Lula X Cunha

01/02/2016 às 21:34 | Publicado em Artigos e textos | 2 Comentários
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Esses dois artigos para mim estão intimamente ligados. Posto primeiro o positivo, mesmo porque a maioria que só acessa a grande mídia certamente não o leu. O segundo é apenas a constatação que a Justiça neste país é parcial, o que não é novidade alguma (por óbvio eu retirei a foto do mala-mor atual desta ResPública).


Prêmio Nobel da Paz convida Lula a participar de conselho global pelos direitos das crianças

27/01/2016 19:00

SatayarthyLula

O ex-presidente aceitou o convite de Satyarthi e se colocou à disposição da nova iniciativa. Foto: Ricardo Stuckert/Instituto Lula

Nesta quarta-feira (20), o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu Kailash Satyarthi, ganhador do Prêmio Nobel da Paz em 2014. O indiano, que é ativista pelos direitos das crianças, foi recebido na sede do Instituto Lula e veio a São Paulo fazer um convite a Lula.

Satyarthi está formando um conselho com a presença de outros ganhadores do Prêmio Nobel e líderes mundiais para colocar em pauta questões como trabalho infantil, tráfico de pessoas e o trabalho escravo. O ativista afirmou a Lula que está em busca de pessoas que sejam uma “voz moral” no mundo e que “essa voz estaria incompleta sem o senhor”.

O ex-presidente agradeceu o convite e aceitou participar da iniciativa capitaneada por Satyarthi. Segundo Lula, “o Brasil está fazendo sua parte” no combate ao trabalho infantil através de “políticas de inclusão social que nos fizeram avançar muito”. “Não podemos permitir retrocesso”, disse. “As mulheres e crianças subiram um degrau em termos de direitos humanos, mas ainda pode subir outros mais”, completou. O ganhador do Nobel disse que Lula é “não apenas o presidente dos pobres, mas o economista dos pobres”. O ex-presidente afirmou preferir ser chamado de “amigo dos pobres”.

Satyarthi também agradeceu a Lula por ter feito “campanha para incluir a causa do trabalho e da exploração infantil nas metas do miênio” da Organização das Nações Unidas (ONU). “Isso ajudou muito”, afirmou. “O senhor foi o primeiro líder mundial a se comprometer com essa questão”, relembrou. Os dois já haviam se encontrado em 2013, no Instituto Lula.

FONTE: http://www.institutolula.org/premio-nobel-da-paz-convida-lula-a-participar-de-conselho-global-pelos-direitos-das-criancas


Um país que protege Cunha e persegue Lula é um país doente

A Lava Jato perdeu o pudor.

O nome Triplo X, referência sibilina ao mítico ‘Triplex do Lula’ é um acinte. Está claro que se trata de erradicar não a corrupção – mas de caçar Lula.

Fosse outro o propósito você não teria um ataque tão sistemático a Lula enquanto um homem como Eduardo Cunha borboleteia, livre para armar as delinquências em que é mestre.

Era mais honesto batizar a operação como Caça Lula.

Os suíços entregaram de bandeja documentos que comprovam corrupção em níveis pavorosos de Cunha. Ele mentiu, sonegou, inventou desculpas aberradoras e usou até a palavra ‘usufrutuário’ para tentar encobrir sua condição de dono de milhões na Suíça.

Não foi apenas isso.

Depoimentos de fontes variadas coincidiram em relatar ameaças de paus mandados de Cunha contra pessoas que pudessem dizer coisas comprometedoras contra ele.

Vídeos mostraram expressões aterrorizadas de delatores ameaçados por homens de Cunha. Parecia coisa de Máfia. Falaram até na família. Em filhos. Disseram que tinham o endereço para a retaliação.

Não foi um depoimento nesse gênero. Foram pelo menos três, dois de delatores e um de um deputado que era um problema para Cunha na Comissão de Ética que o julga.

Que mais queriam? Que um cadáver amanhecesse boiando num rio?

E as trocas de emails com empresas beneficiárias de medidas provisórias?

Com esse conjunto avassalador de evidências, Eduardo Cunha aí está, na presidência da Câmara, ainda no comando de um processo viciadíssimo que pode cassar 54 milhões de votos.

Cadê a Polícia Federal? Cadê Moro? Cadê uma operação realmente para valer para investigar as delinquências conhecidíssimas de Cunha.

Nada. Nada. Nada.

É uma bofetada moral inominável nos brasileiros. É a completa desmoralização da política.

Enquanto a vida é mansa para Cunha, para Lula é uma sucessão infindável de agressões.

Virou piada que até ser amigo de Lula se caracterize como algo capaz de incriminá-lo. Mas coloquemos o adjetivo certo: é uma piada repulsiva.

Um apartamento banal numa praia banal – a cidade plebeia do Guarujá – adquire ares de uma propriedade suntuosa que Lula jamais poderia comprar. É um tríplex, uma palavra feita para impressionar e ludibriar a distinta audiência.

Não interessa se quatro ou cinco palestras de Lula seriam suficientes para comprar o apartamento. Não interessa se ele tem documentos que comprovam que ele não comprou, afinal, o imóvel.

