30 Dicas para sobreviver às semanas da discussão do impeachment

12/04/2016 às 3:53 | Publicado em Artigos e textos | 3 Comentários
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Excelentes sugestões de Sakamoto, confiram !


30 Dicas para sobreviver às semanas da discussão do impeachment SAKAMOTO

Estas próximas semanas têm tudo para estarem entre as mais tensas da história recente do país, com a discussão e votação do impeachment de Dilma Rousseff no Congresso Nacional, manifestações pró e contra tomando as ruas , instituições democráticas sendo colocadas à prova a todo o tempo. Isso sem contar a imprensa, tradicional ou alternativa, que terá que realizar seu trabalho de forma razoável, digna e crível – e provar isso.

Mas também vai ser um teste sobre a capacidade de cada um de nós de respirar fundo e refletir diante da tensão. Nos últimos tempos, a quantidade de informação incorreta, distorcida, mal-checada e brotada mais do desejo do que da realidade tomou conta. Como diria um colega jornalista, do maior telejornal ao pequeno site de notícia, está difícil saber se um gato é um fato ou uma falha na Matrix.

Organizei um apanhado de 30 sugestões para ajudar no consumo de informação nestas semanas. Ele não resolve o problema, claro. Solução seria se os brasileiros fossem formados para a mídia e para a tolerância – coisa que não são. Mas pelo menos a lista ajuda na reflexão.

Se checamos a validade, o cheiro e a aparência de um produto antes de comê-lo, por que colocamos para dentro qualquer porcaria que aparece sem questionar?

Seguem as sugestões:

1) Não forme opinião apenas pelo que dizem sites de internet, veículos de imprensa e, principalmente, políticos e lideranças sociais.

2) Desconfie de seus amigos, chefes, colegas, vizinhos, governos. Se você quer prezar sua sanidade mental, considere uma boa dose de cinismo como aliada. Não o bastante para se tornar uma pessoa que não acredita no mundo e no seu semelhante, mas o suficiente para não ser uma cobaia. Agora e sempre.

3) Não tenha medo de soltar um “Para, miga, cê tá loka!” diante de algo que você sabe infundado passado adiante por um conhecido. Lembre-se que o silêncio é cúmplice.

4) Ponha em xeque os ensinamentos de sua família, do seu professor, de seu guru espiritual ou daqueles que dizem falar em nome do seu deus. Duvide inclusive da lista deste jornalista cabeçudo (mas que te ama).

5) Esteja aberto a pontos de vista diferentes dos seus, sem necessariamente comprar as ideias neles presentes.

6) Absorva o máximo de informação possível, de fontes com visões diferentes. Depois, com calma, converse, verifique, reflita e analise antes de formar opinião.

7) Pense. Não deixe que pensem por você.

8) O mundo não precisa ser colorido e engraçado. A vida não é conto de fadas. Conforme-se com isso e pare de fugir, criando bandidos e mocinhos, heróis e vilões, onde eles não existem.

9) Se alguém é petista, psolista, tucano, palmeirense, corintiano, flamenguista, fluminense, Garantido, Caprichoso, esquerda, direita, centro, onívoro, vegano, pedestre, ciclista, motorista não significa que seja o mal encarnado. Talvez apenas pense diferente de você.

10) Criticar as ideias e ações fazem parte do debate público. Mas cuidado para não transformar o outro em nada, desconsiderando-o por sua opinião.

11) Olhe sempre a data de um texto antes de achar que é uma novidade.

12) Fuja de textos anônimos como o diabo foge da cruz.

13) Procure sempre saber quem é o autor de um texto assinado.

14) Desconfie de “evidências” bombásticas e irrefutáveis. Quem se apresenta assim normalmente é fruto de mimimi e blablablá.

15) Busque o contexto em que a notícia está.

16) Leia o texto inteiro e não tire conclusões antes de termina-lo.

17) Não se deixe levar por quem escreve bonito. Ou quem fala bonito.

