Ecos das Olimpíadas: o retrato da covardia

25/08/2016 às 7:15 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | 5 Comentários
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Dia 6 desse mês, soprando forte nesta bela Pindorama os ventos olímpicos vindos originalmente da velha Grécia, eu lembrei num post a quem devemos tudo isso (“Os Deuses do Olimpo Visitam o Rio de Janeiro”). Retorno ao tema agora com esse bom texto de Paulo Pimenta. Se um povo não faz justiça, só a História a fará, confiram !


O retrato da covardia

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Pense comigo: um País luta por anos para conquistar a honra de sediar uma olimpíada. Disputa com grandes potências mundiais, e consegue. Na época Lula era o Presidente, e sua liderança, confiança e coragem foram decisivos para a conquista. Todos nós sabemos disso. Todos sem exceção sabem. No entanto seu nome jamais foi falado. Nenhuma autoridade brasileira, nenhuma grande rede de TV, nenhum jornal lembrou durante as olimpíadas que, sem ele, não existiria Rio 2016.
Dilma Rousseff, como ministra e como Presidenta, trabalhou muito para que o Brasil realizasse um evento de sucesso. Todos sabem que ela controlava pessoalmente os cronogramas, as metas e o andamento dos projetos para que tudo desse certo. Rio 2016 foi um sucesso. O nome de Dilma não foi citado. Não foi lembrado por ninguém.
Lula e Dilma tiveram seus nomes e protagonismos apagados da história da Rio 2016. Nas inúmeras retrospectivas nas TVs, suas imagens foram proibidas nas edições. Nos coquetéis e eventos, sequer fotos suas poderiam estar nos ambientes. Nos protocolos do governo interino seus nomes foram banidos.
O constrangimento foi a marca da presença dos representantes dos países que vieram ao Brasil. No coquetel que antecedeu a cerimônia de abertura, perguntavam insistentemente por Lula e Dilma. Muitos se reuniram com eles durante diferentes momentos na preparação dos jogos. Queriam vê-los, abraçá-los, agradecer. Mas suas presenças eram proibidas. Seus nomes, ignorados.
A vaia durante os 8 segundos envergonhados de Temer não deixou dúvidas: há algo muito errado acontecendo no Brasil.
No encerramento, pela primeira vez, ninguém veio. O primeiro-ministro japonês, por obrigação, por ser o próximo país-sede, teve que estar presente. Até agora tenta entender quem é esse indivíduo que não teve coragem de comparecer no encerramento do maior evento esportivo do mundo, que o Brasil é o anfitrião, porque tem medo do seu próprio povo. Temer é o retrato da covardia. O mundo sente vergonha por nós.

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(Paulo Pimenta – Deputado Federal)

 

FONTE: http://www.brasil247.com/pt/colunistas/paulopimenta/251019/O-retrato-da-covardia.htm

 

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  1. Outro agosto. Nova tragédia. Por Nilson Lage
    POR FERNANDO BRITO · 24/08/2016

    Faz hoje 62 anos que acordei às sete horas da manhã e liguei o rádio, curioso pelo que teria acontecido desde que, cinco horas antes, o desligara, cansado de ouvir Carlos Lacerda repetir a Raul Brunini, que fingia entrevistá-lo, o quanto era importante expulsar do Palácio do Catete o “ditador que navegava em um mar de lama”.
    A Rádio Globo, onde falara Lacerda, estava fora do ar. Na Radio Nacional, inesperadamente, Debussy. Só alguns minutos mais tarde entrou o prefixo do Repórter Esso e o locutor anunciou o suicídio, na madrugada, de Getúlio Vargas.
    Era o fecho de uma conspiração que transcorreu paralelamente nas esferas política, militar – essencialmente na Aeronáutica, de que provinha o candidato derrotado nas eleições de 1950 e hoje patrono da Força, Brigadeiro Eduardo Gomes –, e na imprensa, movida sob discreta coordenação dos poderosos Diários Associados, de Assis Chateaubriand.
    Chateaubriand, no entanto, não se expunha. Na linha de frente da campanha de insultos, calúnia e difamação estava seu ex-funcionário, dono da Tribuna da Imprensa, o mesmo Carlos Lacerda; e O Globo, vespertino regional carioca associado à emissora de ondas médias do mesmo nome. O dono do Globo era Roberto Marinho, que na época recolhia migalhas que sobravam no banquete de Chateau.
    Unindo essas forças, na retaguarda e inteligência do golpe contra Getúlio, os Estados Unidos. Os americanos não lhe perdoavam o preço que cobrou na negociação para a cessão de bases no Nordeste e envio da Força Expedicionária Brasileira à Itália: a construção da Usina Siderúrgica de Volta Redonda, da Fábrica Nacional de Motores e, principalmente, o planejamento da industrialização e desenvolvimento do Brasil por uma comissão econômica mista.
    Para a implantação dos projetos, o governo americano deveria destinar US$500 milhões no âmbito do Plano Marshall e, contanto com isso, o Brasil fez enormes concessões durante todo o governo de Eurico Gaspar Dutra, abrindo excessivamente seu mercado, comprando petroleiros (do Plano Salte) que se partiam no mar e perdoando grandes dívidas inglesas.
    Mas os americanos não mandaram um tostão.
    Getúlio governou dois anos de cintos apertados, criou um adicional ao Imposto de Renda, fez caixa e, então, iniciou a execução das obras por conta própria com recursos do Estado – da construção da Hidrelétrica da Paulo Afonso à criação da Petrobras para explorar um petróleo que se afirmava inexistir.
    Era homem honesto – sabe-se hoje com certeza – e patriota. O mar de lama foi invenção ou exagero retórico.
    Isso tudo é história: apenas uma tragédia, que se repetiu como tragédia já por duas vezes.

