Apertadores de parafusos do capital

27/09/2016 às 16:00 | Publicado em Artigos e textos, Zuniversitas | Deixe um comentário
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Eu também tive oportunidade de estudar numa escola (Colégio Marista de Fortaleza-CE) onde se vivenciava Artes, Filosofia e Sociologia, como foi o caso do Professor Jorge Portugal. Muito oportuna essa sua crônica-depoimento em tempos de MP241, confiram !

Sem Artes, Filosofia, Sociologia teremos apenas “apertadores de parafusos” do capital. Que tal?

41262_Foto - Jorge Portugal

 

 

 

Charge


ARTES DO GOLPE 

Já escrevi neste espaço que A TARDE me concede que fiz o curso ginasial (olha o indicador de idade aíl) em Santo Amaro, no Centro Educacional Teodoro Sampaio, dirigido por  Luzuárea Pinto e, ainda de quebra, Jorge Montalvão e Édio Souza como vice-diretores. Esplêndido! Na cartilha de Tia Lu – assim a chamávamos – Matemática valia tanto quanto Teatro; Ciências, tanto quanto Música, ou seja, Artes e conteúdos tradicionais se equivaliam. Lembro-me de um dia em que ela, Tia Lu, estava prestes a lançar no Teodoro Sampaio a Selibasa – semana do livro baiano em Santo Amaro. Estava eu assistindo à aula de História com o Prof. Mário Valladares, quando veio a convocação para comparecer à diretoria. Fui apreensivo e um tanto trêmulo achando que tinha “aprontado” algo de que já não me lembrava. Ao chegar, ela incisiva: “seu Antônio Jorge, chamei-o aqui porque vamos lançar a Selibasa e quero que o senhor componha o hino. Agora! Argumentei que estava perdendo a aula de História, e ela imperturbável: “não se incomode; pedirei ao professor para repor pra você”. Entregou-me um violão conseguido não sei como, e eu compus ali mesmo o hino que, quase 50 anos depois, muitos ainda recordam. No Teodoro tínhamos aulas de Teatro, Canto Coral, Festivais de Música e a Semana do Livro com concursos de contos, poemas e recitais;]

Outro mestre de lá, Prof. Adroaldo Ribeiro Costa (alô, Vadinha Moural), já em Salvador, criou a consagrada “Hora da Criança”, conhecida por todos. Na visão de Adroaldo, uma criança ou jovem que houvesse passado por Teatro, Dança ou Música, necessariamente não viria a ser um grande artista do palco ou do cinema. Mas seria um adulto bem melhor. Um
médico mais humano, um advogado mais sensível e ético, e assim por diante.

Lembro essas histórias ante a recente MP 241, do governo Temer. Já houve recuo, recuo do recuo, mas a ideia não recuou, certamente, da cabeça deles. Sem Artes, Filosofia, Sociologia teremos apenas “apertadores de parafusos” do capital. Que tal?

(Jorge Portugal)

FONTE: Jornal A TARDE, Salvador-BA, hoje

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