18) Não se apegue tanto às imagens. Elas são importantes, mas podem ser manipuladas como textos.

19) Leia tantas coisas com as quais discorda quanto com as quais concorda. Isso é difícil, mas entender o outro lado ajuda inclusive a reforçar o seu.

20) Não divulgue notícia sem antes checar se a fonte de informação é confiável.

21) Não espalhe notícias relevantes sem atribuir a elas fontes de informação. Um “cara gente boa” ou um “Best Friend Forever” não é, necessariamente, fonte de informação confiável.

22) Tuítes e posts sem fonte clara, jamais deveriam ser aceitos como instrumento de checagem ou comprovação. Sites que caluniam e não se dignam a informar quem é o responsável, muito menos.

23) Não esqueça que informação precede opinião. Não esqueça que informação precede opinião. Não esqueça que informação precede opinião. Não esqueça que informação precede opinião. Não esqueça que informação precede opinião.

24) Não repasse informações que não fazem sentido algum só porque você não gosta da pessoa ou instituição em questão. A disputa entre posições políticas deve ser baseada em um jogo limpo e não em invenciones.

25) Lembre que mais vale um tuíte ou post atrasado e bem checado que um rápido e mal apurado. E que um número grande de retuítes, compartilhamentos e “likes” não garante credibilidade de coisa alguma.

26) Não esqueça que qualquer apuração feita pessoalmente, por telefone e/ou por e-mail precede, em ordem decrescente de importância, o chute. E que uma profunda reportagem deveria valer mais que um meme na formação da sua opinião.

27) Não tenha pudores de reconhecer, rapidamente e sem poréns, um erro em caso de divulgação ou encaminhamento de informação incorreta. Pedir desculpas é divino.

28) Não é porque algo está circulando na internet, foi impresso em jornal, transmitido por rádio ou apareceu na TV que é verdade. O conteúdo tem que provar que é verdadeiro, pelas evidências que traz, pela credibilidade de quem o traz.

29) Na hora do embate de ideias, tenha calma. Dê a si mesmo o direito de se questionar e se perguntar se está certo. Nossa natureza não é de certezas, e sim de dúvidas.

30) E lembre-se: Falta amor no mundo, mas também falta interpretação de texto.

(Leandro Sakamoto)

FONTE: http://blogdosakamoto.blogosfera.uol.com.br/2016/04/09/30-dicas-para-sobreviver-as-semanas-da-discussao-do-impeachment/

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  1. Muito bom! Não regras para o impeachment, são conselhos para viver em sociedade hoje em dia!

  2. Os vazamentos da Lava Jato e a lição da escola Base, por Janio de Freitas
    DOM, 10/04/2016 – 12:35

    Jornal GGN – Em sua coluna de hoje na Folha de S. Paulo, Janio de Freitas comenta a fala do presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos, Roberto Caldas, que criticou vazamentos de delações e investigações durante solenidade no Supremo Tribunal Federal. Janio relembra o caso da Escola Base e diz que os vazamentos das investigações da Lava Jato e da Zelotes seguem o mesmo padrão adotado na cobertura jornalística sobre o caso da escola: “um policial/procurador diz, é o suficiente”.

    O colunista diz que há, também, o agravante da seletividade das informações vazadas, dizendo que não é decente embaralhar doações legais e ilegais, pagamentos e caixa dois. Para ele, a Lava Jato, como função do Estado, e não pode estar a serviço de correntes políticas e ideológicas. Por último, afirma que a Lava Jato e a imprensa não seriam prejudicadas se adotassem práticas que respeitassem as leis e a ética. Leia mais abaixo:

    Da Folha

    A lição da escola

    Janio de Freitas

    Uma única certeza: seja qual for o desfecho da crise, será muito ruim. Isto supondo-se que haja desfecho, propriamente dito, e não a também possível continuidade da degradação caótica como um estado permanente. A “Constituição Cidadã”, as leis, a reverência ao Direito, a ética jornalística, a administração pública, as práticas políticas, a respeitabilidade mínima do Congresso, a divergência com convivência –o que aí não está muito abalado é porque já desmorona.

