As batidas de um coração

14/08/2016 às 8:55 | Publicado em Artigos e textos | Deixe um comentário
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Tostão, o craque da bola e da pena. Confiram e constatem que o futebol é apenas o mote para ele.

 

As megafestas … existem também para dar uma pausa no cotidiano, para respirar fundo, para esquecer a finitude da existência e para lembrar que a vida é um sopro ou uma batida do coração, como diz a bela música de Gonzaguinha.

Quanto maior a força e a excelência de um coração, menos ele precisa bater.

 

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As batidas de um coração

O ponto alto nas transmissões olímpicas da televisão foi a natação pelo SporTV, principalmente das finais, com a narração de Milton Leite, os comentários de Alex Pussieldi, Mariana Brochado e Fabíola Molina, e as ótimas entrevistas, à beira da piscina, da repórter Karin Duarte.
A entrevista com Mark Spitz, grande campeão de natação, foi excepcional. Ele justificou o motivo de ter parado cedo: porque, nos anos 70, ganhava muito mais fora das piscinas, pois era um nadador amador. Spitz completou que, com Phelps, ocorre o contrário. Uma das razões de ele permanecer por muito tempo e em forma é que, nas piscinas, como nadador profissional, ganha muito mais. São os novos tempos. Nem melhores nem piores. São tempos diferentes.
Dizem que a sala onde os nadadores ficam concentrados, geralmente tensos e calados antes de irem para a competição, é chamada de sala da morte. Quem perde, morre. Todos querem sobreviver.
As megafestas que ocorrem no Brasil e em todo o mundo, de duração variável e por motivos diferentes, como as do esporte (Olímpiadas, Copa do Mundo, Eurocopa, Copa América e outras), assim como o Carnaval e tantos outros eventos próprios de cada país, existem também para dar uma pausa no cotidiano, para respirar fundo, para esquecer a finitude da existência e para lembrar que a vida é um sopro ou uma batida do coração, como diz a bela música de Gonzaguinha.
Estou curioso para saber qual é a frequência do coração de um nadador, em repouso e nos instantes finais de uma dificílima competição. Conheci jogadores de futebol, cujos corações batiam, em repouso, pouco mais de 40 vezes por minuto, quase a metade de um homem saudável. Quanto maior a força e a excelência de um coração, menos ele precisa bater.
Escrevi esta coluna antes do jogo de ontem à noite, contra a Colômbia, uma seleção superior às outras três que o Brasil enfrentou. A fácil goleada sobre a Dinamarca deveria ter acontecido também nos dois jogos anteriores.
Por ter meias e atacantes hábeis e dribladores, os times brasileiros costumam ter dificuldades quando enfrentam defesas organizadas, de boa qualidade individual e que deixam poucos espaços. Por outro lado, quando estão inspirados e/ou encontram molezas, dão show de habilidade. Essa excessiva dependência de lances individuais é perigosa, daí a irregularidade. O jogo mais coletivo, com estocadas individuais, no momento certo, é mais seguro e mais regular.
O futebol brasileiro e o sul-americano vivem uma situação contraditória. Ao mesmo tempo em que há uma restrição ao individualismo de nossos meias e atacantes, os grandes times europeus são loucos para contratá-los, por serem capazes de, em um confronto individual, decidirem as partidas.
Quando o Brasil ganha e joga bem, tudo se torna uma maravilha. Quando joga mal e perde, é tudo péssimo. Esse extremo comportamento, de parte da imprensa e dos torcedores, de euforia ou de depressão, atrapalha a evolução do futebol.
Ganhar a medalha de ouro é quase uma obrigação, pela fragilidade dos adversários. Com a derrota, as críticas serão duras. Parece um raciocínio maquiavélico, ardiloso, mas é a realidade. A conquista seria o início de uma recuperação ou uma ilusão, por adiar a busca por um caminho mais correto?

Brasileirão

O Cruzeiro precisa ganhar, em casa, do Coritiba, um time que luta para sair da zona de rebaixamento. Pena que De Arrascaeta e Ariel Cabral não jogam. Os dois, desde a primeira passagem de Mano Menezes, foram muito bem. Com Mano, De Arrascaeta joga mais livre, formando dupla com o centroavante, sem precisar voltar para marcar. Romero, que estava na reserva do fraco time da Argentina nas Olimpíadas, deve substituir Cabral. Marcos Vinícius, outro jogador que foi muito bem com Mano Menezes, pode ser uma boa opção no lugar de De Arrascaeta.
O Atlético, contra o desfigurado Santos, sem metade de seus melhores jogadores, tem uma boa chance de confirmar a ótima fase, embora o Santos costume vencer, mesmo desfalcado, quando joga na Vila Belmiro.

(Tostão)

FONTE: Principais jornais do país, hoje.

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