Anjos da guarda, uni-vos em prol dos brasileiros !

01/09/2016 às 20:12 | Publicado em Artigos e textos | 1 Comentário
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São 206 milhões de anjos da guarda de plantão a partir de ontem, um para cada brasiseiro. O problema é que se eles forem iguais ao do Veríssimo , apolíticos, estamos todos ferrados.


Zeloso guardador   Verissimo_sax

No outro dia estive conversando com meu anjo da guarda. Há tempo não nos falávamos. Na verdade, na última vez que me dirigira a ele, eu tinha uns 7 ou 8 anos. Começamos a conversa lembrando aquele tempo.

— Como era mesmo que eu dizia? “Santo anjo do Senhor, meu zeloso guardador…” Ele sorriu.

— É. Todas as noites, antes de dormir. E sempre terminava me pedindo para proteger toda a sua família, os amigos, os vizinhos e o doutor Getúlio Vargas.

— O doutor Getúlio Vargas?!

— Faz tempo.

— Foi você que não quis mais falar comigo. Eu continuei ouvindo.

— Pois é. Perdi a fé. Não acreditava mais em você. Aliás, continuo não acreditando.

— Tudo bem. Não é razão para não conversarmos. Eu não tenho preconceito.

— Teve uma coisa que sempre me intrigou: você, se existisse, seria o meu guardador particular, ou cada anjo cuidaria de várias pessoas ao mesmo tempo? Isso explicaria o fato de tantos morrerem fora de hora, enquanto outros sobrevivem. Os anjos da guarda não estão sobrecarregados?

— Não, não. Minhas instruções são cuidar de você com exclusividade. Dedicação integral. Sete por vinte e quatro, sem folga nos fins de semana.

— Eu não lhe dei muito trabalho, dei? Tive uma vida pacata…

—Bom, precisei intervir algumas vezes. Esta você nem vai se lembrar. Ainda garoto, você foi soltar um foguete e não se deu conta de que estava apontando o lado errado para cima. Se não fosse eu cochichar “Vira! Vira!” no seu ouvido, no último minuto, o rojão teria entrado no seu peito. Outra vez você estava num avião que saía do Galeão para Porto Alegre, e a decolagem teve que ser abortada na metade da pista. Poderia ter sido uma tragédia se não fosse a minha intervenção. No caso, intervi para salvar o seu ego, já que todo o time do Flamengo estava no avião, e o seu nome só sairia nos jornais sob “Também morreram…” .

— Mas fora isso…

— Fora isso, não tenho do que me queixar. Está sendo uma missão tranquila.

— Posso lhe pedir uma coisa, como fazia antigamente, quando eu acreditava?

— Depende. O que?

— Alguns congressistas brasileiros… Não dá para…

— Liquidá-los?

— Não. Mas quem sabe uma dor de barriga coletiva?

— Nós não nos metemos em politica.

(Luis Fernando Veríssimo)

FONTE: Principais jornais do país, hoje.

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  1. O GOLPE CONSUMADO
    R. Saturnino Braga
    Dilma Rousseff portou-se com dignidade perante o Senado. Falou das suas razões, das evidências, da importância da Democracia, das regras do regime presidencialista, que são as da Constituição Brasileira; falou do combate à corrupção, que ela propiciou plenamente, da crise econômica e dos interesses do povo brasileiro e da sua Nação; mostrou que não cometeu nenhum crime de responsabilidade. Respeitosamente respondeu, por mais de dez horas, a todas as indagações dos senadores. Honestamente. Dilma Roussef foi honesta; ela é uma pessoa honesta. Tenho muitos anos de vida política e conheci muitos políticos; muito poucos com a honestidade de Dilma Rousseff. Mas foi condenada, foi deposta; pelo Congresso mais corrupto de toda a história do Brasil. Pouco importaram a honestidade, a ausência de crime, as razões e evidências, as regras constitucionais, o regime democrático e os interesses nacionais. Falaram mais alto os grandes interesses do capital mundial, aliados aos mesquinhos interesses dos derrotados na última eleição, e o Brasil foi implacavelmente golpeado.
    Na política, como na guerra, prevalecem as razões do vencedor. E o mercado vai agradecer; os investidores que venceram vão procurar normalizar a situação econômica que eles puseram em crise para criar o clima de impeachment. A mídia controlada pelo grande capital vai dar boas notícias e a confiança dos empresários vai melhorar. Não tanto a dos brasileiros, a confiança da Nação Brasileira, que sabe que os vencedores de hoje não vêem o Brasil como uma nação soberana, mas como um subestado unido à América do Norte, com residência em Miami.
    Para mim, pessoalmente, é o momento mais deprimente de toda a minha vida política; é a negação das razões de luta de toda esta lide de cinqüenta anos: os ideais de democracia, de justiça e de nação soberana. Especialmente demolidora é a negação do caminho democrático para a Nação Brasileira, aquela crença que nos levou a criar o MDB e repudiar a luta armada dos revolucionários. Sim, tudo por água abaixo, a distribuição de renda revogada, os gastos sociais estancados, a Petrobras amputada, o pré-sal internacionalizado, o Mercosul destruído, a Unasul diminuída, o Brasil nos BRICS deslocado, o submarino atômico congelado, o enriquecimento de urânio parado, o Almirante Othon Pinheiro na cadeia, o Brasil enquadrado na sua dimensão menor, tal como foi com Getúlio e Jango, até a próxima tentativa, que não verei mais.
    Os rituais foram cumpridos, para disfarçar bem o golpe. Mais respeitados no Brasil, com mais aparato, os rituais do disfarce, do que no caso do golpe do Paraguai. Mas a democracia, mais uma vez, foi gravemente ferida, para não machucar os interesses do grande capital.
    Francamente, não sei como suportar mais este golpe. Alguns pontos de emoção grata que suavizam: a presença de Chico Buarque ao lado de Lula na sessão do Senado; o recuo de arrependimento dos golpistas na hora de cassar os direitos políticos de Dilma; palavras de estímulo de leitores e amigos que vou recebendo; a carta do Papa Francisco para a Presidenta Dilma, um reconhecimento à sua dignidade.
    Contudo, a depressão. A impotência ante a força maior. A vontade de adesão ao movimento “Our Revolution”, do Senador Bernie Sanders, como último caminho. Como se não houvesse um caminho brasileiro para o Brasil.


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