A SOMA DE TODOS OS MEDOS

11/06/2016 às 19:45 | Publicado em Zuniversitas | 1 Comentário
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Já postei outros textos do Professor de História da UFBA Carlos Zacarias Júnior. Confiram mais esse !

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A SOMA DE TODOS OS MEDOS

Recorrente nas últimas escutas divulgadas, o medo dos dirigentes do país é que as coisas fujam do controle e as massas ocupem as ruas aos milhões, como ocorreu em junho de 2013. Não por acaso, as classes dominantes dispensaram o operador político intermediário impondo-lhe um controvertido impeachment e optaram por governar sozinhas, mesmo correndo o risco de reencontrarem o ódio visceral que os brasileiros lhe dispensam, algo que cresce diariamente.

Numa das conversas tornada pública entre Sérgio Machado, ex-presidente da Transpetro,
e Renan Calheiros, fica cristalino que a saída pensada podia incluir um acordo com o PT
de modo a livrar a cara de Lula e de Dilma e fazer com que Michel Temer não parecesse
um “sacana”. O temor era o de que a militância petista se inflamasse, algo que a Lava
Jato podia promover. Nas escutas entre Romero Jucá, senador do PMDB de Roraima, e
o mesmo Machado, o breve ministro do Planejamento de Temer apontava o erro do Ministério Público de São Paulo que conduzira coercitivamente Lula a depor.

As classes dominantes no Brasil têm razões para temer. Governam contra o povo e promovem negociatas, coisas que nesses tempos de escutas e Lava Jato implicam intenso perigo. O governo usurpador de Temer tem ainda maiores razões para ter medo, porque passa longe de ter qualquer relação com os setores populares. Lula e o PT foram necessários por um tempo, mas quando não se mostraram mais capazes de estabelecer a paz social e controlar as classes perigosas, algo que ficou notório em 2013, o lulopetismo tornou-se dispensável.

Ao bater na mesa e dizer que sabe negociar com bandidos, Michel Temer queria passar a
imagem de que é capaz de fazer um governo forte. É verdade que sua experiência com o
submundo pode lhe servir para lidar com o Congresso, mas que não se espere da patuleia
nenhuma paciência. A se crer nos ataques que prepara com as prometidas reformas
trabalhista e previdenciária, um novo Junho não deve tardar.

(Carlos Zacarias Júnior)

FONTE: jornal A TARDE, Salvador-BA, 10.06.2016

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