoal, mas devo a ele a parte mais valiosa do documentário que fiz sobre a resistência legalista de Brizola em 1961.
    Quinze anos atrás, um simples telefonema fez com que ele me cedesse uma fita cassete que era uma preciosidade.
    Uma, das muitas que ele recolheu naquilo que escolheu fazer: reportagem sobre a História brasileira.
    Era o depoimento do escritor Oswaldo França Júnior, nos anos 60 piloto da Força Aérea Brasileira, narrando os preparativos e a frustração do bombardeio ao Palácio Piratini, de onde Leonel Brizola, governador gaúcho, comandava a resistência ao golpe para impedir a posse de João Goulart, em 1961.
    É coisa que muita gente não faz ideia ou acha apenas “lenda” política.
    Reproduzo o texto – e a transcrição – feitas por Geneton, com todo o mérito que tem de fazer um registro primário da história que muitos não acreditam que este país viveu e que ele, repórter da história brasileira, não deixou que se perdesse:

    O ESCRITOR RECEBE UMA MISSÃO : MATAR LEONEL BRIZOLA
    Geneton Moraes Neto
    A História poderia ter tomado um rumo diferente em 1964 se tivesse havido uma resistência igual à’ que Leonel Brizola comandou em 1961 para garantir a posse do então vice-presidente João Goulart na presidência da Republica depois da renuncia de Jânio Quadros. Com um microfone nas mãos,Brizola comandara em 1961 uma campanha pela legalidade : se a presidência estava vaga,o vice Goulart e’ que deveria assumir. Não era o que os militares queriam.Mas foi o que aconteceu.
    A resistência legalista de Brizola em 1961 por pouco não acaba em bombas e balas. Piloto da FAB que anos depois ficaria famoso como escritor,o mineiro Oswaldo Franca Junior recebeu,com os colegas,uma missão que,se executada,poderia resultar na eliminação física do ex-governador Brizola sob um monte de escombros,num palácio bombardeado.
    Oswaldo Franca Junior tinha um demônio dentro de si.Queria um exorcista.Todas as tentativas de traduzir o demônio em palavras foram frustradas.Bem que tentou,mas não conseguiu transformar em texto a incrível experiencia quer viveu nos tempos em que era oficial da Forca Aérea Brasileira,no começo dos anos sessenta. Extremamente rigoroso com o que escrevia,a ponto de só aproveitar dez de cada cem paginas que produzia,Franca Junior despejou na lata de lixo as tentativas de relato da época. Se transformadas em livro,as confissões do ex-primeiro tenente Franca Junior poderiam ter virado best-seller politico : basta saber que ele participou diretamente de uma operação secreta para bombardear o Palácio onde estava o então governador Leonel Brizola,em Porto Alegre.Franca Junior estava pronto para levantar voo num dos aviões que despejariam bombas sobre o Palácio. Nesta entrevista,ele revela com todos os detalhes como a operação foi preparada.
    Diante do gravador,Oswaldo Franca Junior relatou com desembaraço o que jamais conseguiu escrever.Uma coisa e’ certa : Franca Junior e’ seguramente o único escritor em todo o mundo que recebeu uma ordem expressar para bombardear um palácio e matar um governador.Expulso da Aeronáutica pela Ato Institucional Número 2 como ‘’subversivo’’,Franca Junior virou corretor de imoveis,vendedor de carros usados,dono de carrocinhas de pipoca e ate’ administrador de uma pequena frota de táxis ,antes de ficar conhecido nacionalmente com o romance ‘’Jorge,um Brasileiro’’, em 1967.
    Vai falar o escritor que como piloto,esteve a um passo de se envolver numa carnificina a mando dos superiores :
    GMN : Você e’ seguramente um caso único de escritor que recebeu ordens expressas para eliminar um governador de Estado num bombardeio a um palácio. Você pode revelar em que circunstancia exatamente foi dada a ordem de eliminar o então governador do Rio Grande do Sul,Leonel Brizola ?