    A meio da semana, um aspecto dessa situação motivou observações que há poucos anos o Brasil não precisaria ouvir, sobre o respeito a procedimentos judiciais. Vieram de ninguém menos do que o próprio presidente da Corte Interamericana de Direitos Humanos, Roberto Caldas, em solenidade no Supremo. Referia-se, não citando por delicadeza diplomática, aos “vazamentos” de delações e investigações:

    “Em vários países, quando se divulgam elementos da investigação, tais elementos se tornam nulos. Vejam o quanto isso é grave: tornam-se nulos.”

    No Brasil, essas práticas já estão no território da imoralidade. A começar da denominação ingênua de “vazamento”. São acusações pesadas, em deliberada confusão de dinheiro sujo e doações legais. “O ex-ministro Delfim Netto participou da criação do segundo consórcio; Delfim teria ganhado propina de R$ 15 milhões” –disse um grande jornal, entre outros que apenas mudaram a forma. Se, porém, Delfim trabalhou para o consórcio de Belo Monte, teve o seu preço e o que recebeu não foi “propina” –que, no caso, é dinheiro comprometedor e em geral criminoso.

    Nos anais da imprensa brasileira estará para sempre o “caso da Escola Base”. Era 1994 quando as mães de duas crianças denunciaram à polícia paulista que os donos da escola faziam orgias sexuais com os pequenos alunos. O delegado Antonino Primante revirou as casas dos acusados e a escola. Nada encontrou, nem em depoimentos. Crianças passaram por exame pericial, que nada constatou. Indignada, uma das mães repetiu a denúncia para a TV. Um escândalo fenomenal tomou a imprensa. A escola e as casas dos seus donos foram atacadas, eles estiveram presos. E mais dois delegados só puderam concluir que não havia sequer um leve indício de veracidade da acusação.

    Os donos da escola tiveram as vidas arruinadas. Só a Folha se retratou. Nas Redações, houve uma onda de “lição da Escola Base”: não mais encampar acusações morais sem a segurança necessária, comprovar a seriedade do informante e a qualidade da informação, e por aí. Inúmeros artigos, debates, seminários ocorreram durante anos. Os “vazamentos” da Lava Jato, da Zelotes (sobre o Conselho da Receita Federal) e outros, seguem o mesmo padrão do caso Escola Base: um policial/procurador diz, é o suficiente.

    Agora, um agravante sobre o caso anterior: o direcionamento.

    A seletividade dos “vazamentos” originários da Lava Jato incorpora-se à crescente imoralidade política: a Lava Jato é uma função do Estado, e não pode estar a serviço de correntes políticas e ideológicas.

    Por que o escarcéu só com alguns dos apontados pelo ex-presidente da Andrade Gutierrez, Otávio Marques Azevedo, como recebedores de dinheiro do consócio construtor da usina Belo Monte? Por que embaralhar doações legais e ilegais, pagamentos e caixa dois? Não é decente.

    Em nada prejudicariam a Lava Jato e a imprensa as práticas, de parte a parte, respeitosas das leis pela primeira e da ética pela segunda. O procurador-geral Rodrigo Janot emitiu, há duas semanas, recomendações de sobriedade e obediência às normas. Falou ao vento, e, como em toda parte, a desordem ficou por isso mesmo. E foi o próprio Janot a dar uma colaboração: inverteu parecer de março para acusar Dilma Rousseff de “intenção (…) de tumultuar o andamento das investigações criminais da Lava Jato”. O Supremo, então, é incapaz para investigar Lula? Mas Janot invocou-se também com “as circunstâncias anormais da antecipação da posse” de Lula. É claro que se tratava de proteger Lula de novas exorbitâncias. Mas, ao que se saiba, presidente ainda decide data e hora das posses ministeriais e fazê-lo não constitui delito. Ao que se saiba, não. Sabia-se.

