Swush

10/10/2016 às 11:02 | Publicado em Artigos e textos | 2 Comentários
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Excelente essa crônica do Veríssimo publicada ontem nos principais jornais do país. Quem ainda não leu vale a pena conferir.

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Parábola. Estamos no século XIV. A peste negra assola a Europa. Uma cidade sitiada resiste ao cerco de forças inimigas, repele todos os ataques lançados contra as suas muralhas e recusa-se a capitular.

O comandante das forças sitiantes tem uma ideia. Manda as catapultas lançarem cadáveres dos que morreram da peste por sobre as muralhas da cidade sitiada, para infectar sua população. E lá vão os cadáveres pesteados.

Swush, swush, swush. Não dá certo.

— General, os habitantes da cidade estão fugindo dos corpos pesteados.

O comandante tem outra ideia.

—Comecem a catapultar pesteados ainda vivos. Assim eles podem correr atrás dos que fogem.

— Sim, senhor.

E lá vão os pesteados vivos. Swush, swush, swush. Não dá certo.

— General, os pesteados vivos, debilitados, não conseguem alcançar os que fogem.

O comandante tem outra ideia.

— Preparem os intrigantes.

Uma salva de intrigantes é disparada pelas catapultas sobre a cidade, com o objetivo de espalhar boatos infundados e semear a discórdia entre os defensores. Swush, swush, swush. Não dá certo. A resolução dos sitiados continua firme, apesar de as intrigas causarem algumas brigas familiares.

— Mandem os sofistas!

Lá vão os sofistas por cima dos muros, para começar discussões filosóficas sobre a futilidade de resistir, e da existência humana em geral. Swush, swush, swush. Não dá certo. A resistência continua.

— Disparar economistas!

Com suas análises e recomendações, em pouco tempo, os economistas criarão tamanha confusão na economia da cidade que enfraquecerão sua defesa. Swush, swush, swush. Também não dá certo.

— Disparem economistas de escolas diferentes! Swush, swush, swush, swush, swush, swush, swush.

A ideia é que economistas de escolas diferentes causem uma confusão ainda maior, obrigando a cidade a se render para evitar o caos. Mas também não dá certo. Não há indícios de desânimo ou rendição. Pelo contrário.

Começa-se a ouvir os sons inconfundíveis de um ensaio para o carnaval vindo de dentro das muralhas. Aparece um habitante da cidade acenando uma bandeira. Mas não é um sinal de capitulação. É para fazer um pedido:

— Atirem alguém que toque agogô!

(Luis Fernando Veríssimo)

FONTE: Principais jornais do país ontem.

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2 Comentários »

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  1. Kkkk muito bom!

  2. Porreta !!!


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