Três em um neste sábado

28/05/2016 às 11:58 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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O primeiro, “Lombroso analisa Júcá”, é de Jânio Ferreira, O segundo, “O triunfo da esperança”, é de Walter Queiroz. E o último é para dar risada, POÍTICA COM VATAPÁ. Os três são do jornal A TARDE, Salvador-BA, de hoje.


Lombroso analisa Jucá  janio_thumb

Os poucos que me dão a honra nestes escritos quinzenais sabem da minha simpatia por Lombroso (criminologista italiano nascido no século 18), um apaixonado defensor da tese que pregava que certas características físicas do ser humano eram determinantes para o ofício da delinquência. Assim, suspeitos com mandíbulas avantajadas, nariz adunco e maçãs do rosto proeminentes – entre outros aspectos – já entravam no julgamento praticamente
condenados, sem qualquer presunção da inocência. Pois muito bem. Depois de pouco mais de um ano em que descrevi alguns personagens das primeiras listas do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, pela ótica lombrosiana (só pra lembrar: Edison Lobão: “Aspecto de homem-mosca com ancestralidade transilvânica”; Renan Calheiros: “Jeitão manso de gato capado com bochechas em forma de tangerina temporã”; Eduardo Cunha: “Risinho de hiena prestes a devorar filhotes de guarás planaltinos”…), eis que o seu fantasma puxa meu dedão do pé e diz: “Vai, seu velho do São Francisco, use novamente minha tese e expurgue essas recentes assombrações que atormentam sua madorna que lhe prometo sonhos de um
outono na Toscana”. Bem mandado que sou, aproveito o termo da moda e fá-lo-ei somente por fazer, sem nutrir nenhuma esperança de receber em troca quimeras magistrais com garrafas de Brunello na minha mesa numa pracinha em Montalcino, pois promessa de fantasma é pior do que compromisso de candidato em época de campanha. Em frente.
Assim que vi as fotos dos ministros de Temer (ele próprio um gêmeo sem bigode do Amigo da Onça, genial personagem que habitava as páginas de O Cruzeiro), logo percebi que alguns deles carregam em suas carapuças os imutáveis vestígios da culpa, a exemplo de Jucá, a bola da vez dessa nova e complicada jornada. Fala, Lombroso! “Cabra com sotaque peculiar de quem comeu muito bode no sertão pernambucano, seu conjunto facial transita entre Nigel, a cacatua má do desenho animado, Rio, com Zeca Urubu, o vilão que vive atrapalhando a vida do Pica-Pau. Perdeu, Kakai !”.

(Jânio Ferreira Soares)


O triunfo da esperança

De fazer corar países, a exemplo de Israel, capazes de investir com denodo em cada milímetro do seu pequeno território, desperdiçamos, todo santo dia, toneladas de alimentos que reaproveitados poderiam resolver a nossa ancestral subnutrição. Hortas coletivas fruto de parcerias público-privadas arregimentando mão de obra ociosa poderiam fazer uma
revolução na mesa soteropolitana. No bojo de uma grave crise político-econômica fazemos com a maior desfaçatez feriados prolongados, prejudicando os negócios, o labor
administrativo, corroborando infeliz assertiva do ex-presidente francês Charles De Gaulle: “Le Brésil n’est pas un pays serieux”. A estarrecedora notícia da falta de vacinas contra uma gripe mortal condena milhões de brasileiros à própria sorte e nenhuma autoridade sanitária é chamada à responsabilidade.
Chega “de tanto ver triunfar as nulidades”, como nos admoestava o grande Ruy Barbosa, e propugnemos por uma nova era de triunfo da justiça e da meritocracia com trabalho para todos em todos os cantos, em todas as áreas, vencendo a inércia e revogando um destino adverso. Sepultemos o bacharelismo e a retórica vazia tão a gosto das ideologias que pregam uma coisa e fazem outra. Derrogar o império das meias-verdades que condena ao impasse qualquer lucidez no confronto de opiniões. Relembrando a gloriosa saga da UNE da
minha geração quando liderava a resistência pacífica do povo brasileiro contra a ditadura,
propor uma assembleia geral permanente e vigilante da atual transição.
Num longo telefonema com meu amigo e parceiro, o extraordinário compositor pernambucano e sempre engajado politicamente Alceu Valença, constatamos que, apesar da nossa discordância, o respeito mútuo falando mais alto, tornou o diálogo mais rico para ambos. A vitória da santa tolerância contra o dragão da arrogância. Mais que dar o peixe, ensinar a pescar. Prevalecer a consciência da miscigenação como uma grande conquista do povo brasileiro. O triunfo da esperança.

(Walter Queiroz Jr.)


POÍTICA COM VATAPÁ

Mano Velho
Gentil Paraíso Martins, três vezes prefeito de Valença, nas três emplacando o sucessor, não sem motivo era chamado pelos adversários de Vaselina, e, pela população, de Mano Velho. O jeito dele: sempre cumprimentar as pessoas com um tapinha nas costaseafalamelosa:
– Como vai, Mano Velho…
Lá um dia estava ele na porta da sua loja de tecidos quando viu um jovem candidato a vereador ser abordado por alguém:
– Queria que você me arranjasse uma casa… Você sabe, vivo pagando aluguel…
E o candidato:
– Vá arranjar o que fazer! Eu não tenho casa pra mim, vou arranjar pra você?
O eleitor saiu enfezado, Gentil interveio junto ao candidato:
– Mano Velho, não é assim que se faz.
– E o que é que o senhor quer que eu faça, seu Gentil?…
– Caneta, meu filho, papel e caneta. Você anota e diz: tá anotado. Ele não se zanga e você só gasta papel e caneta.

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