O que importa é enodoar a imagem de Lula. Caracterizá-lo como um corrupto, um ladrão, um monstro de nove dedos. O maior vilão da história do Brasil.

Alguém – PF, Moro, imprensa – deu um passo para saber se a residência de Eduardo Cunha é compatível com seus rendimentos de deputado? Alguém apurou se ele tem condições de bancar uma vida de fausto para a mulher, à base joias e extravagâncias como aulas de tênis no exterior?

Ninguém.

É um país doente aquele que protege Eduardo Cunha e investe selvagemente contra um homem que cometeu o pecado de colocar os excluídos na agenda nacional como nenhum outro desde Getúlio Vargas.

Estamos enfermos – e Moro e sua Lava Jato são sintomas eloquentes dessa nossa deformação moral.

(Paulo Nogueira)

FONTE: http://www.diariodocentrodomundo.com.br/um-pais-que-protege-cunha-e-persegue-lula-e-um-pais-doente-por-paulo-nogueira/

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  1. ELIO GASPARI

    JK na Vieira Souto e Lula em Guarujá

    03/02/2016 02h00

    Dias depois da morte de Juscelino Kubitschek o presidente Ernesto Geisel recebeu uma carta de um coronel zangado. Ele dizia:

    “Estamos assistindo a ‘choradeira’ nacional pela morte de JK, muito bem urdida e explorada pelos comunas e seus eternos aliados irresponsáveis. (…) O que é mais triste, prezado amigo, e disto discordo, é ver-se o governo decretar luto oficial por três dias.”

    JK tivera um funeral apoteótico e Geisel contrariara a opinião do seu ministro do Exército, decretando o luto. O presidente tinha horror a Juscelino e anos antes participara da decisão que cassou seu mandato de senador, banindo-o da vida pública por dez anos. Geisel anotou na carta do coronel:

    “O lamentável é que as provas não eram provas de qualquer valor jurídico. Na realidade, eram indícios, embora todos soubéssemos da ladroeira consumada. Eu penso que não houve, nem haveria condenação.”

    O símbolo da “ladroeira” era um apartamento no edifício Ciamar (Avenida Vieira Souto, 206, o mesmo onde viveria Caetano Veloso).

    Como chefe do Gabinete Militar da Presidência e secretário-geral do Conselho de Segurança Nacional, Geisel acompanhara o inquérito que investigou o caso do apartamento. As acusações eram duras. Sem concorrência, JK entregara a construção de uma ponte unindo o Brasil ao Paraguai a um consórcio de empreiteiras (Sotege-Rabello). Os empreiteiros seriam responsáveis pela construção do edifício Ciamar e também por benfeitorias feitas num terreno que o governo paraguaio doara a Juscelino na região de Foz do Iguaçu.

    Quem passava pela Vieira Souto e via “o apartamento do Juscelino” decidia que JK era corrupto e seu governo, uma “ladroeira consumada”. Afinal, fora substituído por um político que fez da vassoura o símbolo de sua campanha. O ex-presidente foi proscrito por uma ditadura que tinha como objetivo afastá-lo da sucessão presidencial de 1965. A corrupção era um pretexto.

    O eixo empreiteira-apartamento-presidente ressurgiu com as conexões em que se meteu Lula. O tríplex do edifício de Guarujá reencarna o da Vieira Souto e Nosso Guia, como JK, pode ser candidato à Presidência. Para quem não gosta dele, como para quem não gostava de Juscelino, não há o que discutir: é a “ladroeira consumada”. Felizmente, a ditadura se foi e restabeleceu-se o Estado de Direito. Nele, acusação não é prova e a condenação depende do respeito ao devido processo legal.

    O tríplex de Guarujá está sendo tratado de forma semelhante ao apartamento de JK. Um promotor de São Paulo acredita que já juntou provas para comprovar a malfeitoria de Lula. O núcleo de investigadores da Lava Jato, menos espetaculoso, vem buscando a conexão da maracutaia a partir da lavanderia de dinheiro de uma offshore panamenha. Tomara que feche o círculo.

    Metamorfose ambulante, Lula diz que não é dono do tríplex e que desistiu dele em novembro passado. Também não tem nada a ver com o sítio de Atibaia. Acredita quem quiser. Certezas, cada um pode ter as suas; sentenças, só a Justiça produz. O papel do Ministério Público e do Judiciário é o de trabalhar em cima de provas, porque se essa porteira for aberta, não se derretem apenas os direitos de pessoas metidas em “ladroeiras consumadas”, derretem-se os direitos de todos.

    O edifício Ciamar foi rebatizado e hoje se chama JK.

  2. A cadeia de Lula, por Jari da Rocha

    Por Jari da Rocha, colaboração para o Tijolaço · 23/01/2016

    lulajari

    A entrevista de Lula aos blogueiros (esses blogueiros… sempre contrariando a imprensa bacana) ainda vai dar muito o que falar.

    Lula decepcionou mais uma vez. Quem o queria abatido, se abateu. Quem queria ver o olhar perdido, se perdeu de vez. Quem o queria na cadeia, terá que esperar a vez.

