O partido da escola sem partido

29/07/2016 às 20:16 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 1 Comentário
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Mesmo achando que se trata de mais um absurdo nesses tempos temerários, vale a pena o artigo do Professor João Augusto de Lima Rocha. Como sempre ele lembra Anísio Teixeira, um dos maiores educadores deste país.


O partido da escola sem partido  joaoaugusto_thumb

Expressão das conquistas advindas da Revolução Francesa, a bandeira da escola pública, universal, gratuita e laica é fruto da concepção segundo a qual não é possível a democracia, sem que o Estado garanta a livre oportunidade de escola pública de qualidade para todos. Segundo Anísio Teixeira, o principal responsável pela defesa dessa tese, entre nós, a perspectiva de consolidação da democracia depende, essencialmente, do zelo do Estado com a educação pública. É sintomático que a primeira iniciativa do governo interino tenha sido abandonar o lema Brasil, Pátria Educadora, adotado pelo governo Dilma-Temer,  democraticamente eleito em 2014. O que teria mudado, se foi esse governo de coalizão
que bancou a colocação em prática do Plano Nacional de Educação (PNE) e assumiu o compromisso de ampliar as verbas para a educação até 10% do PIB?

Temer opera rápida inversão do propósito de abrir logo o anunciado saco de maldades, que inclui a desvinculação constitucional de verbas para educação e saúde, e surge, agora, com um saco de agrados, às custas das verbas do Tesouro! Talvez espere, com isso, garantir para si mais dois anos de mandato, na eleição indireta prevista para ocorrer no Senado, em agosto próximo, travestida de sessão de julgamento do impeachment de uma presidente, cujo único pecado foi não negociar com o multiplamente indiciado deputado Eduardo Cunha, em torno da defesa dele na Comissão de Ética da Câmara. Uma das pérolas alavancadas com a assunção do interino é a proposta da “escola sem partido”, em nome da qual o ministro interino da Educação recebeu um ator pornô politicamente ligado ao deputado rotoevangélico Jair Bolsonaro (PSC-RJ).

Pergunta-se: não será melhor, ao invés do partido único – da “escola sem partido” –, mantermos nas escolas a presença opcional de todos os partidos, opiniões e culturas diversas, imersos nas contradições entre os partidos políticos, expressão da liberdade de
opinião, tanto nas escolas como nas demais instâncias da sociedade democrática? Afinal,
de onde sairão os líderes dos partidos, senão da escola?

(João Augusto de Lima Rocha, Prof. titular da Politécnica – Ufba e membro do
Conselho Curador da Fundação Anísio Teixeira)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, hoje.

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  1. […] Professor João Augusto, da UFBA, já esteve aqui antes. Só a citação de Anísio Teixeira que ele faz no artigo já […]


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