Duas domingueiras

22/05/2016 às 19:04 | Publicado em Artigos e textos | 4 Comentários
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Para fechar o domingo: a primeira é de Antônio Prata e veio da Folha de hoje; a segunda, Política com Vatapá, é do A TARDE de ontem.


‘Sê-lo-ia’, Clotilde!  antonio-prata_thumb

Ai, Clotilde, você viu como ele fala bem? Elegante. Outra postura, né? É, “adevogado”. E aquela hora que ele falou assim, como é? Ah: “Sê-lo-ia”! “Sê-lo-ia”, Clotilde! Imagina se o Lula ia falar uma coisa dessas? De improviso, ainda? Você viu os grampos do Lula?! Pra mim só aqueles palavrões já bastava pro Moro prender. Falta de educação, né? Não teve berço.

Não, eu, desde 2003 que eu tenho aquele adesivo da mão sem mindinho no carro! Eu tenho no meu, o Gilberto no dele, a Vanessa no dela e o Gilzinho no dele. Quer dizer, tinha no dele, né, que o Gilzinho bateu de novo. Ah, sabe como é, garoto, vai na festa, bebe, adianta falar? Mas tá lindo o meu Gilzinho, tem que ver! Forte! Não, saiu do jiu-jítsu, graças a Deus! Ele ia em festa, arrumava briga, cansei de ver o Gilberto saindo da cama de madrugada pra ir na delegacia molhar a mão de todo mundo. É, é da idade, eu sei.

O Gilberto falou que no tempo dele fazia igualzinho, mas o pai dele era general, né? Um telefonema e resolvia, agora não. Agora é essa corrupção horrorosa, tem que dar dinheiro pra todo mundo. Tá, a Vanessa tá bem, sim. Um pouco gorda, pra variar… Até falei pra ela, outro dia, minha filha, vem cá, corre, vem ver a Marcela na TV, olha essa mulher! Me diz, me diz se ela tivesse gorda que nem você quando o Temer apareceu lá em Paulínia? Imagina se o Temer ia se interessar por ela! Ela tava com 19, você já tá com 22, minha filha. Quando tinha passeata eu falava, Van, tem que ir! Só gente bonita! Assim de empresário! Assim de menino de família! Acha que ela me ouvia? Fazer o quê…

No mais tudo bem, sim. Quer dizer, médio. O Lu tá com aquela alergia de novo. As patas todas vermelhinhas, coitado. Não, troquei de veterinário, agora tô indo num que dá floral. É, floral. Ele falou que essa alergia do Lu podia ser psicossomática. Ele perguntou: “Cês tão com algum problema na família, alguma coisa assim?” Problema? Não… Aí eu matei! Era esse clima horroroso do país que o Lu tava somatizando! Ele ouvia a Dilma na televisão, o grampo do Lula, o Gilberto xingando, a gente batendo panela… Cachorro é muito sensível. Até isso o PT fez com a gente, Clotilde!

Mas parou, parou, vamos falar de coisa boa! Você foi na Francesca, ontem? Ah, nem me fala! Eu também! Meia hora parada esperando a polícia tirar aqueles vagabundos na rua, aí eu desisti. Ó lá, caímos no mesmo assunto! Clotilde, eu vi os baderneiros pelo vidro do carro: que gente feia! Tão diferente da nossa passeata! E você não vê nenhuma bandeira do Brasil ali no meio! Ninguém de verde e amarelo! Eles não têm orgulho de ser brasileiro? Sabe que é isso, Clotilde? É Lei Rouanet. É, eu li no Face. O governo roubava dinheiro da Petrobras e dava pros artistas, aí os artistas passavam direto pro MST, “black blocs”, pra esses baderneiros. Chico Buarque, Leticia Sabatella… Aquele velho que gosta de mostrar a bunda… Isso! Zé Celso! Sério! Tava no Face! Mas acabou, Clotilde! Acabou a palhaçada! Derrubamos os petralhas, depois vamos prender o Lula, depois o Chico, depois a pentelha da Leticia Sabatella, depois o velho peladão e depois sabe o que, Clotilde? Sabe o quê? Depois vamos comemorar que a gente recuperou nosso Brasil de volta! Em Aspen!

Beijo, Clotilde! Amém!

