Não acabem com nossa internet !

02/05/2016 às 3:48 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Não havia publiado ainda nada aqui sobre a recente polêmica da cobrança “limitada” da Internet. Segue hoje este artigo do Professor Nélson Pretto, da UFBA, publicado no jornal A TARDE, Salvaor-BA, no último sábado. Vale a pena conferir: NÃO ACABEM COM NOSSA INTERNET é um grito de alerta, como ele lembra no final: “Nesses tempos de obscurantismo, todo o cuidado é pouco, pois os retrocessos aparecem e aparecerão em todas as áreas

internet-justa


Não acabem com nossa internet   nelson.pretto

Os ataques à internet são diários. As grandes corporações das telecomunicações, mas não só elas, articulam-se de forma intensa para impor seus modelos de negócios em todos os aspectos do sistema de comunicação mundial. Um sistema com intensa evolução tecnológica e que, obviamente, exige investimentos. Mas não é possível que, em nome desses investimentos, que nem mesmo são claramente apresentados à população, essas empresas queiram transferir todo o custo para o cidadão.
A última investida das operadoras foi anunciar o fim da chamada internet ilimitada para as conexões fixas, derrubada temporariamente pelo pleno da Anatel, que contrariou a opinião do seu presidente ao vaticinar o “fim da internet ilimitada”. Pior, ele ainda culpou os jovens (“deseducados”) por jogarem online! A Anatel, que nasce como órgão regulador do sistema, há muito tempo tem representado com mais força as empresas de telecomunicações do que os cidadãos brasileiros. As reações a mais essa investida das operadoras foi seguida de imediata e contundente reação dos órgãos de defesa do consumidor, de ativistas da cultura
digital, OAB e todos nós, cidadãos que não aceitamos essas mudanças que nos trazem
sempre prejuízos.
Caso seja imposto esse limite, boa partedos atuais consumidores que assistem a filmes e vídeos, falam e escrevem livremente, terminará sua “cota” mensal em apenas um ou dois dias. Os movimentos sociais, já fortemente articulados através das redes, sofrerão profundo golpe ao sentirem na pele a limitação do uso, em função do aumento dos custos de conexão. Já imaginamos a negativa de fornecimento de senhas wi-fi nas casas e espaços públicos, estimulando o crescimento de comportamentos avessos à colaboração e camaradagem, evidenciando mais ainda posturas individualistas e egoístas, já preconizadas por uma sociedade do consumo generalizado, que pouco pensa no coletivo.
Nesses tempos de obscurantismo, todo o cuidado é pouco, pois os retrocessos aparecem e aparecerão em todas as áreas.

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, 30.04.2016

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