    Lula disse: “To no jogo!”

    Resta apenas choramingar, mentir, pinçar frases, descontextualizar.

    Não há cadeia suficiente para Lula, não há construção erigida que suporte tamanha pena, que dê conta de tanto pecado. Haja grades de ferro e de aço que sejam capazes de segurar, de reter e de trancafiar tanta coisa numa só, tanta gente num só homem. Não há cadeia no mundo que seja capaz de prender a esperança, que seja capaz de calar a voz.

    Porque, na cadeia de Lula, não cabe a diversidade cultural
    Não cabe, na cadeia de Lula, a fome dos 40 milhões
    Que antes não tinham o que comer
    Não cabe a transposição do São Francisco
    Que vai desaguar no sertão, encharcar a caatinga
    Levar água, com quinhentos anos de atraso,
    Para o povo do nordeste, o mais sofrido da nação.
    Pela primeira vez na história desse país.

    Pra colocar Lula na cadeia, terão que colocar também
    O sorriso do menino pobre
    A dignidade do povo pobre e trabalhador
    E a esperança da vida que melhorou.

    Ainda vai faltar lugar
    Para colocar tanta Universidade
    E para as centenas de Escolas Federais
    Que o ‘analfabeto’ Lula inventou de inventar
    Não cabem na cadeia de Lula
    Os estudantes pobres das periferias
    Que passaram no Enem
    Nem o filho de pedreiro que virou doutor.

    Não tem lugar, na cadeia de Lula,
    Para os milhões de empregos criados,
    (e agora sabotados)
    Nem para os programas de inclusão social
    Atacados por aqueles que falam em Deus
    E jogam pedras na cruz.

    Não cabe na cadeia de Lula
    O preconceito de quem não gosta de pobre
    O racismo de quem não gosta de negro
    A estupidez de quem odeia gays
    Índios, minorias e os movimentos sociais.
    Não pode caber numa cela qualquer
    A justiça social, a duras penas, conquistada.

    E se mesmo assim quiserem prender
    – querer é Poder (judiciário?),
    Coloquem junto na cadeia:
    A falta d’água de São Paulo,
    E a lama de Mariana (da Vale privatizada)
    O patrimônio dilapidado.
    E o estado desmontado de outrora
    Os 300 picaretas do Congresso
    E os criadores de boatos
    Pela falta de decência
    E a desfaçatez de caluniar.

    Pra prender o Lula tem que voltar a trancafiar o Brasil.

    O complexo de vira-latas também não cabe.
    Nem as panelas das sacadas de luxo
    O descaso com a vida dos outros
    A indiferença e falta de compaixão
    A mortalidade infantil
    Ou ainda (que ficou lá atrás)
    Os cadáveres da fome do Brasil.

    Haja delação premiada
    Pra prender tanta gente de bem.
    Que fura fila e transpassa pela direita
    (sim, pela direita)
    Do patrão da empregada, que não assina a carteira
    Do que reclama do imposto que sonega
    Ou que bate o ponto e vai embora.

    Como poderá caber Lula na cadeia,
    Se pobre não cabe em avião?
    Quem só devia comer feijão
    Em vez de carne, arroz, requeijão
    Muito menos comprar carro,
    Geladeira, fogão – Quem diz?
    Que não pode andar de cabeça erguida
    Depois de séculos de vida sofrida?

    O prestígio mundial e o reconhecimento
    Teriam que ir junto pra prisão
    Afinal, (Ele é o cara!)
    Os avanços conquistados não cabem também.

    Querem por Lula na cadeia infecta, escura
    A mesma que prendeu escravos,
    ‘Mulheres negras, magras crianças’
    E miseráveis homens – fortes e bravos
    O povo d’África arrastado
    E que hoje faz a riqueza do Brasil.

    Lula já foi preso, ele sabe o que é prisão.
    Trancafiado nos porões da ditadura
    Aquela que matou tanta gente,
    Que tirou nossa liberdade
    A mesma ditadura que prendeu, torturou.
    Quem hoje grita nas ruas
    Não gritaria nos anos de chumbo
    Na democracia são valentes
    Mas cordatos, calados, covardes
    Quando o estado mata, bate e deforma.

    Luis Inácio já foi preso,
    Também Pepe Mujica e Nelson Mandela.
    Quem hoje bate palmas, chora e homenageia,
    Já foi omisso, saiu de lado e fez que não viu.

    Não vão prender Lula de novo
    Porque na cadeia não cabe
    Podem odiar o operário
    O pobre coitado iletrado
    Que saiu de Pernambuco
    Fugiu da seca e da fome
    Pra conquistar o Brasil
    E melhorar a vida da gente
    Mas não há
    Nesse mundão de meu Deus
    Uma viva alma que diga
    Que alguém tenha feito mais pelo povo
    Do que Lula fez no Brasil.

    “Não dá pra parar um rio
    quando ele corre pro mar.
    Não dá pra calar um Brasil,
    quando ele quer cantar.”

    Lula lá!


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