(Antônio Prata)


POLÍTICA COM VATAPÁ  receita_de_vatapa

No padrão

Conta Sebastião Nery em1.050 histórias do folclore político brasileiro que José de
Almeida, contador do Banco do Brasil em Barreiras lá por meados dos anos 60,
realizava o cadastro da agência.
Lá um dia recebeu o Heroíno Pita, fazendeiro da região, tipo coronelão, mas
figura de bom trato, quase analfabeto.
Respondeu ao formulário: nome completo, idade, propriedades etc.
– Me diga mais uma coisa, Sr. Heroíno. Quantos filho o senhor tem?
– Tenho oito.
– Puxa… O senhor tem uma prole grande, não é mesmo?…
Heroíno sorriu, respondeu:
– Não é como o senhor está pensando não. É normal.

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4 Comentários »

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  1. Manu, a filha do Deputado Paulo Teixeira (PT)

    Manu, filha do Paulo Teixeira, postou agora no Face:

    Carta ao meu pai

    Querido Pai,

    A democracia que vivi nesses vinte e tantos anos de vida foi presente seu e dos camaradas que lutaram ao seu lado.

    Prá mim, foi uma vida inteira.

    Prá vc, intervalo de tempo de um sorriso ínfimo de quando beija-flor visita e vai embora.

    Agora, segue uma estrutura politica maquiada de democracia. Mas por dentro, sabemos que eles voltaram: são filhos geracionais dos senhores de engenho, das oligarquias cafeeiras, filhos dos militares de 64, donos dos grandes meios de comunicação do pais, fazendeiros escravocratas…

    Pai, se estiver cansado, passa a tocha na minha mão, descansa.

    A luta agora é com a minha geração. Tenho aproximadamente a tua idade quando começou a militar nas comunidades eclesiais de base; carrego um tanto da sua energia aqui dentro, agora é minha vez.

    Se do contrário, ainda tem força, vou ter a honra de lutar ao seu lado. E continuar empenhando esforços para implantar uma democracia madura, talvez pronta apenas pros teus netos.

    Meu velho pai, tão novo na aparência e nos sonhos, o sonho da democracia plena ainda não acabou. Nossa nação é jovem, acredito que ainda vai sofrer tiranias violentas até se rebelar.A gente ainda mata indios e negros, como nossos colonizadores. A gente ainda cala e subjulga as mulheres, tal qual fazemos com animais. Somos séculos de atraso.

    Mas as leis terão valores, pois as pessoas serão mais esclarecidas. Nada impede que façamos o novo nascer.

    A responsabilidade de fazer parte da estrutura politica do país deve ser onerosa e ingrata. Sei que há pesos em seus ombros, mas por onde passa você deixa apenas flores.

    Obrigada por lutar com seus companheiros para que eu pudesse crescer numa democracia, ou melhor, num rápido ensaio de democracia.

    Obrigada por me ensinar o valor do bom combate.

    A luta continua.

    Com amor e gratidão da filha que te ama.

    Manu

  2. Muito bons os textos, Zé!

    Apesar de engraçado, o segundo texto não me interessou tanto quanto o primeiro… Por isso, deixemos o tamanho da “prole” do sr. Heroíno Pita para outra hora… 😉

    Com relação ao primeiro texto, lembrou-me uma personagem de Chico Anysio que conversava com o presidente da época (Figueiredo, acho). Muito bem escrito porque, apesar de crítico, não deixa de ser engraçado. Acho que passaria fácil por alguma censura, se ainda houvesse… Parabéns!

    Deste, dois trechos me chamaram mais atenção:

    O Gilberto falou que no tempo dele fazia igualzinho, mas o pai dele era general, né? Um telefonema e resolvia, agora não. Agora é essa corrupção horrorosa, tem que dar dinheiro pra todo mundo.

    Sabe o quê? Depois vamos comemorar que a gente recuperou nosso Brasil de volta! Em Aspen!

    Muito bons! 😉

  3. Valeu ZeLuis, o primeiro texto é muito bom mesmo. O segundo faz apenas parte do folclore político dessa terra brasilis. Abs.

  4. […] O segundo, “O triunfo da esperança”, é de Walter Queiroz. E o último é para dar risada, POÍTICA COM VATAPÁ. Os três são do jornal A TARDE, Salvador-BA, de […]


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