    Franca Junior : ‘’Você quer saber em que circunstâncias…Eu servia no Esquadrão de Combate,em Porto Alegre.Era a unidade de combate mais forte que existia entre o Rio de Janeiro e o Sul.Era o 1º do 14º Grupo de Aviação. A gente usava um avião inglês que,na FAB,recebeu de F-8. ( Nota do Tijolaço: era o Gloster Meteor, jato logo posterior à 2a. Guerra) Logo depois da renúncia de Jânio Quadros,em 1961,Brizola fez a Cadeia da Legalidade através das emissoras de radio e se entrincheirou no Palácio do Governo,em Porto Alegre.O comandante do meu esquadrão nos reuniu e disse : ‘’Nos acabamos de receber uma ordem para silenciar Brizola.Vamos tentar convence-lo a parar com esse movimento de rebeldia.Se ele não parar com essa campanha,vamos bombardear o Palácio e as torres de transmissão da rádio que ele vem usando para fazer a Cadeia da Legalidade.Vamos fazer tudo ‘as seis da manhã.Vamos tentar dissuadir Brizola ate’ essa hora.Se não conseguirmos,vamos bombardear’’. Nos ouvimos essas palavras do comandante.Todo oficial tem uma missão em terra,alem de ser piloto de esquadrão. Eu era chefe do setor de informação. Recebi ordens de calcular o quanto de combustível ia ser usado e quanto tempo os aviões poderiam ficar no ar.Dezesseis aviões foram armados para a operação. Pelos meus cálculos,a gente ia pulverizar o Palácio do Governo ! O armamento que a gente tinha em mãos era para pulverizar o palácio. Um ataque para acabar com tudo o que estivesse la’.Não ia haver dúvida.Os aviões foram armados.Nos nos preparamos.Colocamos as bombas e os foguetes nos aviões. Ficamos somente esperando chegar a hora,quando o dia amanhecesse.Mas criaram-se ai vários impasses,vários problemas sérios. Durante o tempo em que ficamos esperando,nos todos sabíamos que iriamos matar muita gente. Num ataque como aquele ao Palácio,bombas e foguetes cairiam na periferia.Muitas pessoas iriam ser atingidas.Alem de tudo,Brizola estava com a família no Palácio,cercado de gente.Havia gente armada la’,mas não ia adiantar nada,diante do ataque que iriamos deflagrar com nosso tipo de avião. Podia ser que um ou outro avião caísse,o que não impediria de maneira nenhuma o ataque e a destruição do Palácio. E ai’ começou o questionamento.
    O militarismo tem dois alicerces básicos : a disciplina e a hierarquia. Você não pode mexer nesses dois alicerces.Toda a carreira,todos os valores,todo o futuro do militar e’ garantido em cima desses dois suportes. Você ,quando e’ militar,sabe exatamente o que vai acontecer com você daqui a dez,vinte anos,baseado nessa hierarquia e nessa disciplina.Isso da’ uma segurança e um ‘’espirito de corpo’’ bem desenvolvidos.Mas,diante de nos,os tenentes que íamos fazer o ataque,e não estávamos incluídos na alta cúpula,apresentou-se uma incoerência : se o presidente da Republica,chefe supremo das Forcas Armadas,renunciou,automaticamente quem deve assumir e’ o vice-presidente.Nos nos perguntávamos ali : por que o Estado Maior – que não fica acima do Presidente da Republica – pode determinar que um vice-presidente não pode assumir ? Então,ha’ uma incoerência interna na hora de obedecer a uma ordem assim.Por que ? Porque aquela ordem,em principio,ja’ quebrava a hierarquia,a base do sentimento militar.Nos começamos a pensar.Mas íamos decolar,sim,para o ataque ! Durante a noite,no entanto,houve um movimento inteligente,partido principalmente do pessoal de base.O avião de caca só leva um pessoa,o piloto.Mas e’ necessário ter uma equipe grande de apoio no solo.E essa equipe de apoio,formada principalmente por sargentos,impediu a decolagem dos aviões. Os sargentos esvaziaram os pneus.E trocar de repente todos os pneus dos aviões de combate e’ um problema técnico complicado e demorado.Os aviões,assim,ficaram impedidos de decolar na hora do ataque.Houve uma movimentação. E o Exercito ajudou a controlar a divisão interna na Base Aérea.