  3. O que pensa do golpe um homem de bem do Ministério Público
    Por Fernando Brito · 08/04/2016

    alvarocosta
    Um dos nomes mais respeitados do Ministério Público Federal, ex-Subprocurador-Geral da Instituição, seu promeiro chefe na área de Direitos Humanos e ex-Ministro da Advocacia Geral da União, o jurista cearense Alvaro Augusto Ribeiro Costa publica hoje, no GGN, artigo de grande clareza a demonstrar a ilegalidade de um processo de impeachment que só alegadamente tem a ver com crime de responsabilidade.
    Impeachment, diz ele, “não passa de instrumento de golpe quando lhe falta justa causa.”
    Resta saber se o nosso Supremo Tribunal Federal vai, diante de um golpe parlamentar, consagrando uma ilegalidade, dirá: “ah, eu não tenho nada com isso, é com o pessoal aí da casa ao lado”.

    Impeachment ou golpe?
    Alvaro Augusto Ribeiro Costa, no GGN
    Falsa questão!
    Respeitáveis juristas vêm repetindo – e a mídia golpista propaga à exaustão – que impeachment não é golpe porque está previsto na Constituição. Óbvio demais para ser verdadeiro.
    Não é preciso ter passado sob as arcadas do Largo de São Francisco ou pisado as escadas da Escola de Tobias Barreto para saber o que está e o que não está na Lei Maior.
    A questão não é essa.
    O que respeitáveis personalidades não disseram – nem poderiam dizer sem desmentir seu notório saber jurídico – é que impeachment sem justa causa jurídica não é golpe.
    Para ficar no plano das obviedades, as leis e as decisões judiciais também são previstas na Constituição. Nem por isso deixam de ser inconstitucionais quando lhes falte fundamento ou justa causa. Difícil de entender?
    Não custa, então, ser mais didático ainda, para quem não pode ou não quer compreender: os automóveis não são, em tese, instrumentos ou armas para a prática de crimes. Mas podem ser usados para atropelar pessoas.
    Assim também, o impeachment. Pode ser instrumento do mais grave dos crimes: o atentado contra a democracia. É o que acontece quando não existe o crime de responsabilidade.
    É o que ocorre quando se pretende derrubar por qualquer meio o Presidente da República legitimamente eleito.
    Em outras palavras: impeachment, mesmo previsto na Lei Maior, não passa de instrumento de golpe quando lhe falta justa causa.
    Todos sabem disso. Até mesmo os promotores do golpe em pleno andamento sob a liderança de quantos notórios desinteressados paladinos da moralidade.
    Eles mesmos o confessaram tempos atrás, quando anunciaram o impeachment antes mesmo de encontrarem um pretexto.
    Eles mesmos o confessam agora, tentando alterar ou suprir a cada momento a flagrante ausência de justa causa para o atentado em andamento; ontem eram as chamadas pedaladas, que poucos sabem o que sejam; hoje, palavras pinçadas de uma gravação ilegalmente obtida e criminosamente divulgada. Amanhã, o que será?
    Curioso, aliás, é notar como, de repente, as palavras golpe e golpista passaram a espantar tanto certos personagens seletivamente escolhidos pela grande mídia e por ela sacramentados com o dom da infalibilidade.
    Por que o pavor de simples palavras? Será o medo da própria consciência ou do julgamento da História?
    Melhor não seria, para essa gente, assumir de uma vez e sem hipocrisia um dos lados? O dos democratas ou o dos golpistas?
    Afinal de contas, a hipocrisia é apenas a homenagem que a mentira presta à verdade.
    E dizer que não é golpe o impeachment que se anuncia sem causa é pretender atropelar a verdade.
    Golpe é golpe. É simples assim


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