  2. Muito bom texto, Zé! E também excelente o texto de Fernando Brito que colocou como comentário! Aliás ainda não entendo por que você não coloca textos assim como posts independentes para dar-lhes o devido destaque… mas divago.

    Gostaria de contribuir com essa pequena reflexão (talvez eu venha a colocá-la lá em meu site, ainda não sei):

    ————

    Assim como um bom vinho, que precisa de parcimônia na degustação para ser apreciado, a História precisa de distanciamento para ser entendida.

    Não sou historiador, mas estou certo de que houve muitas críticas a Deodoro, a Oswaldo Cruz, a João Cândido (e seus companheiros), a Getúlio Vargas (bem lembrado no texto de Fernando Brito logo acima), a Kubitschek, a João Goulart e a Geisel em suas épocas.

    Não tenho dúvida de que houve erros (alguns por simples incompetência, outros por má fé mesmo), improbidade e corrupção no passado (e não apenas nos períodos citados!). Mas, à medida que os anos passaram, as críticas foram mudando e ficando mais amenas. Alguns acertos foram reconhecidos e biografias foram levemente retificadas… Alguns (como João Cândido e Oswaldo Cruz) passaram ao devido papel de heróis…

    Em alguns casos foi necessário mais, em outros, menos tempo, mas todos precisaram do devido distanciamento histórico para serem bem compreendidos.

    Da mesma forma, Collor ao menos acertou em uma coisa: a abertura de mercado. FHC pelo menos conseguiu equilibrar a economia e Lula e Dilma promoveram avanços sociais. Não vou discutir os erros ou o custo de cada um desses acertos: como disse no começo não tenho dados suficientes sobre cada uma dessas personagens e o distanciamento ainda é pequeno (obviamente, ainda menor para os governos mais recentes), mas precisamos reconhecer que a História demanda distanciamento para ser compreendida corretamente.

    Como disse no início, a História precisa ser analisada como degustamos um bom vinho… A principal diferença entre eles é que, na maioria das vezes, abusar do vinho não causa mais do que uma ressaca. Analisar a História sem distanciamento pode nos custar o futuro…

  3. Caro amigo ZeLuis, excelente esse seu comentário, digno também de um post. Sobre o motivo de ter colocado o texto do Fernando Brito como comentário, eu às vezes faço isso com outros posts. É que me falta tempo para colocar tudo que quero em posts. A minha meta, desde 2007, é fazer e publicar um post por dia aqui no ZEducando. Às vezes consigo fazer dois ou três no mesmo dia, normalmente aos sábados e domingos. Mas valeu a sugestão, abs.

  4. Oi José Rosa, de há muito Rodrigo (Dantas) me fala de sua página na rede. Somente agora estou tendo o prazer de conhece-la. E visitarei sempre. Aproveito para lhe convidar a visitar meu blog: blog de Mário César (peça assim ao google). um grande abraço de Mário César, o pai de Rodrigo (é tem que ter mais este sobrenome para que me apresente completamente. kkkkkkk )

  5. Valeu seu Mário, uma honra para mim a sua visita aqui neste espaço. Obrigado, abraços, José Rosa.


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