    O Estado Maior mudou a ordem,para que nos nos decolássemos para São Paulo.E,para a viagem de Porto Alegre para São Paulo,os aviões não poderiam decolar armados.Por que ? O avião de caca e’ uma plataforma que você eleva para transportar armamentos.Ali dentro só existe lugar para colocar combustível e arma.O piloto vai num espaço pequeno. Então,tiraram os armamentos dos aviões para encher de combustível. Somente assim seria possível chegar a São Paulo.O Estado Maior estava centralizando o poder de fogo para que,se houvesse um guerra civil, eles estivessem bem equipados’’.
    GMN – Como militar,você cumpriria sem discussão essa ordem de bombardear o Palácio e eliminar fisicamente o governador ?
    Franca Junior : ‘’Naquelas circunstancias de Porto Alegre,eu obedeceria, sim. Obedeceria ! Um ou dois meses depois eu iria questionar.Por que ? Porque ali foi um ponto de ruptura,um divisor de águas. Naquela crise,em que passamos a noite inteira nos preparando para bombardear o Palácio do Governo,surgiram vários questionamentos. Somente de madrugada e’ que houve o problema da sabotagem dos aviões. Agora nem tanto,mas antes você só era preparado para ;utar contra o inimigo externo. E de repente nos chegou aquela ordem para bombardear Brizola de uma hora para outra. Não houve nem uma preparação psicológica nossa. Você, então, começa a se questionar : por que e’ que as pessoas estão fazendo aquilo ? Por que a realidade brasileira e’ essa ? O militar, em qualquer crise politica,não e’ como o civil – que pode fazer a opção sobre se vai participar ou não. O militar e’ obrigado a participar – e de arma na mão !’’.
    GMN – Você é que escolheu as bombas que seriam usadas para matar Brizola ?
    Franca Junior : ‘’Não. Ajudei a verificar o volume de combustível nos aviões. Nós iriamos usar bombas de 250 libras.E 15 foguetes. Cada avião iria levar quatro bombas de 240 libras,alem de quatro canhões. Eu digo : a gente ia pulverizar tudo ! O armamento que iriamos usar não era para intimidar…’’.
    GMN – Quando estava fazendo os cálculos de combustível e de armamentos,você pensava em que ?
    Franca Junior -’’O questionamento vem surgindo aos poucos.A primeira impressão e’ que tinha acontecido algo serio e nos não tínhamos ainda acesso às informações sobre o que havia ocorrido.Haviam,provavelmente,descoberto ligações de Brizola ou de um grupo grande.O bicho-papão,na época,eram os comunistas. Então,eles devem ter descoberto uma trama tao diabólica e tao generalizada que estavam tomando uma atitude seria para impedir que o presidente assumisse’’.
    A experiencia que vivi foi inusitada,porque você julga que uma guerra civil pode pode surgir de um encadeamento de fatos que leva anos – mas não de uma hora para outra,como ali : uma pessoa vem e dá uma ordem.Se o pessoal de apoio da Base Aérea de Porto Alegre não tivesse impedido a decolagem dos aviões, nos teríamos decolado e destruído o Palácio. Não tenha duvida ! Isso forçosamente teria desencadeado um problema seriíssimo no Brasil’’.
    GMN – Pouquíssimos escritores viveram,na vida real,historias com uma forca dramática tao grande.Por que e’ que você nunca quis descrever todos estes acontecimentos literariamente ? Por que você despreza uma experiência tao rica ?
    Franca Junior – ‘’Não e’ que eu despreze ! E’ diferente.Fui aviador durante anos e anos .O fato de lidar com aviação faz com que você adquira uma matéria-prima rica,porque levam o ser humano a se desnudar e a demonstrar quem e’. E eu levei quase vinte anos para conseguir escrever uma historia que trata de aviação. Eu tinha vontade de escrever.Quando começava uma história, percebia que estava tudo falso !’’.
    PS. Aqui, você pode ouvir a narrativa de França Júnior, na sua própria voz, no documentário a que me referi.


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